15/04/2010 - 17:59
Quem sabe amanhã
Ando passando por momentos estranhos ultimamente, momentos onde já não sei se sou louco ou se faz parte do treinamento, mas como sempre digo, enfin…
Atrapalhado nas minhas grandes tarefas diárias como comprar pão e marcar quantos refrigerantes os clientes me pediram eu fico assim em posição de combate, como se a qualquer momento um ninja ou um alienígena do mal fossem me atacar. Não que eu acredite que existam ninjas, já alienígenas do mal é outra história.
Sinto que perdi uma parte importante da minha vida, mas também não encontro qual parte me faz falta (problema de ser multifacetado, as vezes esqueço qual das minhas personalidades se perdeu), isso poderia até ser uma coisa boa, mas sinceramente, eu já não acredito em muita coisa mais.
Ok, eu sei que estou sem pé nem cabeça, ou qualquer coisa intermediária hoje, acho que é efeito da falta de nitrogênio, anda em falta esse hoje em dia.
Sabe, eu simplesmente gostaria de falar, de fazer, de voar, não tantas coisas como sempre estou tentado a escrever, apenas o necessário, apenas o fugaz. Tenho poucos amigos, ninguém em especial para amar, não posso me queixar do meu saldo bancário, mas, U$ 2.000,00 mais seriam bem oportunos.
Preciso de alguém que tenha a paciência de me ouvir, que me permitisse falar e falar até cansar, criar calo nas cordas vocais, ficar desidratado. Talvez no meio desse meu monólogo eu pudesse começar a chorar (é provável que isso aconteça mesmo) e depois de tanto chorar eu risse, feito louco, feito um menino alegre e novamente mais sessão choro. Parece estranho querer isso, mas banhos gelados e tapas na cara para espantar a depressão já estão perdendo o seu efeito.
Alguém sabe onde posso comprar um lagarto? De preferência como aqueles de João Ubaldo, que sabem rir, sempre quis ter um lagarto, mas as mulheres de minha família não param de procriar e em algum tempo do meu passado eu li que répteis e crianças menores de seis anos de idade não combinam, mas eu gostaria de me lembrar do por que.
Como sempre, enfin… quem sabe amanha eu possa comprar um novo violino para aprender a tocar ciranda cirandinha.
Quem sabe amanhã….
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26/02/2010 - 18:10
Por que era preciso
Apontando para um futuro inevitável / E segurando-se ao desejo obstinado / O reflexo do mar são como carmesins coloridos flutuando / Em queda livre / Eu quero ser levado pelo vento assim / Isto é a vida real? / Isto é apenas fantasia? / Soterrado num deslizamento / Sem saída da realidade / Sempre atravessei obstáculos impossíveis, / Um sentimento invencível, nós deixamos claro / Mas de quem é a culpa, se ainda não é o melhor que posso fazer? / Abra seus olhos / Olhe para o céu e veja / Eu sou apenas um menino pobre, / Eu não necessito de nenhuma simpatia / Porque eu tenho vida fácil, fácil vou / Um pouco elevado, pouco baixo / De qualquer forma que o vento soprar, não importa realmente, a mim. / Apontando para um futuro inevitável / E segurando-se ao desejo obstinado / As cores do mapa do meu coração que não se desbotam, / Eu erguerei para a luz… / Quanto ainda tenho que chorar antes de ver o amanhã? / Mamãe, acabei de matar um homem / Coloquei uma arma contra a sua cabeça / Puxei o gatilho, agora ele está morto, / Mamãe, a vida tinha acabado de começar / Mas agora eu estou acabado e joguei tudo fora / A solidão da noite / A primeira vez em que cheguei ao meu limite / Não quis fazer você chorar / Se eu não voltar dessa vez então amanhã- / Continue, Continue, como se nada realmente importasse. / Lógico que ainda é cedo para se apaixonar, / Ou ter uma paixão de momento,mas é / Tarde demais, minha hora chegou, / Sinto arrepios em minha espinha /O corpo doendo o tempo todo /Adeus a todos – eu preciso ir /Deixar vocês todos para trás e enfrentar a verdade /Na estrada íngreme que