O NAUFRÁGIO DO PRÍNCIPE DE ASTÚRIAS

Em 1916, no extremo sul de Ilhabela, São Paulo, o navio espanhol Príncipe de Astúrias naufragou, deixando um saldo de 445 mortos entre os 582 tripulantes.
O navio era um dos orgulhos da marinha mercante espanhola, possuía 150 metros de comprimento e deslocava até 17.000 toneladas de carga. Foi construído dois anos antes de seu naufrágio, no estaleiro inglês de Glasgow.
A embarcação fazia a rota Madri – Buenos Aires e trazia uma valiosa carga de cobre, estanho, chumbo e, possivelmente, 40.000 libras esterlinas, além de doze estátuas de bronze destinadas a um monumento na Argentina.
Na madrugada de 06 de março de 1916, enquanto vários passageiros dormiam e alguns outros se divertiam no salão de festas, o navio adentrou um denso nevoeiro, durante uma forte tempestade. Provavelmente a tripulação não avistou o Farol da Ponta do Boi e a nau chocou-se violentamente contra a laje do rochedo da Ponta da Pirabura, o que causou sérias avarias em seu casco. Após o impacto as caldeiras explodiram e em questão de minutos o Príncipe de Astúrias desapareceu no mar.

O rochedo da Ponta da Pirabura, local da tragédia
No dia seguinte, caiçaras da região se depararam com inúmeros corpos espalhados pelas areias das praias e regiões costeiras da baia de Castelhanos. Muitos dos cadáveres foram saqueados, já que traziam vestes finas e jóias. Nos dias subseqüentes vários objetos de prata, porcelanas, sedas, entre outros artefatos, boiaram até a praia. Os restos do navio estão situados, provavelmente, entre 25 e 48 metros de profundidade, em águas agitadas, o que dificulta sua exploração nos dias de hoje.
O número oficial de mortos poderia ser ainda maior, não fosse o auxilio que o navio inglês Vega, que navegava próximo à região no momento do acidente, prestou aos sobreviventes. De qualquer forma, o número oficial de vítimas é contestado, visto que o Príncipe de Astúrias poderia estar transportando imigrantes não registrados, numa área do navio que comportaria até mil pessoas.
Manchete da época, noticiando o “sinistro”
Para aqueles que acreditam no sobrenatural, uma estranha coincidência acompanhava as estátuas que o Príncipe de Astúrias transportava: as figuras humanas, que pesavam de 500 a 800 quilos, foram encomendadas ao artista espanhol Agostín Querol, famoso em sua época, que faleceu antes de terminar o trabalho. A continuação ficou a cargo de Cipriano Folgueras, que também morreu durante a execução. As estátuas acabaram sepultadas no fundo do mar e o Moumento “La Carta Magna y Las Cuatro Regiones Argentinas” (o destino das estátuas) somente foi inaugurado 17 anos após a data prevista.

Umas das estátuas, resgatada do mar em 1990
O naufrágio do Príncipe de Astúrias é o segundo maior das Américas, perdendo apenas para o Titanic, que foi à pique quatro anos antes.
Marcelo




