Arquivo de dezembro, 2008
31/12/2008 - 13:54
ABAIXO-ASSINADO PARA O CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU,
UNIÃO EUROPÉIA, LIGA ÁRABE E ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA :
“PEDIMOS MEDIDAS IMEDIATAS PARA GARANTIR O COMPLETO CESSAR-FOGO NA FAIXA DE GAZA, PROTEÇÃO AOS CIVIS EM TODOS OS LADOS DO CONFLITO E ATENÇÃO PARA A ESCALADA DA CRISE HUMANITÁRIA NESSA REGIÃO. SOMENTE COM MEDIDAS INTERNACIONAIS FIRMES É QUE SE CONSEGUIRÁ DAR FIM AO MASSACRE, REABRIR COM SEGURANÇA OS PONTOS DE TRAVESSIA DE FRONTEIRAS E FAZER PROGRESSO REAL EM DIREÇÃO À PAZ GERAL EM 2009.”
Mais de 150 mil pessoas já assinaram. Assine você também. Acesse :
www.avaaz.org/po/gaza_time_for_peace
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31/12/2008 - 08:56
DA ANTOLOGIA “POESIA DO SÉCULO 20″
(Organizada por Jorge de Sena)
“Só o poeta é quem a tudo reintegra
Do que em cada um se desintegra.
Estranha beleza é dele autenticada,
Mesmo a tortura sua é celebrada
E as ruínas são de tal limpeza tranquila
Que a regra surge do que ele aniquila.
…………………………………………………………………………….
“Que fazes tu, poeta ? Diz - Eu canto.
Mas o mortal e monstruoso espectro
como o suportas, como aceitas ? – Canto.
E que nome não tem, tu podes tanto
Que o possa nomear, poeta ? – Canto.
De onde te vem direito ao vero, enquanto
Usas de máscaras, roupagens ? – Canto.
E o que é violento e o que é silente encanto,
Astros e temporais, como te sabem ? - Canto.
RAINER MARIA RILKE
(Áustria)
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31/12/2008 - 08:37
POESIA NO CORAÇÃO
“Você nem sabe mais como declamar uma poesia ? É bom voltar a se lembrar. Um estudo feito por pesquisadores suiços e alemães mostrou que recitar um poema diminui o estresse e acalma o coração. Os cientistas fizeram testes em voluntários orientados a declamar poesia e a conversar normalmente durante um período de tempo. Eles verificaram que, quando as pessoas recitavam os poemas, a frequência respiratória e os batimentos cardíacos diminuíam harmoniosamente, demonstrando que o nível de estresse havia caído.” (Transcrito da página “Viva Bem” , Revista IstoÉ, outubro 2002).
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31/12/2008 - 08:25
O MEU AMOR
”…mais doces do que o mel
e o destilar dos favos.”
(SALMOS, cap. 19,vers. 10)
O que há mais doce do que o mel ?
O gozo do meu amor.
Mais tenro do que o pão ?
A carne do meu amor.
Mais límpido do que o céu ?
A alma do meu amor.
Mais delicado do que a flor ?
O corpo do meu amor.
Mais luminoso do que o Sol ?
O rosto do meu amor.
Mais puro do que o fogo ?
O coração do meu amor.
Maior do que o Amor ?
O meu amor.
(Palmares, janeiro / 2002)
JUAREIZ CORREYA
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30/12/2008 - 15:56
GERAÇÃO 69
Digo sempre, meio levando para o deboche (e com a saudável irreverência dos palmarenses), que sou de uma “Geração 69″ de escritores e artistas pernambucanos. Isto é dito quando alguém tenta me confundir como integrante da chamada Geração 65de escritores pernambucanos, lançada, no Recife, pelo poeta, crítico e professor César Leal e batizada, no DIARIO DE PERNAMBUCO, pelo historiador Tadeu Rocha. Sou amigo e admirador de alguns desses escritores mas “nasci” depois e cheguei em outro tempo ao Recife.
É fato. Posso dizer que, em matéria de literatura, mais particularmente da criação poética, e, ao mesmo tempo, de consciência política e social, eu nasci em 1969, aos 17 anos de idade, em Palmares, minha cidade natal, na Região Mata Sul de Pernambuco. Nasci e fui batizado logo : preso em 19 de setembro, exatamente no dia em que completei 18 anos de idade, fui trazido, de Palmares, para o Recife, por policiais do Estado, para ficar detido no DOPS pelo perigosíssimo “crime” de escrever alguns textos para um jornal-mural (O OLHO) e participar de um grupo cultural – responsável pelo jornal e que ensaiava também um projeto teatral.
