11/01/2009 - 11:31
POR PILAR RAHOLA
“Por que não vemos manifestações em Paris, ou em Londres, ou em Barcelona contra as ditaduras islâmicas? Por que não as fazem contra a ditadura birmanesa? Por que não há manifestações contra a escravidão de milhões de mulheres que vivem sem nenhum amparo legal? Por que não se manifestam contra o uso de “crianças bomba”, nos conflitos onde o Islã está envolvido? Por que nunca lideraram a luta a favor das vítimas da terrível ditadura islâmica do Sudão? Por que nunca se comoveram pelas vítimas de atos terroristas em Israel? Por que não consideram a luta contra o fanatismo islâmico, uma de suas principais causas? Por que não defendem o direito de Israel de se defender e de existir? Por que confundem a defesa da causa palestina, com a justificação do terrorismo palestino?
E a pergunta do “milhão”, por que a esquerda européia, e globalmente toda a esquerda, estão obcecadas somente em lutar contra as democracias mais sólidas do planeta, Estados Unidos e Israel, e não contra as piores ditaduras? As duas democracias mais sólidas, e as que sofreram os mais sangrentos atentados do terrorismo mundial. E a esquerda não está preocupada por isso.
E finalmente, o conceito de compromisso com a liberdade. Ouço essa expressão em todos os foros pró-palestinos europeus. “Somos a favor da liberdade dos povos”, dizem com ardor. Não é verdade. Nunca se preocuparam com a liberdade dos cidadãos da Síria, do Irã, do Yemen, do Sudão, etc. E nunca se preocuparam com a liberdade destruída dos palestinos que vivem sob o extremismo islâmico do Hamás. Somente se preocupam em usar o conceito de liberdade palestina, como míssil contra a liberdade israelense.
Uma terrível consequência decrre destas duas patologias ideológicas: a Manipulação jornalística.
Finalmente, não é menor o dano que causa a maioria da imprensa internacional. Sobre o conflito árabeisraelense NÃO SE INFORMA, SE FAZ PROPAGANDA. A maioria da imprensa, quando informa sobre Israel, viola todos os princípios do código de ética do jornalismo. E assim, qualquer ato de defesa de Israel se converte em um massacre e qualquer enfrentamento, em um genocídio. Foram ditas tantas barbaridades, que já não se pode acusar Israel de nada pior. Em paralelo, essa mesma imprensa nunca fala da ingerência do Irã ou da Síria a favor da violência contra Israel; da inculcação do fanatismo nas crianças; da corrupção generalizada na Palestina. E quando fala de vítimas, eleva à categoria de tragédia qualquer vítima palestina, e camufla, esconde ou deprecia as vítimas judias.
Termino com uma nota sobre a esquerda espanhola. Muitos são os exemplos que ilustram o anti-israelismo e o antiamericanismo que definem o DNA da esquerda global espanhola. Por exemplo, um partido de esquerda acaba de expulsar um militante, porque criou uma página de defesa de Israel na internet. Cito frases da expulsão:`Nossos amigos são os povos do Irã, Líbia e Venezuela, oprimidos pelo imperialismo. E não um estado nazista como o de Israel.` Por outro exemplo, a prefeita socialista de Ciempuzuelos mudou o dia da Shoá pelo dia da Nakba palestina, depreciando, assim, a mais de 6 milhões de judeus europeus assassinados. Ou em minha cidade, Barcelona, o grupo socialista decidiu celebrar, durante o 60º. aniversário do Estado de Israel, uma semana de `solidariedade com o povo palestino`. Para ilustrar, convidou Leila Khaled, famosa terrorista dos anos 70, atual líder da Frente de Libertação Palestina, que é uma organização considerada terrorista pela União Européia, que defende o uso das bombas contra Israel. E etc.
Este pensamento global, que faz parte do politicamente correto, impregna também o discurso do presidente Zapatero. Sua política exterior recai nos tópicos da esquerda lunática e, a respeito do Oriente Médio, sua atitude é inequivocamente pró-árabe. Estou em condições de assegurar que, em particular, Zapatero considera Israel culpado do conflito, e a política do ministro Moratinos vai nesta direção. O fato de que o presidente colocou uma Kefia palestina, em plena guerra do Líbano, não é um acaso. É um símbolo. A Espanha sofreu o atentado islâmico mais grave da Europa, e `Al Andalus` está na mira de todo o terrorismo islâmico. Como escrevi faz tempo, “nos mataram com celulares via satélite, conectados com a Idade Média”. E, sem dúvida, a esquerda espanhola está entre as mais anti-israelenses do planeta. E diz ser anti-israelense por solidariedade! Esta é a loucura que quero denunciar com esta conferência.
