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10/09/2008 - 21:03

Resenha do livro 1984

“Well I believe there’s someone watching over you
They’re watching every single thing you say
And when you die they’ll set you down and take you through
You’ll realize one day”
“Side” – Travis

Achei o artigo a seguir em um Site, adorei o livro e postarei algumas considerações minhas, provavelmente no final de semana…

Resenha do livro 1984 de George Orwell, por Rafael Calheiros.

“1984”, a magnífica obra de George Orwell, escrito em 1948, fala de um mundo dominado pelo socialismo totalitário – reflexo do período pós-guerra quando Orwell, se desiludindo cada vez mais com os rumos do “socialismo” de Stalin, escreveu o livro.

A obra retrata o mundo dividido em três grandes superestados: Eurásia, Lestásia e Oceania. Em uma ou outra aliança, esses três superestados estão em guerra permanente. O objetivo da guerra, contudo, não é vencer o inimigo nem lutar por uma causa, mas manter o poder do grupo dominante.

O enredo, sob a perspectiva da Oceania, mostra como o Estado vigia os indivíduos e mantém um sistema político cuja coesão interna é obtida não só pela opressão da Polícia do Pensamento, mas também pela construção de um idioma totalitário, a Novilíngua, que, quando estivesse completo, tornaria o pensamento das pessoas cada vez mais igual e impediria a expressão de qualquer opinião contrária ao Partido. A idéia do idioma é restringir o maior número possível das palavras, de tal forma que não existiria palavras para expressar oposição ao Partido e ao Big Brother – o Grande Irmão.

A característica principal de “1984”, talvez seja o duplipensar, que consiste basicamente em se ter duas idéias contrárias, opostas, e aceitar ambas como verdade. Essa característica fica evidente quando se conhece os três lemas do Estado: Guerra é Paz; Liberdade é Escravidão; Ignorância é Força.

O duplipensar fica ainda mais evidente quando conhecemos os nomes dos Ministérios: O Ministério da Fartura, que é encarregado de manter a fome para a prole e membros do Partido Externo, ocultando a baixa produtividade e a péssima distribuição de alimentos sob falsas estatísticas; o Ministério da Verdade, onde trabalhava o protagonista da história Winston Smith, que tem o dever de manipular fraudulentamente as notícias, levando os cidadãos à crença somente do que lhes é permitido, mudando constantemente o passado para que o Grande Irmão estivesse sempre certo; o Ministério da Paz, que se ocupa em engendrar a guerra, levantando a estima dos cidadãos com notícias sempre positivas da guerra; e o Ministério do Amor, que reprimia o sexo e estimulava o ódio entre as pessoas, para que o amor se dirigisse apenas ao Grande Irmão. O Ministério do Amor também se encarregava de capturar, torturar, punir, reeducar e vaporizar quem cometesse crimidéia através da Polícia do Pensamento.

O objetivo do Partido era suprimir a individualidade com o propósito de destinar toda a vida dos cidadãos aos seus interesses. Para manter a população entorpecida e influenciada eram freqüentes os eventos com fachadas políticas e patrióticas. Os “Dois minutos do ódio” e as semanas especiais faziam as pessoas esquecerem suas vidas e amar apenas ao Grande Irmão. Aquele que não participasse era acusado de cometer crimidéia – ou idéias ilegais para o Partido, e, portanto um perigo à segurança nacional. O destino para os que fossem acusados de cometer crimidéia era o mesmo: ser vaporizado e virar impessoa, ou seja, o Estado apagaria todos os registros daquela pessoa como se ela nunca tivesse existido. Não tratava apenas de eliminar alguém que cometesse algum crime, mas fazer com que ela nunca tivesse nascido.

Orwell compõe com brilhantismo uma “utopia negativa” onde os cidadãos são vigiados todo o tempo em todo lugar pelas teletelas (aparelhos que transmitem e captam som e imagem) sob a liderança do Partido e do Grande Irmão. Em todos os lares dos membros do Partido, praças, ruas e locais públicos, as teletelas transmitem a ideologia do Partido. Mais do que isso, captam todos os movimentos de seus filiados.

