Arquivo de abril, 2009
30/04/2009 - 18:38
Este blog, com os seus 18 links, está linkado no blog HOMERO FONSECA (http://www3.interblogs.com.br/homerofonseca) , que o leitor encontra na relação dos nossos links aqui ao lado.
O blog do jornalista e escritor Homero Fonseca, que dirigiu, durante vários anos, ao lado do poeta Marco Polo Guimarães, a Revista CONTINENTE, publicada pela CEPE/Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco, torna acessível também estes excelentess links imperdíveis : SITE DO GENETON MORAES NETO (http://www.geneton.com.br), BLOGO DO PEDRO VICENTE (http://www.cenasecoisasdavida.blogspot.com), ECTOPLASMA (http://www.kriterion.zig.br/pag65), PORTAL LITERAL (http://www.portalliteral.com.br), AUDIÇÕES BRASILEIRAS (http://audicoesbrasileiras.blogspot.com), FINA FLOR (http://www.finaflormonicamontone.com.br), INTERPOETICA (www.interpoetica.com), SUBSTANTIVO PLURAL (http://substantivoplural.com.br).
Homero Fonseca, pernambucano de Caruaru, publicou, no ano passado, o excelente romance ROLIÚDE. Coisa de cinema.
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28/04/2009 - 18:51
“TODA POESIA É HOSTIL AO CAPITALISMO”
JUAN GELMAN
(Argentina)
TODA POESIA É HOSTIL AO CAPITALISMO
PODE TORNAR-SE SECA E DURA MAS NÃO
PORQUE SEJA POBRE MAS
PARA NÃO CONTRIBUIR À RIQUEZA OFICIAL
TORNAR-SE MAGRA JÁ QUE HÁ FOME
PODE SER SUA MANEIRA DE PROTESTAR DE
AMARELA DE SEDE E AFLITA
DE PURA DOR QUE EXISTE SER QUE
EM TROCA ABRA OS BECOS DO DELÍRIO E AS FERAS
CANTEM ATROPELANDO-SE VIVAS DE
FÚRIA DE CALOR SEM DESTINO PODE
SER QUE SE NEGUE A SI MESMA COMO OUTRA
MANEIRA DE VENCER A MORTE
ASSIM COMO SE CHORA NOS VELÓRIOS
POETAS DE HOJE
POETAS DESTE TEMPO
NOS SEPARARAM DO POVO NÃO SEI O QUE SERÁ DE NÓS
CONSERVADORES COMUNISTAS APOLÍTICOS QUANDO
ACONTECER O QUE ACONTECERÁ MAS
TODA POESIA É HOSTIL AO CAPITALISMO
(Tradução de Carlos Lurli /
Rio de Janeiro, 1985).
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27/04/2009 - 19:39
O jornalista e escritor Homero Fonseca (o blog dele é link deste “Jornal do Juareiz”) quer saber quem é Raimundo Alves de Souza, o poeta pernambucano que seria o pai de Vinicius de Moraes, de acordo com a sua revelação em entrevista publicada na década de 1980, no Recife, e que teve um pequeno trecho transcrito na postagem anterior deste blog. Homero revela que ficou curioso e quer publicar alguma coisa sobre o assunto no seu blog, mas quer ser melhor informado para saber onde está pisando. “Mesmo sendo uma viagem maluca, vale a pena.”
Sim. Homero, vale. A se confirmar a veracidade de suas palavras, cuja história durante muito tempo, e até hoje, tem o sabor de lenda em Palmares – e apesar dos esforços de alguns parentes e amigos nunca se conseguiu estabelecer um contato pessoal e esclarecedor com o poeta Vinicius de Moraes, quando ele ainda vivia -, a se confirmar o que ele revelou na entrevista que nos concedeu, em Palmares (PE), no ano de 1979, então A ORIGEM DE VINICIUS SERÁ PERNAMBUCANA, COMO FILHO DO POETA RAIMUNDO ALVES DE SOUZA.
A vida do poeta Raimundo Alves de Souza foi sempre marcada por aventuras amorosas. Nascido no século 19, em 1884, em Panelas (PE), o poeta viveu a maior parte da sua existência em Palmares, convivendo com os poetas, atores e jornalistas do tempo em que a cidade chegou a ser chamada de “Atenas Pernambucana”. Amigo de Artur Griz, Jayme Griz, Hermilo Borba Filho e Ascenso Ferreira, entre outros, foi sempre uma figura legendária, como homem e como artista. Era autodidata e, na sua juventude, foi um destacado ator na cidade. Poeta que muito produziu e pouco publicou em livro, criador de uma poesia amorosa da mesma linhagem de Vinicius de Moraes. E, a exemplo de Vinicius, um mulherengo incurável. Teve várias mulheres e inúmeros filhos.
Para melhor juízo, uma parte mais substancial da entrevista de Raimundo Alves de Souza e alguns dos seus poemas serão publicados, nos próximos dias, neste blog.
Autor: panamericanordestal@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
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24/04/2009 - 17:07
No lançamento dos livros ARRAES NA BOCA DO POVO (2007) e OUTROS POEMAS & INÉDITOS (2006), que organizei e publiquei pela Fundação João Mangabeira, do PSB / Brasília (o primeiro) e pela Panamérica Nordestal Editora, do Recife, em março deste ano, na Livraria Folha de Rosto, de São Paulo, Ângelo Mendes Correa, o proprietário, me adiantou que um amigo havia lhe telefonado para saber se eu era o Juareiz Correya que havia publicado uma entrevista com um poeta pernambucano que dizia ser o pai de Vinicius de Moraes…
Participava da nossa conversa o poeta e crítico mineiro Ronaldo Cagiano, Itamar, sócio do Ângelo, e Cleyde Formigari, em sua cadeira de rodas, portadora de um dos mais belos sorrisos que eu já vi na minha vida. Deficiente, vive, como ninguém, contente com a própria vida. Eu fiquei surpreso com a lembrança dessa entrevista, publicada, há muito tempo, no primeiro número da Revista POESIA (Recife, abril / 1980), mas, confirmei a história, para espanto do Ângelo. E contei, rapidamente, o que tinha acontecido.
A entrevista veiculada na Revista POESIA era, na verdade, o trecho de uma entrevista mais longa, que eu tinha documentado com o poeta palmarense Raimundo Alves de Souza, publicada num livreto – VIDA & POESIA DE RAIMUNDO ALVES DE SOUZA ( Cadernos Culturais Nova Caiana, Palmares, PE, 1979). A Revista POESIA destacou :
Poeta pernambucano revela :
Vinicius de Moraes é meu filho
Raimundo Alves de Souza afirma :
“A história de Vinicius é que eu tive uma amante, naquela rua que dobra na esquina do Diário de Pernambuco. E essa mulher era linda, moça, filha de gente muito rica. Se apaixonou por mim e eu por ela… Eu já era casado, ela não sabia. Ela ficou em estado interessante… Quando soube que eu era casado, deu-me um tiro no braço. Esse tiro pegou aqui (mostra o braço com uma pequena marca). O meu patrão, que era vizinho, Henrique Chaves, abafou tudo isso, a policia não se meteu, eu tomei o revolver na ocasião, não atirei nela. Quando a familia soube, quiseram me matar. Henrique Chaves protegeu-me e eles se mudaram para Rio Largo. Em Rio Largo, ela, mesmo em estado interessante, casou-se. A fortuna e a família casaram ela, e de lá foram para Minas Gerais. E lá nasceu o menino.”
Ronaldo Cagiano fez questão de lembrar que essa história do poeta da minha cidade, Palmares, lembrava uma história também meio lendária publicada por um jornalista de Cataguases (MG), sua cidade natal. E que colocava em situação idêntica ao que havia acontecido com Vinicius o cantor e compositor Roberto Carlos. Mas isso já é outra história…
JUAREIZ CORREYA
Autor: panamericanordestal@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
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23/04/2009 - 17:15
VERBO DÁDIVA
Te dou minha palavra
De amor somente
E sei que sou
Teu amoroso amante
Te dou meu poema
De coração aberto
E vejo que escrevo
Apenas o teu nome
Te dou minha vida
De dias como séculos
E sinto que renasço
Na luz do teu prazer
JUAREIZ CORREYA
(Casa Amarela, Recife,
novembro / 2007)
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14/04/2009 - 16:19
Escritor compulsivo e prolífico, o inesquecível Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder Camara, cujo centenário de nascimento o Brasil festeja neste ano de 2009, seria, nestes tempos internéticos, um blogueiro de primeiríssima hora, e estaria iluminando, diariamente, corações e mentes da blogosfera mundial.
