25/06/2009 - 17:46
O STF, quem diria, hein ?, se apequenou, diante da questão da diplomação dos jornalistas. E, perdeu a aura, em nada parecendo com a altíssima superioridade que tem. Os jornalistas de plantão, os jornalistas de verdade, diplomados ou não, os que fazem, em sua essência, o jornalismo brasileiro, devem gritar alto e protestar e promover uma saudável desobediência civil, “rasgando”, altivamente, essa decisão do Supremo Tribunal Federal. Não rasguem os seus diplomas não !
O ato estapafúrdio, desrespeitoso, desleal, que afronta todos os direitos profissionais conquistados pelos jornalistas formados nas universidades brasileiras, nivela os avanços sociais e o progresso educacional em um plano abaixo do ralo. Bem juntinho de onde tudo fede e apodrece.
O STF conseguiu fazer com os novos jornalistas e o futuro jornalismo brasileiro um mal ainda maior do que o que foi feito pela ditadura militar brasileira, quando impôs a censura à Imprensa em todo o País e exigiu jornalistas egressos das faculdades, despachando das redações e fechando as portas para os que já escreviam e criavam o trabalho jornalístico, na época, com alguma e até longa experiência mas não eram jornalistas formados. Lembram disso ? Mero equívoco ? Não, pura perseguição política à livre expressão dos que tinham o poder de comunicação com a palavra e atuavam, para incomodo dos encastelados ditadores, com discernimento crítico em defesa dos valores humanos e do Brasil dos brasileiros.
A longa noite de terror de 30 anos já passou, reconquistamos a Democracia e a estamos reconstruindo, com todas as dificuldades que nos impõe o longo caminho de volta para começarmos tudo de novo, e ainda há quem pense no pleno exercício da Democracia com retrocesso. Só se for coisa do Demo ! E com argumento que não tem consistência sequer numa conversa de bar…
O grande jornalista Alberto Dines, em luminoso e exemplar artigo publicado no Observatório da Imprensa (http://www.observatoriodaimprensa.com.br) , criticando duramente, como deve ser o papel de todo jornalista que se dê ao respeito, a ação nefasta do STF, concluiu que “no Brasil, estamos apenas diante de uma formidável sucessão de equívocos”.
Acreditamos que, como dizem os populares nordestinos, o buraco é bem mais abaixo. Equívoco é erro brando, até perdoável. Para um erro dessa dimensão não há perdão. Pois o Supremo não está acima da Lei, da Sociedade e do Homem. Está lá para respeitar a Lei, a Sociedade e o Homem, acima de tudo. E o seu erro, solenemente grave, nesse episódio, prova, embora os juízes não queiram jamais reconhecer, que eles não são “infalíveis”. São humanos, por isso falham. Se se consideram semi-deuses, ou deuses mesmo, aí então será um Deus-nos-acuda porque todos estarão, na verdade, fragilizando e arruinando o Tribunal. E aí temos a necessidade de lembrar um sábio filósofo francês : um erro contra um homem é um erro contra toda a Humanidade.
Para concluir, vamos, neste tempo de outras fogueiras (que não as da vaidade e as da Inquisição), usar um fogo mais brando. Deste jeito, por exemplo, vai bem na receita : minha filha, jornalista formada e diplomada há pouco tempo pela UNICAP, depois de lutar anos para pagar e conquistar o direito de exercer, com base profissional consequente, a sua atividade jornalística (nem pensar na briga-de-foice dentro e fora do Mercado), diante dessa desastrosa atitude do STF, se saiu com esta, em rápido comentário por e-mail : “Não tenho muitas novidades, tirando minhas intenções de estudar culinária e seguir carreira de chefe de cozinha pra ver se seu Gilmar Mendes me respeita.”
O bom humor da minha filha areja e reconforta. Ajuda mais para seguir em frente do que uma bíblia reescrita com todos os livros cheios de lamentações de Jó.
E um aviso aos desavisados : escrevo há uns trezentos anos, publicando o que é possível em jornais, revistas e, mais recentemente, na Internet. Não sou jornalista diplomado nem contratado. Nem pretendo ser.
JUAREIZ CORREYA
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17/06/2009 - 18:40
Leocádia Alves da Silva, da famíia, Leda Alves, do teatro, e Leo, carinhoso apelido que lhe foi dado pelo seu companheiro, o escritor Hermilo Borba Filho, são, natural e unicamente, Leda de Hermilo, identidade que ela assumiu, com desmedido amor, assim que Hermilo se encantou, há mais de 30 anos.
Leda, companheira de Hermilo desde o glorioso e sacrificado tempo do TPN – Teatro Popular do Nordeste, fundado por ele, Ariano Suassuna e outros abnegados amigos, no início da década de 1960, no Recife, permaneceu fiel aos compromissos de Hermilo, com o teatro e a cultura pernambucana em geral, mantendo vivo e vivificador o iluminado ideal do escritor e animador cultural palmarense.
Conheci Leda, pessoalmente, em Palmares, em companhia de Hermilo (estava com eles o amigo e pintor José Cláudio) : o escritor tinha ido à cidade natal para rever familiares e se encontrar com os poetas novos locais empenhados na publicação da antologia POETAS DE PALMARES (lançada em 1973) e de uma antologia de poetas e prosadores da Mata Sul intitulada ANTOLOGIA GERAL 1 (não publicada). Pude reencontra-la no lançamento do livro de contos SETE DIAS A CAVALO, de Hermilo, na Livro 7 de Tarcisio Pereira, no centro do Recife, em um momento suficiente para uma rápida fotografia junto com ela e Hermilo.
