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07/11/2009 - 22:12

Disque-lavanderia

DA CARTA CAPITAL

Gilberto Nascimento

 

O esquema de remessas ilegais que tirou do País milhões de dólares nos últimos anos deixou escapar a ponta de um gordo novelo de corrupção que agora começa a ser desenrolado. Um esquema milionário de evasão e lavagem de dinheiro veio à tona a partir de documentação obtida em uma casa de câmbio e corretora de São Paulo: a Disk Line. Promotores públicos e procuradores federais têm se debruçado sobre o farto material nos últimos meses.

São cerca de 18 mil movimentações financeiras irregulares relacionadas em um CD-ROM, com os nomes dos operadores, os beneficiários e números de contas e agências no Exterior. Estão na lista políticos, religiosos, empresários, publicitários e dirigentes e funcionários de estatais. 

Pela casa de câmbio investigada operavam doleiros conhecidos como Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho Barcelona; Dario Messer, que teria trabalhado para o ex-prefeito paulistano Paulo Maluf; João Arcanjo, conhecido como Comendador; Marco Antonio Cursini e Hélio Laniado, preso em 2005 na Eslováquia. As remessas eram feitas por meio de dólar-cabo, um sistema sem o controle do Banco Central.

As contas bancárias de brasileiros no exterior, para onde seguia o dinheiro, eram abertas em nome de empresas off-shore. O esquema é semelhante ao descoberto na CPI do Banestado, que detectou uma rede clandestina de doleiros brasileiros e uruguaios com contas mantidas na agência desse banco em Nova York. Repasses também foram feitos pelos doleiros da Disk Line por meio do escritório de lavagem de dinheiro -Beacon Hill, investigado durante a operação Farol da Colina, da Polícia Federal, em 2004. Nessa operação foram presos vários doleiros brasileiros.

Descoberta há quatro anos, a documen-tação da Disk Line não tinha a sua autenticidade comprovada. Somente agora um relatório da Assessoria de Análise e Pesquisa da Procuradoria-Geral da República, publicado no jornal Folha de S.Paulo, no dia 25 de outubro, confirmou a autenticidade de parte das remessas ilegais feitas pela Disk Line, em benefício da Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo.

Autor: gerd_klotz@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:


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