Primeira Parte:
Segunda Parte:
Terceira parte:
Primeira Parte:
Segunda Parte:
Terceira parte:
Uma pesquisa nacional do Vox Populi concluída na segunda-feira passada confirmou a folgada liderança de José Serra na corrida presidencial. Ele tem 40% das intenções de voto. É mais do que o dobro dos 15% obtidos por Dilma Rousseff e mais do que o triplo dos 12% registrados por Ciro Gomes. Marina Silva ficou com 5%. Nesse quadro, Serra levaria no primeiro turno.
Quando Aécio Neves é apresentado como candidato tucano no lugar de Serra, constatou-se uma surpresa: Aécio superou Dilma Rousseff pela primeira vez numa pesquisa do Vox Populi. Ainda que seja por 1 ponto porcentual e, portanto, dentro da margem de erro.
Por Marquinho Amaral
São Carlos viveu entre 2001 e 2008 um período onde um grupo partidário se julgava acima do bem e do mal. Enquanto a administração pública municipal aumentava impostos sem qualquer pudor, uma forte indústria de propaganda oficial construía uma imagem de seriedade e competência. Tudo isso alicerçado por uma boa dose de pregação de ufanismo e utopias. Um exército de militantes políticos contratados através de cargos de confiança ajudou a consolidar tais “verdades absolutas”.
Enquanto isso, de forma silenciosa e discreta, vários personagens do grupo aproveitaram para fazer o “turismo político”, modalidade inventada na cidade pelo PT, sejamos justos!!! Rodaram por várias partes do planeta, sendo que cada centavo de inusitadas viagens foi patrocinado pelo contribuinte são-carlense.
O campeão de viagens e digno de receber um troféu de “Prefeito Turista” foi Newton Lima Neto. O ex-reitor e pseudo-estadista torrou dinheiro público para fazer 124 viagens aéreas. Ele esteve 99 vezes (quase um terço de um ano) em Brasília; 5 vezes no Rio de Janeiro (será que tratava das Olimpíadas de 2016?); duas vezes na bela Florianópolis (SC); Belo Horizonte, Foz do Iguaçu, Vitória, Manaus, Cuiabá, Recife, etc.
Mas, como ninguém é de ferro, Newtão foi também rodar o mundo. Ele esteve cinco vezes na Argentina, uma vez no Chile e outra no Uruguai. Mas não deixou de ir à Europa. Ele fez alegres e festivas viagens para a bela França e a histórica Espanha. Na Península Ibérica, aproveitou a deixa e também visitou Portugal.
O mais incrível é que o vice-prefeito Emerson Leal também fez várias viagens pagas pelo povo. Ele viajou 6 vezes para Brasília; duas para Vitória; uma vez para o Recife e outra para o Rio de Janeiro. Tenho que ser justo com o Emerson, meu ex-colega de Câmara Municipal. Ele sempre foi um grande “viajandão”. Sempre adorou um turismo, fazendo viagens notáveis e incríveis com sua inseparável companheira, a “mala preta”. Ele chegou a ir a Moscou, na antiga União Soviética. Tudo isso bancado por você cidadão!
O ex-secretário da Fazenda, Gilberto Perre, viajou 38 vezes para Brasília (será que foi eleito deputado federal e ninguém sabia?). A lista de turistas bancados pelo povo é maior e inclui muitos nomes de pessoas que se auto intitulam como os verdadeiros honestos e dignos.
A situação é vergonhosa! Será que todas estas viagens renderam alguma conquista para São Carlos? Onde estão as empresas portuguesas? Espanholas? Francesas? Alguém conhece? Temos aqui companhias chilenas, argentinas ou uruguaias? È necessário que o Ministério Público investigue o interesse público destas viagens e que o Judiciário exija a devolução do dinheiro gasto com meras viagens para alimentar o ego de turistas políticos.
O mais incrível é que o ex-prefeito turista continua viajando e ostentado uma estrutura invejável com fins eleitoreiros. Ele está esbanjando fortuna mesmo fora do poder há quase um ano. De onde será que sai tanto dinheiro? Da Agrishow de São Carlos (mais um estelionato eleitoral) ou da fábrica de helicópteros? Ou será da indústria de chips?
Da Agência Reuters, em O Globo:
Mesmo após conversa no fim de semana com o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, manteve sua exigência de que o partido defina até dezembro o candidato tucano à sucessão presidencial. Aécio disse que, fora deste prazo, vai concorrer ao Senado.
“Até o final do mês de dezembro contem comigo”, disse Aécio a jornalistas nesta terça-feira referindo-se à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010.
Aécio acredita que uma decisão em março, como deseja o governador de São Paulo, José Serra, outro interessado ao posto de candidato a presidente pela legenda, compromete a articulação de alianças.
“Se o partido optar, e eu respeitarei essa decisão, por alongar um pouco mais esse prazo eu vou voltar-me integralmente para Minas Gerais… A forma de eu poder e até tentar dar ou ajudar a dar aqui, ao lado dos meus companheiros, uma vitória a um outro candidato do PSDB seria mergulhando aqui na nossa campanha, sendo candidato ao Senado”, esclareceu.
O “estudo” da liderança do PT na Assembleia Legislativa de SP sobre o desempenho do Governo do Estado de São Paulo é o mais recente produto da fábrica de mentiras do partido.
Algumas certezas sobre muitas mentiras:
- a grande maioria dos seus deputados renega esse contêiner contrabandeado de lorotas a respeito do desempenho do governo Serra;
- não compartilha da indigência intelectual do texto nem dessa propensão compulsiva da máquina do partido à mentira.
- O “estudo”, destinado a circular na internet, não passa de um panfleto eleitoral rastaqüera.
- Montagem grosseira de números distorcidos e acusações mentirosas, esse panfleto indigno comprova apenas que ética, responsabilidade, honestidade intelectual e verdade tornaram-se palavras sem nenhum significado para o aparato “companheiro” do PT paulista.
- No vale-tudo pelo poder, mentir, manipular e enganar são as “armas de luta”.
Roteiro dos Truques
Antes de apontar as mentiras do panfleto petista, vale alertar para os truques que o aparato da enganação usou:
1. conforme a conveniência, misturar o governo Serra com governos anteriores do PSDB, para enganar deliberadamente os leitores. Ora o ano-base das comparações é 1995 (primeiro ano do governo Mário Covas), ora é 2002 (segundo ano do governo Alckmin), ora é 2007 (primeiro ano do governo Serra);
2. nunca mencionar metas que foram cumpridas ou ultrapassadas;
3. confundir de propósito concessão com privatização;
4. omitir, com o propósito de manipular, que investimento público aumenta o patrimônio público. Vender a Nossa Caixa e usar o dinheiro para investir no metrô, no saneamento, em prédios e equipamentos da Saúde, em escolas, em estradas não diminui o patrimônio público. Apenas muda sua composição;
5. ocultar que algumas das políticas criticadas – e difamadas – são as mesmas praticadas pelo governo federal petista e pelas prefeituras do PT, como nos casos das concessões de estradas pela União e das Organizações Sociais na Saúde;
6. injuriar, caluniar e difamar o adversário; manipular e mentir sempre e apostar na desinformação do povo.
AS MENTIRAS DO PT DE SP
A VERDADE SOBRE O GOVERNO SERRA
O QUE DIZ
O PT
A VERDADE
1. O governo Serra aumentou a carga tributária.
Mentira descarada. Nenhum imposto foi aumentado. A receita aumentou, porque se intensificou o combate à sonegação e melhorou a eficiência da arrecadação. Ao contrário: o governo Serra reduziu a carga tributária individual com a Nota Fiscal Paulista, devolvendo R$ 1,3 bilhão ao bolso do contribuinte: 5,6 milhões de consumidores cadastrados para receber créditos. Isentou de ICMS produtos e serviços, como a carne bovina e a internet com o Programa Banda Larga Popular. Aliviou o peso dos impostos sobre numerosos setores da agricultura e da indústria, inclusive os que produzem bens de capital.
2. O governo Serra colocou patrimônio público à venda e privatizou a Nossa Caixa.
Mais uma mentira descarada. O governo Serra não privatizou nenhuma empresa pública. O banco Nossa Caixa foi vendido para o Banco do Brasil. Continua, portanto, a ser um banco público e fortaleceu a posição do BB no mercado bancário. É o governo do PT que estuda abrir o Banco do Brasil ao capital estrangeiro, lançando ações na Bolsa de Nova York. Está pensando em privatizar o maior banco público do país? A venda da Nossa Caixa para o BB garantiu recursos para investimentos em infra-estrutura, no transporte coletivo (Metrô e CPTM) e na área social. Durante o governo Serra, o patrimônio do Estado aumentou.
3. O governo de São Paulo dá calote nos precatórios.
Vigarice intelectual. Enquanto prefeituras do PT não conseguem pagar precatórios e sofrem até ameaças de intervenção, o governo Serra já pagou R$ 3,9 bilhões em precatórios, em 2007/2008; até o fim de 2009, serão mais de R$ 6 bilhões, o equivalente a uma vez e meia o trecho sul do Rodoanel.
R$ milhões
2007
2008
2009*
Despesas com precatórios
1.742
2.160
2.400
* estimativa Sefaz
O aumento do valor total do estoque de precatórios deve-se às altas taxas de correção determinadas pela Justiça, em muitos casos, superiores a 20% ao ano. A propósito, o mentiroso “estudo” petista usa de má fé ao omitir que o PT está apoiando a PEC dos Precatórios no Congresso.
4. A dívida estadual está crescendo.
Mentira deslavada. O endividamento do governo do Estado caiu na gestão Serra. A relação dívida/receita, que era de 1,97 em 2005, é de 1,63 hoje, muito abaixo do limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
5. Os gastos com educação, segurança e saúde caíram em São Paulo, como proporção no orçamento.
Truque malandro. Considera as receitas de empréstimos externos e internos – que são vinculadas a investimento em transporte e saneamento – para criar a ilusão de queda relativa dos gastos sociais. De fato, o aparato petista é contra os investimentos no Metrô, no saneamento básico e nas estradas vicinais – estas, aliás, reivindicações das prefeituras do PT de SP atendidas pelo governo estadual. No governo Serra, os gastos sociais aumentaram em todas as áreas. Entre 2006 e 2009, tiveram crescimento real, descontada a inflação, de 15,2% na educação, 14,4% na saúde e 17,2% em segurança pública.
R$ milhões
Despesas do Governo
do Estado (R$ milhões)
2006
2007
2008
2009*
2010**
Despesas com Educação
16.841
18.426
22.288
22.429
23.605
Despesas com Saúde
9.463
10.326
12.302
12.513
13.396
Despesas com Segurança
9.323
9.994
10.944
12.626
13.654
* – orçamento aprovado / ** -
proposta orçamentária
Crescimento das Despesas
(em relação a 2006)
2007
2008
2009*
2010**
Real – IPCA
Educação
4,7%
19,6%
15,2%
16,0%
Saúde
4,5%
17,5%
14,4%
17,2%
Segurança
2,6%
6,1%
17,2%
21,2%
* – orçamento aprovado / **
proposta orçamentária
Tomando-se como referência a receita tributária do Estado, as despesas com educação, saúde e segurança pública, somadas, representam mais de 74,4% do total – uma participação mais de duas vezes maior do que o falseado pelo PT em seu “estudo”. Somente as despesas com educação correspondem, em 2009, a 35,1% da receita tributária, ou seja, quase o triplo do que o PT cita em seu “estudo” (12,7%).
6. O governo estadual arrocha o salário do funcionalismo.
Delírio petista. O governo Serra, ao contrário do governo federal, valoriza o servidor sem permitir a deterioração das contas públicas nem o inchaço da máquina. A remuneração do servidor em São Paulo vem crescendo, ano a ano, acima da inflação: em 2006, a remuneração média era de R$ 2.288,80; em 2008, de R$ 2.682,90. Entre outras medidas, a área da saúde teve aumentos que variam de 17% a 37%; os pesquisadores dos institutos de pesquisa, de até 44%; e os policiais militares, de até 23,4%. O Programa de Valorização do Mérito para o magistério poderá triplicar o vencimento do professor, de acordo com seu desempenho e conhecimento. Por exemplo, um professor de educação básica poderá ganhar até R$ 6.270 ao longo da carreira. Os bônus por resultado para os servidores da Fazenda e da educação podem representar um adicional de até três salários no ano, conforme o alcance de metas pré-estabelecidas. Onde está o arrocho?
7. Aumentaram as terceirizações
Manipulação vergonhosa. O alvo da “acusação” do PT é o modelo das Organizações Sociais de Saúde, que tem proporcionado ampliação e melhora da qualidade de atendimento à população de SP. As parcerias com as OSSs, que não têm fim lucrativo, respondem pela maior parte do crescimento das despesas com “serviços de terceiros”. Quando denuncia o modelo, o verdadeiro objetivo do PT é: a) acabar com a inovação dos AMES (Ambulatórios Médicos de Especialidades), que propiciam centenas de milhares de exames e consultas em dezenas de especialidades. (São Paulo já tem 20 AMES e, até o fim do governo, terá 40); b) inviabilizar a Rede Lucy Montoro, de reabilitação, o Instituto do Câncer, os hospitais de Cidade Tiradentes, Itaim Paulista e M’Boi Mirim e o Hospital Mário Covas, em Santo André. Para atacar o governo Serra, o PT não hesita em ofender seus parceiros na gestão de hospitais e AMEs: Irmãs Marcelinas, Irmãs do Santa Catarina, Santas Casas, USP, UNICAMP, UNESP, UNIFESP etc. A malandragem dos “companheiros” petistas é tanta, que eles escondem que o modelo das OSSs é adotado por diversas prefeituras do próprio PT, como São Bernardo e Osasco, além de Santo André, na época administrada pelo partido. Também os governadores do PT adotam o mesmo modelo, como Ana Júlia, do Pará, e Jaques Wagner, da Bahia, que têm OSSs operando nos sistemas de saúde de seus estados. Aliás, o governo petista da Bahia está fazendo uma PPP para a gestão de um hospital com uma empresa que tem fim lucrativo…
8. Os gastos com publicidade do governo Serra cresceram muito.
Distorção evidente. Os gastos com propaganda do governo estadual correspondem a 0,19% do orçamento e estão voltados para ações de informação da população, como a Nota Fiscal Paulista e a Lei Antifumo. O retorno é amplamente favorável ao contribuinte paulista. Por exemplo: no caso da Nota Fiscal Paulista, um investimento de R$ 40 milhões em propaganda possibilitou a arrecadação de mais de R$ 5 bilhões pelo Estado – recursos investidos em saúde, educação, segurança etc. E, ao contrário do governo federal, o governo Serra vai respeitar os limites de gasto publicitário, no ano eleitoral de 2010.
