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Arquivo de agosto, 2009

21/08/2009 - 10:00

Somos racistas

Mais um texto para alimentar o debate sobre cotas, achei muito bom.

  

Enquanto interessava às elites brasileiras que a negrada se esfolasse nos canaviais e, tempos depois, fosse relegada ao elevador de serviço, o conceito de raça era, por assim dizer, claríssimo no Brasil. Tudo que era ruim, cafona, sujo ou desbocado era “coisa de preto”. Nos anos 1970 e 1980, na Bahia, quando eu era menino grande, as mulheres negras só entravam nos clubes sociais de Salvador caso se sujeitassem a usar uniforme de babá. Duvido que isso tenha mudado muito por lá. Na cidade mais negra do país, na faculdade onde me formei, pública e federal, era possível contar a quantidade de estudantes e professores negros na palma de uma única mão.

Pois bem, bastou o governo Lula arriscar-se numa política de ações afirmativas para ahigh society tupiniquim berrar para o mundo que no Brasil não há racismo, a escrever que não somos racistas. Pior: a dizer que no Brasil, na verdade, não há negros.

 Antes de continuar, é preciso dizer que muita gente boa, e de boa fé, acha que cota de negros nas universidades é um equívoco político e uma disfunção de política pública de inserção social. O melhor seria, dizem, que as cotas fossem para pobres de todas as raças. Bom, primeiro vamos combinar o seguinte: isso é uma falácia que os de boa fé replicam baseados num raciocínio perigosamente simplista. Na outra ponta, é um discurso adotado por quem tem vergonha de ter o próprio racismo exposto e colocado em discussão. Ninguém vê isso escrito em lugar nenhum, mas duvido que não tenha ouvido falar – no trabalho, na rua, em casa ou em mesas de bares – da tese do perigo do rebaixamento do nível acadêmico por conta da presença dos negros nos redutos antes destinados quase que exclusivamente aos brancos da classe média para cima – paradoxalmente, os bancos das universidades públicas.

 Há duas razões essenciais que me fazem apoiar, sem restrições, as cotas exclusivamente para negros. A primeira delas, e mais simples de ser defendida, é a de que há um resgate histórico, sim, a ser feito em relação aos quatro milhões de negros escravizados no Brasil, entre os séculos XVI e XIX , e seus descendentes. A escravidão gerou um trauma social jamais sequer tocado pelo poder público, até que veio essa decisão, do governo do PT, de lançar mão de ações afirmativas relacionadas à questão racial brasileira – que existe e é seríssima. Essa preocupação tardia das elites e dos “formadores de opinião” (que não formam nada, muito menos opinião) com os pobres, justamente quando são os negros a entrar nas faculdades (e lá estão a tirar boas notas) é mais um traço da boçalidade com a qual os crimes sociais são minimizados pela hipocrisia nativa. Até porque há um outro programa de inserção universitária, o Prouni, que cumpre rigorosamente essa função. O que incomoda a essa gente não é a questão da pobreza, mas da negritude. Há contra os negros brasileiros um preconceito social, econômico, político e estético nunca superado. O sistema de cotas foi a primeira ação do Estado a enfrentar, de fato, essa situação. Por isso incomoda tanto.

 A segunda razão que me leva a apoiar o sistema de cotas raciais é vinculado diretamente à nossa realidade política, cínica, nepotista e fisiológica. Caso consigam transformar a cota racial em cota “para pobres”, as transações eleitoreiras realizadas em torno dos bens públicos irão ganhar um novo componente. Porque, como se sabe, para fazer parte do sistema, é preciso se reconhecer como negro. É preciso dizer, na cara da autoridade: eu sou negro. Alguém consegue imaginar esses filhinhos de papai da caricata aristocracia nacional, mesmo os mulatinhos disfarçados, assumindo o papel de negro, formalmente? Nunca. Preferem a morte. Mas se a cota for para “pobres”, vai ter muito vagabundo botando roupa velha para se matricular. Basta fraudar o sistema burocrático e encher as faculdades públicas de falsos pobrezinhos. Ou de pobrezinhos de verdade, mas selecionados nas fileiras de cabos eleitorais. Ou pobrezinhos apadrinhados por reitores. Pobrezinhos brancos, de preferência.

 Só um idiota (ou alguém muito hipócrita) não percebe a diferença entre ser pobre branco o e pobre negro no Brasil. Ou como os negros são pressionados e adotam um discurso branco, assim que assumem melhores posições na escala social. Lembro do jogador Ronaldo, dito “Fenômeno”, ao comentar sobre as

reações racistas das torcidas nos estádios europeus. Questionado sobre o tema, saiu-se com essa: “Eu, que sou branco, sofro com tamanha ignorância”. Fosse um perna-de-pau e tivesse que estudar, tenho dúvidas se essa seria a impressão que Ronaldo teria da própria cor, embora seja fácil compreender os fundamentos de tal raciocínio em um país onde o negro não se vê como elemento positivo, seja na televisão, seja na publicidade – muito menos nas universidades.

 O fato é que somos um país cheio de racistas. Até eu, que sou branco, sou capaz de perceber.

 

do blog do repórter Leandro Fortes

 

Uma reflexão que eu assinaria embaixo.

