19/10/2009 - 19:23
O deputado estadual Samuel Moreira, líder do PSDB na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, escreveu um artigo para o Jornal Destak com o título “o rio Tietê está, sim, cada vez melhor”. O objetivo do artigo é defender a obra de ampliação da Marginal Tietê, chamada de “Nova Marginal”. Faço abaixo alguns comentários sobre o texto, que é um absurdo do começo ao fim.
A questão ambiental
Boa parte do texto dedica-se a enfatizar que a obra não prejudicará o rio. E, para provar seu ponto de vista, ele argumenta utilizando o tal Parque Linear, que será construído bem longe da obra, além de “canalizações, limpezas e desassoreamentos (…) de córregos, ribeirões e rios de todo o Estado”, que seriam realizadas com ou sem Nova Marginal.
Cita também obras de tratamento de esgoto e obras de combate a enchentes que estão sendo feitas desde 2007. Ou seja, para tentar convencer que a obra de ampliação não prejudica o rio, agora estão começando a cavar supostas compensações ambientais em obras que não têm nada a ver com essa e que seriam realizadas do mesmo modo. Em outras palavras, a gente vai estragar aqui, porque ali do outro lado a gente já consertou outra coisa então fica tudo por isso mesmo…
Veja um outro lado dessa história aqui e leia sobre a investigação do Ministério Público. Ou pesquise você mesmo nas matérias publicadas pela imprensa. Mas claro, o governo diz que as críticas à obra não passam de intriga da oposição.
Cidade mais humana e arejada
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O tempo das viagens pela Nova Marginal cairá, então, cerca de 35%, e a cidade ficará mais humana, ágil e arejada. |
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Samuel Moreira,
deputado estadual pelo PSDB,
em artigo para o Jornal Destak |
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“A cidade ficará mais humana e arejada”. Que absurdo dizer uma coisa dessas! Infraestrutura gera demanda. Quando se amplia o espaço para o automóvel particular, esse espaço é rapidamente preenchido com mais carros – como aconteceu com a Ponte Estaiada. Gente que hoje opta por outros caminhos, passará a tentar a “nova” Marginal. Gente que antes não tinha carro e agora comprou um (afinal são mil novos carros por dia nessa cidade), também vai optar pela “nova” Marginal, porque ouviu dizer que é rápida. E como uma cidade com cada vez mais carros pode ser “mais humana e arejada”? Por causa da ampliação de uma avenida, que atrairá ainda mais carros para ela? Ah, me poupe… Não faz o menor sentido!
Tempo das viagens
Essa história de diminuir o tempo das viagens em 35% todo mundo sabe (ou deveria saber) que é conversa para boi dormir. Mesmo considerando que NÃO vá haver aumento da quantidade de veículos trafegando na Marginal Tietê (o que é impossível), todos esses carros terão que sair de lá para outro lugar em algum momento. Terão que entrar em vias que já se encontram saturadas. E em muitos casos, vão chegar mais cedo nessas vias saturadas, em vez de chegar meia hora depois, quando o congestionamento já estaria diminuindo um pouco. Aí sim é que vai travar tudo.
Ampliar avenidas só piora os congestionamentos. É exatamente o oposto do conceito de traffic-calming, que diz, entre outras coisas, que se você fizer os carros trafegarem mais devagar, levando mais tempo para chegar às grandes avenidas, dará tempo de quem já está nelas sair para outro lugar e liberar espaço para quem vem chegando. Assim, a viagem tem velocidades máximas menores, mas leva-se o mesmo tempo ou até menos para chegar ao destino final.
Grande esforço!
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Quanto à Nova Marginal, é importante destacar que ela faz parte de um grande esforço para melhorar o trânsito na região metropolitana, juntamente com o Rodoanel e a expansão do metrô. |
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Samuel Moreira,
deputado estadual pelo PSDB,
em artigo para o Jornal Destak |
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Faz parte desse esforço também o túnel para ligar o Morumbi ao Guarujá (R$2,2 Bi), a aberração que já chamaram de “avenida-parque” (o que é isso? ou é avenida, ou é parque!) e a ampliação de outras avenidas. Melhorar para quem, cara pálida? Não vai melhorar nem para quem usa o carro, quanto mais para os outros 70% da população que usam transporte público, bicicleta ou os pés.