Fiquei detido dois dias. Meus companheiros do grupo – o pintor e escritor Telles Junior, o fotógrafo Givanilton Mendes e a advogada e professora Elisete Alves – haviam sido presos antes de mim, durante quatro dias, e foram liberados com a minha chegada ao DOPS. Com esses companheiros e mais alguns participantes, o grupo cultural criou um jornal de verdade – O OLHO (8 páginas, formato Standard, composto em linotipo e impresso em papel jornal na gráfica do diário recifense “Folha da Manhã”, tiragem de 1.000 exemplares). O primeiro e único número desse jornal foi produzido em novembro/dezembro de 1969 e circulou na cidade e na região em janeiro/1970.
Nesse primeiro e único número do jornal O OLHO publiquei os versos do meu primeiro poema intitulado “Poema vago olhando a cidade”. E o jornal anunciava um livro de minha autoria que seria publicado pelo grupo cultural : POEMAS SEM CORPO. Naturalmente escrito no ano de 1969. O jornal não prosseguiu, não circulou mais, o grupo se desfez, e eu viajei para São Paulo, com os originais datilografados desse livro debaixo do braço. Mas aí estamos nos anos 70 e isso já é outra história.
JUAREIZ CORREYA
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30/12/2008 - 12:56
LUIZ ALBERTO MACHADO (Sobre “A Palavra mais Humana”)
“Maravilha, poetaJuá :
Você é um dos orgulhos que tenho de ser palmarense ! E pernambucano. Simplesmente arretado. Vou linkar nas minhas páginas, aguarde.
Tô voando por esse Brasilzão véio, aberto e sem porteira (como diz você – sou xexéu mesmo, cê sabe, né ? ), mas agora dando uma paradinha para descansar e curtir os que moram no meu coração. E você é um deles. Aguarde o meu livro TATARITARITATÁ que conto as da gente e dos nossos da terra, afinal, Palmares desde Hermilo é a nossa marca.
lualma@terra.com.br
…………………………………………………….
GUESTHO DE SOUZA (Sobre “Luz no Coração da Vida”)
“Graças a Deus no final das contas deu tudo certinho !!!
Hoje é vinho com um POUCO de moderação para melhorar
sempre o CORAÇÃO do poeta BATALHADOR !”
guestho@hotmail.com
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GERUSA LEAL ( Sobre “Olha o Blig aí, gente !”)
“Está fantástico o Blig, Juareiz. Sempre que recebo notícia de uma nova página sobre literatura leio umas três, quatro postagens para ter uma idéia e depois retornar. A sua fui lendo, fui lendo, saboreando, e lá no pé da página é que me dei conta que tinha parado o tempo, sem tempo para curtir o Blig.
Parabéns, já vou te linkar no meu blog.”
inter.g@terra.com.br / www.flor-de-gelo.blogspot.com
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29/12/2008 - 18:10
Pois é. Parece coisa de gazeteiro, dos velhos tempos dos jornais impressos nas nossas tipografias e linotipos. Agora é assim : feito castigo em gente (não vem mais a cavalo…) é ON-LINE ! Na hora não, que isso é coisa pra caldo de cana… É no mesmo instante, zip, clik, é bem E-MEIO.
Aqui estão e-mails chegados dos amigos(as) sobre este blog :
“Camarada Poeta
Obrigado pelo link para meu blog.
Infelizmente, não tenho como linkar outros bons blogs no meu, mas devo ter uma reunião em breve com meu provedor para solucionar esse problema.
Um 2009 de luz para você e sua trupe.
Abraço
Homero Fonseca
(HOMERO FONSECA, www3.interblogs.com.br/homerofonseca -
homero@hotlink.com.br)
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“Maravilha, poetaJuá :
Achei arretado. Gostei e comentei.
Vou linkar nas minhas páginas, viu ?
Vamos nessa, na tuia & tataritaritatá !!!
Luiz Alberto Machado
(GUIA DE POESIA , www.luizalbertomachado.com.br -
lualma@terra.com.br)
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”Juareiz,
Bom, bom, você tá online virado na peste.