CONCLUSÃO
Não sou judia, estou vinculada ideologicamente à esquerda e sou jornalista. Por que não sou anti-israelense como a maioria de meus colegas? Porque como não judia, tenho a responsabilidade histórica de lutar contra o ódio aos judeus, e na atualidade, contra o ódio a sua pátria, Israel. A luta contra o anti-semitismo não é coisa dos judeus, é obrigação dos não judeus. Como jornalista, sou obrigada a buscar a verdade, para além dos preconceitos, das mentiras e das manipulações. E sobre Israel não se diz a verdade. E como pessoa de esquerda, que ama o progresso, sou obrigada a defender a liberdade, a cultura, a convivência, a educação cívica das crianças, todos os princípios que as Tábuas da Lei converteram em princípios universais.
Princípios que o islamismo fundamentalista destrói sistematicamente. Quer dizer, como não judia, jornalista de esquerda tenho um tríplice compromisso moral com Israel.
Porque, se Israel for derrotado, serão derrotadas a modernidade, a cultura e a liberdade. A luta de Israel, ainda que o mundo não queira saber, é a luta do mundo.”
Pilar Rahola é jornalista e ex-membro do Parlamento Europeu
Autor: Luninha - Categoria(s): Religião, política
Tags: Gaza, Israel, Oriente Médio, Palestina
02/01/2009 - 17:18
Cada ano que passo o réveillon em Copacabana me impressiono com a tranqüilidade da festa. Para quem adora dizer que o Rio é uma bosta, que não tem condições de sediar grandes e ventos e bla, bla, bla, o ano novo é uma prova do contrário. Simplesmente funciona. Os fogos, a organização, a segurança, mostram que a cidade tem condições de se organizar para receber milhões de pessoas.
Esse ano me pareceu muito vazio, provavelmente por conta das tenebrosas previsões de tempestade, trovoadas e muita chuva. O que realmente aconteceu foi uma chuva fininha, que não atrapalhou a beleza dos fogos. A grandeza impressiona, aquela coisa colorida que ilumina os céus, as pessoas viram crianças, encantadas com o espetáculo. Adorei os fogos ao som de música clássica, genial. Ao ver os transatlânticos, me dei conta de como é uma festa democrática. Os ricos nos cruzeiros e nas coberturas da Atlântica comemoram o ano novo junto com quem pegou duas conduções para chegar no maior réveillon do mundo.
Para não dizer que tudo é perfeito, o que estragou foi justamente o show. Antes dos fogos terminarem, um cidadão começou a berrar no microfone besteira atrás de besteira. Enquanto o público queria assistir em paz à virada do ano, a criatura falava coisas sem noção e todos éramos obrigados a escutar. Perdi a conta de quantas vezes ele avisou que Mart’nália iria cantar. E que decepção, subiu ao palco cantando em um inglês macarrônico “Don’t worry, be happy”. Desnecessário, não custava esperar, dar um momento para as pessoas refletirem sobre o ano que passou e fazerem seus pedidos para 2009.
Isso sem falar nas propagandas que começaram uns 10 minutos antes da meia-noite. Os shows pararam e réveillon deixou de ser uma festa do povo para ser patrocinado por Coca-Cola, Globo, vivo, entre outros. Um absurdo. O telão promovendo a prefeitura da cidade, com o volume nas alturas. E as barracas alugadas? Daqui a alguns anos não será possível assistir a tudo isso de graça, cada espaço na areia será cobrado de alguma forma.
Apesar de todos esses contratempos, valeu a pena.
Ceia de ano novo = R$50
Espumante = R$27
Passar o réveillon com quem você ama = Não tem preço
Autor: Luninha - Categoria(s): Pessoal
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01/12/2008 - 20:30
Me desculpem aqueles que acham que bandas desfeitas não devem se juntar de novo, mas o show do Queen + Paul Rogers foi FANTÁSTICO! Discussões inúteis sobre ser ou não Queen sem Freddie Mercury a parte, a banda não deixou nada a desejar.
