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	<title>Comentários sobre: A Revolta da Chibata &#8211; Do jeito que você não sabia</title>
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	<description>destina-se a publicar os atos e fatos da biblioteca em formação, com crescimento do acervo, doação de livros, reuniões, e assuntos diversos</description>
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		<title>Por: Gilberto</title>
		<link>http://blig.ig.com.br/gilbertocidadania/2008/11/29/a-revolta-da-chibata-do-jeito-que-voce-nao-sabia/comment-page-1/#comment-11</link>
		<dc:creator>Gilberto</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2008 18:37:46 +0000</pubDate>
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		<description>DIREITOS HUMANOS - ESCRAVIDÃO - OS HORRORES DA FAZENDA MODÊLO

A propósito do tema &quot;miséria&quot;, convém a leitura do livro &quot;NO OLHO DA RUA&quot;, escrita pelo médico Marcelo Antônio da Cunha, com base nos três anos em que dirigiu àquela instituição bárbara.
Os relatos são de arrepiar os mais céticos. Mais de 450 crianças conviviam em ambiente coletivo, miserável e promíscuo, com 1500 pessoas, às vezes, 2500. Tudo que se possa imaginar de mais terrível e abominável, era comum na Fazenda Modêlo. Tráfico de drogas, estupro, que incluia a infância e idade avançada, prostituição de toda ordem e níveis de idade, enfim. Um inferno.
Nada primava pela ordem ou legalidade e, tudo, absolutamente tudo, seguia pela contra-mão  da vida.
Só a leitura pode explicitar a podridão, a miséria, o descaso das autoridades, da sociedade e por que não dizer, de nós mesmos.
Até na hora derradeira da morte os procedimentos eram especiais. Com cemitério praticamente próprio, o morto perdia o nome e, em seu lugar a descrição: &quot;cidadão&quot;, aparentando tantos anos, cor.... 
Depois de extinta aquele horror, o autor procurava os antigos abrigados e ouviu de uma delas, com orgulho, que tal ex-abrigada, morrera, MAS FOI ENTERRADA COM SEU NOME PRÓPRIO.
Na p. 265, assim se expressa o autor:  [...a F.; Modêlo, agora abrigava algumas secretarias....Certo dia, resolví ir até a fazenda. Como era dia de missa, planejei me misturar entre os fiés. Queria passar despercebido. Foi uma experiência temperada de alegrias e tristezas. Logo à entrada, pude ver um dos alojamentos, antes destinados às famílias, totalmente reformado, bem pintado e com telhado novo. Em frente a cada porta, uma cerca com gramado. Era usado agora não para alojar pessoas, e sim, animais. Lembro que naquele alojamento em especial era infinito o número de goteiras, e nunca conseguimos verba para reformar o telhado. Agora estava alí nos trinques. Não que os bichos não mereçam bom tratamento. Mas me impressionou o fato de agora haver dinheiro para esses melhoramentos. Quando era gente que morava lá, não havia........saí andando...meus sentidos se aguçaram. Não percebia mais aquele cheiro característico da fazenda. O cheiro da miséria institucionalizada, o odor do abandono, o mesmo cheiro da cadeia, do manicômio, bem característico e conhecido ......Um dia, estou certo, pesquisadores do futuro voltarão sua atenção para um lugar que existiu na ZO, destinado a esconder humanos, porque enfeiavam a Cidade do Rio de Janeiro e causava desconforto ao resto da população....]