Isto está mais do que provado com a publicação de centenas de cartas (são mais de 600) reunidas nos 6 tomos dos 2 volumes (são 3 volumes em cada) das suas CIRCULARES CONCILIARES e CIRCULARES INTERCONCILIARES (Companhia Editora de Pernambuco – CEPE, Recife, 2009), projeto editorial arrojado que inicia a publicação das suas Obras Completas. Dom Helder escrevia (como quem “blogava”) as suas Circulares, diariamente, para auxiliares e amigos do Rio de Janeiro e do Recife enquanto participava do Concílio Vaticano II ( de 1962 A 1965).
(Transcrito d’ O BLOG DOS BLOGS – www.juareizcorreya.blog-se.com.br)
Autor: panamericanordestal@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
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06/04/2009 - 18:31
(conto)
Tudo começava com uma noite súbita um tilintar de moedas e um beijo frio. Depois gritos várias vozes se aproximando como uma correria, uma perseguição.
Paulo Bruscky não tinha mesmo saída e esperava. Eram agarrões violentos, mãos furiosas num cerco, lâminas de aço retinindo, soldados de fardas antigas, ele de repente desnudado e conduzido aos empurrões como se estivesse sendo levado para alguma prisão.
O multiartista via-se diante de um palco à luz do dia com as pessoas se movimentando como se fossem figurantes de algum tribunal. Ele nu indefeso meio atônito bombardeado com acusações descabidas. Via depois uma figura mais teatral do que as outras lavando as mãos e rindo cinicamente como Sílvio Santos na televisão. Rapidamente aqueles figurantes sumiam e voltavam os soldados, em um número maior, ainda mais violentos e batendo nele à vontade. Os chicotes estalavam e o seu sangue salpicava os soldados, eles riam alto e aumentavam os golpes torturantes. O multiartista já tinha visto aquilo no filme de Mel Gibson. Mas não estavam representando com ele. A tortura prosseguia e as dores das feridas abertas se intensificavam. Palavrões e gozações com o seu corpo desfigurado prosseguiam em meio à risadagem de uma multidão de curiosos já formada em círculo naquele pátio. E gritos desvairados pedindo para crucificá-lo.
Não sabia o tempo que aquilo durava. Era uma eternidade para ele. Via doze rostos conhecidos, de amigos próximos, assustados e se escondendo da multidão em fúria incitada pelos soldados. E tudo ocorria sem que nada nem ninguém pudesse ajudá-lo. Nem mesmo a sua mãe que ressurgia aflita e Madalena, sua companheira de copo no Mercado da Boa Vista. Todo aquele sacrifício era certo e inadiável.
Conduzia a pesada cruz nas costas, passando por ruas, ruelas e praças conhecidas e que jamais conhecera em sua vida. Andava tanto pelas cidades do mundo com a sua multiarte e sua história de criador recifense mas aquelas ruas, que não eram do Recife, quando apareciam, eram completamente desconhecidas, eram sempre caminhos novos embora tão antigos. Arrastava a sua pesada cruz caindo levantando aos tombos e empurrões como num frevo improvisado pelos soldados que o açoitavam e a multidão já alegre cantando e dançando versos incompreensíveis. Era uma marcha do carnaval da sua dor.
Pregado na sua cruz, Paulo Bruscky sentia a carne rasgada das suas mãos e dos pés e via nitidamente o vermelho-sangue saindo do seu corpo como tinta em profusão. Depois que ele voltasse a cabeça para os céus, querendo entender tamanha desgraça, o coração trespassado por um golpe mortal, tudo se consumiria.
Era assim no dia do aniversário de Paulo Bruscky. A mulher e os três filhos, impotentes diante daquela história, viajavam dias antes para o agreste de Pernambuco. Sabiam que ele morreria mais uma vez na Semana Santa.
JUAREIZ CORREYA
Autor: panamericanordestal@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
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