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21/12/2008 - 21:51

Líderes industriais lamentam mudança de comando no porto de Itajaí

 
 

DA COLUNA DE MOACIR PEREIRA NO SANTA

MOACIR PEREIRA -  20/12/2008

 

Prejuízos milionários

Os empresários chineses que venceram a licitação emergencial para a dragagem do Rio Itajaí-Açu prometeram iniciar os serviços cinco dias após a assinatura do contrato. O secretário Especial de Portos, Pedro Brito, o presidente Luiz Inácio da Silva, o governador Luiz Henrique e o prefeito Volnei Morastoni, a senadora Ideli Salvatti e a ministra Dilma Rousseff testemunharam o compromisso. O dia 17 de dezembro já se foi e não há nem sombra de dragas em Itajaí. A nova data termina neste domingo, 21 de dezembro. A limpeza do rio é fundamental para o reinício das operações. O Porto de Itajaí tem um faturamento superior a US$ 1 bilhão por mês. Movimenta, mensalmente, 65 mil unidades de contêineres. Em dezembro, deve cair para apenas mil unidades, em decorrência das enchentes que destruíram dois berços e dos entulhos que reduziram calado, impedindo entrada de navios.

Como os contratos das empresas exportadoras têm que ser cumpridos para não perderem clientes conquistados em vários países, cerca de 65 mil contêineres estão sendo desviados para São Francisco do Sul, Imbituba, Paranaguá e Santos.

Há outra questão igualmente grave que vem provocando prejuízos milionários às empresas. Uma resolução da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) proibindo que navios de bandeira estrangeira possam transportar mercadorias para portos nacionais. Esta resolução impõe que apenas navios nacionais possam levar cargas de Itajaí para outros portos.


Burocracia

As autoridades requereram à Antaq a suspensão dessa resolução, durante os 60 dias em que o Porto de Itajaí tivesse maior precariedade. Isto permitiria que navios menores de bandeira internacional pudessem operar, evitando que os contêineres tenham que ser transportados para outros portos. Esta demanda causou forte aumento nos preços. Para deslocar uma unidade de Itajaí a Santos custa hoje R$ 7 mil, um absurdo que inviabiliza os contratos internacionais. Enquanto não houver a dragagem total do rio e não forem reconstruídos os berços destruídos pelas enchentes, os exportadores e importadores continuarão acumulando prejuízos incalculáveis, que poderão levar a endividamentos e até a quebradeiras empresariais.

Todas estas questões foram discutidas na última reunião da Federação das Indústrias, a partir de exposição feita pelo engenheiro Marcelo Salles, uma das maiores autoridades na gestão portuária no Brasil. Falou sobre os investimentos milionários no Porto de Itajaí, os benefícios extraordinários da municipalização com o aumento real de 527% e dos projetos de reconstrução, tudo dentro da legislação, em parceria com a Secretaria Especial de Portos e com projetos ambientais inovadores.

Com trânsito internacional e experiência profissional há décadas, Marcelo Salles tem canais diretos com operadores, investidores e na Secretaria Especial de Portos. Mesmo assim, entrega o cargo no dia 31 de dezembro. Com a posse de Jandir Bellini, do PP, Antônio Aires dos Santos Júnior assumirá a Diretoria Executiva do Porto de Itajaí.

Líderes industriais lamentaram essa descontinuidade. E defenderam propostas para que atividades econômicas vitais, como a de um porto dessa relevância para o desenvolvimento de Santa Catarina sejam blindadas de processos eleitorais e interferências partidárias. Temem mais prejuízos com as mudanças de comando nesta conjuntura adversa e delicada.


Comentário meu

Sei que vou receber pedradas de coloração amarela e de outras cores afins do espectro político à direita de Itajaí, mas cá entre nós, que péssima hora para mudanças no comando do nosso porto, heim?

Diante dos prejuízos diários causados pelos estragos da enchente e suas consequências terríveis para a economia do município, do estado e inclusive do país, com menos arrecadação de impostos, menos salários para os trabalhadores portuários e aumento de custos de transporte e todos os demais reflexos negativos, seria importante, nessa hora, que houvesse uma continuidade no comando do porto.

Antes que a direita mais ousada queira fechar este blog, que ainda está em construção, ou tentem calar o blogueiro de outras formas, usando os métodos que aprenderam e praticaram a valer nos tenebrosos tempos em que mandavam e desmandavam e batiam continência para a própria sombra, ressalto que seria um período curto, de 6 a 12 meses , de transição, até que o porto fosse reconstruído e voltasse a sua normalidade.

Poderia haver  uma composição com alguns cargos indicados pelo futuro prefeito Jandir e um acompanhamento mais próximo de sua equipe nas tomadas de decisões além das que já existem como o Cap – conselho da autoridade portuária.

Para isso acontecer, só mesmo uma forte pressão empresarial, superior à pressão política que vigora que em nossa peixeira Itajaí, muitas vezes travestida de interesse empresarial, sem conseguir disfarçar o “pomo de adão” da voz política.

Sei que estou sendo utópico.

Mas, de que vale a vida sem utopia?

 

Autor: gerd_klotz@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:


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