O Dr Marcelo, através da Editora Nova Fronteira, doou o livro editado em 2008, à nossa biblioteca, que o catalogou sob o nº 00709 e encontra-se à disposição dos leitores.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>DIREITOS HUMANOS &#8211; ESCRAVIDÃO &#8211; OS HORRORES DA FAZENDA MODÊLO</p>
<p>A propósito do tema &#8220;miséria&#8221;, convém a leitura do livro &#8220;NO OLHO DA RUA&#8221;, escrita pelo médico Marcelo Antônio da Cunha, com base nos três anos em que dirigiu àquela instituição bárbara.<br />
Os relatos são de arrepiar os mais céticos. Mais de 450 crianças conviviam em ambiente coletivo, miserável e promíscuo, com 1500 pessoas, às vezes, 2500. Tudo que se possa imaginar de mais terrível e abominável, era comum na Fazenda Modêlo. Tráfico de drogas, estupro, que incluia a infância e idade avançada, prostituição de toda ordem e níveis de idade, enfim. Um inferno.<br />
Nada primava pela ordem ou legalidade e, tudo, absolutamente tudo, seguia pela contra-mão  da vida.<br />
Só a leitura pode explicitar a podridão, a miséria, o descaso das autoridades, da sociedade e por que não dizer, de nós mesmos.<br />
Até na hora derradeira da morte os procedimentos eram especiais. Com cemitério praticamente próprio, o morto perdia o nome e, em seu lugar a descrição: &#8220;cidadão&#8221;, aparentando tantos anos, cor&#8230;.<br />
Depois de extinta aquele horror, o autor procurava os antigos abrigados e ouviu de uma delas, com orgulho, que tal ex-abrigada, morrera, MAS FOI ENTERRADA COM SEU NOME PRÓPRIO.<br />
Na p. 265, assim se expressa o autor:  [...a F.; Modêlo, agora abrigava algumas secretarias....Certo dia, resolví ir até a fazenda. Como era dia de missa, planejei me misturar entre os fiés. Queria passar despercebido. Foi uma experiência temperada de alegrias e tristezas. Logo à entrada, pude ver um dos alojamentos, antes destinados às famílias, totalmente reformado, bem pintado e com telhado novo. Em frente a cada porta, uma cerca com gramado. Era usado agora não para alojar pessoas, e sim, animais. Lembro que naquele alojamento em especial era infinito o número de goteiras, e nunca conseguimos verba para reformar o telhado. Agora estava alí nos trinques. Não que os bichos não mereçam bom tratamento. Mas me impressionou o fato de agora haver dinheiro para esses melhoramentos. Quando era gente que morava lá, não havia........saí andando...meus sentidos se aguçaram. Não percebia mais aquele cheiro característico da fazenda. O cheiro da miséria institucionalizada, o odor do abandono, o mesmo cheiro da cadeia, do manicômio, bem característico e conhecido ......Um dia, estou certo, pesquisadores do futuro voltarão sua atenção para um lugar que existiu na ZO, destinado a esconder humanos, porque enfeiavam a Cidade do Rio de Janeiro e causava desconforto ao resto da população....]<br />
O Dr Marcelo, através da Editora Nova Fronteira, doou o livro editado em 2008, à nossa biblioteca, que o catalogou sob o nº 00709 e encontra-se à disposição dos leitores.</p>
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		<title>Por: Gilberto</title>
		<link>http://blig.ig.com.br/gilbertocidadania/2008/11/29/a-revolta-da-chibata-do-jeito-que-voce-nao-sabia/comment-page-1/#comment-10</link>
		<dc:creator>Gilberto</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2008 17:38:12 +0000</pubDate>
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		<description>A reescrita da história não representa, apenas uma mudança de estilo, muito pelo contrário, apresenta uma situação nova. 22 anos depois da abolição da escravatura, a marujada ainda carecia de remuneração adequada por seus serviços profissionais, alimentação decente e, principalmente, a abolição da chibata, que perseverava. 
Chegava-se a trabalhar 36 horas ininterruptas e, um vacilo, imposto pela exaustão das forças, lá pelas 30 horas de trabalhos forçados, era penalizado com tantas chibatadas - de 25 a 250! 
João Cândido e seus companheiros, acompanharam na Europa, as etapas da construção dos vazos de guerra encomendados pela Marinha Brasileira. Eles aprenderam ingles, discutiam com os engenheiros os aspectos técnicos e assim, adquiriram a capacitação para manejar aqueles modernos navios. 
Os 4 navios que assombraram o Rio de Janeiro por suas posições de guerra, buscavam o reconhecimento de direitos trabalhistas e humanitários, nada mais do que isso.