9. O governo Serra não cumpriu mais de 40% das metas para 2008.
Mentira grotesca. Em primeiro lugar, muitas metas do PPA citadas pelo “estudo” petista são para 2011 – portanto, faltam mais de dois anos. Quanto a 2008, o índice médio de cumprimento das metas foi de 80,4%. Muitos programas prioritários superaram suas metas, entre outros, o Programa Ler e Escrever (151%), a ampliação das FATECs (171%), o atendimento de saúde pelas Organizações Sociais (174%) e a recuperação de rodovias vicinais (315%). Outro exemplo da malandragem petista: no Programa de Merenda Escolar, a meta era capacitar 4 mil profissionais em 2008. Foram capacitados 3.997. Nos cálculos do PT, sob o argumento de se tratar de meta não-cumprida, o número de atendimentos equivale a zero! Para o governo e para qualquer gestor público honesto, a meta foi atingida em 99,9%. É importante ressaltar ainda a melhora dos indicadores sociais no Estado: a taxa de mortalidade infantil foi de 12,5 por mil em 2008, uma queda de 15,54%, comparada a 2003, quando o índice era de 14,8. Em relação a 1995, a queda foi de 49%.
10. O Metrô
de São Paulo
anda a passos
de tartaruga.
Asneira contra fatos. O Governo de São Paulo está fazendo uma verdadeira revolução na rede de Metrô – e sem nenhum centavo do governo federal. É o único metrô que não tem dinheiro da União. Pela primeira vez na história, três linhas estão em construção, simultaneamente, além da conversão de dezenas de quilômetros da CPTM em metrô de superfície.
11. O governo Serra mostra descaso com a moradia.
Invencionice pura e simples. Em 2007/2008, por exemplo, de R$ 1,240 bilhão previsto de despesas com recursos próprios, foi liquidado R$ 1,278 bilhão, superando, portanto, a dotação inicial. Especialistas em dossiês falsos, os aloprados petistas omitem que o único recurso orçado e não aplicado pelo governo Serra, na área da habitação, foram R$ 140 milhões que o governo federal prometeu em 2008, mas não repassou a São Paulo. Quanto à urbanização de favelas, o PT usa, desonestamente, uma meta prevista para o final de 2011 e alega que não foi atingida… A verdade: desde o início de 2007, os programas do governo do Estado atenderam 9.191 famílias e, até o fim de 2009, serão 12.252. Mais 8.896 famílias serão beneficiadas pelas obras em andamento. São ações de grande porte: desde a urbanização de favelas, como Jardim Pantanal e Heliópolis, até o programa de recuperação ambiental e social da Serra do Mar – o maior já realizado no país.
12. O governo Serra é tolerante com os grandes devedores.
Conversa fiada. O governo do Estado trabalha com rigor na cobrança da dívida ativa. Criou o CADIN, o cadastro de inadimplentes, que já tem mais de 438 mil débitos inscritos; e fez o PPI (ICMS) e o PPD (IPVA), programas de parcelamento e recuperação de débitos, que já arrecadaram R$ 2,7 bilhões e R$ 66,2 milhões, respectivamente. A Receita Federal, comandada pelo PT, é que relaxou com os grandes devedores, este ano: além das fiscalizações dos grandes contribuintes terem caído, no primeiro semestre, a Receita deu um “refresco”, sem maiores explicações, às grandes empresas, com o adiamento do prazo de entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), do final de julho para 16 de outubro. A Declaração é o principal instrumento pelo qual os fiscais têm acesso ao balanço das empresas.
13. O governo Serra multiplicou pedágios.
Discurso vazio e malandragem. O PT distorce a realidade e ignora, espertamente, o sucesso do sistema de concessões e a qualidade das estradas paulistas. Omite que, desde 2007, foram feitas cinco novas concessões de rodovias, além do trecho oeste do Rodoanel. E que as concessionárias estão investindo mais de R$ 8 bilhões diretamente nas estradas: duplicação de 382 km, construção de 253 km de novas marginais, 380 km de acostamentos, 179 km de faixas adicionais, 58 novas passarelas e 221 novos trechos, além da manutenção de 916 km de estradas vicinais, nas regiões em que obtiveram as concessões. Além disso, pagam mais R$ 5,5 bilhões ao governo estadual pela outorga das concessões. Esses recursos estão sendo aplicados na construção do trecho sul do Rodoanel e na expansão e melhoria da malha rodoviária sob a responsabilidade direta do governo estadual. Pesquisa da CNT divulgada esta semana mostra que as dez melhores estradas do Brasil são mantidas pelo Governo de São Paulo, mediante o sistema de concessões. O Estado de São Paulo possui a melhor malha viária do país, com 75% dos trechos pesquisados classificados como ótimo ou bom – o contrário das estradas brasileiras, 73,9% consideradas em más condições. Estradas ruins pesam no chamado custo Brasil. O PT paulista também omite que o governo federal adota o modelo de concessões para estradas. Com uma diferença: além de não exigir nada de outorga das empresas concessionárias, entregando de graça o patrimônio público para a exploração da iniciativa privada, prevê baixíssimo investimento por quilômetro de estrada/ano concedido: 30% menos que nas concessões do Governo de São Paulo.
14. O governo Serra não tomou medidas de alívio da crise econômica
Enganação pueril. As medidas do governo estadual foram rápidas e eficientes. Garantiram os recursos públicos para executar o maior programa de investimentos do país, no valor previsto de R$ 20,6 bilhões em 2009 e com geração de 858.067 empregos no ano. Anteciparam as compras do Estado e promoveram alívio na tributação do setor produtivo, incentivando o investimento privado. Ampliaram em 56% os recursos aplicados no programa de microcrédito operado pelo Banco do Povo Paulista. Expandiram e aperfeiçoaram linhas de crédito para as empresas. Aplicaram mais recursos para a qualificação profissional.
O ambiente no país é otimista. E mau humor não combina com otimismo. O eleitor não sairá de casa no dia da eleição querendo comer o fígado de ninguém.
Uma característica desta sucessão presidencial é que ela vai ser disputada por gente assertiva e objetiva, ainda que cada um a seu modo. Uns menos suaves, outros mais. É a chance de uma campanha eleitoral razoavelmente “técnica”, o que seria uma bênção. Talvez nos aproximássemos de um cenário “americano”, com o carisma, a empatia e a simpatia servindo mais ao debate programático do que o inverso.
Qual será o foco da discussão? Se depender do que alardeia o governo, o país estará mobilizado para “evitar a volta da turma do Fernando Henrique”. Já a oposição procurará convencer-nos do quanto seria inconveniente “dar mais quatro anos ao PT”. Haverá certamente arranca-tocos relativos à “ética”. Mas todos sabem que não poderá ser só isso.
Agitar espectros não garante eleição, até porque os nomes do PSDB colocados têm garrafas para entregar em suas administrações. E o PT faz um governo com altas taxas de aprovação — e Dilma Rousseff é a ministra mais importante desse governo. E Marina Silva é uma candidata respeitável e consistente.
Teremos escaramuças. Mas, no fritar dos ovos, os concorrentes precisarão apresentar uma visão de futuro, com propostas inteligíveis em pelo menos alguns pontos estratégicos: educação, saúde, segurança e, principalmente, desenvolvimento. Não se trata de ficar debatendo tecnicalidades, mas de convencer o eleitor sobre a capacidade de o candidato ou candidata liderarem o país rumo à remoção das correntes que ainda nos amarram ao subdesenvolvimento.
Quem é o melhor para acabar definitivamente com o tratamento desumano dos pacientes que procuram atendimento médico? Quem é o melhor para fazer as nossas crianças saírem da escola sabendo ler, escrever e fazer contas? Quem é o melhor para reduzir os índices de criminalidade e proteger os cidadãos contra os bandidos? E quem é o melhor para conduzir a economia gerando ao mesmo tempo empregos e equilíbrio ambiental?