Postar Geraldino é a mesma coisa que postar o destino de todos os poetas.
Poucos falaram sobre nós e sobre o que nós escrevemos como ele.
Valeu.
Bom ano novo para você e para a poesia.
Cida Pedrosa
(INTERPOÉTICA , www.interpoetica.com -
cidapedrosapoesia@yahoo.com.br )
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29/12/2008 - 12:51
MAIAKOVSKI NÃO É EDUARDO ALVES DA COSTA
Escrevi um artigo intitulado “Maiakovski não é Eduardo Alves da Costa” e, em conversa com o jornalista e editor Homero Fonseca, no refeitório da Companhia Editora de Pernambuco-CEPE, no Recife, ele me pediu para publicá-lo na Revista CONTINENTE, que dirige junto com o poeta Marco Polo Guimarães. Tudo bem. Entreguei o texto, com um exemplar do livro comentado, de autoria de Eduardo Alves da Costa, para ilustração. O artigo foi publicado na Revista CONTINENTE (janeiro/2008) com o seguinte título : “O poema que Maiakovski não escreveu”. Refeito por Homero, o título ficou melhor do que o original, claro. Com o meu título, os leitores poderiam pura e simplesmente dizer : E quem porra é Eduardo Alves da Costa ?
No artigo, tentei esclarecer a verdadeira autoria de um poema que é atribuído, há décadas, no Brasil, a Vladimir Maiakovski, tratando-se, no caso, de um trecho de um poema de Eduardo Alves da Costa justamente intitulado “No caminho, com Maiakovski”. O artigo foi muito bem editado, como tudo o que a revista publica.
Mas, na edição on-line da CONTINENTE, lá está mais uma vez o destino dos equívocos da vida de Eduardo Alves da Costa pregando-lhe outra peça : é que a foto do poeta, no rodapé da matéria, foi publicada/postada sobre o meu crédito, e o leitor é logo levado a entender que aquela foto é da legenda do “poeta e editor” que assina o artigo. Me encontrei, novamente, no mesmo local citado, com Homero Fonseca, e ele me adiantou que o pessoal da edição on-line da revista, para evitar que o equívoco com a sua identidade persistisse, já havia retirado a foto de Eduardo Alves da Costa. E acrescentou :
– O que se pode aprender com essa história ? É que não se deve dar título a nada com o nome de alguém mais conhecido… Fatalmente o texto vai ser atribuído ao nome de quem é mais conhecido. Eu mesmo sou confundido, muitas vezes, com Homero Lacerda, daqui do Recife, empresário bem sucedido, político, vereador, deputado, presidente de um clube de futebol, um nome muito mais popular do que o meu…
JUAREIZ CORREYA
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Transcrito do blog LETRAS&LEITURAS
letras-leituras.blogspot.com) /
Postagem 15/maio/2008.
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28/12/2008 - 12:22
A POESIA
A Poesia não exige que sejas grande.
Não te quer maior ou menor do que és.
Não lhe serve que fales como falaram.
Repetir é parar onde chegaram.
Não te afastes dela.
A Poesia quer apenas
o teu jeito de ver e dizer.
Geraldino Brasil
(Recife -Pernambuco)
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28/12/2008 - 12:03
O ENFARTE
Me levantei, de repente, com uma dor insuportável, no lado esquerdo do peito, e fui direto para o banheiro. Vomitei – um vômito amargo, mais aquoso que pastoso – e me senti sem respirar direito. Abri a porta da sala, fui para o terraço, tentando respirar melhor, a noite era quente mas eu sentia calafrios, e a dor no lado esquerdo do peito parecia alargá-lo, abri-lo, retirar os músculos do coração a forceps, como se estivessem de foram com garras invisíveis rasgando o meu peito… Voltei para o quarto, meio autômato, suando frio, chamei Djane, que ainda dormia, ela ficou logo assustada com o meu aspecto, voltei para o banheiro, novo vômito. Eu suava frio e tinha as mãos e os lábios arroxeados e a dor no lado esquerdo do peito, como se o meu coração estivesse sendo arrancado, a cru, com ferros invisíveis, por pouco não me deixou inconsciente e prostrado. Djane alarmada não sabia o que fazer direito, me deu água para beber, enxugou o suor no meu rosto, me pediu para sentar à mesa para receber o vento que me chegava pela porta aberta do terraço, eu tinha os olhos abertos acesos ardendo, não sabia o que sentia, tudo parecia instantaneamente parado e sem vida. Eu respirava como quem não tem mais o que fazer. Djane disse logo, sem mais pensar :
– Você tem que ir para um hospital !
