Arquivo de maio, 2009
20/05/2009 - 16:38
AO SECRETÁRIO GERAL DA ONU
BAN KI MOON :
“O GOVERNO MILITAR DA BIRMÂNIA DEVE LIBERTAR IMEDIATAMENTE E INCONDICIONALMENTE TODOS OS PRISIONEIROS POLÍTICOS INCLUINDO DAW AUNG SAN SUU KYI, KHUN THUN OO E MIN KO NAING. A LIBERTAÇÃO DOS PRESOS POLÍTICOS É O PRIMEIRO E MAIS IMPORTANTE PASSO EM DIREÇÃO À LIBERDADE E DEMOCRACIA NA BIRMÂNIA. NÓS, ABAIXO ASSINADOS, PEDIMOS AO SECRETÁRIO GERAL DA ONU, SR. BAN KI MOON, QUE ELE ASSUMA COMO PRIORIDADE PESSOAL SUA A LIBERTAÇÃO DOS PRISIONEIROS POLÍTICOS DA BIRMÂNIA PELO SPDC”
Mais de 267 mil pessoas já assinaram o abaixo-assinado no site da AVAAZ (http://www.avaaz.org), organização mundial que trabalha por um ideal de justiça e paz para todos os povos. A campanha objetiva registrar 400.000 assinaturas.
Assine você também, acesssando o site da AVAAZ.ORG. A petição acima, dirigida ao Secretário Geral da ONU, deve ser entregue no prazo de 6 dias para a libertação, entre outros, da Prêmio Nobel da Paz (DAW AUNG SAN SUU KYI), gravemente doente, injustamente acusada pelo governo militar (dias antes do término da sua pena de 13 anos) para que seja mantida encarcerada até as eleições de 2010. Ela tem sido mantida continuamente na prisão desde a sua vitória esmagadora contra a ditadura militar em 1990. (Transcrito do site da AVAAZ.ORG)
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19/05/2009 - 17:45
PORTUNHOL FINGIDO
Hector Pellizzi, um poeta e amigo argentino, dividia o aluguel de uma casa comigo, na Rua da Soledade, bairro da Boa Vista, no Recife. Estava em Pernambuco há alguns anos. Fora casado, inclusive, com a poetisa olindense Fátima Ferreira, e era pai de uma filha dela. A separação deles já durava mais de um ano. Em nossas farras, no centro do Recife, nos lançamentos de livros, recitais de poesia e exposições de arte a que comparecíamos, rolava sempre um bom número de mulheres. Eram constantes as aproximações e envolvimentos. Do nosso grupo participava também Jailson Marroquim, poeta recifense nativo de Casa Amarela. Jailson ficava puto da vida com Hector nos encontros onde surgiam, inevitavelmente, novas mulheres. O argentino danava-se a enrolar a língua, num portunhol escroto, mais parecendo que havia chegado da Grande Buenos Aires no dia anterior… Era o velho charme bandoleiro dos portenhos, na boca maliciosa de Hector, pronto para iludir as pernambucanas desavisadas.
– Fala direito, Hector – reclamava Jailson, indignado. – Tu és mais manjado aqui no Recife do que o artesanato da Casa da Cultura !
JUAREIZ CORREYA
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18/05/2009 - 17:35
“A crítica da sociedade e da própria cultura é também uma das funções básicas da cultura, que em nosso tempo se acentua particularmente. O “poeta maldito” da época romântica hoje se transformou no escritor ou no artista comprometido ou revolucionário. Inconformado com a injustiça, ele exige e exerce sua liberdade para promover revoluções econômicas, sociais, morais ou culturais. Essa atitude crítica ou dissidente é um fermento necessário à saúde dos povos, um elemento essencial do pluralismo democrático e um motor indispensável para a mudança e o progresso sociais.”
JOSÉ LUIZ MARTINEZ
(O CORREIO DA UNESCO,
outubro/novembro, 1982,
FGV, Rio, RJ).
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13/05/2009 - 14:42
DIRETO PRA U.T.I.
Djane me informou que Valéria, sua amiga, passsaria na Emergência às 10 horas. Talvez ajudasse. Ela conhecia um médico que atendia no Oswaldo Cruz, um cardiologista mesmo. E que José e João tinham chegado em companhia de Guesto mas não puderam entrar, por causa do horário. Era um procedimento da segurança da Emergência.
Com calma, eu disse a Djane que não ficaria ali. Ela deveria providenciar logo a minha mudança para um hospital particular. Ela concordou, sem qualquer contra-argumentação. Sabia que a gente não tinha condições de assumir despesa alguma com um hospital particular mas não se opôs ao que eu estava querendo fazer. Talvez para me manter calmo.
Pouco antes das 10 horas chegou o Dr. Hermilo, a quem Leda, carinhosamente, chamava de Hermilinho – Hermilo Borba Neto, filho de Liane, filha de Hermilo Borba Filho, patrono da fundação cultural que eu dirigia em Palmares, nossa terra natal. Um sujeito de quase dois metros, como chamá-lo de Hermilinho ?, tratava-se de um diminutivo exagerado… E, deitado como eu estava, ele me pareceu ainda mais alto. Foi logo dizendo, quando me avistou no fim do corredor :
– Poeta, o que aconteceu ? O que está fazendo aqui ?