Autor: super.prof@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
19/08/2009 - 10:00

Incrível lei de violação dos direitos humanos no Afeganitão

 

Uma lei que permite aos maridos matarem suas mulheres de fome no caso destas se recusarem a ter relações sexuais com eles foi aprovada no Afeganistão, revoltando opositores do governo e grupos de direitos humanos.

 

Publicada no diário oficial do país e aparentemente aprovada pelo presidente Hamid Karzai, a lei era uma proposta cuja versão original já tinha causado indignação no início deste ano. Na época, sob pressão, Karzai foi forçado a modificar a proposta, e foi esta versão modificada a aprovada discretamente e, segundo seus críticos, oportunamente às vésperas das eleições presidenciais, na próxima quinta-feira. A aprovação da lei teria como objetivo agradar aos conservadores xiitas, cujos votos o presidente considera fundamentais para a vitória nas urnas.

 

A proposta inicial obrigava as mulheres xiitas a terem relações sexuais com seus maridos a cada quatro dias, no mínimo, e ainda perdoava casos de estupro dentro do casamento, ao remover a necessidade de consentimento da esposa — ou seja, a mulher, querendo ou não, teria que ter relações com seu marido; caso não quisesse, o marido teria o direito de violentá-la. Ou de não lhe dar comida. A emenda ao texto original aprovada pelo governo manteve as partes mais opressoras, incluindo esta, que permite que o marido não dê comida à mulher enquanto esta se recusar a fazer sexo. A lei determina também que a esposa peça ao marido permissão para trabalhar e, ainda, dá a pais e avôs a custódia exclusiva dos filhos.

Autor: super.prof@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
16/08/2009 - 15:00

ILHA DE CALOR

Repare a relação muito forte entre a urbanização (menos áreas verdes, áreas cimentadas e asfaltadas, muitas construções verticais -edifícios, intensa poluição etc) e as temperaturas médias numa cidade como São Paulo.

 

 

Autor: super.prof@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
13/08/2009 - 18:37

O que é terrorismo?

O que é, afinal, o terrorismo? A resposta não é simples nem consensual. Pode-se dizer, como definição mínima, que é o uso sistemático de violência para criar um ambiente de medo, com objetivos políticos.  Mas a palavra pode facilmente ser utilizada para lançar um rótulo negativo contra inimigos.  Israel, por exemplo, chama de terroristas diversos grupos palestinos, que respondem acusando Israel de praticar o terrorismo de Estado.

Historicamente, atos que seriam enquadrados como terroristas foram considerados heróicos quando correspondiam à luta contra a opressão de uma ditadura ou pela libertação nacional.  É o caso da Resistência Francesa, que combateu a ocupação nazista durante a II Guerra Mundial, praticando atos de terror durante anos.

Por causa dessas considerações políticas, é difícil que, em fóruns como a ONU, haja consenso para designar algum grupo como terrorista.  Um aspecto atual dessa questão é que a retórica do ex-presidente dos EUA George W. Bush levou muitos a associar o terrorismo à religião islâmica.  Mas, na verdade, grupos fundamentalistas existem em todas as religiões: são aqueles que enxergam nos textos sagrados de sua crença a única orientação possível para a organização do Estado e da sociedade.  É uma posição obscurantista, que recusa a democracia e se opõe à perspectiva secular adotada desde a Revolução Francesa, quando os negócios de Estado se separaram das convicções religiosas.

A crença no islã, tal como no cristianismo ou no budismo, não deve ser associada a nenhum ato de violência.  Todas as crenças religiosas merecem respeito. Todas as crenças religiosas merecem respeito, tanto no âmbito individual quanto no coletivo.

Adaptado de Atualidades no Vestibular – 2010

Autor: super.prof@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
08/08/2009 - 18:25

INDIGNAÇÃO CONTRA A VIOLÊNCIA SIM! IRRACIONALIDADE NÃO!

Coloquei o título acima para tentar acalmar os ânimos daqueles que são influenciados por soluções mágicas para a redução da violência. Uma das propostas mais debatidas e polêmicas é a redução da maioridade penal para 16 anos. Sou totalmente contra!

Em primeiro lugar, os adolescentes infratores são responsáveis por menos de 10% dos crimes cometidos no Brasil.  E mais: de cama cem mil adolescentes, só 2,7 são infratores, enquanto em cada cem mil adultos, 87 são infratores.

De todos os atos infracionais praticados por adolescentes, somente 8% equiparam-se a crimes contra a vida.  A grande maioria (75%) são crimes contra o patrimônio e, destes 50% são furtos, isto é, delitos sem violência.  No ano 2000 (atualmente esse índices são muito parecidos), dos mais de 40 mil homicídios que aconteceram no Brasil, os adolescentes foram responsáveis por 448, mas foram vítimas em 3800 casos. Aliás, 75% das mortes de jovens entre 15 e 19 anos são mortes violentas.

Os adolescentes, portanto, são muito mais vítimas do que perpetradores da violência neste país.  O grande problema está em que os crimes praticados por adolescentes sempre recebem divulgação de tal forma ampla que fica a impressão de que são muito mais numerosos e graves do realmente são.

Espero que a sociedade não feche os olhos para esse movimento de reduzir a maioridade, tenho absoluta certeza que isso não reduzirá a violência, mas apenas vai satisfazer o prazer de vingança de parte da sociedade.

Autor: super.prof@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
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