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Arquivo de maio, 2009

29/05/2009 - 00:02

Rodrigo Rodrigues, Vitrine, TV Cultura, 23 de maio

O Vitrine, da TV Cultura, exibiu no último sábado, 23 de maio, uma entrevista feita pelo flamenguista Rodrigo Rodrigues, apresentador do programa, com o autor deste livro. A conversa, muito legal e descontraída, foi no bar São Cristovão, na Vila Madalena, em São Paulo – um reduto para quem gosta de futebol. O link aqui colocado leva a uma página com a descrição das reportagens exibidas no programa. A entrevista é a sexta matéria.

Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: , , , , ,
28/05/2009 - 10:40

Juca Kfouri, Folha de S.Paulo, 28 de maio

Olho no “Lance!”
Com o direito adquirido por ter escrito a quarta capa do livro de Maurício Stycer sobre a história do diário “Lance!”, reforço a dica dada ontem na “Ilustrada” pelo companheiro José Geraldo Couto e faço um reparo: Walter de Mattos Junior, seu editor, de “outsider” da imprensa não tem nem teve nada.

Antes de lançar o diário, com todo o risco de suas economias pessoais e contra a opinião de muitos, deste colunista inclusive, ele tinha sido o maior responsável pela formidável reforma do jornal “O Dia”, no Rio.

A coluna pode ser lida na íntegra aqui (somente assinantes).

Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: , , , , ,
27/05/2009 - 08:47

José Geraldo Couto, Folha de S.Paulo, 27 de maio

Livro conta história do “Lance!” e analisa a imprensa esportiva

Jornalista Maurício Stycer descreve percalços da publicação, onde trabalhou

JOSÉ GERALDO COUTO
COLUNISTA DA FOLHA

Em 1997, um jovem empresário, um grupo de investidores e uma equipe de jornalistas -que mesclava um punhado de veteranos e uma legião de novatos- criaram um jornal diário de esportes, algo que não ocorria no Brasil desde os anos 30. Surgia assim o “Lance!”.

Testemunha e partícipe da experiência, o jornalista Mauricio Stycer, 47, primeiro editor-executivo do jornal, percebeu logo que ela lançava luz, simultaneamente, sobre a história da imprensa e sobre a história do esporte no país.

Ele fez do estudo do “Lance!” a sua dissertação de mestrado em ciências sociais na USP. O trabalho é lançado agora como livro, “História do “Lance!” – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo”.

A inserção da pesquisa na área de sociologia não é casual. “A prática do esporte no Brasil realça problemas fundamentais, ligados à histórica desigualdade social, à má formação educacional, ao patrimonialismo arraigado, ao mau hábito de transformar a coisa pública em bem privado etc.”, diz Stycer.

O livro procura mostrar, em sua primeira parte, como a imprensa brasileira, em particular a esportiva, refletiu e refratou historicamente essas questões.

Ao historiar os dois principais jornais esportivos do país -a “Gazeta Esportiva”, de São Paulo, e o “Jornal dos Sports”, do Rio-, Stycer destaca ainda o papel dos grandes jornalistas que os idealizaram e comandaram, respectivamente Thomaz Mazzoni e Mario Filho.

Modernização do esporte
Em meados dos anos 90, esses dois jornais agonizavam, e as perspectivas de modernização do esporte brasileiro -especialmente do futebol, com o fim da “lei do passe” e a promessa de transformação dos clubes em empresas- suscitaram no empresário carioca Walter de Mattos, visto como um “outsider” no mundo da imprensa, o projeto de criar um novo diário esportivo.

A ideia era fazer um jornal moderno, leve e dinâmico que atingisse prioritariamente os jovens de classe média, para os quais se abria todo um novo mercado de consumo ligado ao esporte. Daí surge uma das marcas do jornal: a linguagem quase infantilizada, próxima das histórias em quadrinhos.

O núcleo do livro de Stycer descreve e discute os percalços da colocação desse projeto em prática. O balanço que ele faz da experiência é positivo, apesar dos erros e tropeços.

“O “Lance!” é um dos dez maiores jornais do país, e chegou a circular com 280 mil exemplares, no dia posterior à conquista da Copa do Mundo de 2002″, afirma o autor, que trabalhou na Folha, em “O Estado de S. Paulo” e nas revistas “Época” e “Carta Capital”, entre outras publicações, e hoje é repórter especial do portal iG. O problema central levantado pelo livro continua em aberto: “É possível fazer jornalismo esportivo crítico e independente no Brasil?” A partir de agora, quem quiser ajuda para responder a essa pergunta pode ler “A História do “Lance!’”.


A HISTÓRIA DO LANCE PROJETO E PRÁTICA DO JORNALISMO ESPORTIVO
Autor: Mauricio Stycer
Editora: Alameda
Quanto: R$ 46 (320 págs.)

O texto pode ser lido aqui (assinantes do jornal).

Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: , , , , , , ,
21/05/2009 - 17:35

André Fontenelle, Época, blog Mata-Mata, 21 de maio

Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: , , ,
15/05/2009 - 18:18

Entrevista a Marcelo Duarte, Rádio Bandeirantes, 11 de maio

Fui entrevistado no programa “Fanáticos por Futebol”, comandado pelo jornalista Marcelo Duarte. A conversa foi ao ar na segunda-feira, 11 de maio. Foi uma oportunidade muito legal de falar do livro, discutir sobre jornalismo esportivo, e contar histórias – algumas delas muito engraçadas. O link para a entrevista, em arquivo mp3, está aqui

Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: , ,
11/05/2009 - 17:41

Ugo Giorgetti, O Estado de S.Paulo, 10 de maio de 2009

Reencontro saboroso

Ugo Giorgetti

Quando o jornal esportivo Lance! foi lançado, em 1997, o segundo posto na hierarquia do jornal em São Paulo foi ocupado por alguém que não vinha da crônica esportiva, mas por um jornalista que tinha se dedicado até aquela data ao jornalismo cultural e de costumes. Durante os sete primeiros meses de vida do novo jornal, Mauricio Stycer viveu intensamente sua nova experiência profissional. A aventura do lançamento de um jornal diário, dedicado inteiramente a esportes, lhe pareceu tão fascinante que começou a guardar memorandos, cartas, bilhetes, relatórios de reuniões, enfim, toda sorte de materiais que pudessem contar um pouco do que acontecia no dia a dia das batalhas travadas para a implantação e consolidação do jornal. Era como um diário de guerra, errático, talvez desconexo, muitas vezes feito no calor do tiroteio.

Mauricio Stycer, ao deixar o jornal, levou consigo todo esse material. Desde o início tinha um propósito, evidentemente. Só não sei se, à época, esse propósito já se delineava claramente em todas as suas dimensões, pois o que eram só lembretes e notas que poderiam ser apenas o curioso relato das primeiras vicissitudes de uma publicação, foi lentamente mudando de forma no correr dos anos para se transformar num belíssimo livro, não mais unicamente sobre as origens do Lance!, mas sobre toda a imprensa esportiva do Brasil.

O Lance! está lá, é claro. Mas, para chegar até ele, Stycer sentiu que era necessário estudar e examinar tudo que o precedeu, porque nenhuma publicação surge solitária, desligada do mundo anterior, ao contrário, ela é sempre fruto e consequência. Para falar do Lance! é preciso falar da Gazeta Esportiva e do Jornal dos Sports. Para falar dessas duas publicações esportivas é preciso falar da imprensa em geral, e, para falar da imprensa, é preciso falar do Brasil. É isso que foi feito em “História do Lance – projeto e prática do jornalismo esportivo”, que acaba de ser lançado. Quem ler esse livro vai inevitavelmente se encontrar com o país, pois o que acontece no futebol acontece na sociedade e a maneira como, no decorrer do tempo, a imprensa interpreta o fenômeno do futebol é reveladora de como ela se coloca diante do resto da realidade brasileira.

Uma das constatações mais importantes do livro é a de que, embora mude, a sociedade muda pouco. Por trás das aparências ainda há muitas semelhanças de procedimento entre o Lance de 1997 e o Jornal dos Sports de 1931.

É muito difícil e arriscado resumir um livro e espero não ter cometido nenhuma injustiça contra esse brilhante trabalho de Mauricio Stycer. O melhor seria me limitar a constatar obviedades como, por exemplo, a qualidade literária. Porque um livro tem que ser lido antes de tudo por prazer, e foi com essa sensação que atravessei as páginas de “História do Lance – projeto e prática do jornalismo esportivo”. Cheio de rápidos e bem relatados perfis o livro é um desfile de personalidades da imprensa brasileira e não só da esportiva. Para mim foi particularmente saboroso reencontrar Tomáz Mazzoni, o Olimpicus, da Gazeta Esportiva. Eu o lia nos anos 1960 um pouco distraidamente. E, confesso, me parecia mais folclórico do que importante. Estava redondamente enganado. Restaurar a antiga importância e o lugar no mundo de alguns soterrados e esquecidos personagens é apenas um dos méritos desse belo livro.

Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: , , , , , ,
08/05/2009 - 15:09

Blog do autor, 6 de maio de 2009

“História do Lance!”: lançamento nesta quarta-feira

Será lançado nesta quarta-feira, em São Paulo, o livro “História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo”, no qual descrevo o processo de criação daquele que se tornou o maior diário de esportes do país. O livro, editado com esmero pela Alameda Editorial, é um desdobramento da dissertação de mestrado que defendi em 2007 na FFLCH-USP.

Como observou Gian Oddi, na excelente resenha que escreveu no iG Esporte, Livro revela história do diário Lance! e discute o jornalismo esportivo no Brasil, “embora o texto tenha profundidade acadêmica, as deliciosas histórias colhidas pelo autor, sejam elas fruto da própria experiência no Lance! ou da pesquisa sobre o futebol e a imprensa esportiva no Brasil, dão ao estudo um caráter jornalístico que acaba por tornar a leitura do livro muito saborosa”.

Em entrevista à jornalista Ana Paula Sousa, publicada em seu blog, Futebol e jornalismo: uma relação muito delicada, eu detalho alguns aspectos do trabalho, em particular a recorrência, ao longo de 110 anos, de alguns mesmo problemas e vícios do jornalismo esportivo, como bairrismo, sensacionalismo e suspeitas de corrupção.

Aproveito este post para convidar os leitores para o lançamento, no bar Canto Madalena (rua Medeiros de Albuquerque, 471, Vila Madalena, a partir das 19hs) e informar que o livro será lançado no Rio de Janeiro, no próximo dia 13 de maio.

Também aproveito para agradecer de público aos muitos sites, blogs, revistas e jornais que trouxeram notícias, nos últimos dias, sobre este lançamento. Em particular, meu agradecimento ao iG, à CartaCapital,  ao blog de Mauricio Noriega, ao blog do Menon, à coluna de Mônica Bergamo, na “Folha”, ao blog do Juca Kfouri, ao Terra Magazine, de Bob Fernandes, ao Caio Maia, da revista “Trivela”, ao Ubiratan Leal, do “Balípodo”, Observatório da Imprensa, Jornalistas & Cia e Comunique-se

Enviado por: Mauricio Stycer – Categoria(s): Cultura, jornalismo

Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: , , ,
08/05/2009 - 14:59

Entrevista a Ana Paula Sousa, Terra, blog Babel, 6 de maio

Futebol e jornalismo: uma relação muito delicada

ana paula sousa às 8:09

O livro História do Lance! – projeto e prática do jornalismo esportivo (Editora Alameda), que será lançado hoje à noite em São Paulo, no bar Canto Madalena, é um bem-vindo encontro entre o jornalismo e a academia.

