
Comunidade da Gláucia Carvalho no
Trago comigo o rimado das águas
Trago, a nado, o frescor que elas têm
Trago dos ventos um bonito recado
Trago a memória de terras além
Trago a fumaça de estranhos folguedos,
Trago as cinzas de quem um dia partiu,
Trago na alma os mais loucos segredos,
Trago uns estragos de um tempo hostil…
Trago mais que tudo uma saudade imensa,
Que me faz mais intensa que tudo isto aqui.
U’a saudade de filha, uma angústia densa,
Na ânsia de volver para onde devo ir.
Trago e levo o que nasceu comigo
A mais profunda ânsia de tocar o céu,
De ter o abraço do meu maior amigo
Ao romper da matéria,
Ao rasgar do véu!
Gláucia Carvalho
8.11.2008
*****************
Solidão
Será este o meu desatino?
Chorar pelo impossível destino,
Chorar pelo que jamais ocorrerá,
Nem em milênios, nem por segundos,
Eu terei a chance de provar…
O que é ser, pertencer,
O que é ter, cuidar, zelar,
Amar jamais “eterno enquanto dure”
Amar eterno e que perdure
Muito além do que se possa supor,
Sem dúvidas de amanhãs,
Jamais interrogações de amor!
Ah! Sonhos, devaneios e eu me esqueço,
Que fui predestinada no começo,
A não ter uma pontinha desta dor,
Que por mais que doa ela é a certeza,
Do reencontro, do abraço, do laço,
Que nada desfaz!
Meu choro é este nunca maldito.
Meu choro é de nunca jamais!!
Gláucia Carvalho – 2006
**************
Eu sou muita e muitos,
Sou vácuos e vales,
E não pedi pra ser assim,
Brisa e ventania,
Eu sou um lado bom,
Mas também sou um lado ruim.
Eu sou mares e serras,
Sou luzes e trevas,
Sou tudo enxertado assim,
Sou pequena e imensa,
E tenho um imenso,
De tudo morando em mim…
Eu sou voz e silêncio,
De paz e intensos,
De calmas e turbilhões,
Sou até a alforria,
De minhas partilhas,
E assisto os meus furacões,
Eu sou cores, sou branco,
E num “black” eu me apago,
E fujo pra dentro de mim,
Eu sou assim…
Ah eu sou assim…
Sou o meu lado bom,
Mas também o meu lado ruim.
Quando Ele me vê, assim tão bipartida,
Tentando me (auto) apaziguar,
Diz com a calma de Pai:
Te amo tanto, te fiz e conheço seus mares e cais…
E eu volto a ser a menina de tranças,
Que balança nas galhas em flor,
Porque Ele não muda,
Ele nunca mudou,
Porque os lados d’Ele,
São todos Amor!
(Ele nunca some, Ele nunca sai,
Não me deixa só, Ele jamais trái,
Ele arde a vida, da qual é o autor,
Ele é a vida, Ele é o amor!
Gláucia Carvalho
26.11.2007
(um bolero)
Nós e nossas síndromes de Elias!
De olharmos nossas parcas virtudes e atitudes.
Nós que fugimos depois das vitórias,
Nos escondemos como que em ostras
Para outras vezes sermos paridos com dor!Nós que nos negamos a dizer
Ao Deus de toda a graça,
Onde estamos,
Escondidos,
Arredios,
Afoitos por morrer!
Nós que em nós mesmos procuramos,
As justificativas das fugas e de medos
Que nos assaltam nos segredos
Que guardamos de nós mesmos.
Nós, os Elias, os Joãos, as Marias,
Não estamos sós.
Não estamos alheios ao Todo-Poderoso
Que nos vê com misericórdia renovada!
A cada manhã.
A cada amanhã.
Não fui só eu quem perdeu uma irmã,
Tão pertinho uma mãe chora a dor do seu filhinho.
Aqui e ali filhos choram pelo pai ou mãe que partiu!
Não fui só eu quem sofreu.
Não!
Esta dor não é só minha,
O irmão de uma querida agorinha morreu.
Não,
Não estamos sós!
Não somos as únicas vítimas desta e de outras dores.
Em Cristo nos moldando nos aumentam a fé e os amores.
A misericórdia, o ombro oferecido, o choro incontido.
E braços para abraçar, simplesmente.
E dizer nada somente.
Deixar que estes encontros tristes e embargados,
Tornem-se em paz e agrados de pessoas que sabem dividir,
Carregar,
Acalmar.
Até que um dia o milagre que começou,
Quando o enlutado se abraçou com outro igual,
Seja mais forte que tudo!
Esta cura vem de Deus,
O amor vem de Deus,
Vem de Deus a consolação.
E de nós vem a plenitude de como um só corpo
Sermos mais chegados que irmãos.
Gláucia Carvalho – 21 de setembro de 2008.
(… A todos que já perderam uma pessoa próxima, meu carinho, compaixão e o desejo do Consolador nas suas vidas …)
Nosso canto…
O que Deus faz aqui no nosso canto…
O que nos faz voltar enquanto,
Ainda não é tarde demais,
Ainda é cedo e jamais,
Se pensa que tudo partiu…O que Deus faz aqui no nosso canto,
Enquanto se pensa que tudo é pranto,
Que tudo é nada e nada é tudo,
Quando até o silêncio fica mudo,
Num vazio ensurdecedor!
