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29/01/2009 - 03:18

UM CANTO, UM CONTO

NATÁLIA

 

O NOVO CASO, A FALTA, O FIM (PARTE V)

 

Depois desse último contato, Joaquim, nutrindo um sentimento de decepção, passou a achar que Sergio tinha razão, deixar uma vida digna aos olhos da sociedade, aos olhos de sua família para viver uma loucura extraordinária parecia mesmo insanidade. Deixou mais alguns dias passarem e começou um relacionamento com Adelaide, viveram, almoçaram (não da mesma forma que outrora, com Nina), curtiram, transaram, gozaram o bom da vida, aquilo que a vida oferece aos que tem posse, dinheiro, posição social, seja lá o que  isso for.

- Vamos visitar o País de meus avós? Vamos para a França Quim? Vamos esquecer um pouco de tudo que nós vivemos aqui? (Isso lhe pareceu uma oportunidade única que a vida estava a lhe oferecer)

- Vamos.

E foram. Passaram dias no País do romantismo e dos bons perfumes, até que, em certa madrugada, Joaquim sentiu seu peito apertado, doído, com saudades de Nininha.

“Estou mentindo pra mim mesmo, quero é aquela filha-da-puta da Nininha, é ela que eu amo, é com ela que quero envelhecer!”

No retorno ao País tupiniquim, Joaquim sentiu necessidade de voltar a ver Nininha e sem pensar nas conseqüências foi ao “Blue Drinks” morrendo de saudade e de desejo.

- Boa noite Senhor, é a primeira..

- Não, a Nininha taí?

Entrou em seu encalço, determinado a encontrá-la, dizer-lhe de seus sentimentos, da falta que ela fazia. Ela era tudo que ele de melhor conheceu, porém não a viu.

E no balcão: …Parceiro quero falar com a Nina, cadê ela?

-Nina? Não conheço!

- Não conhece? Estou falando da Nininha, a Natália, ela trabalha aqui.

- Olha estou aqui há pouco tempo, mas de qualquer forma esse nome eu nunca ouvi não, dá uma olhada por ai…

Uma bonita loura ouviu a conversa e se aproximou.

- Cê queria falar com a Nininha?

- Quero.

- Ela foi embora daqui. Teve uma noite em que ela se juntou com um caminhoneiro….Acho que lá da Paraíba, não sei direito! Ele pagou um monte de Absinto pra ela, coisa que ela nunca tinha bebido e ela chorava falando num tal de Joaquim e jurava que era o único moço que amou na vida e que ele a tinha abandonado sem razão…daí ela sumiu…Foi embora com o cara…

Com a certeza de que perdera aquele precioso tesouro, aquela que o fizera tão bem, tão feliz, os olhos de Joaquim marejaram, mas ele não deixou cair uma lágrima sequer… Não ali!

 

 

FIM

 

Marcelo (Obrigado a todos que tiveram paciência de acompanhar esse conto!)

 

Um breve comentário do autor: Este segundo e despretensioso conto que escrevo (sei que não chegarei à Academia Brasileira de Letras) foi inspirado na grande idiotice que às vezes o ser humano comete em deixar que preconceitos e dogmas atrapalhem o que seria um belo e grande romance, uma história de vida. Condeno Joaquim, ele merece sofrer, pois se deixou levar por parâmetros de uma sociedade hipócrita (eu já passei por isso em minha vida) e acho isso uma pena! A Nininha/Natália existe, ela não trabalha em boate, longe disso, mas é talvez a morena mais linda que conheci. (Márcio você sabe quem é, não é meu brother??) E é só isso aí!

Autor: mjs18@ig.com.br - Categoria(s): Literatura Tags:


8 comentários para “”

  1. Ivan Harris disse:

    Gostei muito Marceleza,é realmente uma historia muito real,a vezes deixamos os preconceitos atrabalhar nossa vida e com isso perder a chance de ser feliz,acho que todos nos já fomos um Joaquim um dia ,Parabéns! você relamente está escrevendo muito bem.

  2. Adorei o seu conto, Marcelo! Muito bom mesmo! (Apesar de Joaquim e Nina não terem ficado juntos)… Mas quem sabe um dia não haja um reencontro, não é? Tudo é possível. Ainda mais que Joaquim amadureceu essa questão nele. ;)

  3. Marcelo: Gostei do desfecho que você deu para o seu conto, pois este é compatível com a realidade que nos cerca, a qual está cheia de pudores, como bem disse o Cazuza numa das canções: “São caboclos querendo ser ingleses”, este pudor é uma forte influência da nefasta era Vitoriana.
    Não queira mesmo entrar na academis, ter Paulo Coelho e José Sarney como companheiros é brochante!

  4. Márcio disse:

    Putz, até pensei que um dia ele iria assumir a bronca e terminar junto com ela, bem, foi quase isso, o que é muito dificil mesmo em nossa sociedade, cara acredite, me lembrei muito de um amigo de escola que você até conhece, aconteceu quase o mesmo com ele e me lembro bem que todos ao redor dele acabaram achando que o cara tava ficando louco em querer tomar uma atitude dessa…Seu conto ficou ótimo, gostei muito, mais até do que o primeiro que já era muito bom!!Parabéns brow, tem que ter bala na agulha pra escrever uma parada dessa, em um nível tão bom!!

  5. ieda thinara disse:

    Acreditava que terminariam separados por minha esperiencia de vida….
    mas o conto foi muito bom,talvez por contar a realidade de muitos…

    bjs

  6. Rodrigo disse:

    Gostei do final, parabéns. Não sei se é coincidência ou não, mas a bebida que o caminhoneiro pagou para nininha, o “absinto” também quer dizer “sentimento de tristeza; amargura”, sentimentos que tem tudo haver com o seu conto.

  7. albuquerque144@ig.com.br disse:

    Putz! Pela mente contaminada por anos a fio, assistindo novela junto à minha mãe, torcia para que Joaquim e Nininha terminassem juntos, conclui a final que na realidade nua e crua os paradigmas são cruéis e o final não poderia ser outro. Belíssimo.

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