iG
iBest BrTurbo

Arquivo de fevereiro 15th, 2009

15/02/2009 - 15:45

AMELY UMA MULHER DE VERDADE__________especial

 

AMELY UMA MULHER DE VERDADE

http://www.amely.com.br/

mulher inflável desenhada por PRYSCILA

http://pryscila-freeakomics.blogspot.com/

 

Autor: malatesta - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/02/2009 - 13:00

CAUSOS E ESTÓRIAS

João Grilo um pouco de história e outro causo

João Grilo é figura tradicionalíssima da literatura de cordel e, mais ainda, veio importado da Europa.

A diferença entre o João Grilo do nordeste e o das Europas é que na travessia do Atlântico ele espertou. O João Grilo que aparece nos contos populares portugueses “em nada se parece com o nosso endiabrado, inteligente e ardiloso João Grilo nordestino em que o transformamos. O personagem de um dos mais conhecidos contos da tradição oral portuguesa é um tolo, um falso adivinhão favorecido pelas circunstâncias.” O João Grilo português é um simplório que leva a melhor sem qualquer premeditação e por pura sorte.

O João Grilo brasileiro, mais chegado à malandra linhagem de Pedro Malazartes, é um cabra pobre que aprende a usar artimanhas para vencer os poderosos e corrigir injustiças. É sem tirar nem pôr, o personagem feio, “amarelo”, desnutrido, franzino e atinado que aparece em O Auto da Compadecida. Seu primeiro grande celebrador foi o poeta João Ferreira de Lima, que publicou na década de 1930 um folheto de oito páginas chamado As Palhaçadas de João Grilo, mais tarde ampliado por outro autor e publicado sob o título Proezas de João Grilo.

O João Grilo de João Ferreira de Lima é ainda um moleque mirrado e malcriado; é apenas na segunda porção das Proezas de João Grilo,  redigida na década de 1940 por Delarme Monteiro (ou talvez João Martins de Athayde) e acrescentada ao texto de João de Lima, que toma corpo o Grilo sábio e justiceiro que aparece no Auto.

Da primeira fase de João Grilo, a de moleque, são os seguintes e impagáveis versos:

 

Um dia a mãe de João Grilo
Foi buscar água à tardinha
Deixou João Grilo em casa
E quando deu fé, lá vinha
Um padre pedindo água
Nessa ocasião não tinha.

João disse: só tem garapa
Disse o padre: d’onde é?

João Grilo lhe respondeu
É do engenho Catolé
Disse o padre: pois eu quero

João levou uma coité1.

O padre bebeu e disse
Oh! Que garapa boa!

João Grilo disse: quer mais?
O padre disse: e a patroa
Não brigará com você?

João disse: tem uma canoa

João trouxe uma coité
Naquele mesmo momento
Disse ao padre: bebe mais
Não precisa acanhamento
Na garapa tinha um rato
Estava podre e fedorento

O padre disse: menino
Tenha mais educação
E porque não me disseste?
Oh! Natureza do cão!
Pegou a dita coité
Arrebentou-a no chão.

João Grilo disse: danou-se!
Misericórdia, São Bento!
Com isso mamãe se dana
Me pague mil e quinhentos
Esse coité, seu vigário
É de mamãe mijar dentro.

                      1 Cuia feita da casca da fruta coité.

 

 

 

 

Autor: malatesta - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo