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16/12/2008 - 22:13

Continua repercutindo a entrevista de Gilmar Mendes ao Roda Viva

DO BLOG DO NASSIF

16/12/08 16:14

O ombudsman e o Roda Viva

Do ombudsman Ernesto Rodrigues, da TV Cultura

(…) Já Márcio Chaer, do site Consultor Jurídico, além de encarnar um velho problema do Roda Viva – o dos entrevistadores que desenvolvem teses, em vez de perguntar – deixou claro, com sua participação, de que queria mais usar a bancada do Roda Viva para mandar recados e insinuações relacionadas à guerra de blogs políticos em que está mergulhado do que para entrevistar o presidente do STF a respeito de questões que mobilizam a opinião pública. Chegou a sugerir ao ministro o enquadramento de colegas de profissão que não identificou por “formação de quadrilha”.

Praticamente dispensando Mendes de responder, Chaer considerou casos revoltantes como o do policial absolvido recentemente no Rio depois de metralhar um carro ocupado por mãe e filho pequeno e o do promotor absolvido em São Paulo depois de descarregar uma arma contra um rapaz como “supostos crimes” que foram “exagerados” pela imprensa. E deu a palavra para que o Mendes questionasse a suposta “técnica do romance” usada pela imprensa na cobertura dos crimes no país. Márcio também reduziu a importância do voto popular à escolha do falecido Enéas Carneiro e praticamente propôs que o presidente do STF criticasse a qualidade dos juízes de primeira instância. Em alguns momentos, o próprio Gilmar Mendes chegou a afunilar o olhos, sem saber se era para dizer algo para corroborar as “teses” de Chaer.

Como Márcio Chaer, Reinaldo Azevedo, da revista Veja, passou todo o programa usando Gilmar Mendes – e às vezes também dispensando a participação do entrevistado – para expor suas “teses” e fazer ataques. Fez, é verdade, algumas perguntas que precisavam ser feitas – como a que levou Mendes a dizer que o juiz De Sanctis confrontou o STF e outra, sobre a declarada admiração de De Sanctis pelo pensamento do jurista pró-nazista Carl Schmidt. Mas a maior parte do tempo Azevedo usou para fazer da bancada do Roda Viva uma tribuna na qual dispensou Gilmar Mendes da obrigação de apresentar o áudio do grampo e para um constrangedor contorsionismo pelo qual transformou a ministra Dilma Rousseff e o ministro Paulo Vanhucci em pessoas que poderiam ser enquadradas atualmente como terroristas pelo fato de terem pertencido, durante a ditadura, ao grupo de esquerda liderado por Carlos Marighela. Sem pergunta específica, Reinaldo também atacou a decisão do STF sobre a Reserva Raposa Serra do Sol.

Reinaldo Azevedo e Márcio Chaer, na tentativa de instrumentalizar o programa diante de um tema tão delicado e de um personagem tão controvertido, conspiraram contra a qualidade e o equilíbrio jornalístico desta edição do Roda Viva, o que sugere uma cuidadosa reflexão da direção do programa sobre os critérios de seleção dos entrevistadores. No final das contas, no entanto, principalmente quando confrontados à qualidade das intervenções de Lillian Witte Fibe e de Eliane Cantanhêde, eles acabaram desmoralizando setores da sociedade que vêem com simpatia o ativismo e o atual protagonismo político e ideológico de Giilmar Mendes.

O Roda Viva, portanto, não perdeu o rumo. Foi um programa interessante, pertinente e, considerada a ressalva à escolha infeliz de parte da bancada, fiel à sua tradição de debater e discutir as questões relevantes para a o cidadão telespectador de São Paulo e do Brasil.

E acreditem: sem a participação do Luís Nassif

Comentário

Não entendi a frase final, mas a avaliação está bem equilibrada.

Por Ricardo

A crítica ao Carl Schmitt foi verdadeiramente patética. Espanta o ministro dizer que desenvolve ampla atividade acadêmica, e resolver queimar um grande pensador em um programa da TV Cultura, que vai formar opinião em gente preparada sobre questões importantes. E, pior, queimou Schmitt apenas para poder atingir o de Sanctis.

Qualquer acadêmico sério sabe que esta bobagem de ligar Schmitt ao nazismo é irrelevante. O próprio “acadÊmico” Gilmar Mendes quis contrapor Kelsen como exemplo de democrata (ou liberal, ou seja lá o que ele tenha tentado explicar como o oposto de nazista).

O problema é que qualquer aluno sério do 1º ano de graduação da USP já sabe que pesam as mesmas críticas feita a Schmitt, também sobre Kelsen e sua pirâmide. Sobra gente chamando Kelsen de nazista, pelos mesmo argumentos, e talvez com muito mais razão, pois ele construiu a idéia de cadeia de normas em pirâmide, que poderia dar legitimidade ao nazismo. Evidente bobagem, mas não pode sair da boca de um ministro de Supremo Tribunal sequer da Somália este tipo de idéia.

O problema é que o Schmitt é leitura OBRIGATÓRIA no curso de Introdução ao Estudo do Direito na faculdade de Direito da USP. E, para além das fronteiras do feudo, é estudado pelo mundo todo.

Novamente estão errados os grandes juristas, e corretíssimo o presidente do tribunal supremo de um país de terceiro mundo?

Autor: gerd_klotz@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:


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