leva ao amor, eu quero lembrar que fui forte / Vendo o sonho de um futuro inevitável, /Mas eu sou apenas um pobre menino e ninguém me ama / Ele é apenas um menino pobre de uma família pobre /Poupe a sua vida desta monstruosidade / Vem fácil fácil vão - /Vocês me deixaram ir; /Fecho meus lábios e meus olhos brilham,mas /Eu consigo ver uma bondade /Que é muito maior que isso /Um obstáculo intransponível /Com um sentimento invencível,nós deixamos claro, mas / Quando quer que nos encontremos na linha de partida,estamos com medo /Esboçando um futuro imparável e abrindo meus braços e meu coração /Apontando para um futuro inevitável /Então você pensa que pode me apredeijar e cuspir no meu olho /Então você pensa que pode me amar e me deixar morrer /Oh moleque – não pode fazer-me isto moleque /Começa apenas a sair – /Começa apenas a cair fora direito /E segurando-se ao desejo obstinado /As cores do mapa do meu coração que não se desbotam, /Eu erguerei para a luz… /Nada realmente importa /Qualquer um pode ver /Nada é realmente importante – / Nada é realmente importante para mim / De qualquer forma que o vento sopre…
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29/12/2009 - 13:20
Um novo ano, nova vida, novas escolhas, caminhos editados. Meu espírito livre anseia a noite onde minha mente se desprende de grosseiros traços de materia e se torna éter a bailar pelo mundo, gosto da brisa que chega a minha alma, gosto de voar pelos céus e fazer companhia a minhas irmãs aves. Não entendo como as pessoas podem pensar em reter qualquer coisa que não seja aventura, adrenalina, emoção, paixão. Mas, já fui assim também, então entendo que todos tem seu tempo. Neste novo ano quero (E VOU) voar bem mais alto, mais longe, mesmo que este esforço seja doloroso e cansativo, mas voarei por mim e se puder carregarei todos os que tiverem dispostos a viajar comigo, façam de meus ombros confortáveis assentos. Bem deixe-me apenas uma advertencia, quero companheiros de viagem, bagagem extra eu jogo ao mar para não minar minhas forças antes do tempo. Desejo paz e noites inteiras de sono, desejo amor e paixão a todos os que me cercam, amo tudo o que é simples na vida, desde um leve desjejum em companhia de amigos até uma “cerva” bem gelada sozinho na mesa de um bar numa terça a noite. Minha ambição é clara e meu sonho real, fazer o bem a mim mesmo e levar a minha luz, mesmo que esta seja trêmula como a de uma vela, mas que abate a escuridão mais densa. Sou um passageiro nesta vida, viajante do mundo, hoje renovo meu compromisso assumido a tantos anos quando eu ainda sonhava com lendas que usavam capa e espada, seguir sempre, não importando o obstáculo a superar, amar a tudo acima de tudo, olhar o mundo com alma e toda a calma de uma criança e fazer dele meu palco para brilhar em todas as formas e cores, num bailado doido, mas que é apenas meu.
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29/11/2009 - 14:10
Saber Amar
Saber sorrir
A um desconhecido que passa
Não guardar nenhum sinal
Senão aquele do prazer
Saber amar
Sem esperar nada em retorno
Nem atenção,nem grande amor
Nem mesmo a espera de ser amado
Mas saber dar
Dar sem retorno
Nada a fazer que não seja aprender
Aprender a amar
Amar sem esperar
Amar amar tudo e todos,
Aprender a sorrir
Nada que para o gesto
Sem querer o resto
E aprender a Viver
E ir embora
Saber esperar
Provar a repleta felicidade
Que se dá como por erro
Tanto não se esperava mais
Para enganar no medo do vazio
Ancorados como tantos de rugas
Quem mancham os espelhos
Saber sofrer
Em silêncio,sem murmurar
Nem defender,nem armar
Sofrer até querer morrer
E se levantar
Como se renasce das cinzas
Com tanto amor a revender
Deixamos o passado no passado
Aprender à rever
Aprender a sonhar
A sonhar para dois
Nada que aos fechar os olhos
E saber dar
Dar sem rasura
Nem meia medida
Aprender a ficar.
