Matías M. Molina, Valor Econômico, 22 de outubro de 2009

Um blog para falar de um livro

Testemunha de uma época
A História do Lance!, escrito pelo jornalista Mauricio Stycer, revela os bastidores da maior publicação impressa de esportes do País
F.U. – Atualmente você trabalha como repórter no IG, onde também tem um blog.
M.S. – Estou desde agosto de 2008 com a dupla função. A primeira, a mais importante, é ser repórter do portal. O IG, por meio do Último Segundo, que tem uma equipe de repórteres que fazem matérias além das aglutinações de notícias vindas dos parceiros, já tem uma produção de conteúdo próprio. Eu fui chamado para reforçar esse time. Eu faço algumas matérias por semana, não a matéria do dia, mas pegando eventualmente algum assunto do dia. Paralelamente, a segunda função é o blog diário onde eu tenho liberdade total para escrever o que eu quiser.
Antero Greco
São Paulo - A imprensa esportiva leva bordoada a torto e a direito. Há ocasiões em que até faz por merecer, mas muitas vezes o olhar enviesado que recebe carrega preconceito e paixão clubística. O alvo preferido costuma ser a televisão, por sua influência, alcance e estilo. A mídia impressa fica em segundo plano, no que existe de bom e ruim nessa relação acalorada. Merece menos atenção, mesmo como objeto de estudos acadêmicos.
Maurício Stycer rompe esse círculo com História do Lance!, Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo (Editora Alameda, 2009, R$ 46,00). Ele se vale da prática profissional (participou do elenco fundador do diário na segunda metade dos anos 90) e do olhar do sociólogo para esmiuçar, entender e explicar o que representa a “crônica esportiva” no País. Consegue entender o papel de área considerada menos nobre no jornalismo, porém envolvente, nervosa, cativante.
A gestação do Lance!, o nascimento de edições “gêmeas” no Rio e em São Paulo, os primeiros passos do jornal que viria a desbancar A Gazeta Esportiva e o Jornal dos Sports são componentes importantes do livro. No entanto, funcionam como pano de fundo para um panorama amplo das transformações por que passaram esporte (entenda-se futebol) e imprensa no Brasil no fim do século 20.
Conhecer bastidores de uma publicação que se firmou, apesar de prognósticos céticos, é interessante – e não apenas para quem é do ramo. História do Lance! se mostra leitura agradável porque não enxerga o tabloide como reinventor da roda no esporte. Além disso, porque viaja pela história da imprensa nacional, resgata a memória de personagens fundamentais, como Cásper Líbero, Thomas Mazzoni, Mário Filho, e lança luz inteligente sobre a prática do jornalismo esportivo.
O texto pode ser lido na página do Estadão, aqui.
Uma tabelinha entrosada entre o rigor acadêmico e a objetividade resulta em belo gol literário em História do Lance!, de Mauricio Stycer. Presente à criação do jornal, há quase doze anos, o autor mostra como em pouco tempo a publicação se consolidou no mercado editorial. Também detalha como a política, a economia e o poder adentraram os clubes, as federações e os meios de comunicação em um século de bola nos pés.
Ex-redator-chefe de CartaCapital, Stycer foi contratado como um dos editores-executivos da equipe inaugural do Lance!, que chegou pela primeira vez às bancas em outubro de 1997. O fundador, Walter de Mattos Júnior, queria que seu jornal “levantasse o moral” do torcedor, mesmo diante de uma derrota vexatória do time. A proposta trouxe dificuldades a serem resolvidas. Como ser crítico
e imparcial diante da alegria e da tristeza de quem torcia e ainda garantir as vendas do diário?
O editor sabia estar diante de um momento histórico da imprensa nacional, e resolvia as questões conforme elas apareciam. Faz vinte anos desde que um jornal diário desse porte havia sido criado no País. Stycer saiu dele oito meses após ter sido contratado e deu início a uma minuciosa pesquisa sobre a imprensa esportiva para sua dissertação de mestrado em Sociologia, agora publicada em livro.
A obra é recheada de citações bibliográficas exigidas de um trabalho acadêmico. Mas tem leveza e sagacidade ao apresentar os bastidores do Lance! O livro mostra como o diário, mesmo moderno, colorido, com diagramação ágil ao estilo internet e em formato tabloide, via-se atrelado ao bairrismo dos meios de comunicação e às ligações perigosas entre donos de jornais e dirigentes. O Lance! não era o primeiro a enfrentar o problema. No início do século passado, a imprensa esportiva já via o futebol como patrimônio da elite, e a ela se dirigia.
Os fãs de futebol também encontram no livro ótimas histórias de bastidores.
Uma delas envolve o ex-técnico da seleção brasileira João Saldanha, que fez os jogadores se abaixarem dentro de uma Kombi para que o time pudesse curtir a noite longe da imprensa. Stycer revela ainda e-mails internos com troca de farpas entre os colegas de redação. Em uma ocasião, o jornal foi no mínimo ludibriado ao publicar uma possível vinda de Romário para o Corinthians. A notícia acelerou a contratação do Baixinho pelo Flamengo, desejo do jogador. No calor do fechamento de um jornal, assim como em uma partida de futebol, de vez em quando alguém entra “de carrinho”.
O texto pode ser lido também aqui, no site da revista.
Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: Carta Capital, CartaCapital, História do Lance!, João Saldanha, Paulo Guilherme, Walter de Mattos Jr.O Vitrine, da TV Cultura, exibiu no último sábado, 23 de maio, uma entrevista feita pelo flamenguista Rodrigo Rodrigues, apresentador do programa, com o autor deste livro. A conversa, muito legal e descontraída, foi no bar São Cristovão, na Vila Madalena, em São Paulo – um reduto para quem gosta de futebol. O link aqui colocado leva a uma página com a descrição das reportagens exibidas no programa. A entrevista é a sexta matéria.
Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: História do Lance!, Mauricio Stycer, programa Vitrine, Rodrigo Rodrigues, São Cristovão, TV CulturaOlho no “Lance!”
Com o direito adquirido por ter escrito a quarta capa do livro de Maurício Stycer sobre a história do diário “Lance!”, reforço a dica dada ontem na “Ilustrada” pelo companheiro José Geraldo Couto e faço um reparo: Walter de Mattos Junior, seu editor, de “outsider” da imprensa não tem nem teve nada.
Antes de lançar o diário, com todo o risco de suas economias pessoais e contra a opinião de muitos, deste colunista inclusive, ele tinha sido o maior responsável pela formidável reforma do jornal “O Dia”, no Rio.
A coluna pode ser lida na íntegra aqui (somente assinantes).
Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: Folha de S.Paulo, História do Lance!, José Geraldo Couto, Juca Kfouri, outsider, Walter de Mattos Jr.Livro conta história do “Lance!” e analisa a imprensa esportiva
Jornalista Maurício Stycer descreve percalços da publicação, onde trabalhou
JOSÉ GERALDO COUTO
COLUNISTA DA FOLHA
Em 1997, um jovem empresário, um grupo de investidores e uma equipe de jornalistas -que mesclava um punhado de veteranos e uma legião de novatos- criaram um jornal diário de esportes, algo que não ocorria no Brasil desde os anos 30. Surgia assim o “Lance!”.
Testemunha e partícipe da experiência, o jornalista Mauricio Stycer, 47, primeiro editor-executivo do jornal, percebeu logo que ela lançava luz, simultaneamente, sobre a história da imprensa e sobre a história do esporte no país.
Ele fez do estudo do “Lance!” a sua dissertação de mestrado em ciências sociais na USP. O trabalho é lançado agora como livro, “História do “Lance!” – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo”.
A inserção da pesquisa na área de sociologia não é casual. “A prática do esporte no Brasil realça problemas fundamentais, ligados à histórica desigualdade social, à má formação educacional, ao patrimonialismo arraigado, ao mau hábito de transformar a coisa pública em bem privado etc.”, diz Stycer.
O livro procura mostrar, em sua primeira parte, como a imprensa brasileira, em particular a esportiva, refletiu e refratou historicamente essas questões.
Ao historiar os dois principais jornais esportivos do país -a “Gazeta Esportiva”, de São Paulo, e o “Jornal dos Sports”, do Rio-, Stycer destaca ainda o papel dos grandes jornalistas que os idealizaram e comandaram, respectivamente Thomaz Mazzoni e Mario Filho.
Modernização do esporte
Em meados dos anos 90, esses dois jornais agonizavam, e as perspectivas de modernização do esporte brasileiro -especialmente do futebol, com o fim da “lei do passe” e a promessa de transformação dos clubes em empresas- suscitaram no empresário carioca Walter de Mattos, visto como um “outsider” no mundo da imprensa, o projeto de criar um novo diário esportivo.
A ideia era fazer um jornal moderno, leve e dinâmico que atingisse prioritariamente os jovens de classe média, para os quais se abria todo um novo mercado de consumo ligado ao esporte. Daí surge uma das marcas do jornal: a linguagem quase infantilizada, próxima das histórias em quadrinhos.