Esbocei uma reação :
– Agora ? A esta hora ?
Eram duas horas da madrugada de sábado, 6 de junho.
Ela não quis saber :
– Tem que ser agora ! Você está passando mal…
E foi logo arrumando nossas roupas. Me vesti de qualquer jeito. Ela agiu rápido.
Deixamos Mariama dormindo, sem saber de nada, no seu quarto, e saímos do apartamento. Descemos os quatro andares, andando normalmente, saímos do edifício Itapuama e fomos ao edifício, na rua de trás, onde moravam Jusciene, sobrinha de Djane, e Guesto, seu marido. Djane chamou, alarmou :
– Juarez precisa ir para um hospital !
Guesto desceu rápido, concordamos que melhor seria passar antes no apartamento de Lopes : Gustavo, seu filho, estudava Medicina e poderia me ajudar num primeiro socorro.
Chegamos ao apartamento de Lopes, após uns quatro minutos caminhando até o edifício. Eles estavam em casa, acordaram logo, Gustavo me atendeu, muito prestativo, auscultou meu peito, mediu meu pulso, não teve dúvida : eu tinha de seguir com urgência para um hospital. E aconselhou logo a emergência do Osvaldo Cruz.
Acho que ouvi umas coisas que pareciam linguagem de grego. Lopes se dispôs prontamente a me conduzir ao hospital no seu carro. Gustavo chamou Djane à parte e lhe confidenciou : a minha pressão estava altíssima – 21 por 15 -, eu já tinha enfartado.
Ela nem teve tempo de apavorar-se. Descemos, no elevador, para o carro de Lopes e, uns vinte minutos depois, em companhia de Djane e Guesto, entrei na emergência do Hospital Osvaldo Cruz.
Eu não podia fazer nada, não sabia o que fazer nem tinha pensamentos direitos, objetivos, sobre o que via. Enfermeiros, enfermeiras, médicos, e gente de todo tipo e idade no corredor e nas salas. Fiquei esperando, no canto de uma sala, uma pessoa para me atender, enquanto Djane providenciava, na portaria, informações para o preenchimento de uma ficha. Meio afobada com as formalidades, ela veio para junto de mim e chamou logo alguém para me socorrer com urgência. Assim que eu cheguei, me deram um comprimido para baixar a pressão, e, sentado onde eu estava, à espera de um melhor atendimento, comecei a passar mal… Eu já não sentia mais dor alguma no peito. Mas Djane percebeu minhas mãos e faces arroxeando, eu sentia um certo desfalecimento. Me retiraram daquela sala e me levaram para uma saleta isolada, onde, numa maca, me submeteram a um eletrocardiograma, me deixaram alguns instantes em repouso, sozinho, e, depois, me aplicaram um soro.
Djane chegou em seguida à saleta, a cara aflita, meu estado era ainda preocupante. Jovens enfermeiras e enfermeiros se revezaram, no meu atendimento, até a chegada de um médico que os consultou sobre o meu estado, fez algumas perguntas a Djane e, depois, procurou me ouvir. Mera formalidade. Ele coordenava o plantão e tudo o que fazia comunicava abertamente aos jovens atendentes, estudantes. Eu já tinha me levantado e, sentado a uma mesinha, entrevistado pela atendente que cuidou do meu eletrocardiograma, era ouvido por ele e por ele orientado. Ele estendia as orientações também a Djane.
Depois que prestei as minhas informações, tudo anotado, ele me comunicou que eu teria de ficar ali na Emergência. Não quis saber ou pensar sobre nada mas Djane alarmou-se.
– Ficar aqui ?!
Ele já havia ordenado tudo e, após aguardar , por um tempo, na saleta, fui chamado para caminhar, devagar, amparado por Djane, até uma maca, no corredor. Depois, a jovem enfermeira que cuidou do eletrocardiograma e me entrevistou, junto com Djane, me levou para os fundos do corredor, onde se agrupavam outras macas com mais gente, mais “pacientes”. Paciência era a única coisa que nos restava.
O domingo já estava amanhecendo…
(JUAREIZ CORREYA)
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