Querer até o fim
Permanecer apesar de tudo
Aprender a amar
Ir embora
Ir embora
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16/10/2009 - 12:54
Aos 6 anos….
Existem certos fatos que marcam uma vida toda. Sem adentrar o campo dos clichês, o fato que mais marcou a minha vida foi aos 6 anos de idade.
Tarde de terça feira duas horas da tarde:
As mães reunidas no colégio para assistir a uma apresentação que as crianças iriam fazer para o dia das mães. Todos os alunos da pré-escola haviam decorado um pequeno verso e iriam declamar para as suas mães neste dia. Eu me encontrava entre eles. A apresentação iniciava as três da tarde e logo após as mães participariam de uma pequena confraternização. Bem até aí tudo certo.
Passada a apresentação as crianças foram abraçar as suas mães e entregar o presente para elas. Um lindo cartão que elas mesmas haviam confeccionado. Novamente até aí tudo certo, nada poderia ser mais engraçadinho do que isso.
Até hoje eu ainda não entreguei o cartão para minha mãe.
E eu ainda me sinto como o menino de 6 anos esperando pela mãe para ouvir o seu versinho.
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28/09/2009 - 12:33
Eu conto as gotas de chuva
Na falta de ter o que fazer, sempre gostei de sentar e ler um livro (não precisa nem ser bom, serve até bula de remédio), gosto de treinar com a minha espada, gosto de sorvete com aquele wafer redondinho (tipo canudo) com recheio de chocolate. E o mais impressionante é que agora que parei de me preocupar com o dinheiro ele vem até as minhas mãos e eu vivo mais feliz, bem talvez mais desajeitado do que de costume, mas concerteza mais feliz.
Sabe aquela solidão que sempre falava, bem ela ainda não desapareceu, mas não me incomoda mais, tampouco pesa em meu peito, parece que eu descobri uma forma de viver com ela pacificamente. Acho que toda aquela raiva que eu tinha encrustada na minha alma esta mais maleável, entenda eu não deixei de sentir raiva, apenas aprendi a dizer quando estou com raiva e isso me deixa mais vivo.
Já não me canso e nem me sinto cansado, mas me dou o direito de dormir no meio da tarde se der vontade, também me dou o direito de me sentir sem sono a noite toda. Agora tenho tempo de correr e de gritar se eu quiser, mas aprendi que ficar em silencio e bem quietinho no meu canto tem um preço inestimável.
Conquistei nesses ultimos três meses amigos que ficarão em minha memória uma vida, perdi pessoas que eu realmente considerei amigas. Sinti e sinto falta de um único homem ao meu lado, mas sei que em algum lugar ele me espera e que vai chegar quando for a hora. Por hora os homens errados que procurem outras pessoas para brincar.
Cai no salão, uma, duas, tres, muitas vezes e em cada vez me descobri mais agil e habilidoso para me levantar, percebo agora que sempre fui mais do que tudo o que eu acreditei e que por esse potencial divino eu buscarei ser mais ainda até o fim.
E o vento sopra trazendo aos meus ouvidos uma mensagem de consolo e esperança e eu rio e corro feito uma criança quando ganha seu presente de natal.
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05/08/2009 - 13:57
Moa, esse é pra vc!
Ouve-se som da chuva e de algo pesado sendo arrastado, as luzes estão apagadas, ao término do som arrastado as luzes abrem revelando dois atores:
Hans – Desculpe chegar assim sem aviso.
Gus – Mi casa es su casa, você sabe que não precisa de convite para vir até aqui. Meu cafofo sempre tem as portas abertas para você Hans.
