Muitas vezes para se analisar o que querem dizer os jornais e outros veículos da imprensa, é preciso não só entender o que está dito, como interpretar o que não é explicitado.
Nem sempre as informações apresentadas tem o ojetivo de esclarecer aquilo que aparentemente elas informam. Por trás do biombo da notícia apresentada em primeiro plano, pode haver outra informação, mais sútil, cuja intenção não é facilmente desvendada.
Há evidentes interesses ideológicos em jogo. As empresas de comunicação se norteiam pela ótica capitalista, não só no sentido de gerar lucros, o que seria natural, pois assim é o sistema.
O problema é quando os veículos passam a atender os interesses de seus patrocinadores e do grupo de poder político – e ultimamente, religioso – a que pertencem. Isso ocorre em todo o mundo, no nosso Brasil varonil e na peixeira Itajaí.
Abaixo segue um exemplo retirado do grupo Folha, em análise realizada por Luiz Antonio Magalhães. A mídia nacional está recheada de exemplos dessa natureza. A nossa “pequena pátria” papa-siri também tem seus exemplos que agridem os olhos em suas manchetes e machucam nosso pavilhão auricular no horário local do meio-dia.
FOLHA ONLINE
Como enganar o leitor sem mentir
Por Luiz Antonio Magalhães em 17/12/2008
Reproduzido do blog do autor, 16/12/2008
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A matéria reproduzida abaixo, da Folha Online, é um primor de manipulação jornalística. Não há uma única mentira na reportagem, mas ela simplesmente não mostra a realidade dos fatos. Primeiro, o título seco dá um número (pessoas demitidas em novembro) que não quer dizer coisa alguma. Afinal, 34 mil é muito ou muito pouco? Não há dado comparativo – quanto foi no mês passado? Todo mês há demissões nas empresas, o que interessa saber é o saldo (contratações menos demissões). Este dado não consta da reportagem.Em seguida, o lide da matéria traz um outro número que economista nenhum utiliza, pois é um dado sem ajuste sazonal. Diz a Folha Online que o emprego em São Paulo na indústria caiu 1,46% em novembro, na comparação com outubro. Mentira? Não, verdade, mas é o dado sem ajuste sazonal. Só no terceiro parágrafo é que aparece o número que realmente importa, com ajuste sazonal: queda de 0,19% (ante queda de 0,14% em outubro). Ou seja, o ritmo do aumento de demissões ficou praticamente estável em novembro em relação a outubro. Isto no meio da maior crise da história do capitalismo, segundo a Folha…A matéria também não dá muita bola para o dado do emprego acumulado no ano. Claro, não podia ser diferente, pois o número é bom para o governo (alta de 5,66%). Definitivamente, a Folha de S.Paulo deveria mudar de slogan: ao invés do “De rabo preso com o leitor”, passaria a ser “O que é bom (para o Lula) a gente esconde, o que é ruim a gente dá na manchete”.
Indústria paulista demite 34 mil em novembro, diz FIESP
16/12/2008O nível de emprego da indústria de transformação do Estado de São Paulo caiu 1,46% em novembro na comparação com o mês anterior, nos dados sem ajuste sazonal, segundo levantamento da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgado nesta terça-feira.
No mês passado, foram perdidos 34 mil postos de trabalho, segundo a entidade. Em outubro, a queda sobre setembro tinha sido de 0,14%. No acumulado do ano, o nível de emprego está 5,66% maior que no mesmo período do ano passado, com 123 mil novas vagas abertas.
Considerando os dados com ajuste sazonal, que elimina características específicas de cada período, a baixa no emprego no mês passado foi de 0,19%.
Dos 21 setores que fazem parte da pesquisa, cinco tiveram desempenho positivo no mês passado, 14 setores mais demitiram do que contrataram e dois ficaram estáveis.
De acordo com o levantamento, novembro foi um mês mais favorável para o setor de máquinas, escritório e equipamentos de informática, que apresentou alta de 1,82%, seguido por produtos químicos, com expansão de 0,36%.
Na outra ponta, com as maiores quedas, estão couros e artigos de couro, artigos de viagem e calçados, com perda de 3,3%, e borracha e plástico, com recuo de 2,78%.
Por setores, no acumulado do ano, o que mais contratou foi o de máquinas, escritório e equipamentos de informática, com 58,08% de alta no nível de emprego, seguido por coque, refino de petróleo, combustíveis nucleares e álcool, com elevação de 29,27%.
Os que mais demitiram foram couro, artigos de viagem e calçados, com queda de 9,58%, e confecções e artigos de vestuário, com recuo de 2,22%.
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