29/07/2009 - 14:12
Aos 33 anos, o argentino Juan Pablo Sorín, ídolo do Cruzeiro, decidiu ontem, encerrar a sua carreira no futebol. Depois de uma reunião com a diretoria, no qual rescindiu o seu contrato, ele concedeu uma entrevista com lágrimas nos olhos e fez o anúncio mais duro de sua vida.
A decisão foi motivada principalmente pelas seguidas contusões que o atrapalharam nessa nova passagem pelo Cruzeiro e também pela falta de oportunidades com o técnico Adílson Batista. Ter ficado fora do último clássico com o Atlético, pelo Campeonato Brasileiro, e da final da Copa Libertadores, contra o Estudiantes, foram a gota d’água.

Sorín se emocionou em vários momentos da entrevista
”A decisão não tem a ver com cabeça quente. Venho pensando em parar há um tempo, desde a lesão que tive antes do jogo com Universidad de Chile. Vim para ganhar a Libertadores, mas jogando. E depois daquele jogo fiquei muito chateado. Prometi lutar até o fim. Voltei, machuquei de novo contra o Palmeiras. Batalhei muito, trabalhei muito e cheguei bem para o clássico, para a final da Libertadores. Mas não tive espaço”, lamentou.
No momento, Sorín se via em condições de ajudar o Cruzeiro no Brasileirão. Mas a falta de oportunidades fez com que ele adiantasse o fim de sua trajetória no esporte. “Cheguei bem para a final da Copa Libertadores, estava à disposição. Estava esperando a minha chance, não chegou, não tive espaço. Mas não vou ficar criticando ninguém”, disse, referindo-se a Adílson.
O ídolo cruzeirense admitiu que não se sentia confortável no clube sem jogar e recebendo salários. “Trabalhei muito, caí, levantei, tive muitas lesões, superei a mais importante que foi a do joelho. Tive lesões musculares que não eram importantes, mas não tive a sequência que queria. Fiz seis jogos em seis meses e não estou orgulhoso desses números. Abri mão de tudo para vir, para encerrar a carreira aqui, até do lado econômico, o contrato, os direitos federativos. Eu não me senti bem em ficar aqui cobrando o dinheiro”.
Apesar dessa frustração, Sorín lembrou que deixa o esporte como vitorioso. “Foi uma carreira muito bonita, muita gostosa, curti muito. Fui capitão da seleção, disputei duas Copas do Mundo, fui campeão mundial sub-20. Tentei dar sempre o melhor de mim, me entregar. Vivi momentos incríveis com essa camisa (do Cruzeiro), com a da Argentina, do River, Argentinos Juniors, Villarreal, Paris Saint-Germain. A carreira foi muito rápida, bonita, mas chegou o momento”.
Sorín interrompeu a entrevista durante vários momentos. A voz embargada o impedia de prosseguir. Ele também chorou ao falar do amor pelo Cruzeiro, pelos cruzeirenses e por Minas. ”Agradeço primeiramente ao Cruzeiro, ao pessoal na rua, à torcida maravilhosa pela paixão, pelo carinho, pela força, pela energia. Sou cruzeirense já. Vou ficar aqui com minha família. Quero agradecer os amigos de BH, que tiveram muito a ver com a nossa volta, gente que vamos amar para o resto da vida”, declarou-se.
Juan Pablo Sorín demonstrou ainda muita gratidão a todos do Cruzeiro, do presidente Zezé Perrella, que apostou em sua volta, até os funcionários mais humildes. “O presidente abriu as portas para a minha recuperação e hoje posso sair treinando bem. Superei essas lesões, esse momento, e poderia estar jogando tranqüilamente. Vou abrir as portas para o futuro. Mas a minha ligação com o Cruzeiro vai ser eterna. Obrigado também ao departamento médico e esse grupo maravilhoso de jogadores. Confio no grupo”.
”Saio não como eu sonhava, com uma sequência de jogos para ir ao Mundial, que era minha ambição, mas saio como entrei, deixando coração sempre. A minha palavra é sempre verdade”, concluiu Sorín, autor de 18 gols em 126 jogos pelo clube. Em três passagens, ele conquistou quatro títulos.
Nome: Juan Pablo Sorín
Nascimento: 05/05/1976
Naturalidade: Buenos Aires-ARG
Altura: 1.73 m
Peso: 67 kg
Jogos: 126
Gols: 18
Carreira:
Argentinos Juniors-ARG (1984-1995);
Juventus-ITA (1995-1996);
River Plate-ARG (1996-1999);
Cruzeiro (2000-2002);
Lazio-ITA (2002-2003);
Barcelona-ESP (2003);
Paris Saint-Germain-FRA (2003-2004);
Cruzeiro (2004);
Villarreal-ESP (2004-2006);
Hamburgo-ALE (2006-2008);
Cruzeiro (2008/2009)
Estreia no Cruzeiro:
Cruzeiro 1 x 1 Juventude, em 12/2/2000, em Caxias, pela Copa Sul Minas
Títulos:
Liga dos Campeões da Europa 1995;
Libertadores da América 1996;
Torneio Apertura 1996;
Supercopa 1997;
Torneio Apertura 1997;
Torneio Clausura 1997;
Torneio Apertura 1999;
Copa do Brasil 2000;
Copa Sul Minas 2001;
Copa Sul Minas 2002;
Copa da França 2003/2004;
Campeonato Mineiro 2009
Feitos:
Bola de Prata Revista Placar 2000;
Melhor lateral-esquerdo das Américas 2000/01 (Jornal El País-URU)
Disputou as Copas do Mundo de 2002 e 2006
Seleção Argentina:
Jogos Pan-Americanos 1995;
Campeonato Mundial de Juniores 1995;
76 jogos e 12 gols
Fonte: Super Esporte
O argentino Sorín se despede, e Gilberto chega. A terça-feira foi movimentada na Toca
da Raposa II. O lateral-esquerdo foi apresentado pelo diretor de futebol do Cruzeiro, Eduardo Maluf, como reforço para o Brasileirão. Com dois anos de contrato, Gilberto se mostra confiante para ajudar o time na campanha de recuperação no Nacional. É a segunda passagem dele pelo clube. A primeira vez foi em 1998.
Autor: Daniel Felipe - Categoria(s): Esportes
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