Não era preciso conhecer todas as músicas para se empolgar com os longos solos de Brian May aliás, não era preciso conhecer nenhuma música para se acabar no show. Não sou especialista no assunto, nem perto disso, mas pela primeira vez me senti em um verdadeiro show de rock. A empolgação da banda era contagiante e o público respondia a altura. Roger Taylor também não decepcionou nos solos de bateria, quando se sentou na parte da frente do palco e tocou percussão até em um baixo!
Paul Rodgers, um vocalista que o público brasileiro não conhecia, mostrou todo o seu talento dos tempos de Free e Bad Company. Eu confesso que nunca tinha ouvido falar nele, mas gostei muito. Não só ele tem uma voz muito bonita, como tem uma presença de palco que impressiona. Além de ser um coroa inteiraço (risos). Fiquei curiosa para conhecer mais sobre o Free depois das duas músicas tocadas no show.
A estrutura também ajudava, eu estava lá em cima, no poleiro (ingresso mais barato), e conseguia ouvir perfeitamente. Uma parte do palco avançava sobre a pista, como se fosse uma larga passarela, fazendo com que os músicos pudessem chegar bem perto dos fãs. As luzes eram um espetáculo a parte. Nunca imaginei que ia ser tão bom assistir um show do alto, de longe, foi ótimo. A combinação das cores e os canhões realmente se destacaram.
Difícil eleger o momento mais emocionante. Em Love of my life, Brian May sentou em um banquinho com um violão no colo, bem perto da platéia. Antes de começar, ele falou “vamos cantar essa música para aqueles que já não estão mais entre nós, especialmente para Freddie Mercury”. O público cantando foi de arrepiar, claro que nada comparado as 300 mil pessoas do Rock in Rio, mas valeu. Considerando que nunca achei que fosse ver essas músicas sendo cantadas ao vivo, a emoção foi muito grande.
Talvez o momento mais emocionate e esperado tenha sido Bohemian Rapshody. No começo, apenas Mercury aparece cantando no telão. Depois, a luz ilumina Roger Taylor na bateria ao vivo. Depois, o resto da banda vai aparecendo, inclusive com o solo de May na guitarra. Depois de mamma mia, na parte mais rock n’ roll, o palco se ilumina e a música passa a ser apresentada inteiramente ao vivo, com Paul Rodgers cantando. No final, Rogers faz um lindo e arrepiante dueto com Mercury no telão. Inesquecível.
Isso sem contar o bis com We Will Rock You e We are the Champions. Os ingleses só pecaram ao terminar o show ao som de God save the queen. Depois de uma música tão emocionante, com todo mundo cantando, não precisava de um final tão frio. Para quem nunca esperava chegar nem perto de um show do Queen, ou ver essas músicas ao vivo, valeu muito os R$60 gastos com o ingresso. Infelizmente não foi um show com Freddie Mercury, mas afinal, The Show Must Go On.
P.S Como é difícil achar um vídeo que não tenha a voz de quem está gravando cantando junto!
Autor: Luninha - Categoria(s): Música, Sem categoria
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16/11/2008 - 18:29
Aprendi desde pequena que o meu direito acaba onde o do outro começa. E que devemos ter bom senso. Acho que a minha mãe era uma das únicas a passar isso para os filhos, porque existem certas pessoas que parecem viver em mundo paralelo. Elas não se dão conta de que eu não quero ouvir a música que ela está ouvindo, eu não quero saber o que ela está falando no celular e nem o que ela tem a dizer. Acho incrível a capacidade das pessoas de ignorar que estão em um espaço público e não na sala de casa.
Algo que me irrita profundamente é falta de respeito, como fazer obra e barulhos altos de madrugada. Volta e meia tenho problemas com reformas que são feitas de madrugadas em prédios comerciais perto da minha casa. Quando vou reclamar, sabe o que eu ouço? “O prédio só permite obra após as 22h.” Como pode isso? É contra a lei. Claro, o pedreiro que fica lá dando marretadas não tem culpa, mas muita gente teve que dar o aval para que essa obra ocorresse, não é possível que não tenha uma pessoa que tenha pensado “Caramba, aqui é cercado de prédios residenciais, vai ter muito barulho de noite e as pessoas não vão conseguir dormir”. A gente sabe que o que vale é o dinheiro e tal, mas custo a aceitar que ninguém tenha o mínimo de bom senso.