Onipresente, o Grande Irmão é visto em cartazes espalhados por toda a Oceania. Apesar de estar sempre presente, ele jamais apareceu em público. O Grande Irmão talvez não seja uma pessoa real, pois ninguém nunca o viu. Mas o slogan do Partido “O Grande Irmão zela por ti”; seus feitos nas guerras; seu trabalho duro para melhorar a condição de vida do povo da Oceania; e sua liderança firme e constante nas propagandas do Partido, conduz o povo da Oceania a acreditar na sua presença e existência. A eficiência do Partido é maior: faz com que o povo não só acredite na existência do Grande Irmão, mas o ame e o idolatre. Em um mundo onde o Estado domina e nada é de ninguém, mas tudo é de todos, talvez, tudo que reste de privado seja alguns centímetros quadrados no cérebro.

1984 não é apenas mais um livro de política, mas uma metáfora de uma realidade que inexoravelmente estamos construindo. Para exemplificar, invasão de privacidade; avanços tecnológicos que propiciam vigilância total; destruição ou manipulação da memória histórica dos povos; e guerras para assegurar a paz já fazem parte do nosso mundo. Até onde a ciência pode atingir? E até onde um governo pode usar a tecnologia para manter a paz em seu país? A importância de se ler Orwell desperta o leitor para essas questões. Se a nossa realidade global caminhar para o mundo antevisto em 1984, o ser humano não terá nenhuma defesa.

Hoje num tem musica, só ouço meu estomago roncar…

Bjo pra quem é de beijo

Abraço pra quem é de abraço

Autor: karahestranho@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,


6 comentários para “Resenha do livro 1984”

  1. Maíra disse:

    O que eu posso dizer? Não foi um livro escrito por mim.. mas até que não é ruinzinho, né? hahaha
    (Aiii..QUE NOJENTINHA!rs)

    Brincadeira =P
    Eu adorei esse livro.. li quando eu ainda era jovem…rs… mas se afaste de mim.. que daqui a pouco você vai descobrir o que é vício por literatura e acabará resenhando a obra toda de García Márquez.. (tenho fixação por ele =P)
    Beijos!

  2. Mariazinha do Umbu disse:

    É, Winston, Orwell era demais! Leia “A revolução dos bichos”, vc vai amar!
    Aliás, assim como a Maíra, também adoro o Gabo e recomendo que você não morra sem antes ler algo dele.
    Beijunda.

  3. Rafael disse:

    No problem, friend. O conhecimento é de todos. Creative Commons é algo que defendo e tento usar. ;)

    Grande abraço! valeu, pela visita.

  4. maria helena disse:

    Estamos atentos, ele, Orwel, nos alertou!!Agora temos que reagir. Como? O conhecimento, a “expansão da consciência” essa é nossa arma que ninguém pode nos tirar!

  5. Givaldo Guilherme disse:

    É impressionante como o autor através de uma metáfora com tanta premonição consegue expor a luz de nossa era.
    Apesar do enredo ser o marco do ano de “1984″, Orwel transmite através dessa Obra um reflexão que ainda é totalmente atual.
    A Ditadura intelectual com cara de “sofistas” modernos, sábios charlatões ou a serviço de um “poder dominante”, que impõe de forma narcótica valores a serviço de uma sociedade consumista.
    O Marketing de Relacionamento virou “Marketing de Rastreamento”. A ferramente C.R.M. a serviço de uma sociedade banalizada pelo consumo que quase de forma subliminar aceita essa nova forma vida, se tornando “gado tecnológico” e o ser humano um memen.
    É isso!
    Como diz o livro, ainda nos resta alguns centímetros em que podemos ser “Seres dominantes”, através de nossas mentes que mesmo alienadas ainda nos pertencem!

  6. Erasmo disse:

    O autor nos desperta para o furturo em que o verdadeiro big brother, fará parte de todo o mundo. Não é um bom sinal para a população, por sermos vigiados por eles, àqueles que governam o mundo.

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