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24/04/2009 - 01:35

Maasai Mara: o jogo é avistar o maior número de mamíferos

POR HAROLDO CASTRO

Fred Sampuli Loonkishu é mais que um motorista ou guia de safári. Ele é um apaixonado pela natureza. O sangue maasai que corre em suas veias faz com que ele vibre quando está no mato, tentando descobrir animais camuflados. Quando ainda estávamos em Nakuru, mal tínhamos dado a volta no lago, ele já contava quantos mamíferos havíamos visto no primeiro parque nacional visitado. Ele lembrava os nomes e eu anotava no bloco de anotações, em meio a solavancos e buracos. Nossa memória conseguiu relacionar um total de 14. “Quero que, nessa viagem, nós possamos ver 30 mamíferos. Incluindo todos os Big Five”, afirmou Fred, lançando o desafio.

Lista de animais é coisa de naturalista de carteirinha. Os passarinhólogos de muita milhagem costumam anotar todas as espécies que já viram. Como também gosto de uma lista – principalmente da lista de países e de lances de Viajologia – topo a provocação de Fred.

Dois topis machos competem por uma fêmea. Não encontrado em Nakuru, o antílope topi (Damaliscus korrigum) entra como o 15º da nossa lista de mamíferos.

A reserva Maasai Mara é a mais visitada por turistas por duas razões. A primeira é para assistir a grande migração de mamíferos que acontece entre agosto e setembro. Rebanhos de gnus e zebras trocam a seca do parque Serengeti, na Tanzânia, pelas folhas verdes de Maasai Mara. “São milhões de animais, um espetáculo maravilhoso”, diz Fred. “Mas é o pior congestionamento de trânsito do Quênia, pois chegam centenas de veículos para o evento.”

A segunda razão para ir a Maasai Mara é sua paisagem: colinas onduladas, a verdura abundante (mesmo em tempos de seca como agora) e uma grande quantidade de mamíferos. “Difícil sair daqui sem ver pelo menos dois Big Five”, diz Fred.

Realizar um safári significa estar de olho atento durante os “game drives”, as saídas de van à procura de animais. Isso acontece duas vezes ao dia: de 6:30 às 9:30 da manhã e das 3:30 às 6:30 da tarde. Na hora do almoço, quando o sol está a pino e o calor é forte, melhor descansar do que estar nas trilhas. Na verdade, os animais mais interessantes estarão fazendo o mesmo, escondidos em algum canto do parque.

No final da tarde, quando as sombras são mais fortes e a luz suave bate de lado, encontramos um elefante solitário. É o terceiro dos Big Five.

Mas durante as seis horas de horário nobre, não se pode perder o foco. O tempo curto e é importante seguir as estratégias dos guias experientes como Fred. Desde que entrou no parque, ele tem um rádio de ondas curtas ligado numa frequência pré-estabelecida. Ele se comunica em idiomas locais – o maa (nativo) e osuaíli (nacional) – com alguns colegas e troca informações preciosas de onde estão os animais mais procurados.

O tom de voz de Fred muda e ele pisa no acelerador. Alguma boa notícia está no ar. “Um chita foi avistado a poucos quilômetros daqui, atrás daquele morro”, diz. O chita (Acinonyx jubatus) não é um dos Big Five. Mas como nunca consegui avistar esse felino em nenhum outro safári na África, ele é importante para mim. À medida que nos aproximamos dos veículos, minha excitação fotográfica aumenta. A surpresa é um belo animal que descansa na relva, sem se preocupar com a presença humana

Apesar de ser o animal mais veloz do planeta (atingindo a velocidade de 120 km/h), o chita não tem muita resistência na corrida e nem consegue subir em árvores, como faz o leopardo.

O sol está baixo e está na hora de começar o caminho de volta. Se os motoristas chegam ao portão de saída do parque com mais de 15 minutos de atraso, eles recebem uma multa. Nos últimos anos, Fred já levou quatro aqui em Maasai Mara (a última foi por trafegar fora das pistas). Ele não quer arriscar mais uma.

Já passam das 6 horas e estou satisfeito com a tarde. Temos pouco tempo de luz pela frente e nada deve acontecer nesses próximos 15 minutos. Mas, uma voz no rádio avisa que duas leoas acabam de ser observadas num córrego seco, perto de onde estamos. Este seria mais um Big Five novo! Fred não pensa duas vezes e muda de direção. Será que vamos ver mesmo uma leoa? Encontramos dois outros veículos, mas os motoristas parecem não saber onde a dupla se meteu. A cada minuto, o lusco-fusco se intensifica. Continuamos rodando. E fora das pistas. Mesmo se víssemos as leoas agora, eu não conseguiria fotografá-las direito. Com receio da multa (e dos guarda-parques, que já estão bravos por causa da invasão do gado), eu entrego os pontos. Afinal, nossa lista chegou na marca dos 20 mamíferos!

Fred concorda e dá meia volta. “Amanhã eu prometo que encontro essas duas leoas para você. O parque pode ser grande, mas elas não vão sair dessa área”, diz.

Autor: marinhosilva1961@ig.com.br - Categoria(s): Artigo em Destaque Tags: , , ,


1 comentário para “Maasai Mara: o jogo é avistar o maior número de mamíferos”

  1. gaby disse:

    eu gostei mais ou menus
    mas e importante

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