Nascido de uma tese de mestrado defendida na Sociologia da USP, o trabalho de Mauricio Stycer é, a um só tempo, retrato da prática cotidiana de um jornalista e análise aprofundada da mídia e do esporte.

Nascido em 1997, a partir da retórica da “modernização”, tanto da imprensa quanto do futebol, o Lance!, fundado por Walter de Mattos Jr., tornou-se, em poucos meses, o mais popular jornal esportivo do País.

Stycer, que trabalhou em veículos como O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, CartaCapital, e hoje é repórter especial do iG, esteve à frente da primeira equipe do Lance!.

Desde o início, farejou que vivenciava uma história que mereceria, um dia, ser contada.

Nesta conversa, Stycer fala um pouco sobre o livro e sobre a delicada – e não raro conturbada – relação entre o futebol e o jornalismo no Brasil.

Você, para contar a história do Lance!, conta a história do jornalismo esportivo no Brasil. Que vícios ou problemas éticos existiam então e perduram?

Eu resgatei, no trabalho, o papel do Thomaz Mazzoni, diretor de redação e colunista da Gazeta Esportiva. No início da carreira, ele tem uma atuação muito combativa contra o que chamava de “clubismo”.

Ele aponta, em 1930, problemas que ainda existem. Ele fala do sensacionalismo e dá o exemplo de um jornalista que falou oi para um jogador e, no dia seguinte, publicou uma entrevista com esse jogador, ou seja, inventou a matéria.

Ele fala também do bairrismo e diz que a imprensa é responsável por fomentar a rivalidade que acaba se refletindo nas brigas de torcidas e na briga entra os jogadores.

Nesse sentido, a imprensa estimularia a violência no futebol?

Mais a rivalidade exacerbada do que a violência. Há uma tendência a forçar os personagens do mundo esportivo a provocarem o adversário. Esses problemas, de alguma maneira, vão prosseguir até hoje, com novas faces.

Na década de 1970, trato do João Saldanha. Ele fala coisas semelhantes às que Mazzoni falou e denuncia corrupção entre os jornalistas. Ele fala, claramente, que há jornalistas que recebem dinheiro de dirigentes esportivos

O Mazzoni também reclamava do “choro” do jornalista que não se conforma com o resultado e tenta inventar desculpas.

O Saldanha fala a mesma coisa. Quando ele está cobrindo a Copa de 66 e o Brasil perde, ele fala: O Brasil perdeu porque a Inglaterra ganhou. Isso vem desde a década de 1930 e continua. Os outros nunca ganham, tem sempre uma desculpa para o Brasil ter perdido.

Há também conflitos de interesses, não?

O Saldanha relata que, ao voltar ao jornalismo depois de ter sido técnico da seleção, recebeu oferta de suborno para tentar influenciar na escolha de uma cidade para sediar um jogo da seleção brasileira. É um ambiente complicado.

Chegamos à década de 1990 com esses mesmos problemas agora renovados, ligados à grande confusão que reina no futebol, com a mistura de negócios, mídia e publicidade. Mostro isso através do trabalho do Juca Kfouri.

O Juca é um dos que vai dar visibilidade a um caso emblemático da década: a história de uma equipe de jornalistas que tinha de alguma maneira negócios na compra e venda de jogadores. A cobertura de determinados jogos e jogadores tinha mais destaque que outros em função dos interesses dos jornalistas.

O Juca também se tornou uma espécie de porta-voz da denúncia contra os jornalistas que fazem publicidade, algo que tomou uma proporção muito grande e que, no jornalismo esportivo, ficou muito visível.

Por que você resolveu contar a história do Lance!?

Quando aceitei o convite para trabalhar lá, me dei conta de que não se fazia um jornal do tamanho do Lance!, no Brasil, há quase 20 anos. O último jornal importante lançado no País tinha sido o Jornal da República, do Mino Carta, que é de 1979. O Lance! é de 1997. Isso, de cara, me indicou que se tratava de algo novo.

