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09/10/2009 - 19:23

A PALAVRA MAIS HUMANA (9)

 

     JORGE AMADO

     “Sou muito mais rigoroso em matéria de poesia do que de romance.  Ficção eu leio tudo.  Consigo ler romances muito fracos. Sou muito mais exigente com poesia. Talvez porque seja inteiramente incapaz de escrever um verso bom. Quando era jovem escrevi para namoradas coisas muito ruins. A poesia é um dom que eu não tenho.  Trocaria meus romances todos por um bom poema.  Além disso, sou muito limitado em línguas e o conhecimento delas é fundamental para a poesia. Neste livro, relato uma apresentação de uma peça montada em cima de poemas e críticas à obra de Maiakovski. Não entendo nada de russo, mas poucas vezes me emocionei tanto na minha vida. Também o meu gosto para poesia mudou bastante com o tempo.  Poetas que gostava antes me parecem palavrosos hoje em dia. Claro que um soneto de Camões não muda.  Já de “Os Lusíadas” eu guardo uma distância.  A poesia épica me toca menos. Não vou falar de poetas brasileiros para evitar problemas mas Fernando Pessoa, por exemplo, me diz menos que Cesário Verde. Cesário é o meu preferido de Portugal.”

                                 (Caderno MAIS ! /  Folha de São Paulo, 9/agosto/1992)

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Do livro inédito A PALAVRA MAIS HUMANA

Autor: panamericanordestal@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:


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