Quando a luz e escuro trazem negror,
É aí que Deus canta em nosso canto…
É aí que aparecem seus encantos!
Em cantos da alma, do corpo, da casa!
É aí que nossos sonhos criam asas,
E voam para os planos do Criador!Quando Deus melodia o nosso canto,
Toda música é tão pequena e efêmera…
Porque o canto de Deus em nosso canto,
É a paz do Pai no nosso pranto,
É a graça daquele que é Santo,
Fazendo limpo,lindo e puro nosso canto!
Gláucia Carvalho
5.6.2006
Morrer é preciso
Morrer é preciso!
Morrer eu preciso!
Tão preciso quanto o tempo
Que o Criador que manda em tudo e que disse:
-Haja sol, haja luz,
Haja estrelas, haja lua,
Fez que o dia desse à luz ao sol,
Mas que a noite tivesse lua só sua.
é PRECISO morrer.
Vão-se os dias.
Não se manda no próximo segundo,
é imprecioso o morrer não entendem?
é o fato mais certo no mundo!
é imprescindível morrer o eu agora,
Pra que nasça nova vida e jamais afora,
Haverá explicação pra tanta vida que aflora,
Numa vida que nasceu morta e morrendo decidiu viver!
(que paradoxo lindo!)
Pois como precisamente ao dia Deus deu um “trisco” de sua luz,
Para nós Ele fez infinita graça em nos doar seu único Filho,
Num abate, em nosso resgate, Ele deu-nos Jesus!!!
Gláucia Carvalho
15-junho-2007
Manhã
A manhã com as suas fragrâncias,
Não imagina em quantas distâncias,
Me leva leve feito sua brisa,
Leva feito reprise, de coisas boas que vivi.
E agora revejo novamente,
O filme que roda na minha mente,
Dos retratos que tiraram de mim e tirei,
Até do que não fotografei,
Num canto aqui dentro tá tudo guardado,
Como cantam num canto sagrado,
Os pássaros cantadores da manhã,
Os pássaros que não se cansam bem de manhã,
Acordar-me pra lembrar-me de quem sou….
E se eu sou fruta boa, já fui semente,
Se já fui semente, também já morri,
Se já morri, renasci certamente,
Já cresci, já sofri, já ganhei e perdi…
E se canto com eles a cantiga da vida,
A que me faz “rejazida” do meu vaso de flor,
Só acredito mais leve ainda de que sigo no rumo,
Que me trás só a esperança do encontro com o amor.
Este que me ampara, me abraça, me cuida,
Me faz ser a menina dos olhos de alguém que não sei vai,
Não morre, não some, não mente, não trai,
Ele ama e ama, por ser amor tão somente,
E eu junto-me ao coro dos pássaros e recanto este canto sagrado:
As misericórdias do Senhor, duram para sempre!
Aleluia!
Gláucia Carvalho (17/11/2007)
Meu Tudo
Mesmo quando me esqueço,
Mesmo quando não me aconteço,
O Senhor está lá!
Mesmo quando adormeço,
E nem sonho, ou sonho que só desço,
Ainda assim o Senhor está lá!
Mesmo se tudo diz que é o fim,
Mesmo que as narinas não respirem,
Mesmo que eu ache que expire,
Mesmo que o abismo me evoque,
Mesmo que a morte bem suave em mim toque,
Sei que o Senhor sempre vai comigo estar!
Sei que o Senhor vai cuidar!
Sei! Eu sei! Já andei nestes vales!
Eu sei! Já naveguei nestes mares,
Já estive cega neste escuro,
Já estive presa em tantos muros,
E o Senhor sempre esteve lá!
Sei que nem altura, nem profundidade,
Nem loucura, nem vaidade,
Nem outrora, nem porvir,
Nem agora, nem o ar, nem o que nele há,
Nem a falta dele há de me separar,
Do teu grande amor que me abraçou na forma de Cruz,
Que está revelado em quem mais amo na vida,
Em meu tudo, em meu Santo Cristo Jesus!
Amém, amém e amém!!!
Gláucia Carvalho
4.01.2008
Não troco Jesus por NADA
“Se eu pudesse escolher, entre a morte e o viver,
E se o lucro me fosse a Tua face ver…
Não pensava nem uma vez,
Eu diria sem “talvez”,
Quero ir, quero estar com Jesus!Se eu tivesse nas mãos, a menção da opção,
De alguns homens gentis,
De paixões tão febris, de promessas e juras eternas,
Eu juro! Jamais trocaria, nada se igualaria,
Ao lugar que tens Jesus em meu coração….!
Pois entrastes tão manso e calmo em mim,
Transformou guerra em paz, trevas em luzeiro,
Cheiro de morte, em jardim,
Pois só tu És o HOMEM que me dás de beber,
A água da vida, da fonte mais pura,
Que dura e perdura na eternidade do meu ser,
Que só é assim, se em Ti, eu viver…!