LEONARD PELTIER

O índio norte-americano muitas vezes é relacionado diretamente a clichês e estereótipos amplamente difundidos mundo afora, tais como tendas, penas, bisões, etc., contudo, a realidade dessa nação é completamente diferente de todo esse folclore: nos EUA vivem cerca de três milhões de índios e a maioria desses povos passa por dificuldades econômicas, problemas sociais, perda de identidade e alcoolismo. Apesar desses aspectos negativos os índios continuam sendo sobreviventes da história e muitos deles ainda lutam para preservar sua cultura, sua identidade, sendo que muitas dessas lutas se deram, por diversas vezes, de forma violenta, começando, logicamente, pela tentativa de preservação de suas terras e seus territórios. Uma das maiores forças nessas batalhas foi a tribo dos índios Sioux, um dos povos mais poderosos da América do Norte.
Em 1890, com o fim da resistência Sioux, eles foram confinados em reservas nos estados de Dakota do Sul e Norte e passaram por humilhações, miséria, expropriação. Um dos meios de tentativa de melhora de tal situação foi a criação, em 1968, do American Indian Moviment – AIM, tomando como exemplo o movimento dos direitos civis dos negros.
Leonard Peltier, índio membro da tribo Sioux, nascido em Dakota em 12/09/1944, aderiu ao movimento logo em seu início e como militante participou da luta contra o alcoolismo, da distribuição de alimentação e de ajuda, criação de programas de auto-suficiência, da restauração das atividades religiosas tradicionais e do apoio ao renascimento das línguas originais de seu povo.
O AIM pretendia chamar a atenção sobre as condições indígenas com ações espetaculares, porém não violentas, entre elas a ocupação do Forte Lawton e a Marcha dos Tratados Violados em Washington, ambas com a participação de Leonard Peltier. A partir de então a entidade foi considerada pelo FBI como subversiva e o então Presidente Richard Nixon criou um programa de contra-espionagem com o intuito de desestabilizar organizações como o AIM. Em novembro de 1972, acusado de agredir dois agentes do FBI, Peltier permaneceu preso por cinco meses, sendo liberado após comprovação de fraude para incriminá-lo. Foi somente o inicio.
Após a manipulação, por parte do FBI, para a eleição da presidência do conselho tribal de Pine Ridge, principal reserva dos Sioux, Richard “Dick” Wilson, um “entreguista” foi eleito com menos de 20% dos votos dos eleitores e criou a milícia Goon Squad – Guardians of Oglala Nation ou Guardiões da Nação Oglala, com a finalidade de combater militantes e desordeiros. Entre 1973 e 1975 oitenta militantes foram assassinados. A fim de intervir contra a violência da milícia Goon, anciões e militantes, entre eles Leonard Peltier, se reuniram em uma propriedade próxima a Oglala, na reserva Pine Ridge, que, numa manhã de junho de 1975, foi cercada por Goons, agentes do FBI e policiais. Por volta de 11h30, dois agentes federais, Ronald William e Jack Cooler penetraram na propriedade perseguindo um jovem Sioux e a partir de então os fatos tornam-se confusos. Acreditando se tratar de uma ação dos Goons, os militantes revidaram, as forças policiais e a milícia passaram ao ataque. Houve um intenso tiroteio. Dois militantes do AIM tentaram se aproximar dos agentes para desarmá-los e já os encontraram mortos. Um jovem Sioux foi morto.

Leonard Peltier durante sua prisão, em 1977
Após tal fato, uma gigantesca campanha de imprensa tentou incriminar o movimento indígena pelas mortes e quatro ordens de prisão foram emitidas contra Jimmy Eagle, Dino Butler, Bob Robideau e Leonard Peltier, que temendo por sua vida fugiu para o Canadá, sendo extraditado posteriormente. Butler e Robideau foram absolvidos por júri popular no estado do Iowa e os esforços das autoridades se voltaram para incriminar Peltier, cujo julgamento se deu na cidade de Fargo (Dakota do Norte), região de criadores de gado, historicamente contrários aos índios. Peltier afirmou ter disparado sua arma duas vezes, mas não em direção aos agentes do FBI. Leonard Peltier foi condenado à dupla prisão perpétua, acusado pela morte de dois agentes federais. Foi preso em 1977 e cumpre pena até os dias atuais, proclamando sua inocência. Não há prova alguma de sua culpa, sendo que até mesmo exames de balística comprovaram que os projéteis que mataram os agentes eram incompatíveis com a arma de Peltier. Após inúmeros recursos sem sucesso, uma nova esperança surgiu em 1996, com a declaração do então presidente Clinton, que poderia lhe conceder o perdão: “Não esquecerei Leonard”, porém tal promessa não se cumpriu. A opinião pública segue lutando pela revisão do processo e conta com o apoio de entidades como o Conselho Nacional das Igrejas e a Anistia Internacional e de personalidades como o Subcomandante Marcos, Nelson Mandela, Desmond Tutu, Dalai Lama, entre outros, que acreditam que o único crime de Leonard Peltier é o de ser indígena e ter lutado pelos direitos essenciais desses primeiros povos. Cada qual que tire suas conclusões.
O vídeo da música “Freedom”, da banda Rage Against the Machine, tem como tema o caso Peltier, com imagens reais dos Sioux e do próprio Leonard, além de um resumo dos fatos.
Marcelo
Autor: mjs18@ig.com.br - Categoria(s): História Tags:


Puta sacanagem tudo que rolou com esse cara, pior foi a promessa que Clinton não cumpriu!O Rage sempre falou desses fatos que todos insistem em passar por cima, esquecer, uma grande virtude dessa grande banda dos anos 90. Legal saber de todos esses detalhes cara, afinal, só pelo clip não da para sacar tudo!Parabéns.
Prisão perpétua é D+ mas o mundo complica,a vida que olhamos ao longe,jamais será a mesma quando chegamos bem perto,ai podemos ver o que um ser por ser humano é capaz.
gostei..
bjs