O núcleo do livro de Stycer descreve e discute os percalços da colocação desse projeto em prática. O balanço que ele faz da experiência é positivo, apesar dos erros e tropeços.
“O “Lance!” é um dos dez maiores jornais do país, e chegou a circular com 280 mil exemplares, no dia posterior à conquista da Copa do Mundo de 2002″, afirma o autor, que trabalhou na Folha, em “O Estado de S. Paulo” e nas revistas “Época” e “Carta Capital”, entre outras publicações, e hoje é repórter especial do portal iG. O problema central levantado pelo livro continua em aberto: “É possível fazer jornalismo esportivo crítico e independente no Brasil?” A partir de agora, quem quiser ajuda para responder a essa pergunta pode ler “A História do “Lance!’”.
O texto pode ser lido aqui (assinantes do jornal).
Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: Folha de S.Paulo, História do Lance!, Ilustrada, José Geraldo Couto, Mario Filho, outsider, Thomaz Mazzoni, Walter de Mattos Jr.O recém-lançado História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo, de Mauricio Stycer (editora Alameda), contém muito mais que o seu título modesto dá a entender. É, ao mesmo tempo, útil para quem quer conhecer a história de um jornal, a do jornalismo esportivo e até mesmo da imprensa no Brasil em geral.
Fruto da dissertação de mestrado do autor no curso de Sociologia da Universidade de São Paulo, o livro não tem nem um pingo do ranço acadêmico que prejudica quase todos os trabalhos universitários sobre futebol. Não surpreende, uma vez que Stycer é jornalista, com passagem pelo próprio Lance, em seu primeiro ano de vida, entre outros grandes veículos (Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ÉPOCA, CartaCapital). (Full disclosure: o autor deste post foi colega de Stycer no Lance entre 1997 e 1998).
Não é apenas pelo estilo sem firulas de Stycer que o livro é agradável. O que ele tem de sobra, e costuma faltar a obras que abordam o jornalismo brasileiro contemporâneo, é franqueza. O autor traça, sobretudo, um perfil sincero do criador do Lance, o empresário carioca Walter de Mattos Jr., ainda hoje dono do jornal.
Mattos Jr. foi entrevistado por Stycer, colaborou com informações (ainda que não tenha esclarecido alguns pontos obscuros, como o processo de obtenção do capital inicial para a montagem do jornal), e não interferiu em nenhum momento no conteúdo do livro. O resultado é uma “biografia não-autorizada” do Lance que retrata o jornal exatamente como ele foi e ainda é: uma aventura iniciada em 1997 (”Esse cara é um aventureiro”, disse-me, sobre Mattos, meu chefe anterior quando lhe comuniquei a intenção de mudar de emprego) que, contra todas as probabilidades, deu certo, resultando num jornal que, se ainda hoje é cheio de defeitos, preencheu um nicho na imprensa que era então mal ocupado pelos decadentes Gazeta Esportiva (que extinguiu sua edição impressa em 2001) e Jornal dos Sports (que sobrevive).
Tendo também trabalhado com Mattos Jr., conheci suas qualidades e seus defeitos, muitos deles retratados com precisão no livro. No evento de lançamento, em São Paulo, muito se comentou sobre um episódio do livro, relatado por mim a Stycer, em que testemunhei o dono do jornal alterando (para baixo) a nota do jornal para uma atuação ruim de Athirson, do Flamengo (Mattos Jr. é flamenguista doente). Esse incidente anedótico ilustra bem o conflito entre a modernidade apregoada pelo Lance, como paradigma de jornalismo esportivo moderno que sempre quis ser, e a persistência de arcaísmos como a influência pessoal do acionista em um detalhe banal do conteúdo editorial. É esse tipo de conflito, e os problemas que ele gera, que Stycer tão bem aborda em seu livro. Para estudantes de comunicação ou qualquer interessado no mundo do jornalismo esportivo, História do Lance! é, ao lado de Os Donos do Espetáculo – história da imprensa esportiva no Brasil, de André Ribeiro (editora Terceiro Nome, 2007) – leitura recomendada.
André Fontenelle
O texto também pode ser lido aqui.
Fui entrevistado no programa “Fanáticos por Futebol”, comandado pelo jornalista Marcelo Duarte. A conversa foi ao ar na segunda-feira, 11 de maio. Foi uma oportunidade muito legal de falar do livro, discutir sobre jornalismo esportivo, e contar histórias – algumas delas muito engraçadas. O link para a entrevista, em arquivo mp3, está aqui.
Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: Fanáticos por Futebol, Marcelo Duarte, rádio Bandeirantes