No meu estado não era preciso dizer mais nada. Claro que ele sabia. E nos adiantou logo que Leda havia se comunicado com ele. Explicou que não tinha conseguido chegar mais cedo porque estava de plantão no Hospital Santa Joana – aianda vestia traje médico e carregava a tradicional maletinha preta. Pediu as informações que queria a Djane. E me adiantou, com a mão esquerda no meu ombro :
– Fique tranquilo. Vou ver o que posso fazer.
Logo entrou numa sala que ficava a uns dois metros ao fundo do corredor, de onde saíam estudantes-atendentes e enfermeiras a todo tempo. Voltou instantes depois e me disse prontamente :
– Vou lá na U.T.I. Vou ver se tem alguém cohecido de plantão…
Djane não teve como esconder a apreensão. Ele percebeu e a acalmou :
– Não se preocupe não. Não é nada demais. É só pra dar mais segurança a ele.
Hermilo não demorou nada. Estava contente. Pedindo mais uma vez para Djane ficar tranquila, ele me comunicou :
– Encontrei uma amiga no plantão, Sílvia. Ela estudou comigo. Você vai sair daqui, vai pra U.T.I. , onde terá tratamento mais intensivo, mais seguro e monitoramento permanente.
Agradeci, Djane agradeceu e ele se despediu. Não se passaram dez minutos e apareceram duas enfermeiras, com a minha ficha, verificando minha identificação, prontas para me levar para a U.T.I. Elas me colocaram numa cadeira de rodas, Djane me acompanhou até a entrada da U.T.I., onde teve de ficar, e de onde ela pensou, e me confidenciou depois, que, para ela, naquele momento, era somente eu e Deus.
Recebi o impacto da frieza da sala, ampla, muito ampla e iluminada, branquíssima, com vários leitos e pouca ocupação, e com uma equipe de enfermeiras comandada pela plantonista do domingo, a amiga de Hermilo, Dra. Sílvia Reis.
Duas das enfermeiras me colocaram numa cama, me orientando para ter todo o cuidado e não fazer esforço nenhum, a cama logo reclinada para me manter com o tronco e a cabeça um pouco levantados, pedindo para que eu dissesse logo, se fosse o caso de não estar me sentindo confortável, o que me incomodava. Estava confortável, estava bom, nada me incomodava.
Elas me ajudaram a trocar de roupa, e já vestido como um paciente numerado – apenas mais um -, me aplicaram soro e cravaram por toda a região do meu peito pequenas circunferências emborrachadas ligadas a um visor eletrônico suspenso, à altura da cabeceira, à esquerda da cama; era o monitoramento permanente programado para detetar qualquer problema a mais do meu coração. Elas ajustaram tudo, fizeram anotações, procuraram me tranquilizar conversando normalmente, adiantaram que eu podia dormir, na hora da medicação me chamariam, e que, na segunda-feira, à tarde, eu poderia receber visitas. Não me preocupei com nada mesmo e dormi. (JUAREIZ CORREYA)
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12/05/2009 - 13:14
O Portal VERMELHO – a esquerda bem informada (http://www.vermelho.org.br) , do PCdoB, divulga, em sua coluna “Cultura” (postagem de 11/maio/2009), o nosso artigo “O Poema que Maiakovski não escreveu”, já divulgado neste blog e no LETRAS & LEITURAS (http://letras-leituras.blogspot.com).
Publicado originalmente na Revista CONTINENTE (Companhia Editora de Pernambuco, Recife, janeiro, 2008), esse artigo, que procura desfazer a equivocada atribuição ao poeta russo Maiakovski da autoria de um poema do poeta brasileiro Eduardo Alves da Costa (”No caminho, com Maiakovski”), é título de um livro de vários escritos que preparo para publicação em breve. Desse livro, divulgarei ainda alguns textos aqui neste blog e no blog LETRAS & LEITURAS. ( Juareiz Correya )
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11/05/2009 - 19:16
Passou em branco, no Recife e em Palmares (sua cidade natal) os 114 anos do nascimento do poeta pernambucano Ascenso Ferreira (sábado, 9 de maio).
Notícia de nada sobre o poeta.
Os poetas não lembram que ele é um deles; os escritores em geral, nas suas sociedades e academias, fazem de conta que é isso mesmo; as escolas e universidades (algumas com bibliotecas ostentando o seu nome) não promovem sequer um simples recital de sua poesia e a Imprensa local não tem lugar para a menor reprodução de um perdido verso dele em seus espaços caros e inacessíveis.