Esse é um ponto inicial. Outro dado é que o Lance! propunha uma renovação no jornalismo esportivo de um modo geral. Isso me chamou a atenção e, então, comecei a olhar o jornal com o olho do jornalista que ali trabalha, mas também com o olho de alguém que pensava: “Isto pode dar um estudo um dia”. Guardei muito material.

Quando, alguns anos depois, comecei a fazer mestrado e aprofundei a investigação, fui adquirindo um olhar bem mais crítico e, de certa maneira, distanciado. Acho que o livro traz esse olhar que é, ao mesmo tempo, de reverência ao um projeto que considero ousado, corajoso, mas que não deixa de apontar dificuldades e problemas do jornal.

E é importante dizer que essa é uma história do Lance!, tal como eu a vivi e interpretei. Há outras histórias possíveis do jornal.

Mas seu livro acaba sendo também a história do jornalismo esportivo…

A primeira, e talvez óbvia, questão que meu orientador colocou foi: que lugar o Lance! ocupa no jornalismo esportivo. Isso me obrigou a fazer outra pesquisa. Fui pesquisar jornalismo esportivo desde 1900, tentar entender como se desenvolveu, em resposta a que que surgiu, que tipo de problema enfrentou…

Como começa o jornalismo esportivo? Ele já nasce voltado para o torcedor?

O futebol surge no Brasil no final do século XIX, trazido por filhos de imigrantes ingleses. Em 1900, já há uma imprensa reportando esse esporte da elite. Nos primeiros dez, 15 anos do jornalismo esportivo temos uma imprensa de elite tratando de um esporte de elite.

O futebol, desde a origem, tem um apelo popular muito forte. A grande questão da época era: pobre e analfabeto podem receber para jogar futebol? A imprensa faz coro contra a participação do “povo”no futebol.

Num segundo momento, surge a questão dos imigrantes no futebol, com o Palmeiras, em São Paulo, e o Vasco, no Rio. A imprensa não reclama abertamente do fato dos times serem formados por imigrantes, mas surge, claramente, um preconceito novo contre esses times bem sucedidos.

Na década de 1930 surgem o Jornal dos Sports e a Gazeta Esportiva. A essa altura, o futebol já é super popular. Os dois estabelecem uma relação muito forte com o torcedor e serão os dois principais jornais esportivos do país por mais de 50 anos.

Como se dá, historicamente, a relação dos jornais com os clubes? São comuns os casos de proteção, de negociações?

Descobri, fazendo a pesquisa, que o Mário Filho comprou o Jornal dos Sports com a ajuda de três sócios: Roberto Marinho e os presidentes do Flamengo e do Fluminense. E nunca se questionou a isenção do jornal.

Tanto a Gazeta Esportiva quanto o Jornal dos Sportes se baseavam, principalmente, na relação com o torcedor. Eles criam campeonatos, inventam apelidos para jogadores, times e clássicos. Toda a mitologia em torno do futebol é gerada na imprensa esportiva já na década de 1930.

No caso do Lance!, o que te pareceu mais complicado no projeto quando você chegou?

Para a geração de jornalistas experientes que liderou a implantação do projeto, o que ele teve de difícil, no início, porque contrariava a formação desse grupo de jornalistas, é o fato de ser um “jornal pra cima”, que valoriza a emoção, de preferência a vitória.

Nessa ligação com o torcedor, ele se afasta muito dos princípios aos quais essa turma estava acostumada, que era uma coisa mais fria, mais objetiva.

Quando o time perde, o Lance! pode sair com uma manchete do tipo “De Cabeça Erguida”.

É um pouco a idéia de que não existe objetividade no jornalismo esportivo?

O esporte mexe basicamente com a emoção e o jornalismo esportivo acompanha isso. Você não vai, racionalmente, convencer o torcedor do Santos de que o Santos jogou pior que o Corinthians

A notícias inventadas continuam existindo?

O que eu percebo é que, no jornalismo esportivo, as fontes são menos qualificadas que em outras áreas do jornalismo. A facilidade de manipular informações é muito maior.