Depois do encantamento do seu companheiro, em 1976, nos reencontramos, na Livro 7, para uma pequena homenagem à memória de Hermilo Borba Filho promovida com alguns intelectuais e artistas pernambucanos. E, em seguida, os nossos encontros se renovaram com maior assiduidade : ela se envolveu, de forma direta e abertamente comprometida, com o projeto de criação da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho – homenagem póstuma de Palmares ao seu filho e escritor que a projetou nacional e internacionalmente com os seus livros -, empreendimento memorável do prefeito Luís Portela de Carvalho e do vice-prefeito Francisco de Assis Rodrigues; e Leda ficou sempre ao nosso lado no tocante ao projeto editorial desenvolvido pela Fundação Hermilo e a tudo o que dizia respeito ao que era promovido pela instituição palmarense, com contribuições louváveis até data mais recente, quando Pernambuco festejou, com a “Semana de Hermilo”, o 90o. aniversário de nascimento do escritor e animador cultural que ficou “para semente” como ele mesmo dizia. Nesse ano, por exemplo, ela trabalhou incansavelmente (enquanto dirigia o Teatro Santa Isabel, do Recife) na organização do livro A PALAVRA DE HERMILO (Companhia Editora de Pernambuco / Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco, Recife, 2007) e da trilogia HERMILO BORBA FILHO : TEATRO SELECIONADO – 3 volumes, 12 textos teatrais, organizados com Luís Reis (Funarte / Ministério da Cultura, Rio de Janeiro, 2007).
Além de tudo isso, Leda de Hermilo é a ex-companheira exemplar que se empenha, com irradiadora energia, como guardiã do legado de Hermilo para que a sua Obra – ficcional, teatral, ensaística e jornalística – seja mais conhecida, admirada e amada, divulgando o seu acervo (bibliografia, biblioteca, originais e documentos diversos) e lutando, junto a instituições culturais e nacionalmente credenciadas, pela sua preservação. Um grande escritor e amigo de Hermilo já reconheceu, em confissão publicada, que a cultura brasileira tem um débito impagável com Leda Alves, que fez Hermilo “renascer” para a sua literatura, quando ele enfartou, em 1971. Hermilo viveu, em sua companhia, até 1976, criando intensamente.
O relevante papel de animadora e administradora cultural desempenhado por Leda Alves, até hoje, com presença irrepreensível à frente de orgãos públicos municipais e estaduais, será sempre merecedor de aplausos. Não aplaudi-la atestará apenas ignorância (por omissão) e mesquinhez (por inveja mesmo).
Mas acredito que a sua simples figura humana é excessivamente maior do que tudo isso. Além de sua amorosa dedicação a Hermilo, em vida e além dela, e a tudo o que era a sua crença e a sua razão de ser, como escritor e homem do seu tempo, Leda soube, como nenhuma mulher sabe, tornar-se amiga sem medida extremamente solidária com todos os amigos e amigas de Hermilo (que não foram poucos), ainda mais depois do dia em que ele “se encantou”. Amou e ama os amigos de Hermilo – escritores, jornalistas, gente de teatro, músicos, artistas plásticos, artistas populares, políticos – uma lista interminável de gente grande, graúda e miúda, que assim era Hermilo e assim é, como outro coração dele que permanece amando a humanidade, assim é Leda Alves, nome de teatro e figura pública, Leo, na intimidade do seu companheiro, Leocádia, com a sua família, Leda de Hermilo. E de Pernambuco, como reconhecemos todos nós.
JUAREIZ CORREYA
(Recife, 12 / junho / 2009).
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11/06/2009 - 19:44
Um azul meio-noite se estende
sobre o centro do Recife
antecipando o anúncio luminoso
de todas as cores da manhã.
Não é mais noite e ainda não é dia :
a fotografia imprecisa
estampa sua monocromia
no céu da cidade
(a cor primal do amanhecer da Boa Vista
sobre o central parque recifense
identifica o instantâneo
de uma visão que nunca existirá
no central parque nova-iorquino).
JUAREIZ CORREYA
(Boa Vista, Recife,
7/06/2009 )
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10/06/2009 - 17:02
Não sou futurólogo nem pai-de-santo mas não tenho a menor dúvida de que este será o cenário político brasileiro no ano de 2010 :
LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA - PRESIDENTE DO BRASIL
(TERCEIRO MANDATO)
EDUARDO CAMPOS - GOVERNADOR DE PERNAMBUCO
(REELEITO)
E, em 2014 :
EDUARDO CAMPOS - PRESIDENTE DO BRASIL
LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA - GOVERNADOR DE PERNAMBUCO
ANA ARRAES - VICE-GOVERNADORA DE PERNAMBUCO
Votem e confiram.
Juareiz Correya
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09/06/2009 - 18:09
PRÓXIMO DA MORTE
À noite, percebi uma movimentação anormal das enfermeiras, no leito ao meu lado esquerdo. Eu ainda nem havia me ambientado direito com a sala da U.T.I. Era uma movimentação das enfermeiras como eu ainda não tinha visto ali no Oswaldo Cruz. Vi a Dra. Sílvia dar ordens enérgicas, os rostos das enfermeiras com certa preocupação, e, do paciente ao lado, num determinado momento, pude ver os pés de fora do cobertor, de cor indefinida, com pequenos movimentos sem expressão ou firmeza. Me voltei para o lado direito, não quis mais saber de nada mesmo e dormi.
De manhã, o corpo daquele paciente já não estava mais no leito colocado ao meu lado esquerdo, e que eu não conseguia visualisar direito antes por causa de uma discreta estrutura de fórmica, como uma parede branca, que separava cada leito. As enfermeiras não me disseram nada mas eu pude perceber : o paciente, de idade avançada, não havia resistido a mais uma crise do coração e falecera. (Juareiz Correya)
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