Se o objetivo fosse MESMO melhorar o trânsito, haveria uma pista exclusiva para ônibus, para que a miríade de carros que entope a Marginal não os atrapalhem tanto. Haveria uma ciclovia no canteiro central, com acessos em cada ponte. Se houvesse mesmo interesse em melhorar o trânsito, investiria-se mais em transporte público do que se investe em infraestrutura para uso do transporte particular, mas o que se faz hoje é o contrário.
Qualidade de vida
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a melhora do fluxo de veículos significa mais qualidade de vida, com redução das emissões de gases do efeito estufa e de outros que prejudicam a saúde humana. |
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Samuel Moreira,
deputado estadual pelo PSDB,
em artigo para o Jornal Destak |
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O nobre deputado afirma que “melhora do fluxo de veículos significa mais qualidade de vida”, devido a uma suposta redução das emissões de gases. Isso supondo que a mesma quantidade de carros passaria por ali e que o restante da viagem também teria a mesma duração de hoje, né, deputado? Vai ter mais gente optando pela Nova Marginal, sem contar com o aumento contínuo da frota de automóveis na cidade, que já citei lá no começo desse artigo. E mesmo que, hipoteticamente, fantasiosamente falando, houvesse essa redução de emissão de gases, ela seria pífia! Quer dizer que em vez de poluir por uma hora, vou poluir por 40 minutos? Puxa, que alento! É como fumar cigarro light, morre-se do mesmo jeito.
Excesso de automóveis
Se realmente for de seu interesse melhorar a qualidade de vida na região metropolitana, pense nisso tudo, deputado. E pense também que a maior causa dos congestionamentos é o excesso de automóveis. Tem carro demais na rua, deputado! E isso não se resolve construindo avenida, é tapar o sol com a peneira, é colocar esparadrapo em corte profundo. Tem-se que desincentivar o uso do automóvel, ao mesmo tempo em que se aumenta a oferta e a qualidade das alternativas a ele. É como distribuir cachaça de graça e ao mesmo tempo pedir para as pessoas pararem de beber: não funciona! E, além de tudo, fica parecendo hipocrisia…
Construir túneis, avenidas e pontes de uso exclusivo dos carros não melhora o trânsito, muito menos a qualidade de vida dos habitantes da cidade. Isso sim é “faltar com a verdade”, como o senhor diz no seu texto. Ou então é muita falta de visão e desconhecimento do assunto mesmo – fica por conta do leitor.
O tempo mostrará o quanto essa iniciativa é equivocada. A perspectiva prometida continua linda. Também quero viver na cidade que o senhor sonha, uma cidade mais humana, ágil e arejada, mas precisamos caminhar em direção a ela.
Boa sorte e divirta-se ao dirigir na Nova Marginal no ano que vem, deputado. Nós continuaremos respirando a fumaça que sai do seu escapamento todos os dias.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia ., . São Paulo parada .
Tags: carro rei, o custo real dos carros, poluição, vista grossa
06/10/2009 - 15:42

A Aline Cavalcante disponibilizou um vídeo da reunião realizada ontem no Palácio dos Bandeirantes, onde se discutiu o projeto da ciclovia da Marginal Pinheiros.
Não foi exatamente uma convocação para ouvir, como anunciado. Foi praticamente uma exposição, com poucas intervenções por parte da audiência. As explicações eram que haverá uma nova reunião para discutir sugestões.
Pelo projeto apresentado, insistem na opção de construir passarelas por cima da Marginal, o que é mais oneroso e demorado do que fazer simples acessos a partir de cada ponte já existente. Mas ok, vamos dar um voto de confiança, afinal isso ainda está em discussão.
Lazer ou transporte?
Estão prevendo um estacionamento na ponta da ciclovia próxima à represa. Mas como assim, estacionamento? A ciclovia não era para transporte? Da maneira que está sendo feita, parece que não. Estão prevendo apenas um acesso em cada ponta (um quase na Billings e outro na Vila Olímpia) e futuros acessos a parques. Isso não resolve problema de mobilidade, a não ser para quem mora na Billings e trabalha no Parque Villa Lobos…
Tudo bem, pode até haver estacionamento, isso não seria um problema. Tem até seu lado bom, afinal não é nada ruim incentivar também o uso para lazer e esporte da ciclovia. Mas sem acessos em cada ponte, não adianta florear: ela não será útil para transporte.
O ciclista, ao se deslocar pela cidade, não se comporta como um trenzinho e não vai seguir um caminho de ciclovia que lhe for imposto. Ele precisa ir para Santo Amaro, para a Berrini, para a Lapa. E não vai pedalar 5km a mais para encontrar a ponta da ciclovia e entrar nela, isso tem que estar claro para os representantes do poder público. Sem acessos, não funciona para o transporte, só para passear. E por mais que sejamos simpáticos ao projeto, isso é fato.
Ausências
Foi sentida a falta da Secretaria de Transportes e da CET. Os responsáveis pela mobilidade na cidade não participaram da discussão sobre o uso da bicicleta como meio de transporte.
Nova Marginal
Ao serem questionados se na obra de ampliação da Marginal Tietê haveria uma ciclovia, como manda a lei, o secretário do Verde e do Meio Ambiente do município, Eduardo Jorge, respondeu que haverá ciclovia no parque linear, que vai apenas até a “fronteira” da cidade. Confrontado com a exigência legal e a demanda por ciclovia também na Marginal Tietê, o secretário alegou que essa é “outra discussão” e mudou de assunto.
Sim, é outra discussão. Uma discussão que não houve. E a assessoria de imprensa (ou de imagem, sabe-se lá) justifica a ausência de ciclovia dizendo via Twitter que “por segurança” ela será láááá no parque linear. Claro, assim quando eu precisar ir pro trabalho eu vou até o Parque Linear e de lá eu tomo um táxi.
Ora, se não há segurança para uma via SEGREGADA é porque o projeto está errado, muito errado! Como pode não haver segurança nem para uma via separada do fluxo de veículos? Não faz o menor sentido! Segurança é item básico. Ciclovia, a lei municipal 14.266, em seu art. 11, manda ter. Não há justificativa.
Os erros da Nova Marginal continuam injustificáveis e, pelo que parece, inquestionáveis.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo .
Tags: ciclovia, desrespeito ao ciclista, desrespeito às leis, legislação, mais bicicletas, vista grossa
21/09/2009 - 19:22
DICIONÁRIO
Trechos extraídos do dicionário “Novo Aurélio Século XXI”:
tráfego
(…) 9. Bras. V. trânsito (6 e 7) [Cf. tráfego, do v. trafegar.]
trânsito
(…) 6. Movimento, circulação, afluência de pessoas ou de veículos. (…)
trafegar
(…) 5. Transitar; passar, andar. (…) |
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A CET de São Paulo continua a mesma. Para que a bicicleta seja definitivamente aceita como parte do trânsito nessa cidade, é preciso haver uma mudança de mentalidade dentro da companhia, que deve ser propagada de cima para baixo para os funcionários.
A sigla CET significa Companhia de Engenharia de Tráfego. O dicionário “Novo Aurélio Século XXI” remete, em um dos itens da descrição do verbete, à palavra trânsito, que em seu item 6 é definida como “movimento, circulação, afluência de pessoas ou de veículos”. De pessoas ou de veículos. E a bicicleta também é um veículo. O tráfego não é formado apenas de carros, é formado também de outros veículos: motos, ônibus, caminnhões, triciclos, bicicletas e até, por que não, patinetes. E também é feito de pessoas: pedestres, skatistas, patinadores. A rua é de todos.
Posto dessa forma, parece muito simples. Mas parece que a diretoria, presidência, ou sei lá quem é que estabelece essa política imbecil na CET de São Paulo não entende nem assim, explicado de uma forma que (quase) qualquer idiota entenderia.
Não é de hoje que a CET demonstra que trabalha em função do fluxo motorizado, mesmo que em detrimento da segurança das pessoas. E quando a gente pensa que está melhorando, esfrega os olhos e vê vários sinais de que continua a mesma coisa.

