DJAVAN – COISA DE ACENDER (1992)
Há algum tempo venho ensaiando para falar algo sobre Djavan aqui no Blog, pensando em que sessão expressar minha admiração por esse alagoano que adoro tanto. Para começar acho que o melhor caminho é falar um pouco do disco que mais gosto e considero o mais coeso de sua longa e brilhante carreira, foi muito difícil a tarefa de escolher um entre tantos discos maravilhosos que o cara tem.
Coisa de Acender foi lançado em 1992 e quem assina sua limpa e ótima produção é Ronnie Foster, produtor americano que já havia trabalhado com Stevie Wonder, George Benson e com o próprio Djavan no álbum Luz de 1982. O disco é sucessor de Djavan de 1989 que foi um grande sucesso na trajetória do compositor graças à “Oceano”, música que foi tema de novela global e mais tocada daquele ano, com certeza ele não decepcionou nem a critica e nem seus fãs, o disco é sem dúvida acima das expectativas criadas após o megasucesso anterior. Para quem gosta dos grandes hits do cara o álbum conta com “Se” e a ótima parceria com Caetano Veloso “Linha do Equador”, canções que até hoje integram o repertório de Djavan.
As influências de World Music da década de 80 ainda aparecem em Coisa de Acender, dessa vez em menor quantidade, explicitamente apenas na canção “Andaluz”, o ótimo disco ainda conta com o delicioso e pesado Funk “Boa Noite”, onde percebemos toda a perfeita sincronia de Djavan com sua excelente banda, além da interessantíssima canção nordestina “Violeiros”, as jazzísticas e maravilhosas “Outono” e “Alívio” ajudam à tornar o repertório do álbum mais do que especial, são lindas!Para encerrar com chave de ouro esse clássico dos anos 90, “Baile”, de onde foi tirado o título do álbum. Nele Djavan mostra mais uma vez porque sempre foi considerado um dos melhores compositores da nossa música popular brasileira, se você ainda não ouviu, não perca mais tempo, é um disco curto, atual e maravilhoso, é com esse trabalho que ele deixa um pouco a World de lado e muda o rumo de seu som com uma influência mais jazz do que batuque (como foi em certo momento dos anos 80), e assim ele permanece até os dias de hoje, um dos poucos de sua geração que ainda tem uma carreira consistente e inteligente, esse registro é um grande momento de criação e inspiração do único e sensacional Djavan.
Autor: marcios77@ig.com.br - Categoria(s): Discoteca Básica Tags:



“Dava pra ver o tempo ruir…” Tem algo mais poético que isso?! Amo Djavan! Ganhei meu sábado lendo um pouco mais sobre este cantor nordestino de raiz. Bjs.
VocÊ sabe bem que não sou um grande conhecedor do Djavan, mas o respeito muito e tudo que ouço, mesmo fora de uma certa ordem cronológica, gosto muito. Djavan realmente merece todo respeito pois, assim como você mesmo citou, é um dos últimos de sua geração a manter a coerência. Muito bom o texto, parabéns! Dicas assim são sempre muito valiosas.
Não conheço o disco na íntegra, mas os vários sons dele extraídos.
Um bom disco e que honra a bela discografia do Djvan.
Belo texto, cara!