Escaniei e postei essas páginas extraidas da Revista de História da Biblioteca Nacional. Temos a coleção completa desde de o primeiro número até setembro/2008.
Trata-se de material literário-histórico da mais alta importância. Sua apresentação sumária, bastante objetiva, seletiva e primorosa, condença em pequenos trechos, o teor do mérito de cada acontecimento marcante de nossa história, dando ao leitor a oportunidade de alargar os seus conhecimentos, por uma multidão de matérias, retratadas por historiadores e homens das letras do mais alto gabarito.
Os textos além de sua grandeza própria, profundidade e beleza estética-literária, indica outras obras que tratam do mesmo assunto ou com ele tem relação. Tomar por empréstimo qualquer das 36 revistas e as futuras, que certamente receberemos por doação, é de todo recomendado, tanto pelo conhecimento histórico – em muitos casos, como é a presente matéria, por incluir aspectos antes, proibidos de publicação, como pela leveza e virtuosidade endógena do material literário.
No momento 16 revistas encontram-se emprestadas e algumas esperas já constam de nossas anotações. Mãos à obra!
NOTA
As páginas postadas não apresentam a qualidade desejada, talvez por minha ignorância em assuntos informáticos, mas preferí manter a publicação para que se tenha, pelo menos uma idéia da apresentação da revista e dos enunciados em letras maiores.


















A reescrita da história não representa, apenas uma mudança de estilo, muito pelo contrário, apresenta uma situação nova. 22 anos depois da abolição da escravatura, a marujada ainda carecia de remuneração adequada por seus serviços profissionais, alimentação decente e, principalmente, a abolição da chibata, que perseverava.
Chegava-se a trabalhar 36 horas ininterruptas e, um vacilo, imposto pela exaustão das forças, lá pelas 30 horas de trabalhos forçados, era penalizado com tantas chibatadas – de 25 a 250!
João Cândido e seus companheiros, acompanharam na Europa, as etapas da construção dos vazos de guerra encomendados pela Marinha Brasileira. Eles aprenderam ingles, discutiam com os engenheiros os aspectos técnicos e assim, adquiriram a capacitação para manejar aqueles modernos navios.
Os 4 navios que assombraram o Rio de Janeiro por suas posições de guerra, buscavam o reconhecimento de direitos trabalhistas e humanitários, nada mais do que isso.
Se em 1910 já não se suportava aquelas injustiças e ilegalidades, parece mentira, mas, quase um século depois, a história ainda se mostrava ilusória, tergiversativa e por que não dizer, não verdadeira.
Só agora – nos dias de hoje – aparece o nome João Cãndido, novamente ligado a Marinha (até então figurava como se não existisse). Com a anistia em 2008, sua família também se afigurou como dependente dele, fazendo juz a uma indenização mensal, e ele próprio, homenageado com sua imagem imortalizada em obra de arte em reconhecimento à sua coragem, personalidade e bravura pela busca da efetivação dos direitos inerentes à pessoa humana.
Em 1969, enquanto vendia peixe no mercado da Praça XV, e até então esquecido por tudo e por todos, foi reconhecido e entrevistado (não dá para ler no post acima, pela má qualidade da cópia extraida da revita, mas está lá para a posteridade e veracidade da própria história)
Sobre a escravidão, ainda hoje em dia se lê muito a se age pouco. Muitos blogs apontam a escravidão nos confins do Brasil, principalmente no plantio de cana e é motivo de comentários de intelectuais, políticos, jornalistas, magistrados e nós mesmos. Ao cabo, persevera a escravidão e ponto final! Acho que falta a inclusão da figura do artista. Só eles sabem mostrar na ficção, os horrores da miséria verdadeira, pois parece que a miséria de verdade não comove.
É só para nossa reflexão.