Hans – Obrigado. Gus, você está muito ocupado agora? Tem um tempo para nós dois conversamos?
Gus – Você e essa sua mania de fazer rodeios, é claro que tenho tempo para conversamos e mesmo que eu não tivesse tempo eu lhe ouviria mesmo assim, pois, não é sempre que alguem enfrenta essa tempestade toda com uma mala na mão querendo falar comigo, aliás, por falar em mala, o que faz com ela, tráfico de drogas, mercadorias, hein?
Hans – Bobo, bem o que eu tenho para te dizer tem haver com esta mala e sim é muito importante, para mim e espero que seja para você também. Eu quero te fazer um convite?
Gus – Convite? Agora estou curioso, vai fala logo Hans, você sabe que eu detesto suspense. Vamos viajar? Vamos em alguma festa? Vamos casar?
Hans – Calma Gus, respira. Bem podemos dar uma festa e viajar se você quiser, ou melhor, se você aceitar.
Gus – Aceitar o que minha santa, desembucha logo Hans.
Hans – Gus, casa comigo?
Gus – Para, eu ouvi direito, você está me pedindo em casamento?
Hans – Sim, eu quero viver o resto de tempo que tenho ao seu lado.
Gus – Hans, é maravilhoso, mas eu preciso de um tempo para raciocinar direito.
Hans – Desculpe, eu não quero lhe pressionar, vou entender se você não quizer ficar comigo.
Gus – Calma não é isso, eu só… foi tudo muito de repente, eu sempre quis…. eu quero, mas preciso pensar.
Hans – Bem se você não se importa eu vou tomar um banho e me secar, pois estou congelando, depois voltamos a conversar. Pode ser?
Gus – Claro.
Hans sai de cena, o barulho de chuva volta a ser ouvido, Gus fica um tempo absorto em seus pensamentos e sai de cena. A luz cai em resistencia. O som de uma máquina de escrever cresce a luz abre e pode-se observar um a escrivaninha com o Gus digitando em sua máquina.
Gus – A chuva lá fora parece abençoar nossa união. Eu ainda estou tremendo. Está difícil controlar o movimento involuntário das minhas mãos. Mas tenho que escrever, a última carta. Agora sei que não preciso mais escrevê-las. Estou rindo e chorando, feito um adolescente diante da perda inevitável da virgindade.
Você percebeu que eu nunca depositei nenhuma de minhas cartas na agência postal da ilha? Sempre entreguei cada uma em suas mãos, na maioria das vezes em que você vinha me visitar. Tudo aconteceu rápido demais. Agora sou eu quem ri do Tempo.
Quando conseguimos atingir uma meta em nossas vidas, quando realizamos um sonho, tudo parece tão irreal! Por mais que eu tivesse imaginado esse momento, por mais que eu desejasse que este dia chegasse, nada se compara à situação real.
Hans sai do banho e entra no quarto envolto em apenas uma toalha:
Hans – E então…
Gus – Só um minuto. Tô no final. Prometo que não vou demorar.
Hans – Ok. Vou secar o cabelo, descer e te esperar na sala.
Gus – Obrigado!
Gus observa Hans sair do quarto, volta a digitar
Gus – Ainda estou tremendo. Oh, Hans, eu verdadeiramente amo você. Faço uma pausa. É difícil escrever. Meus olhos estão embaçados por causa das lágrimas. Você está na sala, acredito que lendo a Folha da Ilha de dois dias atrás. Ou deitado em nosso tapete, os olhos fechados, braços e pernas abertas em forma de estrela, ouvindo as gotas de chuva golpeando o teto de madeira.
E eu aqui no quarto, nosso quarto, tentando escrever uma carta. Coisa de louco ou uma rápida terapia para aliviar uma excitante tensão?
De tão nervoso, precisei inventar uma desculpa para subir até aqui e ficar sozinho alguns minutos. Estamos tão perto, e ao mesmo tempo tão distantes um do outro.
