Da esquerda para a direita. Gilberto José Muniz, Joana de Carvalho Muniz, Genison João Muniz e Adalberto Antônio Muniz.
Nunca foi fácil chegar ao diploma de seja lá o que for em matéria de formação escolar, mas nos anos 20/30, do século passado, penso que deve ter sido muito pior. Mesmo as crianças, desde logo assumiam os compromissos da casa. Minha mãe, nascida na Serra do Mendança, em Campo Grande, a escola ficava muito longe de sua casa . Aos mais velhos – como se 10/12 anos fosse velhice, competia estudar, levar, trazer, tomar e dar conta dos mais novos. Não devia ser fácil. Em casa, à essas crianças, competia ainda, tirar leite das cabras, colher ovos – de galinhas, patas e peruas; dar comida, trocar a água, lavar, limpar, trocar palhas, molhar a horta; levar comida, água, levar recados aos trabalhadores do eito no sítio da família.
Exculpada nesta situação onde as obrigações extrapolavam os direitos das pessoas, premidos pela necessidade, o primário já era muito, e por isso mesmo, a maioria atingia apenas uma parte desse stágio de formação escolar. Essa situação se perpetua através das gerações. Nos anos 50/60, a situação se afigurava bem melhor: Casa própria no centro de Campo Grande com a escola a auguns passos da residência. Não existia mais o “eito”, mas o trabalho, quase sempre emendava com a noite.
Nossos pais, preocupados com o futuro dos filhos, trabalhavam duro para oferecer escola particular, livros, cadernos e tudo de primeira, mas o que faltava aos filhos, era o ânimo para os estudos, preterido pelos trabalhos exaustivos. A supervisão deixada a cargo de empregadas, era mole de burlar. Assim, quando repetí a primeira série do curso ginasial, minha mãe analisou o boletim escolar e constatou que, pelas notas eu havia passado e que a reprovação foi por excesso de faltas. O bicho pegou. Pai e mãe descobriram que, apesar de sair de casa mais cedo, o destino, no lugar da escola era a Praia da Pedra de Guaratiba, facilitado pelo “bonde grátis para estudantes”; que era comum “faltar” aos tempos de educação física, para jogar bola no “compo da Mata da Jujuba” – na antiga Est do Joarí, atual Rua Olinda Éllis, entre o Hospital Joarí e a rua Cumaí, onde aliás resido.
A solução encontrada por minha mãe foi profícua e eficaz. Estudou nas férias, prestou exame de admissão ao ginásio, matriculando-se à noite e transferindo os filhos para junto dela. A marcação foi cerrada. Passados 7 anos ela ostentava dois diplomas: do ginasial e Técnico em Contabilidade. Também cursei T. Contabilidade e, 3 meses antes da formatura, trazia no bolso a primeira carteira de trabalho assinada pela Deloitte Plender Griftths & Co, apresentado pelo auditor Januário Álvares Pinheiro, titular da cadeira de Contabilidade Industrial”.
Nos anos 70/80 ela me honrou com a sua presença nas cerimônias de colação de grau em Ciências Contábeis e Direito, respectivamente, além de tantos outros de pós graduação e aperfeiçoamento. Do mesmo modo, de seus outros dois filhos. Sempre que aparecia uma oportunidade de avançar no conhecimento ela encorajava, dava força a cabava convencendo.
Ela falava que o estudo / instrução não ocupavam lugar, bastando trocar ou apertar o horário das outras coisas. Agora, coordenando a biblioteca que leva o seu nome, mas que ainda não tem sede, estando em minha residência todo o acervo dela e procurando dar asas às obras, ofereço pessoalmente, por e-mail, recado, mas ainda ouço esta tergiversação “não tenho tempo para ler”, como se o tempo deles fosse menor que o dos outros, se o padrão é 24h! Sempre lembro de minha mãe com o seu “aperta as outras coisas que sobra tempo para a instrução”.
O acervo já conta com 710 obras catalogadas. Apesar de eclético, há falta de obras de literatura sobre informatica – equipamentos e programas. Como minha atuação na web é pelo método do ensaio e erro, acabo errando muito até acertar. Agora mesmo sofrí para inserir a foto acima. foram várias tentativos para um acerto! Se alguém se aventurar a ler o presente texto, bem compreendê-lo e, possuindo livros, CD’s, DVD’s e outros sobre informática (ou outras matérias) e, querendo, muito apreciaríamos receber por doação estas obras. Sendo comunitária a biblioteca, o doador, sempre que precisar, terá a obra emprestada, como se continuasse a ser o possuidor dela, no máximo aguardando alguns dias pela devolução, cujo prazo é de 15 dias.
Um bom final de semana

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