No fim das contas, o eleitor prestará atenção aí. Assim como elegeu Luiz Inácio Lula da Silva quando concluiu que a principal coisa a fazer era combater a pobreza e a desigualdade. E cada um dos candidatos terá trunfos. Todos têm currículos respeitáveis. Que a turma da campanha negativa tire o cavalinho da chuva: não será com ataques que vão derrubar Dilma, José Serra ou Aécio Neves e Marina Silva. Quem tentar vai desperdiçar energia, dinheiro e tempo de rádio e televisão. Talvez sirva para tirar o adversário do eixo, o que já é alguma coisa. Mas só.
Até porque o ambiente no país é de otimismo. E deverá continuar assim no ano que vem. E mau humor não combina com otimismo. O eleitor não sairá de casa no dia da eleição querendo comer o fígado de ninguém. Será um belo desafio para os candidatos e seus marqueteiros: como fazer uma campanha combativa, que enfraqueça o adversário, sem entretanto bater de frente com o espírito do tempo, com o sentimento geral.
Deu na Veja:
Eu tento sabotar o PT. Como é que se sabota o PT? Atualmente, só há um jeito: unindo José Serra e Aécio Neves, em 2010.
Sem Aécio Neves, José Serra perde. Sem José Serra, Aécio Neves perde. Eles sabem disso. O PT sabe disso. Aécio Neves pode até ser o melhor candidato presidencial. Mas o PSDB acabará apoiando a candidatura de José Serra, porque ele lidera – e lidera folgadamente – em todas as pesquisas eleitorais.
Com o único propósito de sabotar o PT – e de sabotar Lula, Dilma Rousseff, Franklin Martins -, amolei um monte de gente para tentar descobrir se José Serra e Aécio Neves realmente podem se tornar companheiros de chapa em 2010. O primeiro como candidato a presidente e o segundo como candidato a vice-presidente. Publicamente, eles negam essa possibilidade. José Serra diz que a disputa presidencial ainda está longe. E Aécio Neves responde que, se o PSDB escolher José Serra, ele pretende se candidatar ao Senado.
Mas a probabilidade de um acordo entre os dois é muito maior do que parece. Na última semana, o marqueteiro de José Serra e o marqueteiro de Aécio Neves se reuniram e trataram abertamente do assunto. Eu só soube disso – repito – porque amolei um monte de gente. O marqueteiro de José Serra fez um cálculo simples: para eleger seu candidato ao Palácio do Planalto, ele tem de ganhar em Minas Gerais. Se Aécio Neves se candidatar a vice-presidente, José Serra ganhará disparado. Se, por outro lado, Aécio Neves concorrer ao Senado, desinteressando-se da campanha presidencial, ganhará em Minas Gerais o candidato apoiado por Lula.
Aécio Neves tem de fazer um cálculo um tantinho mais complicado. O Senado oferece-lhe um caminho perfeitamente seguro. Mas, se José Serra acabar perdendo de Dilma Rousseff, ele poderá ser responsabilizado pela derrota. Para alguém como Aécio Neves, cujo maior atributo político é ser um aglutinador, nada pior do que rachar o próprio partido. Se Aécio Neves tomar o caminho oposto e aceitar ser companheiro de chapa de José Serra, sabotando os planos do PT, ele só terá a ganhar. Em primeiro lugar, porque isso garantirá o triunfo eleitoral de José Serra. Ele será o Lula do PSDB. Em segundo lugar, porque ele poderá ocupar, além do Palácio do Jaburu, um grande ministério da área social, cacifando sua candidatura presidencial em 2014, contra Lula, ou em 2018, contra o que restar do PT, se é que ainda restará algo.
Pronto: sabotei o PT. Agora só falta o PSDB sabotar o PSDB.
Leia íntegra do artigo de Fernando Henrique Cardoso no Estadão do dia 1º de novembro de 2009
*
A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da Terra”, de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?
Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.
É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?
Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o.” Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha Casa, Minha Vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.
Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU – contra a letra expressa da Constituição – vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: “L”État c”est moi.” Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.
Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.
Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.
deu em o correio braziliense
O Palácio do Planalto torce para que Serra e Aécio não se entendam, e que um deixe o outro ao relento. Não é uma aposta no vazio. Nas duas últimas eleições, o PSDB esteve fraturado. Será diferente desta vez?
Por Alon Feuerwerker:
O otimismo exultante de Luiz Inácio Lula da Silva quanto a 2010 tem uma base real e um elemento de cálculo. O prestígio do presidente e a força política do governo são a base real. O elemento de cálculo é a necessidade de manter o pique e o clima até começar a “novela”, a programação eleitoral no rádio e na tevê.
A euforia em torno da candidatura de Dilma Rousseff é essencial para a travessia do deserto, para manter soldada a megacoalizão governista e assim evitar que pedaços venham a reforçar o outro lado. Se tudo correr bem para Lula, a oposição vai comer poeira no horário “gratuito”, numa proporção de 1 para 2. Terá metade do tempo dado ao governismo. Uma desvantagem e tanto.
Daí que nas últimas semanas Dilma tenha feito uma blitz. Aparições, reuniões, declarações. O script completo do candidato. Entre os comandantes da campanha, a esperança é subir uns pontinhos, de preferência abrindo vantagem confortável sobre Ciro Gomes. Uma folga suficiente para enterrar de vez os sonhos da candidatura no PSB.
Já a oposição vive a contagem regressiva para a escolha do nome, assunto que deve mesmo estar resolvido daqui até o fim do ano. O PSDB quer entrar janeiro com os exércitos em posição para a batalha. A oposição tem bons nomes e realizações a apresentar. Falta por enquanto o discurso. E falta a fórmula definitiva para enfrentar um desafio descrito originalmente nesta coluna em 3 de junho (“Barbas de molho”): como juntar o capital político que detém em São Paulo e Minas Gerais?
Porque, na essência, a aritmética continua a mesma desde então. Se o PSDB abrir uma vantagem de 2 para 1 em SP e MG, e se ganhar no Sul, cenários possíveis, o PT precisará tirar toda a diferença no Norte e Nordeste, considerando que o Centro-Oeste deve registrar equilíbrio. Um cenário de risco para a candidatura Dilma. Inclusive porque as áreas potencialmente mais inclinadas à oposição votam mais, registram menor absenteísmo.
Claro que os números podem flutuar. O PT pode ir melhor em SP e MG do que as previsões. E o PSDB não necessariamente vai ser massacrado no Nordeste. Em eleições, é prudente fazer uma separação clara entre análise e torcida. É preciso saber então se o PSDB terá tal capacidade de aglutinação interna, essencial também para a arregimentação externa.
No cenário ideal para José Serra, Aécio Neves aceitaria ser o vice. No mundo dos sonhos de Aécio, um Serra candidato à reeleição garantiria os votos paulistas para somar ao caminhão de apoio que espera receber em Minas.
O Palácio do Planalto torce, naturalmente, para que ambos não se entendam e que um deixe o outro ao relento. Não é uma aposta no vazio. Nas duas últimas eleições, o PSDB esteve fraturado. Será diferente desta vez?
Estratégia é desconstruir imagem de Dilma como ‘mãe’ do PAC e discutir temas como saúde e segurança
De Gerson Camarotti e Adriana Vasconcelos:
A oposição já identificou as prováveis armadilhas da estratégia eleitoral governista e procura uma espécie de antídoto ao discurso de defesa da intervenção estatal na economia e do sucesso dos programas sociais. Em vez de falar do Bolsa Família, a intenção dos oposicionistas em 2010 é explorar as fragilidades do governo Lula nas áreas de saúde e segurança pública.
— Não vamos cair na armadilha de que precisamos encontrar uma porta de saída para os beneficiários do Bolsa Família, pois isso passa a ideia de suspensão do programa. E não é o caso, até porque nossa ideia é dar prosseguimento a todos eles. Mas temos, sim, de apresentar novas alternativas, vinculadas especialmente à criação do emprego com carteira assinada, que garantirá a independência do cidadão, e áreas de interesse direto da população como saúde e segurança — afirma o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
O PT está determinado a insistir na comparação com a gestão tucana do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
— É preciso estabelecer no debate dos programas as diferenças entre os dois governos. Todos os pontos nos favorecem: a política social, a economia e a política internacional. Até porque se a privatização tivesse continuado, nós não teríamos conseguido enfrentar a crise como enfrentamos. As empresas e bancos estatais ajudaram o país a sair da crise — afirma o secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo.
— Vamos explorar o conceito de redução da desigualdade de renda e da oportunidade de direitos, além de mostrar a importância do papel do Estado no enfrentamento da crise financeira, inclusive o papel dos bancos e empresas públicas — reforça o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
Mesmo tentando fugir de armadilhas, os tucanos se preparam para enfrentar a comparação. Uma das estratégias passa pela desconstrução da imagem que o presidente Lula tenta vender para sustentar a ideia de que a ministra Dilma Rousseff, pré-candidata petista, é a “mãe” do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mostrando que as obras de infraestrutura pouco avançaram. Outro tema a ser bastante explorado é a segurança.
Governo quer teoria do Estado forte de volta à pauta eleitoral. ‘Não se pode transformar empresas em repartições públicas’, contesta FH
De Vivian Oswald, Martha Beck e Cristiane Jungblut:
O debate sobre a exploração do petróleo na camada do pré-sal e as recentes divergências entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Vale, Roger Agnelli, anteciparam uma discussão que deve ganhar os palanques na eleição de 2010: a maior presença do Estado na economia.
Cada vez mais, a relação entre o Estado e o setor privado entrará na campanha da ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, segundo integrantes da equipe econômica. O tema também conta com a simpatia de outros pré-candidatos, como José Serra (PSDB), Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV).
Em mais de uma ocasião, Dilma enfatizou que “a tese do Estado mínimo é uma tese falida”. As turbulências provocadas pela crise econômica deram ao governo a chance de reforçar a tese de que o Estado é necessário para garantir a estabilidade e sustentar a economia quando o setor privado se retrai.
No auge da crise, houve uma intervenção explícita para que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal reduzissem taxas de juros.
No Congresso, parlamentares governistas endossam a postura do presidente Lula, inclusive em relação à política de aumento dos gastos públicos, defendendo um Estado mais atuante.
Já a oposição condena a tentativa de reestatização. Os governistas acreditam que o debate sobre o tamanho do Estado voltará na eleição do ano que vem, sobretudo com o pré-sal, e que o governo Lula é quem sairá ganhando com ele.
— É um dos diferenciais entre o nosso governo e o do presidente Fernando Henrique Cardoso, que estarão em análise no país (em 2010). Houve um conjunto de mudanças importantes para o país, por conta de um Estado mais eficiente. Houve o fortalecimento da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, capitalização do BNDES. E no pré-sal, o novo modelo amplia o papel da Petrobras — disse o líder do governo na Câmara dos Deputados, Henrique Fontana (PT-RS).
— A oposição vai querer mascarar o debate real. Nós experimentamos um modelo e, eles, outro. Esse debate não interessa para eles, interessa para nós — acrescentou o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP).
Para a oposição, está clara a conotação eleitoral do debate:
— O governo acha que pode ganhar a opinião pública com o debate entre o público e o privado. Eles estão achando que podem tornar viável a candidatura da Dilma como grande defensora e realizadora do Estado. Dilma quer se apresentar como o novo Stálin brasileiro, comandante dos planos integrados de desenvolvimento — diz o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA).
— Há uma política de aumentar o gasto público — criticou o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), para quem o atual governo se caracteriza pela gastança fiscal mesmo em momentos de queda de arrecadação, como na crise deste ano.
De Miriam Leitão:
O presidente Lula viajou durante três dias pelas obras da transposição do Rio São Francisco. O que ele não viu? Que do total de um milhão de hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) no rio, 700 mil estão degradados. A recuperação mal começou.
É preciso plantar 27 milhões de mudas por ano, o Ministério da Integração prevê 1,5 milhão, 5% do necessário, mas só 200 mil estão sendo produzidas.
Conversamos com quem está trabalhando para a proteção do rio. É um desconsolo. O que Lula não viu foi a vasta tarefa ambiental que precisa ser feita para recuperá-lo e protegê-lo dos impactos da obra de transposição. As APPs — que são alto de morro, beira de rio, entorno de nascente, encostas — do São Francisco chegam a 1 milhão de hectares porque o rio é imenso e há muito tempo está mal tratado.
Dos 700 mil hectares que precisam de recuperação, metade pode ser cercada para que a vegetação nativa se recupere naturalmente, mas a outra metade exige plantio de 27 milhões de mudas por ano, de acordo com o Plano Integrado de Desenvolvimento Florestal Sustentável do São Francisco, estudo feito pela Universidade Federal de Lavras, a pedido do próprio governo.
O projeto que está sendo executado pelo Ministério da Integração Nacional prevê a produção anual de apenas 1,5 milhão de mudas, pouco mais de 5% do que seria necessário. Isso é o que está no site, porque se existe uma tarefa difícil é tirar do governo o que está sendo feito para proteger o rio.
O Ministério da Integração mandou um texto no mais puro burocratês. A Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) pediu as perguntas por escrito na quarta, mandou a resposta no domingo, num claro corte e cola de documento velho. Não há uma resposta compreensível. Para o Ibama ligamos durante uma semana inteira.
Já os pesquisadores das universidades de Lavras e do Vale do São Francisco conversaram conosco. Eles acham que o número de mudas previsto no projeto do governo é insuficiente e não está sendo atingido. Estariam sendo produzidas não mais que 200 mil, menos de 1% do que precisa ser feito.
O coordenador do Centro de Referência em Recuperação de Áreas Degradadas do Alto do São Francisco, Antonio Claudio Davide, ligado à Universidade de Lavras, percorreu de helicóptero mais de 1.500 quilômetros de extensão do rio para medir a degradação e planejar o projeto de recuperação.
— Gostaria de saber onde estão esses um milhão e meio de mudas, que já seriam muito insuficientes. Aqui no centro, estamos produzindo 70 mil mudas, que dariam para plantar cerca de 35 a 40 hectares. Precisamos cobrir 350 mil hectares! O fato é que não existe no governo a consciência da importância da recuperação dessas áreas. E sem replantio, não dá para falar na recuperação do São Francisco — explicou Davide.
Os números são tão imensos quanto a dimensão do Velho Chico: de acordo com o plano feito pela Universidade de Lavras, é preciso investir R$ 4,7 bilhões em 18 anos, somente para reflorestamento. São R$ 2,37 bilhões para produção e plantio de mudas; R$ 1,8 bilhão para cercar áreas onde haverá regeneração natural; e o restante em infraestrutura, estudos, contratação de pessoal, treinamento. Um gasto anual de R$ 261 milhões, de 2008 a 2025.
Na avaliação de Davide, o projeto de recuperação das APPs está andando em “velocidade de carroça”. Há baixa produção de mudas; resistência de produtores rurais, que querem usar todas as áreas para agropecuária; falta de profissionais qualificados; e pior, as liberações de recursos não têm regularidade. Tem hora que o dinheiro sai, tem hora que não sai.

Depois de ser derrotado em três eleições, Lula reapareceu com a imagem remodelada na eleição de 2002. Passou a usar ternos bem cortados, cuidou da aparência e, principalmente, deixou de lado o discurso radical que assustava parte do eleitorado.
A ministra Dilma Rousseff, candidata do governo à Presidência, está no mesmo laboratório operando sua transformação. Nos sete anos de ministério, Dilma ficou conhecida pela austeridade, inclusive no trato com auxiliares e colegas, pela falta de tato político, o que já lhe rendeu brigas e desafetos dentro do próprio partido, o PT, e pela dificuldade em se comunicar.
Parecem problemas intransponíveis para quem deseja enfrentar com a mínima possibilidade de êxito uma campanha eleitoral que promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos. A metamorfose já mostra os primeiros sinais.
Na semana passada, durante a inauguração dos estúdios de uma emissora de TV, Dilma brincou de atriz com o presidente Lula, que manejava uma câmera. Depois, em um jantar com parlamentares do PP, fez questão de ir à cozinha cumprimentar os funcionários da casa. Em outro evento, em São Paulo, abraçou e beijou catadores de lixo que participavam de uma feira de reciclagem.
Por fim, a ministra, que nunca teve muita afinidade com questões ambientais, tem revelado inédita preocupação ecológica, a ponto de ser nomeada para chefiar a delegação brasileira que vai participar de uma conferência da ONU sobre o clima.
“Dilma está mais simpática, mais sorridente e consciente do que se deve fazer em uma campanha”, afirma um membro de seu staff. Exemplo disso é que, há duas semanas, a ministra esteve em um almoço com correligionários do governador Eduardo Campos (PSB-PE) e, na chegada, cumprimentou apenas as autoridades presentes à mesa. Foi, depois, advertida pela falha.
“Dá para perceber que é difícil para ela cumprir esse papel de candidata, mas ela tem se esforçado.” Os discursos e as opiniões da ministra também passaram a seguir um roteiro preestabelecido. Os discursos devem ser simples e carregados de metáforas de fácil entendimento, como os do presidente Lula. As opiniões emitidas sobre os temas de governo e de campanha também não podem divergir das defendidas pelo presidente.
Nos últimos dias, Dilma foi criticada por estar antecipando a campanha eleitoral, o que é ilegal. Indagada sobre o assunto, a ministra se disse vítima de preconceito pelo fato de ser mulher. Ninguém entendeu o que uma coisa tem a ver com a outra, mas Dilma conseguiu, ao menos momentaneamente, safar-se da polêmica – exatamente como foi ensaiado com sua equipe de campanha, integrada por políticos, publicitários e jornalistas.
A ministra se reúne uma vez por semana com o “estado-maior” de sua campanha, como é chamado o grupo do qual fazem parte os ministros Franklin Martins (Comunicação Social) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais), o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, o deputado Antonio Palocci, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o marqueteiro João Santana.
Nesses encontros são discutidos os temas que serão abordados pela candidata-ministra e como ela deve tratá-los em suas aparições. Também são definidos a agenda de viagens e pontos da estratégia política da campanha. Nos fins de semana, Dilma reserva um dia, às vezes o sábado, às vezes o domingo, para se dedicar integralmente ao treinamento e à preparação da “candidata ideal”.
Ao lado de João Santana e de sua equipe de marqueteiros, a ministra é submetida a sessões de entrevistas, debates simulados e pronunciamento para programas de TV. A postura, o tom de voz, o modo de encarar as câmeras e até a melhor roupa para cada ocasião são experimentados à exaustão. “Esse treinamento é normal para todo candidato em campanha.
No caso da Dilma, porém, isso precisa ser intensificado porque ela não tem nenhuma experiência eleitoral. Estamos saindo do zero, fabricando um candidato”, explica um dos envolvidos na operação.
Em breve, o perfil de Dilma Rousseff ganhará o reforço de um detalhe desconhecido pela maioria dos eleitores. A ministra terá enfatizada sua condição de “candidata mineira”. Dilma nasceu em Belo Horizonte, em 1947, e estudou nos tradicionais colégios Sion e Estadual Central. Sua mãe cresceu em uma fazenda na região de Uberaba e seu pai trabalhou na siderúrgica Mannesmann, tradicional empresa no estado.
Em Minas Gerais, ela atuou em grupos de oposição à ditadura e acabou presa. Essa origem, porém, é pouco conhecida, pois sua carreira pública foi, na verdade, construída no Rio Grande do Sul, para onde se mudou após deixar a prisão.
Pela estratégia montada, Dilma será apresentada como a alternativa para Minas voltar a ter um presidente da República depois de quinze anos. O último foi Itamar Franco. Os auxiliares da ministra avaliam que, caso o governador paulista José Serra seja confirmado como candidato da oposição, ela pode atrair os votos dos eleitores mineiros, desde, é claro, que enxerguem nela uma legítima representante do estado.
A estratégia da ministra também passa pelo mundo virtual. Na semana passada, o PT inaugurou seu novo site, orçado em 600 000 reais, que terá canais de áudio e vídeo para ajudar a alavancar a candidatura de Dilma. Pelo site, também será possível arrecadar recursos a partir do início oficial da campanha, em julho. Extraoficialmente, porém, a máquina petista tem um raio de ação muito mais abrangente.
Em abril passado, uma ficha criminal falsificada que relatava a participação da ministra em ações armadas contra o regime militar infestou a rede. O episódio levou os estrategistas de Dilma a importar o marqueteiro Ben Self, responsável pela parte digital da campanha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Contratado por João Santana, Self esteve no Brasil duas vezes nos últimos cinco meses. Ele se reuniu com os coordenadores da campanha da ministra e sugeriu planos para reagir a esses tipos de ataque.
Bogueiros e internautas estão sendo arregimentados para inundar as chamadas redes sociais com mensagens de apoio a Dilma e com ataques aos adversários. O trabalho custa entre 50 000 e 120 000 reais por mês e é realizado por empresas especializadas.
“Tudo precisa ser clandestino. A força desse tipo de campanha é justamente a aparente espontaneidade das manifestações”, disse a VEJA um especialista da área. Oficialmente, nenhum político admite o envolvimento com seus fãs e detratores do mundo digital.
Não há exemplo na democracia brasileira de um candidato “fabricado em laboratório” que tenha se tornado presidente. Antes da ditadura, não havia campanha eleitoral de massa, com TV e rádio. Por isso imperavam os grandes líderes políticos, capazes de costurar o apoio das lideranças regionais.
Desde a redemocratização, todos os candidatos competitivos tinham biografia política significativa. Mesmo os políticos mais próximos de Lula consideram essa metamorfose uma incógnita.
Diz Gaudêncio Torquato, professor de marketing eleitoral da USP: “Todo candidato tem sua identidade, representada pelo caráter, personalidade e estilo. E há a imagem, projetada pelos publicitários, para que ela se torne mais palatável aos eleitores. Se essa imagem for muito diferente da identidade, há o risco de o candidato parecer falso e artificial ao eleitor, afugentando seu voto”.