Custo a acreditar que você está sentado no sofá, no nosso sofá (ou deitado no tapete fofo, não importa) somente esperando por uma resposta minha. Justo eu. Eu que tanto esperei por suas respostas!
Gus inspira profundamente. Toma coragem. E agora finaliza.
Gus – Mas preciso deixar registrado esse momento. Talvez, um dia, vamos deixar a leitura dessas cartas para outras pessoas. Talvez essa nossa experiência possa ser útil a alguém que se encontre na mesma situação. A coragem sempre aparece depois que damos o primeiro passo. Sei que vou ler essa carta depois que fizermos amor. E você poderá ouvir pela primeira vez a minha voz declamando as palavras que saem ininterruptas do meu espírito feliz.
Gus chora e aos poucos se controla, pega a carta recém digitada e vai até a sala. Gus se aproxima lentamente de Hans que coloca o jornal ao lado, Gus olha atentamente para Hans, mas é o próprio Hans quem inicia a conversa:
Hans – Eu te amo e quero ficar com você o resto do meu tempo, quero que você me aceite como sou e como estou. E prometo tentar fazer você feliz.
Gus – Eu te vejo todo molhado por causa da chuva. “Purificado”, é assim que prefiro interpretar. Sim, meu amado Hans. Sim, eu quero você comigo, em todas as vidas presentes e futuras. Aceito e quero você da maneira que você é e está. Não mude nada. Continue sempre assim.
Hans tira da mala uma caixa de madeira fina recoberta com couro, abre a caixa e deixa aparecer duas alianças, pegando uma das alianças na mão diz:
Hans – Metade de minha alma, luz dos meus olhos, bálsamo da minha dor, alegria dos meus dias, prazer das minhas noites. A partir deste momento, quero tornar oficial que você é meu, eu sou seu e nada, nunca mais vai nos separar. Gus Hoeder, quer se casar comigo?
Gus pegando a outra aliança, coloca lentamente no dedo de Hans dizendo as palavras:
Gus – Metade de minha alma, luz dos meus olhos, bálsamo da minha dor, alegria dos meus dias, prazer das minhas noites, tranqüilidade do meu coração, paz da minha mente… Eu sou seu, você é meu, de agora até o final dos tempos. Eu te amo, Hans Gutmann.
Os dois saem de cena carregando a mala de Hans. As luzes diminuem. Ao subir as luzes os dois estão embaixo de edredons com o peito desnudo.
Hans – Quanto tempo teremos?
Gus – E isso importa alguma coisa? O mais importante é que você está aqui, me esperando. Você não deve mais ficar sozinho. Nós não devemos ficar mais sozinhos. Acabou o tempo de espera!
Hans – Sim, meu neguinho, temos que viver intensamente todo o tempo que pudermos.
E o universo continua em minha garganta enquanto o nirvana se espalha pelas minhas veias me fazendo transcender em luz e cor.
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28/07/2009 - 11:12
Um dia um homem sentou no alto de uma montanha e chorou, tanto que suas lágrimas secaram e seu peito doeu e no fim quando já não havia mais o que chorar o homem continuava chorando. Seus lamentos em meio aos soluços não mais contidos iam se espalhando pelo espaço e ecoando no infinito. No peito uma ferida que tornou-se um buraco, um buraco que tornou-se um vazio que crescia junto da sua tristeza.
E por fim o vazio passou a absorver tudo, o buraco, a ferida, o peito, todas as lágrimas e próprio homem, sem dar-se por satisfeito, o vazio absorveu a rocha em que homem estava sentado, a vegetação, a montanha e todo o platô. O vazio crescia e sugava tudo, todos e nesse frenesi o próprio planeta foi absorvido, os satélites naturais, cometas, asteróides, sóis e o que ficasse no caminho desse vazio. Mesmo a galáxia não teve chance contra o vazio. Somente quando todo o universo estava no vazio o homem parou de chorar e sentindo o universo todo em sua garganta, secou as lágrimas e desceu a montanha.
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