Volnei Morastoni, Operação Influenza e as Eleições de 2008
O título acima e o texto abaixo é do acadêmico de jornalismo Thiago Caminada que mantem o blog DIÁRIO DE HERMES.
Vale a pena ler pois trata de episódios recentes da história política de Itajaí , que mudaram os rumos do governo municipal, levando-nos ao que hoje aí está…
Boa leitura e tire suas próprias conclusões sem viseiras ideológicas ou político-partidárias.
DO BLOG DIÁRIO DE HERMES
POR THIAGO CAMINADA
6 07 2009
Observação
Este texto é uma análise pessoal do autor, acadêmico de jornalismo, blogueiro e estudante. Decompondo os fatos e as possibilidades, chego a uma conclusão. O cenário político redesenhado pelo autor é baseado em suposições de comportamento eleitoral e social, nada tem a ver com previsões futurísticas. Peço desculpas pelo texto gigante, mas é fruto de muito pensar.
Influenza e Iceberg
As provas que foram recolhidas pela Polícia Federal para serem usadas na Operação Influenza, deflagrada no dia 20 de junho de 2008, foram consideradas ilegais. A juíza federal Ana Cristina Kramer analisou as escutas telefônicas e as considerou impróprias. Com isso, não existe prova contra os acusados. Mas, isso não quer dizer que não houve crime.
Mesmo assim, os acusados podem se considerar aliviados. Sendo assim, Volnei Morastoni, ex-prefeito de Itajaí, também entra na lista dos aliviados com a decisão judicial. Morastoni não foi investigado, não fazia parte dos supostos esquemas no porto, mas teve seu secretariado atingido e a imagem associada aos suspeitos.
É importante destacar, também, que os delegados da Polícia Federal, Roberto Mário da Cunha Cordeiro e Airton Rogério Takada, e o juiz Paulo Afonso Sandri, responsáveis pelas investigações, foram convocados para deporem na CPI dos grampos ilegais.
As eleições de 2008
Nas eleições, a vitória de Jandir Bellini foi certeira. Todas as pesquisas de opinião apontavam para um cenário oposicionista e assim se fez. Volnei Morastoni foi derrotado, cometendo vários erros estratégicos, mas a Operação Influenza teve contribuição direta para sua derrota.
O prefeito de Itajaí tinha seu governo aprovado por mais de 50% da população. Mas a imagem de Volnei era ruim, 30% de rejeição. Como explicar? O vereador e deputado estadual Volnei José Morastoni sempre teve a imagem de fiscalizador implacável do executivo. Médico trabalhador, homem honesto. No início do ano eleitoral, o cidadão itajaiense lê nos jornais algo incompatível em relação ao petista. O grupo do prefeito Morastoni envolvido em investigações da Polícia Federal. A imagem construída durante anos de vida pública é arruinada em poucos dias. O eleitor passa a rejeitar Volnei, afinal, o eleitor julgava que sua boa imagem era apenas marketing político.
A imprensa de Itajaí teve muito o que noticiar. Fartas denúncias ao governo municipal, as manchetes estouraram em todo país. A relação entre governo e mídia, que era de grandes investimentos, caminhou, ao longo dos quatro anos, para uma guerra. Volnei Morastoni desafiou o Diarinho do Litoral. Dias antes da eleição, tentou impedir a impressão do jornal que trazia na capa a Operação Influenza, mais uma vez. Desafiou o popularesco Denísio Dolásio Baixo ao vivo em seu programa da teve Brasil Esperança. Aos poucos, toda a imprensa se uniu para desmantelar o valente Morastoni. Conclusão, carnificina eleitoral.
Espetacularização e Sociedade do Espetáculo
Agora, mais de um ano depois das Operações Influenza e Iceberg, é fácil observar que Volnei Morastoni e seu grupo político foram vítimas e não criminosos. Digo isso, porque a Polícia Federal espetaculariza as suas operações. Para mostrar eficiência exagera em algumas estratégias de ação.
Não quero dizer, que a Polícia Federal não tem direito de grampear os telefones. Pelo contrário, se houver autorização judicial, é justo e necessário esse tipo de investigação. Porém, algemou, prendeu e humilhou chefes de família e homens públicos sem necessidade. E qual o resultado dessa ação? As provas foram consideradas ilegais e sobrou apenas a desmoralização dos envolvidos e da própria investigação.
Vivemos nessa Sociedade do Espetáculo, conceito de Guy Debord que afirma que a realidade se transforma em espetáculo e o espetáculo em realidade. Ou seja, nesta sociedade onde a novela parece real e o noticiário uma mentira, muitas fezes não conseguimos diferenciar do que é verdadeiro e do que não é.
O caso mais emblemático dessa campanha foi a publicação das supostas escutas telefônicas. Áudios na internet, vídeos no You Tube traziam as conversas de Volnei Morastoni e Normélio Weber, secretário de Comunicação Social. Uns diziam ser verdade, outros imitação. Assim também ficou divulgado o vídeo de Jandir Bellini falando da barragem. Militantes vermelhos chegaram a fazer um funk com a frase; “Rompeu porque era para romper”. Real e fantasia se misturaram num grande circo.
A História responderá
É certo que os números da eleição de 2008 em Itajaí seriam diferentes. Já não se pode afirmar que Volnei Morastoni seria reeleito. Afinal, sua campanha falhou na estratégia de vincular sua imagem ao Governo Federal e Estadual. Assim também, como a campanha popular de Jandir Bellini foi muito bem arquitetada. As operações da Polícia Federal são duas variáveis nessa história.
A eleição para deputado estadual está chegando. Volnei Morastoni deve ser o candidato petista. Acredito na sua vitória para a Assembléia de Santa Catarina, mas não posso dar a proporção dessa conquista. Morastoni errou em se demonstrar vingativo e em não ter aceitado o resultado das urnas. Fidel Castro, grande líder da esquerda, deveria ter emprestado a Volnei sua grande frase: “A história me absolverá”. Talvez os estragos teriam sido menores.
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Obrigadão pelo apoio!
Demorei um pouco para discorrer sobre o assunto, mas ainda veio em tempo!