Pare na calçada para não atrapalhar o tráfego
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Carro e moto da Globo estacionados no meio da Praça Gal. Gentil Falcão, em cima da grama, na maior cara de pau, durante a filmagem do Desafio Intermodal.
Foto: Willian Cruz/Vá de Bike! |
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Quinta-feira, 17 de setembro, 2009. Carro da Rede Globo chega na Praça Gal. Gentil Falcão para cobrir o Desafio Intermodal e estaciona em cima da grama, no meio da praça. Segundo os funcionários da emissora, “a CET que mandou parar aqui”. Há também uma moto estacionada junto ao carro.
Provavelmente não foi naquele momento, já que não havia nenhum agente da CET no local, mas a pretensa imunidade jornalística às leis de trânsito e ao respeito ao próximo advém do mau exemplo das autoridades de trânsito, da impunidade e do incentivo da CET à sua prática: quando um carro quebra, a primeira providência dos agentes é empurrá-lo para cima da calçada.
O pensamento dos agentes da CET ao colocar o carro em cima da calçada – ou da praça – é de que na rua ele atrapalha o fluxo de automóveis. O pedestre que desvie pela rua, o importante é não diminuir a “fluidez” dos carros.

Saiam da rua, os carros querem passar
A Av. Sumaré foi fechada para os carros nesse domingo, 20 de setembro, para ser utilizada como área de lazer. As faixas e a divulgação “informal” (não vi divulgação oficial) diziam que a liberação seria até as 14h. Cheguei lá às 13h, esperando aproveitar o finalzinho da festa, mas só consegui me decepcionar.
Às 13h30 a pista sentido bairro já estava totalmente liberada para o tráfego motorizado. Na pista contrária, uma pickup da CET passava com a sirene ligada, com o agente gritando irritado “ACABOU! ACABOU!” e fazendo sinal para sair da rua.
Parei no meio da rua olhando inconformado, nem tanto pelo fechamento mas para a maneira como a coisa acontecia. Estávamos sendo literalmente expulsos da rua, antes do horário, sem conversa e sem explicação. A “viatura” passou, mas parou a uns 20 metros de mim e o agente, com a cabeça para fora da janela olhando para trás, gritava olhando para mim, sem a menor paciência:
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Desmonta aí filho, vamos embora pela calçada, empurrando. É mais seguro. |
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| De um pai que estava de bicicleta com o filho na Av. Sumaré, às 13:35, assustado com o terrorismo psicológico do agente da CET. |
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- TO DIZENDO QUE ACABOU!
- Mas não era às duas? – ainda tentei argumentar.
- TO DIZENDO QUE ACABOU!
- Mas era até às duas, tá escrito ali na faixa!
- EU TO DIZENDO QUE ACABOU!!
- E se eu continuar aqui?
- Aí eu vou ter que chamar o policiamento pra você!
Eu abri os dois braços como quem diz “fazer o que então, né?” – e continuei no meio da rua. Nisso algumas outras pessoas foram até a janela da viatura, meio assustadas com a sirene e os gritos do agente, para entender o que estava acontecendo. Sei lá o que ele explicou, porque de longe eu não ouvi.
Cheguei perto da janela, pelo lado direito da viatura, e falei pra ele: ”vou continuar aqui, usando o bordo da via, porque é meu direito, artigo 58 do código de trânsito”. Ele, bem mais manso (será por que citei uma lei?), respondeu “ah tá, no bordo da pista pode…” e seguiu com o carro, ligando de novo a sirene.
Todos saíam da rua rapidamente e assustados, como se um maremoto estivesse chegando. Fomos para o bordo da pista e subimos a Av. Sumaré pedalando pela faixa da direita, eu e minha esposa. Iniciante no uso da bicicleta, ela ficou assustada, tanto com o comportamento do agente da CET como com a abertura da avenida que, da maneira que era anunciada, parecia iminente e perigosa. Dava a impressão de uma comporta que iria se abrir e todos que não subissem para a calçada sucumbiriam.
