CAUSOS E ESTÓRIAS
João Grilo
O João Grilo era um homem que resolveu ser adivinhão. Ele falou que ele ia dar para adivinhão e ia adivinhar tudo que perguntassem a ele.
Aí a mulher dele falou:
— Olhe, eu tenho certeza absoluta que a sua adivinhação vai dar em porcaria, mas na maior porcaria do mundo.
Ele falou:
— Será possível?!
Aí mandou fazer um letreiro e botou no boné assim, na frente assim: João Grilo Rei do Adivinhão.
Aí o rei soube que tinha esse homem na cidade, mandou chamar. Ele foi lá pra casa do rei, o palácio, bateu palma, os guardas o conduziram até a presença do rei.
O rei falou:
— Olhe, eu quero que você adivinhe o que está dentro desta tigela.
Uma tigela muito bem preparada ali em cima de uma mesa, mas ninguém suspeitava do que estava ali dentro.
Aí ele disse:
— Eta ferro, bem a minha mulher falou que a minha adivinhação ia dar na maior porcaria do mundo!
E de fato era mesmo “aquilo” que estava ali.
Aí o rei falou:
— É, João Grilo, você está certo. Você adivinhou mesmo, é a maior porcaria do mundo.
Passou uns dias, sumiu três colheres de ouro do rei. Aí o rei mandou chama-lo sem falta. Falou:
— Você tem que adivinhar onde é que estão minhas colheres de ouro, senão morre.
Aí João Grilo bateu pro palácio outra vez. Chegou lá ele falou:
— Eu quero ficar dentro de um quarto, pra poder fazer meu trabalho. Todo dia o senhor manda um criado levar almoço ali, janta, e eu vou conversar com os criados do senhor.
Aí quando foi no primeiro dia o criado chegou, deu almoço a ele e a hora que o criado ia saindo ele falou:
— Já foi um, falta-me dois.
Aí o criado falou:
— Nossa Senhora, esse homem está adivinhando mesmo.
Aí chegou lá fora e falou com o outro o que tinha acontecido com ele.
Quando foi no outro dia, o criado foi levar almoço pro João Grilo. Aí quando o criado sai do quarto, João Grilo olhou pro criado e falou:
— Já foi dois, falta-me um.
Mas o que ele estava analisando é que foram dois dias. O prazo era só de três dias. No fim de três dias, se ele não adivinhasse, ele ia pra forca e o que ele estava contando era isso e o criado estava interpretando o negócio de outro jeito.
Aí quando no terceiro dia, o criado ia saindo, João Grilo falou:
— Já se foram os três dias, agora não falta mais nada.
O criado bateu de joelho no chão, falou:
— Seu João, pelo amor de Deus, o senhor não conta nada ao rei não que fomos nós que roubamos os talheres de ouro!
Ele falou:
— Não, eu sei que são vocês. Eu sei, eu estou sabendo que são vocês que roubaram, mas não queria condenar vocês, não é? Agora vocês me trazem os talheres de ouro aqui, eu vou a presença do rei e fica tudo certo.
Aí os criados trouxeram os talheres de ouro, entregaram a ele, foram pra reverência bonita ao rei. Aí ele passou a ter confiança na casa e a ir a cozinha e tudo, o rei passou a gostar dele.
Aí quando foi no outro dia, o rei e a rainha e João Grilo saíram pra dar um passeio nos jardins. Tinha um grilo pousado numa folha assim, uma folha de rosa, a rainha foi pertinho assim, deu um bote no grilo dentro da mão, mas sem João Grilo ver, não é? Foi, chegou perto dele, falou:
— João Grilo. Quero que adivinhe o que está dentro da minha mão!
Ele falou assim… :
— Ai, onde está metido o pobre Grilo!
Mas era ele, em que situação ele se encontrava!
A rainha falou:
— Justamente, era um grilo que eu tinha na minha mão!
Aí ficou considerado o maior adivinhão daquele tempo.
Autor: malatesta - Categoria(s): Sem categoria Tags: