Na longa viagem ao encontro das novas descobertas, conseguimos fotografar novas galáxias, e o Universo, tornou-se pequeno… Ficou chato, comprido, alto, largo!
Colocamos uma sonda na barriga e outra no planeta Marte – somos os novos marcianos – vermelhos, brancos, negros, amarelos, sem cor ou raça: metal barato, cachaça, cigarro!
Tomamos posse sem violência, sem cara feia, com os pés de aço ou de lata, e a aparência – na forma de robô. Lunáticos: nunca mais seremos! Bebemos etanol; cheiramos fumaça!
E a Lua e Marte são velhas histórias ultrapassadas… Viva o Homo sapiens!
Derrubamos algumas torres. Levantamos outras. Talvez as que erguemos sejam mais altas que a bíblica “Torre de Babel”, ou mesmo: de papel… Estamos na batalha diária!
Não somos terráqueos malucos… Aprendemos as lições de casa. Nos novos edifícios existem as vozes do diálogo e da tolerância… É samba, rap, reggae, rock!
Nossas asas metálicas continuam evoluindo. Algumas quebraram! Caímos… Quem não cai? Pássaros também caem no primeiro vôo… É a lei da gravidade, Newton, Isaac…
A asa e o vôo são relações já dominadas… Viva o Homo sapiens!
Bebemos todos os vinhos possíveis. Brindamos em homenagem às novas conquistas profissionais, à saúde, à paz e à harmonia… Da literatura, do cinema, da música, da política!
Superamos várias tragédias humanas. Furacões, Terremotos, Tsunamis e Titanics, agora são roteiros do moderno cinema comercial. É trash, é atual, é over, é animal!
O podium ficou pequeno para tantos atletas e suas vitórias. Homens e mulheres conquistaram novos recordes… Alguns, com anabolizantes! Outros com Anas, aborígenes, antes e depois…
Os limites – físico e emocional – já não entram em conflito com a ética… Viva o Homo sapiens!
As fotografias coloridas e digitais mostram os continentes globalizados. Será que não existem conflitos religiosos, comerciais ou políticos? É viagem… Sem cigarro, pileque ou porrada!
Será que caminhamos para uma nova era? Calma internauta! É um sonho! Continuamos na velha e complicada rotina terrestre… Correndo, comprando, comendo, cagando!
Estamos em 2011, mais velhos, mais confiantes e talvez – mais tolerantes e humanizados… Viva o Homo sapiens!
E os viajantes da nave “Terra” seguem sua jornada… Até o novo Big Bang ou nova Big Band, ao som de Ray Charles, Cauby, Ângela Maria e Sinatra!
Pássaros invadem águas paradas
É o Ibirapuera
Indígena, voltei
Com mala e coragem
A tímida brisa da manhã
Descontrai
Corações apaixonados
Outros magoados
Uns buscam meditação
Alguns, nova paixão
Paulicéia das mil caras
Éticas, outras tão falsas
Estela, Maria, José
Nomes e falas
Que se perdem nas rimas
Como crianças órfãs
E o amor
Carência é um fato
Declarações de afeto
Existem
Mas, não passamos de insetos
Nas frias manhãs de outono
Enamorados buscam calor
Que lhes foi esbanjado
Sem o toque dos corpos
Meninas e meninos “ficantes”
Malabaristas humanos
Miram-se nas cores
Que anunciam a nova estação
Uns buscam meditação
Outros, nova paixão
Paulicéia, mês de maio
E a vida persiste
Na transformação
Ibirapuera
Na “selva de pedra”
Soa selvagem e moderno
Como o “punk”, o “rap”
E a “moda” na avenida
Eretos
Nas velhas formas de “Picasso”
Mas, desprovidas de visão
Voz: Marta Nascimento
Letra: Lailton Araújo
Música: Marta Nascimento
Gravação: Marta Nascimento
CD: Demo
Ano: 2008 Produção Executiva: Marta Nascimento
Direção Artística: Marta Nascimento
No aniversário da cidade, Universo Paulistano – Volume II reúne contos, crônicas e poemas inéditos
Em seus 456 anos, a cidade de São Paulo já foi tema de numerosas manifestações artísticas e culturais, dos mais diferentes tipos. Às vésperas do seu aniversário, não poderia ser diferente. Entre os muitos lançamentos e homenagens programados para a ocasião, a Andross Editora oferece o segundo volume da antologia Universo Paulistano – Contos, crônicas e poemas de uma cidade que nunca dorme (160 páginas, R$ 29,00).
Como o próprio nome denuncia, os autores – em sua maioria inéditos – puderam exercitar sua visão da metrópole por meio de diferentes gêneros literários. A antologia é organizada pelo escritor Chico Anes e pela doutora em Estilística Guaraciaba Micheletti, que analisaram mais de 100 textos até chegar aos 38 selecionados.
Embora a maioria dos autores seja da Capital, há também outros de cidades paulistas como Itu e Sumaré, e até mesmo de outros estados, como Pernambuco (Lailton Araújo – Sertânia – PE), Minas Gerais e Rio de Janeiro, que, de uma forma ou outra, já mantiveram contato pessoal com a metrópole.
Por sua diversidade de visões e estilos, Universo Paulistano – Volume II oferece uma rara visão desta cidade que não dorme e que é muito maior do que a esquina das avenidas São João e Ipiranga.
À venda nas livrarias a partir do dia 23 de janeiro, o livro terá um evento oficial de lançamento no dia 30, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima (Rua Henrique Schaumann, 777, Pinheiros, São Paulo, SP). Na programação, mesa redonda com o organizador Chico Anes e a doutora em Semiótica e Linguística Sônia Sueli Berti-Santos, leitura dramática de contos da obra pela atriz Cristiana Gimenez e sessão de autógrafos com os autores.
“A noite paulistana brilha como premières de cinema novo. Na Vila Madalena, os bares se reproduzem, sendo possível sorver a humanidade, caso seja feita a vontade do desembolsador. Um estacionamento cobra 24 reais o período. Barato, né? Resolvemos um amigo e eu parar numa cafeteria de curiosa alcunha: Che Bárbaro. Talvez nem seja um nome tão curioso assim.” (Crônicas paulistanas, de Daniel Zanella)
Sobre a Andross Editora
Com cinco anos de mercado e 39 títulos publicados, a Andross Editora nasceu no campus da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, para abrir espaço no mercado aos alunos que não tinham condições de publicar seus primeiros textos. Iniciou as atividades com obras acadêmicas, mas cresceu e se manteve no mercado graças a um modelo de negócio diferenciado: a publicação de antologias. Até hoje, a editora já lançou 23 livros deste tipo.
Universo Paulistano – Contos, crônicas e poemas de uma cidade que nunca dorme
Vários autores – Organização: Chico Anes e Guaraciaba Micheletti
160 páginas
R$ 29,00
Lançamento
DATA: 30 de janeiro
HORÁRIO: das 15h às 20h
LOCAL: Biblioteca Alceu amoroso Lima
Rua Henrique Schaumann, 777 – Pinheiros – São Paulo / SP
Quando qualquer governo fala do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de seu povo e continua míope quanto à ética – ele quer “tapar o sol com a peneira”. Entender o significado da palavra “moral”, não é só uma questão de educação! São princípios elementares de boa convivência em grupo (princípios – aprendidos e exercitados), onde cada cidadão tem o dever de preservar os “direitos e deveres” comuns da sociedade proposta. O aprendizado é gradual – a educação é o fio da tecelagem… É como “parir filhos” – só as mães sentem o processo biológico e a dor real do parto!
Educar custa caro! Alguém já fez a somatória das despesas com as mensalidades, livros, apostilas e outras taxas de qualquer curso nas universidades particulares brasileiras? O tão sonhado diploma será o cartão para a inclusão social? A busca do conhecimento será o início da transformação do cidadão e do meio onde ele vive? Algumas manchetes da mídia nos últimos dias desfazem o mito – que a educação – é o segredo da transformação! O que é educação? Será que a sociedade brasileira sabe o verdadeiro sentido de educar? Os exemplos de crimes cometidos por pessoas diplomadas e supostamente educadas (políticos, jovens de classe média, empresários e outros) mostram que a “sociedade brasileira” está doente e carente de outros valores humanos. Que valores poderão constar nos novos currículos escolares? A escola educa?
Os tecnocratas jamais questionaram a diminuição anual da qualidade das vagas oferecidas, nas escolas de ensino básico e nas universidades públicas e particulares. A população do Brasil cresce e os problemas aumentam e aumentarão ainda mais. As periferias das cidades brasileiras viraram “barris de pólvora”. Os verdadeiros educadores fazem mágica para cumprir o mínimo dos conteúdos curriculares. Mesmo com tiros de fuzis, fumaça e soldados da força nacional rondando o “pedaço”, a escola da vida ensina o segredo da sobrevivência em um mundo desigual. Salve-se quem puder! O morro não quer e não deve morrer!
E os valores morais? Estão sendo repassados para as crianças brasileiras? Será que vários políticos brasileiros possuem o perfil para governar ou legislar em nome da população brasileira? Alguns dos políticos envolvidos em escândalos publicados pela mídia possuem diplomas… As escolas que diplomaram esses indivíduos são culpadas? O que é educação?
Quais vereadores, deputados ou senadores foram avaliados pelo ENEM OU ENADE? Será que receberiam o tal diploma? Será que teriam a capacidade de legislar ou gerenciar – ou mesmo dar palpites idiotas nas soluções para o complexo e heterogêneo país chamado Brasil? Que tal a criação do ENAQIP (Exame Nacional da Qualidade Individual do Político)! Na posse e fim do mandato de qualquer político brasileiro haveria um exame, com questões de português, matemática, geografia, história, política social e “ética pessoal”. A nota de “ética pessoal” seria o diferencial na avaliação do ENAQIP. Sem qualquer dor de consciência: não haveria quase nenhum dirigente seguindo a tão “sonhada carreira política”. Um detalhe: a Constituição do Brasil garante a igualdade entre os cidadãos. Todos os anos, os estudantes e escolas do país são questionados (via ENADE E ENEM) quanto ao conhecimento adquirido e a qualidade de ensino. Para que haja justiça, toda a classe política desta “Terra de Ninguém” deverá ser avaliada – quanto à capacidade pessoal e ética!
A sociedade brasileira tem culpa pelo descaso com a educação de seus cidadãos. O “jeitinho brasileiro de dar nó em pingo d’água” e outras artimanhas de esperteza criam universos paralelos e anti-sociais. A educação não termina na colação de grau, com direito a diploma de “doutor” e anel no dedo em dia de formatura. Canudos ou títulos não foram feitos para enfeitar as paredes e dar “status”. A educação é contínua e o educador tem o dever de repassar o conhecimento para os menos favorecidos. Conhecimentos guardados, sem princípios éticos ou apenas com interesses pessoais – deseduca toda a educação e os educandos, que buscam a tão necessária educação.
A mulher é a luz em todos os “universos”
Nesses grãos de estrelas, poeiras cadentes
Brilham os olhos dela: nas constelações
No zodíaco é aquário, águas transparentes
Como seria esse mistério estrelar sem ela?
A mulher, nesse reino é princesa ou rainha
Nos relatos escritos há séculos ou milênios
Ela é a mágica da poção da fada madrinha
Tantos e tantos trovadores já cantaram…
A beleza sensual e feminina em serenatas
Muitos guerreiros e suas armaduras, caíram
Em duelos defendendo a honra das amadas
Os milênios correram no segredo do tempo
Iguais ao trote do cavalo no espaço sideral
E o homem em sagitário, procura os olhos
Na saga, ele verá a vitória do amor natural
São os seios, a inspiração na “Via Láctea”
Doce leite que corre, nos fartos mamilos
Saciando a fome de amor do “Astronauta”
Ícaros sem asas, nós somos todos meninos
Mamãe! Quando eu crescer quero ir ao topo
E sair em todos os canais da mídia moderna
Igual a você, mosquito da dengue… Famoso!
Que pica o povo do condomínio ou da favela
Vão dizer que sou mais um mosquito medroso
Por falar que favela não é lugar de mortandade
Lá se queima um bagulho no mosquito dengoso
E as crianças sobrevivem. Viva a comunidade!
O “fumacê” virou na contramão, sem uma meta
“Saci-pererê” fumou, baseado na forma amadora
Sou assim! Sou Aedes aegypti. Dengue na certa!
Ai de ti! Não é dengo… É epidemia assustadora
PAC deles, abandono, conversa fiada e picadas
Trinta e cinco mil sofrem aqui no Rio de Janeiro.
Quarenta pessoas embalsamadas… São almas!
Sofridas, penadas, por descaso do embusteiro
Mamãe! Quero ser um mosquito bem valente
É melhor que ser aquele vampiro impostor…
Livre em 2008… Bebo sangue! Mato gente!
Sem prevenção, sem direção… Aqui eu estou!
Hoje é o “Dia Internacional da Mulher” – data para reflexão e cobranças. É dia de festa e de homenagem à mulher. É dia de entender a atual situação das mulheres nos continentes ditos civilizados ou não, e as políticas sociais em benefício do sexo feminino.
Um brinde às mulheres rainhas, princesas, operárias, estudantes, atrizes, cantoras, compositoras, pintoras, professoras, senadoras, deputadas, juízas, advogadas, médicas, enfermeiras e escritoras. Um brinde ainda para as mulheres que vivem à margem da sociedade. São presidiárias (inocentes ou não), escravas (esperando a alforria), prostitutas maiores e menores, analfabetas, portadoras de DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e outras que trabalham na cidade e no campo – sem as mínimas condições trabalhistas. São mulheres que sofrem de uma doença crônica moderna: a discriminação. Elas estão aprendendo a lutar pela sobrevivência e cidadania. São mulheres com alma, esperança, poder de sedução, poder de mudança, de educação, e aprendizes nas sociedades machistas.
O brilho da mulher está em todos os lugares. Brilha a mulher negra, branca, amarela, vermelha, azul e até a transparente – moradora das comunidades opacas. Brilha ainda a mulher amante, esposa, namorada, que apenas fica, amiga, inimiga, conselheira, confidente e inconfidente, mãe, tia, avó, filha, neta, nora, irmã, prima e mulher primazia. Viva a mulher! Viva a mãe da terra, da água, do ar, do fogo! Viva a mãe africana, européia, asiática, americana, brasileira, santa, profana, do terreiro, do templo budista ou judeu, evangélica, com ou sem religião, feminina ou não – apenas mulher!
O planeta Terra (talvez um dia) será outro planeta na visão da poesia. Quando? Na medida em que o Ser Humano Homem perceber a importância vital do Ser Humano Mulher. E para felicidade geral das nações e dos poetas, acontecerá a verdadeira transformação na sensibilidade masculina. Serão os caminhos da perfeita harmonia tão perseguida na arte?
São João Batista do Glória – MG Foto: Prefeitura Municipal
MORANDO NO INTERIOR MINEIRO…
( Lailton Araújo )
Sexta-feira, 17h30, o sol se esconde nas terras de Minas Gerais e o céu ainda nublado, anuncia o início da primavera. As noites – um pouco geladas – trazem muita paz no silêncio quase total das cidades do interior. Nos últimos meses observei terras férteis, bois e vacas pastando, cana-de-açúcar, rios e cachoeiras (de águas quase puras) que molham os seios virgens de mulheres bonitas.
Escutando diariamente o sotaque desse povo simples (o mineiro é um caso especial), procurei descobrir o segredo da paciência, e modo de viver de forma não convencional – para os padrões das grandes metrópoles. A falta de visão da existência de novos horizontes depois das “serras mineiras” (ao olhar de um forasteiro), breca algo latente em qualquer ser humano: a ambição educacional. As conseqüências aparecem nos aspectos culturais, financeiros e políticos de toda a comunidade. Não vou questionar se é bom ou ruim! Afinal sou mineiro por amor e adoção.
Como em qualquer lugar – existem vários aspectos positivos e negativos no povo mineiro. Vale lembrar que algumas pessoas são amigas e outras: desconfiadas. É gente boa! Com ou sem maldade! Por aqui também se mata por ciúme. Algumas mulheres falam da vida alheia (coisa de cidade pequena e grande); as crianças dizem palavrões e outras besteiras interioranas. Existe inveja? Claro que sim! Que povo no mundo não sente inveja? A vida caminha em marcha lenta… Quase parando! Esses aspectos negativos não são assimilados pela comunidade. Quase tudo é resolvido na mais perfeita harmonia… Ou baixaria! Briga de faca e de boca mesmo! Quem mata: vai preso ou foge “pra BH”. Quem fala da vida alheia: fica marginalizado; ganha o nome de fofoqueiro, falador, boca aberta! As crianças que falam o “que não deviam falar”: recebem puxões de orelhas e cascudos. Quem sente inveja fica sofrendo, angustiado, em plena masturbação mental, e sem coragem de copular. No interior só cresce quem vai atrás de resultados concretos… Os sonhos são apenas sonhos!
Estou aprendendo que tudo tem o seu tempo! É física… É matemática… É a justificativa da alienação. Nesse aprendizado vou caminhando e deixando de lado a velha filosofia de vida. É a assimilação do lado objetivo e atual. Se tudo tem e terá o tempo certo para acontecer, o que eu tenho haver com a ansiedade?
O tempo (mesmo alienante) é amigo da perfeição, e com ele se aprende que nesse mundo (onde tudo parece caminhar na velocidade do milênio) a calma, o silêncio e a inteligência são as melhores armas – nessa luta diária contra o poder do descaso, da falta de visão política e informação global. O sentimento humano é apenas mais um detalhe nas montanhas e cachoeiras do sul de Minas Gerais, e de outras partes do Brasil e do Mundo.
Dia 09/10 (terça-feira) - 15h30 (grátis)
Estação Paraíso do Metrô – Linha 2 – Verde - Plataforma
São Paulo - SP
LAILTON ARAÚJO (violão e voz) é músico, arranjador, compositor, cantor, estudante de Ciências Biológicas, ex-professor voluntário de Biologia e Geografia, pesquisador de ritmos regionais brasileiros e aprendiz de escritor nas horas vagas. Trabalha há 26 anos nas áreas de produção musical, divulgação, agenciamento artístico e gravação em estúdio. Fundou em 1981 a Banda Moxotó – grupo nordestino de renome nacional – sendo um dos principais componentes.
Desenvolvendo carreira solo desde 2003, LAILTON ARAÚJO apresenta o show de MPB – TERRA E MAR. Nesse evento existe a poesia em fusão com a musicalidade universal. O amor, a esperança, a ecologia e a nova visão do ser humano, são enredos necessários à paz e harmonia do planeta Terra.
LEITURA 01:
A fauna e flora do Brasil, já não suportam tamanha agressão e descaso por parte dos poderes públicos. Vários habitantes de nichos ecológicos (em destaque – a espécie Homo sapiens) informam que o fogo na mata e a poluição das águas são apenas detalhes na nova agenda governamental e talvez sejam discutidos no futuro. As prioridades com habitação, saúde, educação, cultura e segurança, ainda são segredos de Estado.
LEITURA 02:
Nas periferias das citadas selvas ou grandes cidades, surgem as novas “tribos urbanas” – vestidas de contracultura. Elas simbolizam as rupturas dos velhos nichos ecológicos e provam que a espécie humana, caminha nos passos do jacaré, da formiga ou do piolho. O efeito dominó já contamina a sociedade pseudo-harmoniosa e puritana. Alguns gritam: não me toques! Muitos alegam que acontecerá a divisão natural em todos os aspectos e a ultrapassada sociedade elitista, sucumbirá no processo gradual da evolução. Os descendentes dos primatas continuarão em harmonia?
Nos becos falam que somos
Seres – vivendo e perdidos
Nas bocas soam os gritos
Dos corpos e cromossomos
É sangue jorrando no peito
Na sombra da minha visão
Nas broncas daquela ilusão
Não tenho nenhum segredo
No papel, o olho é de louca
Sem crítica ou credo milenar
Sangrando eu perco a força
Na terra: sou um lobo do mar
Gerando a cria, viva o cio!
Do horizonte vem a intuição
Nas longas jornadas serão
Seres maternos e conflitos
O andar já não toca o chão
A voz canta o luar de bronze
Se falar muito, mente, some
Reproduz fielmente o padrão
São corpos levando as pedras
No vapor, na névoa e fumaça
É o ódio disputando a matéria
É o amor aquecendo a massa
As asas dos Seres Humanos…
Crescem de acordo com a visão
Ficam atrofiadas – sem utilidade
Ou grandes para vôos maiores
Ter asas e não saber como voar
É ter os pés amarrados ao chão
Naquele sonho: ainda criança
O vôo não tinha qualquer limite
Batia asa igual a um passarinho
Com a força e rapidez da águia
Muitas vezes, caía e machucado
Era coberto com asas maternas
As asas estão nos pássaros
Nos insetos, mísseis e aviões
Tais asas que você me dava
Tinham limites de uma paixão
Por voar sem qualquer razão
Hoje tenho as asas podadas
Quem voa com as próprias asas
Viaja independente de um motor
Sobrevoa os mares, rios e serras
Busca no horizonte sua dimensão
Sem tempo: o futuro não existe…
É vôo cego com neblina, sem radar
A névoa que cobre a madrugada abafa os sons de aviões
Soldados, cabos e oficiais comandam mais um batalhão…
Uniformes azuis contracenam com mulheres apaixonadas
Homens desarmados, aviões lubrificados, casais amando
Parecem preparados para uma guerra – não convencional
É a batalha da solidariedade: balas de groselha e hortelã
Bombardeios na ambição, ciúme e opressão: sem o ódio…
Inimigos à vista! Jatos não decolam e nem miram os alvos
Abraços na despedida com balas de festins que explodem
Luzes no céu anunciam bodas de prata: renasceu alguém
É o mistério do céu na alma eterna – viva o espírito de luz!
A roupa é branca ou azul – qualquer nome: talvez Carmem
Com ou sem cor… Ana, Amanda: seguindo a nobre missão
Deixando de lado traumas passados, acidentes analisados
São filhos, pais e mães que não conseguem uma explicação
Dos sonhos desfeitos… Nas lágrimas marcadas na partida!
Renascimento – passado, presente e futuro: novas viagens
Quem ficou, chora e lamenta – muitas vezes culpa o criador
As criaturas desconhecem os segredos tão bem guardados
O espírito maior é sábio e controla as leis da reencarnação!
Pássaros cantam ao nascer do sol… É a novíssima batalha
Quem já foi, aparece na névoa da madrugada e manda luz
Espelhe-se nos ipês, laranjeiras e mangueiras do seu quintal
Sempre frutificando… Chore lágrimas por si e não por mim!
Sobre qualquer face humana – expressões aparecem
Noções espirituais e materiais estão bem confusas
O cérebro fica embaraçado e perde diversos dados…
Como um computador sem memória, sem programa
Mas nem tudo está perdido – a natureza se recompõe
Aos olhos dos mamíferos, felina mãe tão maravilhosa!
Não por gerar das entranhas filhotes machos ou fêmeos
E sim por traduzir o mais puro instinto do reino animal…
No ano 2007, clones são gerados…
Com um bisturi – as mãos da medicina tecem o amor
Existem seringas, agulhas, bordados feitos de bondade
Dos seios das mulheres sai o leite mágico que sacia…
Crianças órfãs, desencantados da vida e sonhadores!
Nos hospitais do mundo, meninas de um Brasil carente
Ensinam o que é cidadania, são elas os anjos de Deus
Aprendizes médicas – determinadas a modificar a Terra
Fazendo da própria vida, um novo laboratório espiritual…
No ano 2007, a “camisinha” é censurada…
Os Seres Humanos caminham eretos – é a evolução
Transformando a humanidade, dias bons, dias ruins
E nas maternidades, novos partos, novos espíritos…
Que trazem ao mundo o segredo da palavra: “amor”
As nações vão bebendo na fonte do velho continente…
São gotas de informações que não chegarão ao povo
Sem a seiva da renovação, o tempo caminha no minuto
Alimentando carências sociais tão perdidas no vazio…
O pão é um dos alimentos mais populares do planeta. Está espalhado pelos continentes e acompanhou a evolução cultural de cada povo nos últimos milênios. O circo foi a principal manifestação artística dos séculos cristãos. Era e ainda é usado como forma de acalmar ou incitar pessoas. No Brasil, o circo encontra-se em decadência. As crianças choram! Sentem falta do palhaço, do trapezista e do mágico. Longe das lonas, terrenos baldios e distantes dos profissionais da área, o circo é um caso especial e político. Tem a aparência de algo obscuro. Soa como teatro de mau gosto, mentira, egoísmo, inveja, corrupção e tantos outros desmandos oficiais ou clandestinos.
As combinações de pão e circo fizeram homens e mulheres repensarem a vida, de forma filosófica. Muitos nem param pra pensar! Pão e circo são necessários à sobrevivência dos humanos? É de conhecimento geral que o pão alimenta o corpo, a fé cristã e outros credos. O circo distrai ou relaxa qualquer mortal. É a diversão que pode mostrar a verdadeira arte circense, ou espetáculo disfarçado em alienação. Será que só de pão e circo viveu, vive ou viverá a humanidade? No monopólio dessas palavras, entra em cena uma terceira: amor. A palavra amor é uma das mais bonitas da língua portuguesa. Amor ao contrário, torna-se Roma. E foi na Roma Antiga que ocorreu o extermínio dos que pregavam o verdadeiro amor. Leões devoraram cristãos e opositores do Império Romano, na aplicação da política: pão e circo.
Juntando-se três palavras: pão, circo e amor – percebe-se que os jogos romanos continuam atuais nos gabinetes dos que governam ou desgovernam. Será que a atual sociedade não poderia espelhar-se em Chico Xavier, Madre Tereza de Calcutá e Irmã Dulce? O Haiti está aqui e ali! A harmonia com a natureza – tão pregada por São Francisco de Assis – talvez seja o pão da vida, ecologicamente correto, sem trigo, milho ou fermento, e que cresce! Poderá crescer ainda mais, quando for distribuído em forma de solidariedade, paz e amor.
Antes da minha última viagem
Quero fitar o céu, o sol e a lua
E brindar a vida com um vinho
Verde ou tinto, a cor não importa
Envelhecido com a tua experiência
Engarrafado na safra dos amantes
Meus lábios ainda umedecidos
Querem teus beijos, secos e doces
Sabor de uva, “passas do amor”
Não quero tristeza, quero vida
Brotando das folhas das videiras
Renovadas, sem rótulo de bebida
A passagem será no pôr-do-sol
A música, harmonia em sol maior
Não importa se é hora da verdade
Será calmo como o desenlace, na paz
O carinho vivo será bem vindo
Cânticos e orações, melhor ainda
Viajando, talvez sem rumo ou volta
Estarei enfronhado com teus livros
Caminharei com as luzes do bem
Lembrando do brilho dos teus olhos
Das lágrimas de saudade, bonitas
Pingos de chuva, meteoritos ao léu
Nas lembranças ficarão os vestígios
De bebida, de vinho, qualquer safra
Serão motes nas quadras de poetas
Que descrevem a alma sem rodeios
E quem olhar o céu, verá a claridade
Das galáxias, da eternidade maior
Letra: LAILTON ARAÚJO
Música: LIO DE SOUZA
Intérprete: LIO DE SOUZA
Gravação: LIO DE SOUZA
Violão: LIO DE SOUZA
Viola de 10 cordas: LIO DE SOUZA
Data: MARÇO DE 2008
Local: CARNAÍBA – PE – BRASIL Publicada: ÁUDIO OVERMUNDO
O ser humano criou as lentes dos telescópios, microscópios e outras máquinas de visão artificial. As imagens do Cosmo fazem os olhos humanos brilharem. As pupilas da humanidade crescem de curiosidade… É a busca do início de tudo! Quem somos? De onde viemos?
As galáxias viajam ao desconhecido! É como se o Universo que tentamos entender, caminhasse ao encontro de outro Universo. E na contramão das fantasias, teses ou teorias dos lunáticos e da ciência, aparecem outros universos terrenos – seitas, igrejas e outros – que tentam explicar o desconhecido.
As rodas de curiosos – com ou sem cantiga – choram quando ocorre a extinção da vida. Alguns entendem a passagem como algo natural da evolução das espécies; outros – enxergam Universos paralelos… E as mãos e pernas da ética, buscam o segredo da harmonia que acende e apaga as estrelas no céu. Os teóricos ficam boquiabertos. Os leigos: confusos. Os descrentes – continuam céticos. No espaço aberto ao Espaço, o pensamento humano é a nave espacial…
Portanto, seguimos como viajantes na busca do mistério da criação. Aplausos para a matemática; troféu especial para a biologia; menção honrosa para a física; elogios para a química… Mesmo assim, a sensibilidade do comentado Ser Humano mostra outros caminhos! Será que possuímos uma alma? Será que nossa curiosidade é observada?
Somos partículas na imensidão! Somos marujos assustados com a grandeza, beleza e tamanho mistério! Somos vaga-lumes nas noites escuras… O segredo da imensidão será revelado? Os olhos dos humanos e das máquinas buscam provas científicas na Terra e no Espaço… Talvez sejamos apenas humanos com medo da verdade!