Outro problema. Acho que deviam fazer uma campanha publicitária informando que o fone de ouvido já foi inventado. Me impressiono constantemente com a quantidade de pessoas que colocam músicas no celular em viva-voz. Ou seja, todos os passageiros são obrigados a ouvir a música que um cidadão elegeu como sendo boa. Dá vontade de dar o meu fone para ele e depois comprar outro.
E aquela pessoa que fala aos berros no celular em lugares como ônibus, loja, restaurante, etc. Tudo bem que as vezes a ligação está ruim e mas dá para perceber quando a pessoal não percebe o volume que está falando. Falta de bom senso ficar falando alto em um lugar silencioso, ainda mais de trabalho. Tem gente também que entra no ônibus falando com o amigo como se estivesse fazendo um discurso para todos, enquanto o povo está cansado, voltando do trabalho, quase dormindo. Falta de simancol.
Muitas vezes a gente comete algum desses erros sem perceber. Quem nunca falou alto em uma rua silenciosa de madrugada? Só que ninguém gosta de estar do outro lado, portanto, finalizo usando outro ensinamento de mamãe: Faça com os outros aquilo que gostaria que fizessem com você.
Autor: Luninha - Categoria(s): Cotidiano
Tags: Cotidiano, respeito
06/11/2008 - 16:43
Ano de eleição. O candidato da oposição tem grandes chances de ganhar depois de oito anos de governo do mesmo partido. Os dois maiores partidos do país se enfrentam em uma eleição histórica. A esperança toma conta das ruas, a possibilidade de mudança anima as pessoas que escolhem um lado. O mundo presta atenção no governante a ser escolhido pelo país.
Qualquer semelhança com eleições americanas e Obama não é mera coincidência. O ano era 2002, o país era o Brasil, e os partidos eram PT e PSDB. Guardadas as devidas proporções, a eleição do democrata lembra muito a eleição de Lula há seis anos. Na época, Lula foi tomado como um salvador da pátria, como o defensor dos fracos e oprimidos, como alguém que iria mudar a política no país. Os avanços do Governo Lula no campo social são inegáveis, mas de resto, se assemelha muito ao governo anterior. Sem entrar no mérito de gostar ou não de Lula ou FHC, de privatizações e Bolsa Família. Seis anos se passaram e a mudança não foi tão grande como imaginavam alguns. Todos imaginavam que o PT se sairia muito bem na política e não tão bem na economia. Aconteceu o oposto. Tirando a crise mundial, a economia brasileira vai muito bem obrigada, enquanto a parte política… Bem, o mensalão fala por si só.
Não é uma questão de ser contra ou a favor o Governo Lula. Contra ou a favor de Obama. É questão de supervalorizar um candidato. Hoje em dia, é muito difícil algum candidato chegar ao poder e mudar tudo como prometeu na campanha. Claro que podem ser melhores ou piores do que os antecessores, mas quando se ganha uma eleição, o discurso muda. Até porque é impossível governar sozinho. O Lula pode até ampliar o social e fazer um governo mais preocupado com os mais pobres, mas não pode ignorar os empresários. Assim como Obama pode até retirar as tropas do Iraque e fazer uma política externa mais light, mas não pode ignorar a força e o poder econômico dos fabricantes de armas americanos.
A reação da mídia e das pessoas é de que agora, com a eleição de Obama, o racismo vai acabar e o mundo realmente será um lugar onde todos são iguais. Infelizmente não é assim que funciona. Se Obama conseguir acabar com o preconceito e a segregação racial nos EUA, que ele seja eleito Secretário Geral da ONU ou Papa. Os jornais dizem que ele foi eleito por negros, brancos, hispânicos, amarelos, etc. Ora, o Bush também. Afinal, qualquer presidente eleito nos EUA (tirando as fraudes de 2000) precisa da maioria da população para tal e diferentes “raças” votam sempre. É preciso ver o contexto. Nenhum presidente americano que ferrou com a economia conseguiu ser reeleito ou eleger o sucessor. A situação já estava favorável aos Democratas. Claro, não tiro o mérito ou a importância histórica. Mas achar que, por conta da eleição de um negro para a presidência americana, o ódio racial vai acabar é ilusão.
Assim como muitos acharam que o Lula ia mudar o Brasil, que ia passar a ser um país igualitário, com menos abismo social, menos pobreza e o que se vê hoje é que não houve uma mudança tão radical. E não por incompetência do governo, mas porque são séculos de desigualdade que não são facilmente apagados por um Bolsa Família ou por cotas nas universidades.
