UM BREVE OLHAR SOBRE O OLHAR ELETRÔNICO

Em 1954, quando Alfred Hitchcock desenvolveu para o filme Janela Indiscreta a personagem Jeff, um repórter incapacitado por uma perna quebrada, que adota como passatempo bisbilhotar a vida de seus vizinhos através de sua janela, talvez ele estivesse antevendo algo cada vez mais comum em nossa sociedade contemporânea.
Tornou-se habitual nosso convívio diário com imagens de baixa ou péssima qualidade, captadas por câmeras amadoras, circuitos internos, cinegrafistas amadores, telefones celulares, paparazzos e tantos outros meios utilizados para a divulgação desde noticias relevantes a imbecilidades relativas às “celebridades instantâneas”. Isso sem citar a Internet, onde a quantidade de imagens alcança níveis absurdos e onde, num território livre, pode-se observar desde casais copulando em estacionamentos e elevadores até imagens inéditas de crimes hediondos.
O olho eletrônico é parte integrante de nossas vidas, de nossa rotina, quer queiramos ou não. Se voltado para a segurança da população, pode ser extremamente válido, mas qual o limite da licitude de tal situação? Por quais meios cenas de crimes ou acidentes vão parar em jornais sensacionalistas de fim de tarde? As famílias envolvidas têm algum direito sobre essas imagens?
Hoje somos protagonistas de cenas que se desenrolam desde nossa ida à padaria de manhã até um momento de descontração num barzinho no fim de noite! Até que ponto tal fato realmente ajuda em nossa sobrevivência, principalmente nos grandes centros urbanos?
Cada vez mais a privacidade humana deixa de existir (obviamente no aspecto abordado no texto). Nos dias de hoje não é mais possível sabermos se somos donos de nossas vidas privadas ou apenas personagens em “filmes” alheios. De qualquer maneira, não custa ficarmos atentos àquilo que fazemos, às nossas atitudes, afinal, de alguma forma, sempre há alguém dando “uma espiadinha”!
Marcelo