Se em 1910 já não se suportava aquelas injustiças e ilegalidades, parece mentira, mas, quase um século depois, a história ainda se mostrava ilusória, tergiversativa e por que não dizer, não verdadeira.
Só agora - nos dias de hoje - aparece o nome João Cãndido, novamente ligado a Marinha (até então figurava como se não existisse). Com a anistia em 2008, sua família também se afigurou como dependente dele, fazendo juz a uma indenização mensal, e ele próprio, homenageado com sua imagem imortalizada em obra de arte em reconhecimento à sua coragem, personalidade e bravura pela busca da efetivação dos direitos inerentes à pessoa humana.
Em 1969, enquanto vendia peixe no mercado da Praça XV, e até então esquecido por tudo e por todos, foi reconhecido e entrevistado (não dá para ler no post acima, pela má qualidade da cópia extraida da revita, mas está lá para a posteridade e veracidade da própria história)
Sobre a escravidão, ainda hoje em dia se lê muito a se age pouco. Muitos blogs apontam a escravidão nos confins do Brasil, principalmente no plantio de cana e é motivo de comentários de intelectuais, políticos, jornalistas, magistrados e nós mesmos. Ao cabo, persevera a escravidão e ponto final! Acho que falta a inclusão da figura do artista. Só eles sabem mostrar na ficção, os horrores da miséria verdadeira, pois parece que a miséria de verdade não comove.
É só para nossa reflexão.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A reescrita da história não representa, apenas uma mudança de estilo, muito pelo contrário, apresenta uma situação nova. 22 anos depois da abolição da escravatura, a marujada ainda carecia de remuneração adequada por seus serviços profissionais, alimentação decente e, principalmente, a abolição da chibata, que perseverava.<br />
Chegava-se a trabalhar 36 horas ininterruptas e, um vacilo, imposto pela exaustão das forças, lá pelas 30 horas de trabalhos forçados, era penalizado com tantas chibatadas &#8211; de 25 a 250!<br />
João Cândido e seus companheiros, acompanharam na Europa, as etapas da construção dos vazos de guerra encomendados pela Marinha Brasileira. Eles aprenderam ingles, discutiam com os engenheiros os aspectos técnicos e assim, adquiriram a capacitação para manejar aqueles modernos navios.<br />
Os 4 navios que assombraram o Rio de Janeiro por suas posições de guerra, buscavam o reconhecimento de direitos trabalhistas e humanitários, nada mais do que isso.<br />
Se em 1910 já não se suportava aquelas injustiças e ilegalidades, parece mentira, mas, quase um século depois, a história ainda se mostrava ilusória, tergiversativa e por que não dizer, não verdadeira.<br />
Só agora &#8211; nos dias de hoje &#8211; aparece o nome João Cãndido, novamente ligado a Marinha (até então figurava como se não existisse). Com a anistia em 2008, sua família também se afigurou como dependente dele, fazendo juz a uma indenização mensal, e ele próprio, homenageado com sua imagem imortalizada em obra de arte em reconhecimento à sua coragem, personalidade e bravura pela busca da efetivação dos direitos inerentes à pessoa humana.<br />
Em 1969, enquanto vendia peixe no mercado da Praça XV, e até então esquecido por tudo e por todos, foi reconhecido e entrevistado (não dá para ler no post acima, pela má qualidade da cópia extraida da revita, mas está lá para a posteridade e veracidade da própria história)<br />
Sobre a escravidão, ainda hoje em dia se lê muito a se age pouco. Muitos blogs apontam a escravidão nos confins do Brasil, principalmente no plantio de cana e é motivo de comentários de intelectuais, políticos, jornalistas, magistrados e nós mesmos. Ao cabo, persevera a escravidão e ponto final! Acho que falta a inclusão da figura do artista. Só eles sabem mostrar na ficção, os horrores da miséria verdadeira, pois parece que a miséria de verdade não comove.<br />
É só para nossa reflexão.</p>
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