Reforço que não estou dizendo que Lula é igual ao FHC ou que Obama será como Bush. Muito menos tirando o mérito dos dois terem sido eleitos. Pelo contrário, ambos lutaram muito para chegar onde estão e fizeram história. Acontece que muda o candidato, mas não muda os que manipulam o poder. Afinal, os ratos do porão estão sempre esperando a hora de aparecer. E, infelizmente, é impossível governar sem eles.
Autor: Luninha - Categoria(s): política
Tags: Eleições, EUA, Lula, Obama
26/10/2008 - 19:32
Independente de resultados, o Rio viveu hoje um fenômeno político e de marketing. A idéia de uma campanha baseada em cores é fantástica. A quantidade de pessoas com a mesma cor hoje nas ruas foi absurda, pelo menos no Leblon. Claro, não posso falar pelos lugares que não vi e nem tomar um bairro específico como amostra de uma cidade. Mesmo assim, é um fenômeno. No colégio onde voto, de cada cinco pessoas que cruzavam a escada comigo, umas três deveriam estar com a mesma cor. Andando nas ruas, sentia-se uma certa cumplicidade entre quem estava usando o código. Não se pode deduzir que todas que estivessem com aquela cor fossem eleitores daquele candidato e nem que só votou nele quem estava a caráter. Mas a questão da cor proporciona a todos uma chance de levantar uma bandeira, de poder mostrar a todos a sua escolha mesmo sem ter acesso a adesivos e materiais de partidos.
Na hora do almoço, eu e minha mãe estávamos com roupas da cor. Vimos duas crianças com blusas da mesma cor e comentamos. A mãe ouviu, deu um sorriso e piscou o olho. Não era preciso dizer uma palavra, todos já sabiam. Realmente foi uma onda que tomou conta de uma parte da cidade. E pelo resultado, podemos ver que tomou conta de uma boa parte da cidade. 60 mil votos em uma cidade como o Rio é um nada. Pelo contrário, é uma vergonha para o candidato eleito que teve tantas máquinas a seu favor.
Infelizmente, existem babacas que se dizem revoltados e não votam no PSDB porque acham que o mal do Brasil são os tucanos. Infelizmente aqui existe a possibilidade de se mudar um feriado de dia. Infelizmente, muita gente ainda acredita nos partidos e não vota pelo candidato. Infelizmente foram 20% de abstenções.
Infelizmente, venceu a hipocrisia. Venceu o discurso político, o uso da máquina, o político de carteirinha. Venceu o rostinho bonito, o barrense que diz que conhece a Zona Oeste, o cara que começou a brincar de fazer política quando já havia democracia e acha que tem história. Venceu o discurso que as pessoas queriam ouvir, mesmo com propostas irreais. Venceu o apoio bizarro e contraditório, o interesse político acima de tudo.
Venceu o PMDB, perdeu o Rio. Venceu a hipocrisia, perdeu a ideologia.
P.S O texto pode estar meio confuso, era para ser apenas sobre o uso da cor, mas em um momento como esse é impossível ficar calada.
Autor: Luninha - Categoria(s): política
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26/10/2008 - 18:28


E olha que é o Blog do Noblat hein!
Autor: Luninha - Categoria(s): Sem categoria
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13/10/2008 - 00:31
Esse ano, pela primeira vez, resolvi fazer o jejum do feriado judaico mais importante – o dia do perdão. É um dia para refletir sobre o ano que passou, o que fizemos de errado e o que devemos melhorar. As pessoas mais religiosas passam o dia na sinagoga, outras rezam em casa. O propósito do jejum é limpar o corpo, se livrar de pensamentos como comida para poder se concentrar no que é importante de fato.
No meu caso, e em muitos casos, funciona ao contrário. Acaba que a gente passa o dia pensando em comida por causa da fome. Eu fiz pois queria ver como era e não gostei. Me senti muito mal, com muita dor. Chegou um momento que já havia pensado e não tinha mais o que fazer, estava entediada e com fome. Acho super válido para quem consegue e principalmente para quem acredita. Mas me pergunto, adianta fazer jejum e ir trabalhar, ir à faculdade? Concordo com a teoria de que se pode refletir sem o jejum. Afinal, de que adianta ficar sem comer se a sua cabeça está ocupada com provas ou trabalhos? Eu acho melhor não fazer.
Pela primeira vez fiquei em casa, abri mão de faculdade e outros compromissos. Isso sim eu gostei. Não vejo problema em comer, realmente, é possível pensar no ano que passou, onde erramos, onde podemos melhorar sem abrir mão de algo indispensável à vida: comer. Quero deixar bem claro: Não sou contra o jejum. Pelo contrário, admiro que o faz com seriedade. Mas acho que fazer por fazer é uma maneira de enganar a si próprio. A impressão que eu tenho é que as pessoas levam mais a sério, tomam como mais importante, fazer o jejum do que realmente refletir.
Gostei bastante desse Kipur. Me aproximei da religião, consegui acompanhar melhor as rezas (lendo em hebraico!), experimentei uma sinagoga nova e fui quebrar o jejum com a família. Foi uma experiência válida, afinal, cresci ouvindo a minha mãe dizer para deixar o leiker (bolo de mel) que distribuíam na Hebraica ao final da cerimônia para quem estava de jejum. Mas não sei se pretendo repetir ano que vem.
Autor: Luninha - Categoria(s): Religião
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07/10/2008 - 15:11
Todo dia de eleição tenho a mesma conversa com a minha mãe:
- Mãe, por que você não muda logo o seu título para perto de casa?
- Por que só me lembro disso perto das eleições e tenho medo de ser mesária.
Esse medo, muito comum na população, causa um grande problema na cidade em um dia que deveria ser tranqüilo: engarrafamentos. As pessoas casam, se mudam e continuam votando na mesma sessão eleitoral, gerando engarrafamentos enormes no dia que deveria ser um simples domingo de eleição. Considerando que cada vez as pessoas se mudam mais (por diferentes motivos), o problema só tende a aumentar. Fora que é muito melhor ir ali votar rapidinho e acabar logo com isso do que ter que pegar o carro e atravessar meia cidade para cumprir a obrigação cívica.
Acho que esse problema poderia ser resolvido de duas maneiras. Primeiro, deveria ser feito um cadastramento voluntário. Sim, há pessoas que gostam de ser mesárias. Se o número de pessoas não for suficiente, aí sim faz-se a convocação. Porém, deveriam ser convocados os que têm dezoito anos e acabaram de tirar o título. Com isso, ocorre uma grande rotatividade e impede que as pessoas sejam obrigadas a trabalhar mais de uma vez. Assim, acabaria o medo da convocação e todos poderiam votar perto de casa, fazendo com que o domingo de eleição não deixasse de ser um domingo normal.
Dessa forma ou de outra, o TRE precisa encontrar uma maneira de fazer essa seleção sem ser randômica. Tem que haver parâmetros para a convocação, para que as pessoas possam votar em paz, sem ter que perder o dia inteiro por conta disso.
Autor: Luninha - Categoria(s): política
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03/10/2008 - 19:57
Falar que a juventude de hoje não se interessa por política já virou clichê. O problema maior não é a falta de interesse, é a inércia, a falta de atitude. É fácil falar que é contra isso, ou contra aquilo, todos acabam sempre tendo alguma opinião, mas na hora que podem fazer alguma coisa, cadê a mobilização?
Vejo muitos jovens filiados a partidos políticos, fazendo eletivas de análise de eleições ou até mesmo debatendo e escolhendo o seu favorito nas eleições americanas. Mas quando essas pessoas têm a oportunidade de fazer algo para mudar, que podem agir na prática, elas somem. Há um certo conformismo com a idéia de que nada pode ser feito. É até melhor assim, porque é cômodo reclamar e ficar parado já que “não há nada que eu possa fazer para mudar”. Quando realmente há algo a ser feito, as pessoas ficam meio perdidas, dão desculpas e arrumam um jeito de não aparecer, mas elas continuam reclamando! E ainda dão apoio moral quando alguém fala que vai se mobilizar contra isso ou aquilo, mas na hora do apoio prático, na hora que se precisa de pessoas para ajudar a divulgar a mobilização, ninguém aparece.
A política não é e nem deve ser tratada como algo distante, que só se interessa quem quer. A política faz parte da vida de todos, você gostando ou não. Política não é só eleições municipais, estaduais ou federais, não é só partido ou ideologia, é uma questão de princípios. Quem gosta se preocupa muito com o que está longe, mas esquece que podemos sempre mudar o que está perto da nossa realidade.
Autor: Luninha - Categoria(s): política
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