Apesar de o futebol ter virado um negócio importante, que movimenta muito dinheiro, as fontes que alimentam isso não me parecem tão sérias quanto as que atuam no jornalismo econômico, por exemplo. Como eu digo o tempo todo, é uma “modernização” entre aspas.

E a qualificação dos jornalistas?

O jornalismo esportivo é a porta de entrada de um grande número de jovens no mercado de trabalho, 90% deles homens.

É uma área em que os profissionais, na média, ganham menos, e que raramente são promovidos para cargos de chefia e direção em outras seções do jornal. Eu o descrevo como um sub-campo do jornalismo de menor prestígio.

Quem é o leitor do Lance!?

O Lance! buscou um leitor novo, que era um jovem de classe média. O jornal nasce no contexto da profissionalização do futebol, do marketing, e fazia sentido buscar um leitor com mais qualificação social.

Mas ele agradou também ao leitor de classe C e D. Em poucos meses, se tornou o diário esportivo mais popular do País.

De vez em quando, você escreve sobre futebol. Quais os dilemas do torcedor?

Como eu torço por um time do Rio, que é o Botafogo, e trabalho em São Paulo, isso facilita muito. Não sei como enfrentaria isso na pele.

No Lance!, a gente fazia questão de escalar, para a cobertura, os torcedores do time. Mas, nos grandes jornais, a isenção do repórter é a regra.

A entrevista também pode ser lida aqui

Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: , , ,
08/05/2009 - 14:53

Gian Oddi, iG Esporte, 6 de maio de 2009

06/05/200910:10

Livro revela história do diário Lance! e discute o jornalismo esportivo no Brasil
Ampla pesquisa do jornalista Maurício Stycer, a obra traz saborosas histórias sobre os bastidores da imprensa esportiva brasileira

Por Gian Oddi, do iG Esporte


SÃO PAULO – “História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo”, livro que o jornalista Maurício Stycer lança nesta quarta-feira pela editora Alameda, é bem mais do que o relato e a cronologia do surgimento daquele que é hoje o maior diário esportivo da América Latina – embora, convenhamos, isso já não fosse pouco.
Para narrar o nascimento, o crescimento e a consolidação do jornal Lance! – do qual participou como editor-executivo em sua primeira equipe, formada em 1997 –, Stycer vai além e conta, também, a história da imprensa esportiva (e não só) brasileira, desde o início do século 20, passando por Mário Filho e chegando aos dias atuais.
Compreende-se: o livro de Stycer, repórter especial e dono de um blog no iG, é resultado de uma tese de mestrado em Sociologia que exigiu do autor um intenso trabalho de pesquisa. Foram mais de 80 livros, teses ou ensaios pesquisados, 20 entrevistas, além de inúmeras consultas a jornais, revistas, almanaques, crônicas, biografias, manuais técnicos, documentários e sites sobre o tema.
Embora o texto tenha profundidade acadêmica, as deliciosas histórias colhidas pelo autor, sejam elas fruto da própria experiência no Lance! ou da pesquisa sobre o futebol e a imprensa esportiva no Brasil, dão ao estudo um caráter jornalístico que acaba por tornar a leitura do livro muito saborosa.

Maurício inicia sua pesquisa nos fatos do começo do século passado, quando o futebol ainda era classificado por alguns como “um modismo elegante”, para relembrar e comprovar, por exemplo, uma antipatia do consagrado jornal O Estado de S.Paulo em relação ao Palestra Itália, na década de 10.

“Parcialidade, má vontade, preconceito? Independentemente do que motiva O Estado de S.Paulo no período, é evidente que a questão étnica relacionada ao Palestra não escapa ao alcance do jornal”, conclui, referindo-se às origens italianas do time – hoje, o Palmeiras.

O bairrismo, originado com os dirigentes e depois ampliado à imprensa, é outro tema recorrente na obra. Desde o capítulo dedicado às origens da imprensa esportiva, quando São Paulo e Rio lutavam pela supremacia no país, até chegar à redação do Lance!, na qual o autor exemplifica, com a publicação de uma ríspida troca de e-mails (da qual ele próprio é um dos protagonistas), um episódio da “rivalidade” entre as redações paulista e carioca do diário.