Vamos esperar que, no próximo ano, os seus 115 anos de nascimento possam ser lembrados (embora a data seja apenas “meio redonda”), esperar que todos se lembrem, aqui em Pernambuco, que Ascenso viveu entre nós, que a sua poesia é a palavra mais humana da existência criada em nome da eternidade do povo do Nordeste brasileiro. (JUAREIZ CORREYA)
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08/05/2009 - 19:16
Desde dezembro /2008 este blog divulga textos de alguns livros publicados, de minha autoria, e de antologias que organizei e publiquei. Oportunamente, há postagens também de poesia & prosa ainda sem título de livro projetado ou definido. E o nosso possível leitor encontra, uma vez ou outra, a postagem de textos de alguns livros inéditos, prontos para publicação, apresentados como capítulos em série. São textos destes meus livros : A PALAVRA MAIS HUMANA (antologia de poetas e prosadores sobre a criação poética), POEMAS DO NOVO SÉCULO (um livro de poesia em construção desde o ano 2000), LUZ NO CORAÇÃO DA VIDA (confissões), PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS (contos e mini-contos de verdade). Em breve, veicularei textos de mais dois livros inéditos : DIAS MANUSCRITOS & DIGITAIS (memória, diário) e O POEMA QUE MAIAKOVSKI NÃO ESCREVEU (vários escritos sobre livros, escritores e a cultura pernambucana).
JUAREIZ CORREYA
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05/05/2009 - 17:24
Do lado de cá do Atlântico, apreciamos, desde os últimos anos do século passado, até embalados pelo canto da fulgurante baiana Maria Bethânia, as vozes líricas que têm renovado a rica poesia portuguesa. E, para além mar, projetam-se algumas vozes de mulheres brasileiras notáveis – a exemplo de Renata Pallotini, Eunice Arruda, Neyde Archanjo, Dalila Teles Veras e Maria de Lourdes Hortas. Esta, habitante natural do Recife desde os 10 anos de idade, é cidadã das duas pátrias, de Portugal e do Brasil, uma legítima poetisa luso-brasileira. As outras poetisas também citadas vivem em São Paulo, destacando-se, como luso-brasileira, Dalila Teles Veras, que é exemplarmente uma infatigável animadora cultural com a sua livraria e editora Alpharrabio, de Santo André, no ABC paulista.
Autora de vários livros de poesia e de ficção publicados, no Brasil e em Portugal, a partir da década de 1960, com os traços inconfundíveis das culturas européia e americana, Maria de Lourdes Hortas, desde cedo, se manteve antenada com a criação poética produzida nos dois países. E, por força disso, organizou e publicou duas antologias preciosas, que estão merecendo urgentes reedições : PALAVRA DE MULHER (Poesia Feminina Brasileira Contemporânea), publicada pela Editora Fontana, do Rio de Janeiro, em 1979, e POETAS PORTUGUESES CONTEMPORÂNEOS (poemas e confissões), publicada pela Edições Pirata, do Recife, em 1985. Com este livro o Brasil conheceu, pela primeira vez, a poesia da geração pós-Fernando Pessoa : José Régio, Vitorino Nemésio, Eduíno de Jesus, Antonio Ramos Rosa, Sophia de Mello Brayner Andresen, Pedro Homem de Melo, Jorge de Sena, Herberto Helder, José Carlos Ary dos Santos, Maria Tereza Horta e Fernando Grade, entre outros.
Agora, a poetisa, ausente das livrarias locais há mais de 5 anos, publica o livro de poesia inédito RUMOR DE VENTO (Panamérica Nordestal Editora, Recife, 2009), a ser lançado nesta quinta-feira, dia 7 de maio, às 17 horas, no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco (Rua do Imperador, 290, Santo Antonio, Recife, PE ), e, em seguida, em Portugal : na sua cidade natal, São Vicente da Beira, e em Lisboa. Opiniões do poeta e crítico português Celso Pontes, da professora pernambucana Zuleide Duarte e do poeta e crítico carioca Aricy Curvelo atestam o valor da sua criação poética e o caráter inabalável da sua dupla identidade cultural.
Construído em três partes, com a reunião de poemas distintamente tematizados, RUMOR DE VENTO nos coloca, mais uma vez, diante de uma mulher delicada, culta e amorosamente sensível, revelando sua inquietação e perplexidade diante do próprio ato da criação poética, exprimindo seu temor e sua indignação frente a pequenez humana e a degradação social, e, se despojando, terna, comovida, espiritualmente rica em memoráveis cartas à mãe falecida. Assim se manifesta a saudade luso-brasileira de Maria de Lourdes Hortas :
“Depois que partiste, Mãe, naquele agosto cinza / a poesia calou-se dentro de mim. / Hoje ocorreu-me a causa do meu silêncio : tanta coisa para te dizer / e não consigo …
Certamente por conta da ausência do barômetro, teu arrepio. / Por isso resolvi escrever estas cartas : / quem sabe assim conseguirei demolir o silêncio / que vem aprisionando o meu coração ? / Minha querida Mãe, / quando receberes esta, de onde estiveres, como te for possível / por favor envia-me um sinal de que a carta chegou. / Pode vir numa sonata de chuva / na visita de beija-flor / no arrepio de vento …”
JUAREIZ CORREYA
(Artigo publicado no DIARIO DE PERNAMBUCO – Recife, 25 / abril / 2009).
Autor: panamericanordestal@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
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