Do Blog do Reinaldo Azevedo, não poderia deixar de publicar.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve anteontem, como sabem, na inauguração de estúdios da TV Record. O vídeo acima flagra a sua saída da emissora. A seqüência, que eu saiba, não apareceu em TV nenhuma. Ela é bastante reveladora do Lula real, não daquele que em breve fará correr rios de lágrimas nos cinemas. Alguém, fora do enquadramento, dirige-lhe algumas palavras. Como o microfone da câmera está voltado para a estrela do evento, ouve-se perfeitamente o que ele diz, mas não se pode apostar na exatidão das palavras do seu interlocutor. O conjunto, no entanto, não deixa a menor dúvida. Reproduzo o que consigo ouvir. Confiram.
VOZ MASCULINA – Ei, Lula, um abraço pro senhor…
LULA – Tchau, tchau, meu querido!
VOZ MASCULINA – Não voto no senhor, muito obrigado, aí…
LULA – Fica com Deus! Não tou precisando do seu voto!
Aquela gargalhada, uma reação exagerada de quem se esforça para agradar o chefe, é do governador do Rio, Sérgio Cabral. As outras pessoas também se divertem. É como se dissessem: “Isso mesmo, presidente! Responde para esse descontente!”. O que se tem aí é um flagrante, alguns segundos apenas, de quem é Lula de fato, não a personagem construída por seus marqueteiros e pelo cada vez mais redondo Franklin Martins, que parece reproduzir no próprio corpo a onipotência de que se julga dotado.
Um idiota da objetividade diria que Lula realmente não precisa do voto daquele “atrevido” porque não é candidato a nada. Não oficialmente. Como é público e notório, ele pretende disputar o que considera o seu terceiro mandato por meio de Dilma Rousseff, o seu títere. E, como se nota, é arrogante o bastante para dispensar votos. Acredita já ter aqueles de que precisa. Daí a fanfarronice.
No discurso feito na Record, vocês se lembram, Lula atacou os que, segundo ele, não aceitam a derrota e tentam sabotar o governo. Não disse com clareza a quem se referia. Entrei no site da Presidência da República em busca da íntegra. O link, se quiserem, está aqui. Sua fala foi muito mais reveladora do que se noticiou. Antes que a destrinche, algumas considerações.
Ontem, enquanto Lula estava na Venezuela, aquele país em que ele diz haver democracia até demais, os governistas da Comissão de Reações Exteriores do Senado votaram a favor do ingresso da Venezuela no Mercosul, jogando no lixo os protocolos que exigem que os países-membros do bloco sejam democracias de direito e DE FATO. Lula saudou a votação como um grande avanço. O presidente brasileiro dá, assim, a sua contribuição para que o tiranete tenha, no futuro, mais um palco para as suas pantomimas.
Lula, como gostam de lembrar a imprensa estrangeira e, claro, boa parte da imprensa local não é um Chávez. “Não porque não queira, mas porque não pode”, digo desde sempre. Daí a concluir que ele e seu partido aceitaram, de alma, as regras do regime democrático vai uma grande diferença. É que as circunstâncias externas, felizmente, conspiraram a favor do PT, que não precisou recorrer a seu histórico estoque de sandices na economia e na política. Teremos oito anos de governo Lula, mas não teremos, na política econômica, um único ano de governo realmente petista. Quem eventualmente pode nos dar esse presente é Dilma Rousseff… Vamos ver.
Não, ele não é nenhum Chávez, mas a tentação está lá, pulsando. Não, ele não é nenhum Chávez porque os métodos são outros. O esforço do lulo-petismo para, por exemplo, tentar desmoralizar a imprensa obedece a um outro ritual. Em vez de fechar veículos de oposição (não que isso não esteja no horizonte, digamos, utópico dessa gente), eles preferem investir no que chamam “concorrência”. E, então, estimulam o mais abjeto governismo. Anteontem, ao saudar a inauguração dos estúdios da emissora de Edir Macedo, disse o Grande Demiurgo:
“Não seria bom para o Brasil que a gente tivesse apenas uma televisão produzindo novela; não seria bom para o Brasil que a gente tivesse apenas uma televisão dando informações; não seria bom para ao Brasil que a gente ligasse a televisão… Antigamente, sem controle remoto, ficava em um canal só porque a gente ficava brigando em família para ver quem levantava para rodar o botão. Mas, agora, com o controle remoto, não precisa levantar, é só clicar aquilo. E o que está acontecendo na verdade? É essa opção, essas alternativas é que estão permitindo que o povo brasileiro não seja vítima de alguns formadores de opinião pública que não querem formar a opinião pública, mas que querem induzi-la a um pensamento único, a uma verdade única, sem permitir que as pessoas tenham possibilidade de ter opções de informação.”
Não é preciso ser muito bidu para saber que Lula se referia à TV Globo, que nunca deteve monopólio nenhum, nem legal nem ilegalmente. O que sempre a diferenciou, aí sim, foi a competência para fazer melhor, goste-se ou não do que é veiculado lá. Assim como o bolivarianismo de Lula é light, a sua agressividade também veste a pele de cordeiro. Essa sua defesa da competição, que parece tão regulamentar, sustenta que a Record, do autoproclamado bispo Edir Macedo, veio para “formar a opinião pública” do modo como as coisas devem ser feitas. Já os outros — é óbvio que estava se referindo à Globo — estariam interessados apenas em “induzi-la a um pensamento único”. Não por acaso, a Record é hoje a emissora mais constrangedoramente petista do país. E, de resto, como sabemos, a Igreja Universal do Reino de Deus, um dos maiores anunciantes da Record, realmente não é dada a induzir ninguém a nada, não é mesmo? Se há seita religiosa que prima pela mais absoluta racionalidade e pelo apelo à inteligência crítica, esta seita é a Universal.
Lula e seus magos da comunicação, especialmente o gigantesco Franklin Martins, estão convictos de que o bom caminho é mesmo confrontar a imprensa que consideram inimiga e incentivar a que consideram amiga. E não custa notar: se a fatia que aderiu não faz jornalismo, mas mero lulismo, aquela que eles tomam por inimiga continua a insistir no seu ofício: tratar a notícia como notícia. NÃO É A IMPRENSA SUPOSTAMENTE ANTILULISTA QUE IRRITA LULA E FRANKLIN MARTINS. É A IMPRENSA.
O Babalorixá voltou ontem a atacar a imprensa — não a Record de Macedo, é óbvio. Leiam trecho de reportagem da Folha no post abaixo. Na condição de professor de jornalismo, ele incentivou uma espécie de revolta civil dos repórteres contra os editores. Na sua fala, os “cumpanhêru da reportáji” estão oprimidos pela pauta definida por pessoas que não têm compromisso com os fatos. Este iluminado segue a máxima de que notícia correta é notícia a favor. Imaginem mais uns oito anos de poder petista, com as instituições submetidas a um permanente desprestígio e com a imprensa independente sob o ataque permanente do poder. Os milicianos não vêem a hora de fechar emissoras de TV, revistas e jornais com as próprias patas.
Não custa lembrar que a Universal está sendo investigada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Lula disse que seus amigos são alvos de preconceito. Estaria se referindo às investigações?
Agora está caracterizado o homem que proclama: “Não estou precisando de seu voto”. Tudo aconteceu, convenham, no lugar certo. Quem nunca viu Edir Macedo na televisão prometendo ser um intercessor de milagres? O sujeito anunciava um mal qualquer, e Macedo — ou um deus pastores e bispos — asseverava que podia abrir as portas da cura e da salvação.
É isso aí. Um anuncia ter contato direto com Deus. O outro tem a certeza de que é Deus.