Em um jornalismo tradicionalmente “visto como menor”, as mazelas não são poucas e nem recentes. O bairrismo e a parcialidade são exemplos. A relação promíscua entre imprensa e jogadores/dirigentes é mais um e, como revela o autor, ganha “outra dimensão a partir dos anos 80, quando crescem os investimentos de marketing esportivo, os negócios de compra e venda de jogadores mobilizam um maior número de agentes e a comercialização de direitos de transmissão de jogos alcança cifras milionárias”.

Aqui também Maurício Stycer expõe um exemplo das origens do problema relembrando uma inusitada entrevista de João Saldanha ao comentar o artifício que usou para enganar os jornalistas e liberar os atletas da concentração (da qual era contra) na Copa de 1970.

“Criei um esquema: todos desciam à noite numa Kombi, deitados no chão, cobertos com uma colcha, para a imprensa moralista, a que leva grana do cartola, não dedurar. Tinha um acordo: não podia trocar de mulher na mesma semana. Uma vez o goleiro Ado falhou e tinha de cumprir a pena de suspensão por cinco dias. Ele dizia ‘…mas era um avião, seu João, um avião’. Liberei com três dias, afinal era um avião.”

O Lance! como exemplo
Para contar a história de sucesso do Lance!, Stycer também traça um perfil de seu idealizador e proprietário, Walter de Mattos Jr., que classifica como uma “figura fascinante, corajosa, mas não tão inovadora quanto pretende fazer crer”, e o compara com os perfis de outros importantes homens de imprensa como Cásper Líbero, Thomaz Mazzoni e Mário Filho.

Traz à baila, assim, a discussão de temas determinantes para se compreender os rumos tomados pelo jornalismo esportivo brasileiro. Como, por exemplo, a influência dos proprietários no conteúdo dos veículos, seja para seguir as linhas editoriais definidas visando o sucesso comercial ou mesmo pelo mais prosaico dos motivos, a paixão por um time — no caso de Mattos, o Flamengo.

“Uma vez eu estava na sala do Walter e vi ele ligar para a redação e pedir que baixassem a nota [para a atuação] do Athirson..Ele ligou pra redação, perguntou qual era a nota do Athirson e mandou dar 2… Fiquei muito chocado”, conta, numa passagem do livro, André Fontenelle, um dos editores executivos do Lance! na época. 

Os bastidores da negociação para conseguir acionistas, a escolha da linha editorial e a necessidade de se criar um personagem que simbolizasse o leitor padrão do diário, a conturbada relação com as Organizações Globo, os dilemas sobre um eventual auxílio do Estado, o critério para seleção de funcionários (quase sempre jovens e homens) e os bastidores das coberturas bem e mal sucedidas são outros temas que ajudam a compreender as deficiências e os méritos do panorama do jornalismo esportivo no Brasil.

Na introdução do livro, Stycer lamenta: “Sempre soube que este estudo iria pagar algum pedágio à minha formação. Trabalhei seguidamente, por 20 anos, dentro de redações de jornais e revistas. Evidente, esta experiência está entranhada no trabalho. Há cacoetes insuperáveis, incorporados como prática profissional, que talvez sejam incompatíveis com a pesquisa acadêmica”.

Pode ser. Mas talvez seja justamente esse “pedágio” que faz da leitura de seu estudo não apenas uma obrigação para profissionais e estudantes interessados no jornalismo esportivo. Mas também um prazer para quem é, simplesmente, apaixonado por notícias de esporte.

A resenha também pode ser lida aqui.

 

 

 

Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: , , ,
04/05/2009 - 14:04

Camila Alam, CartaCapital, edição 544, 2 de maio de 2009

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O texto também pode ser lido aqui.

Autor: mstycer@ig.com.br - Categoria(s): Jornalismo Tags: ,
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