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09/11/2008 - 11:45

Mulheres não sabem que câncer atinge mais obesas, diz pesquisa

FLÁVIA MANTOVANI

da Folha de S.Paulo

 

Além de evitar pressão alta, diabetes e doenças cardiovasculares, quem se preocupa em manter um peso saudável pode contar com uma motivação a mais: prevenir o câncer.

 

Geralmente pouco associada ao desenvolvimento de tumores, a obesidade aumenta a chance do surgimento de câncer colorretal, no endométrio, na mama, no esôfago e no rim, segundo dados da Sociedade Americana de Câncer. O órgão afirma, ainda, que há evidências “fortemente sugestivas” de que o excesso de peso seja fator de risco para o surgimento de tumores como os de pâncreas, vesícula e próstata.

 

Mas um estudo publicado na última edição da revista “Obstetrics & Gynecology” mostrou que, pelo menos nos EUA, essa ligação ainda é pouco conhecida. Das 1.545 voluntárias entrevistadas, 58% não sabiam que mulheres obesas correm mais risco de ter câncer de endométrio -a camada que reveste o útero internamente.

 

De acordo com os pesquisadores, mulheres que estão acima do peso são quatro vezes mais propensas a desenvolver esse tipo de câncer, enquanto a obesidade aumenta o risco em seis vezes. “Escolhemos o câncer de endométrio porque ele detém a mais forte associação com a obesidade”, disse à Folha a coordenadora da pesquisa, Pamela Soliman, do M.D. Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas.

 

Segundo Soliman, as entrevistadas tinham um nível de escolaridade maior do que a média dos americanos, e o fato de haver um desconhecimento considerável mesmo nesse grupo torna a questão “ainda mais forte”. “É preciso encorajar os médicos a conscientizarem os pacientes sobre o tema”, diz.

 

Brasil

 

Para especialistas brasileiros consultados pela Folha, apesar de não haver no país estudos medindo o conhecimento da população sobre a ligação entre sobrepeso e câncer, a situação por aqui deve ser tão ou mais preocupante.

 

“Considero o fato de 42% das americanas saberem dessa associação um número até bom. Acho que no Brasil o desconhecimento seria maior. Inclusive há médicos que não têm essa informação, apesar de haver fortes dados nessa linha”, diz o endocrinologista Amélio Godoy, presidente do Comitê Internacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

 

Godoy lembra que, como o índice de obesidade vem crescendo no mundo, pode haver um aumento no surgimento de tumores ligados ao problema. “A crescente prevalência de sobrepeso e obesidade em pré-adolescentes e adolescentes deve aumentar a incidência de câncer no futuro”, afirma um relatório deste ano da Sociedade Americana de Câncer.

 

Essa é uma possível explicação, por exemplo, para o aumento de 10% a 12% ao ano nos tumores na transição gastroesofágica, antes raros. “Uma hipótese está ligada à obesidade. Quem está acima do peso tem refluxo com mais freqüência, e o conteúdo ácido que volta pode irritar a mucosa, tornando a pessoa mais predisposta ao câncer”, diz o oncologista Paulo Hoff, diretor clínico do Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira.

Autor: alexothon@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:


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