Quércia leva prefeitos do PMDB a Serra
‘É uma demonstração da aliança do partido com ele’, diz ex-governador
Um grupo de mais de 60 prefeitos do PMDB, de municípios paulistas, foi ontem ao gabinete do governador José Serra (PSDB) manifestar apoio a sua possível candidatura à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Liderados pelo presidente estadual do PMDB, o ex-governador Orestes Quércia, os prefeitos estiveram com Serra no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, por cerca de 40 minutos.
— Trouxemos quase todos os prefeitos do PMDB, 61 ou 62 dos 65. Alguns não puderam vir, mas a maioria veio. É uma demonstração da aliança do PMDB com o Serra, com o PSDB e com o Democratas aqui em São Paulo. Foi uma reunião administrativa, mas, evidentemente, teve aspectos políticos, porque temos uma aliança em São Paulo, cujo objetivo maior é o apoio à candidatura do Serra a presidente da República — disse Quércia.
Desde criança ouvia de minha mãe a frese que da título a esse post. Sempre levei a frase a sério, até porque tem outra que complementa a mesma: Diga-me com quem andas que te direi quem és.
Escrevo isso para falar da ótima campanha publicitária do governo do estado de São Paulo sobre as obras de expansão do metro paulistano. Um dos comerciais cheguei a publicar nesse blog.
A questão é que a excelência da campanha foi criada por Duda Mendonça, publicitário que fez a campanha de Lula em 2002, e é petista assumido. Duda foi quem “criou” João Santana, que fez a campanha de Lula em 2006 e vai fazer a campanha da Dilma em 2010. Duda é também amigo do presidente Lula.
Entre outras coisas Duda Mendonça esteve envolvido no escândalo do mensalão, digo diretamente envolvido, fazia parte do esquema do Delubio, Zé Dirceu, Silvio Pereira, Paulo Okamoto, entre todos os envolvidos.
Nada contra ao publicitário Duda Mendonça, mas daí, ele ganhar a licitação e fazer campanha para o Governo do Estado de São Paulo me parece um pouco demais.
A regra de licitação publica deveria levar em consideração fatores como esse.
Vejam bem, é o mesmo que se imaginar a agencia de publicidade que tem a conta da Ford fazer também a propaganda da GM, é o mesmo que imaginar a agencia que faz a campanha da Coca-Cola fazer a campanha da Pepsi. Isso não existe.
No mínimo é conflito de interesse. As regras de licitação deveriam ser revistas para que esse tipo coisa não ocorra, deveria ser fator de exclusão das licitações, como ocorre na iniciativa privada.
O Brasil produz uma das melhores propagandas do mundo, está em terceiro lugar, os nossos publicitários estão entre os mais premiados do planeta. Tem gente como W. Olivetto, Nizan Guanais, Jaques Lews, Celso Loducca, Dorian Taterka, e por aí vai. Todos tão ou mais competentes quanto Duda Mendonça.
Mas justamente Duda fazer uma campanha desse porte para o Governo de São Paulo, é brincadeira.
No post abaixo publiquei artigo sobre os investimentos do PT na Internet 2.0.
Como previ na época do lançamento do portal www.tucano.org.br, os petistas não iriam deixar por menos, e logo fariam algo semelhante.
Dois fatos chamam a atenção,vamos a eles:
a) O marqueteiro Luís Gonzáles na Lua Branca que fez 9 entre 10 campanhas para o PSDB, em recente entrevista ao Jornal Valor Econômico, disse que a internet não era importante para a campanha no Brasil.
Na época publiquei nesse blog -a cerca de um mês – que não concordava com ele, pelo simples fato que 60 milhões de brasileiros acessam a rede, e ainda comentava que os tais 60 milhões representavam 30% do eleitorado. Comentei também que sempre que me perguntavam: Quais ferramentas usar em uma campanha? Eu sempre respondia: Todas as ferramentas possíveis, porque se você não usar seu advesário vai.
Como se vê pelo post, o PT investiu 600 mil reais em um portal 2.0 e ainda com tv e rádio ao vivo! Com um custo de manutenção na casa dos 60 mil reias mês. Igual a proposta do portal do psdb de São Paulo. Que infelizmente só fez uma transmissão ao vivo desde o seu lançamento.
Os tucanos que se cuidem, pois o PT com certeza vai fazer o portal deles funcionarem redondinho.
Então como previ, o adversário usa todas as ferramentas, e o PT não iria investir tanto se não fosse importante.
b) Porque o diretório nacional do PSDB ainda não tomou a mesma iniciativa que o diretório paulista?
Ainda há tempo para correr, mas é preciso iniciar o projeto já.
De Maria Lima: Jornal O Globo
O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini (SP) e o secretário de Comunicação, Gleber Naime, divulgaram ontem o novo sistema de comunicação do partido na internet, um portal que integra o site, uma TV web e uma rádio web, com equipamentos de última geração a um custo inicial de R$ 600 mil.
O portal do PT, com custo mensal de manutenção estimado em R$ 60 mil, terá uma programação dirigida à militância petista. A ideia do partido é fazer debates e encontros com dirigentes do partido e ministros, inclusive a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata petista à Presidência.
Ao lançar o novo portal ontem à noite, na sede do PT em Brasília, o tesoureiro do partido, Paulo Ferreira, disse que a previsão de custo da campanha nacional de Dilma ficará acima de R$ 190 milhões.
Ele levou em conta o valor das três contas — comitê, candidato e diretório — de 2006. Ferreira disse não acreditar em grandes doações pela internet, uma novidade da legislação eleitoral.
— As contas da campanha nacional a presidente ficarão acima dos R$ 190 milhões – disse Ferreira.
Vera Rosa, BRASÍLIA
A campanha eletrônica da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ganhará musculatura. Com um investimento de R$ 600 mil, o PT vai pôr no ar, no próximo dia 5, um novo portal de notícias na internet www.pt.org.br), que abrigará uma TV e uma rádio online. Além de ser uma importante ferramenta para promover Dilma, o portal – que usará recursos da web 2.0, como twitter e Orkut – trará entrevistas com ministros e, a partir de 5 de julho de 2010, poderá arrecadar doações para a campanha.
O tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, acha, porém, que a Lei Eleitoral aprovada pelo Congresso prejudicará a arrecadação pela internet. “Essa lei não colabora para o aumento das pequenas contribuições, porque exige que o doador assine um recibo”, reclamou Ferreira. “O que aconteceu com o Obama não acontecerá no Brasil”, emendou ele, numa referência à eleição do presidente dos EUA, Barack Obama, quando houve uma avalanche de doações pela internet de até US$ 100.
Apesar da queixa, a cúpula do PT aposta na nova estrutura de comunicação para impulsionar a candidatura de Dilma e admite até mesmo debater com internautas sugestões para o programa de governo. “Estamos nos posicionando desde já para o grande debate de 2010″, afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).
O investimento de R$ 600 mil inclui os custos com a montagem de dois estúdios – um de rádio e outro de TV – que funcionarão na sede do partido. A manutenção do site está orçada em R$ 60 mil mensais.
No aquecimento para a corrida eleitoral, o twitter do PT preparou uma “promoção” para a estreia: os autores das três melhores frases sobre “sonhos, esperanças e bandeiras” ganharão o livro “Lula, o filho do Brasil”, de Denise Paraná, autografado pelo presidente.
O primeiro teste da TV online ocorrerá no encontro dos prefeitos do PT, marcado para os dias 6 e 7, em Guarulhos, com a presença de Dilma. O comando petista também quer usar sua TV para fazer um debate ao vivo entre os candidatos à presidência do partido.