Tudo bem, entendo que o dia não estava bom e não tinha tanta gente assim usando a avenida para pedalar, então resolveram fechar antes do prometido. Ou que precisavam de uma hora para retirar os cavaletes de ambas as pistas e a promessa das 14 horas era para os carros, não para as pessoas. Tanto faz. Mas não é desse jeito que se lida com gente. Parecia que diziam “saiam daqui, os carros vão passar e vocês estão atrapalhando, se não saírem vou chamar a polícia”. Só faltou o marronzinho contar até três para eu sair da rua. Lamentável. Reflexo da política adotada pela Companhia, a de que os carros têm prioridade e direito exclusivo de uso das vias. O resto – sejam caminhões, ônibus fretados, bicicletas ou pedestres – é obstáculo.
Às 13:50 estávamos no topo da Av. Sumaré, onde ela passa a se chamar Paulo VI. Os carros já fluíam nos dois sentidos.

Proteger a vida não é meu trabalho, se vira aí
No site do CicloBR, André Pasqualini faz outro relato lamentável do final de semana, dessa vez na Ciclofaixa de Lazer. Ou, pelo menos, onde ela deveria funcionar.
A princípio, todos acreditávamos que o não funcionamento da ciclofaixa nesse domingo seria em decorrência de uma corrida de rua, que ocuparia o mesmo espaço, impossibilitando seu uso. Não fazia muito sentido, mas tudo bem, terminando a corrida ela provavelmente seria liberada.
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Ciclofaixa desativada: ciclistas ficaram desorientados nesse domingo.
Foto: CicloBR |
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Ah, quanta inocência… Aparentemente, a CET estava ocupada demais para se preocupar com Ciclofaixa e parece ter sido esse o motivo da não abertura. A rua estava desimpedida para os carros e uma faixa, virada pra o fluxo de carros na rua e não para quem saía do parque, avisava que a ciclofaixa não estava funcionando, dando a alguns motoristas argumento para ameaçar a vida dos ciclistas que insistissem em utilizá-la, geralmente sem saber que ela estava “fechada”.
Existe um tipo de motorista que coloca a vida de um ciclista em risco para provar seu ponto de vista: o de que ele não deveria estar ali. Através de finas, buzinadas, ameaças com o tamanho do carro sobre o frágil ser humano que se equilibra na bicicleta, eles tentam “educá-lo” segundo seus próprios princípios distorcidos, punindo-os com uma ameaça (e um risco) de morte por fugirem do que consideram correto. Uma tentativa de homicídio, mesmo que o motorista que faz isso não tenha consciência do perigo em que coloca a vida de alguém ao fazer isso.
O mais bizarro é que o ciclista tem direito de estar ali, tendo ciclofaixa ou não. O art. 58 do Código de Trânsito diz que o ciclista deve usar os bordos da pista. Veja bem: “os” bordos da pista, ou seja, ambos, tanto o lado direito como o esquerdo. Claro que evitamos usar o esquerdo, porque é onde os carros passam com mais velocidade (geralmente, acima do limite). Mas é ali que a ciclofaixa está pintada no chão.
Os motoristas que ameaçavam os ciclistas por vezes gritavam que a ciclofaixa estava desativada. Ou seja, “saia da rua, ela é minha, senão eu passo por cima”. Um flagrante desrespeito à vida, respaldado por uma faixa da CET que dava a entender que os ciclistas não deveriam estar ali naquele dia.
Uma sinalização indicando a presença de ciclistas legitima sua presença na rua. Afirma que o ciclista tem tanto direito de utilizar a pista quanto o motorista do automóvel. Por outro lado, uma faixa que diz com todas as letras que a ciclofaixa está desativada, diz claramente ao motorista que o ciclista está errado em trafegar ali, mesmo que a lei lhe garanta esse direito.
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Alguns pais levaram seus filhos para pedalar na ciclofaixa. A maioria não sabia que ela estava desativada.
Foto: CicloBR |
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O pior de tudo foi a atitude dos agentes da CET que estavam no local. Mesmo VENDO motoristas em flagrante de direção perigosa, desrespeitando meia dúzia de leis de trânsito e ameaçando a vida das pessoas com o veículo de uma tonelada, preferiam multar carros estacionados e diziam não poder fazer nada.
Os carros estacionados atrapalhavam o fluxo dos outros carros. Era mais importante tirar aqueles dali, para outros poderem fluir com mais velocidade, do que proteger vidas que estavam em risco. A mim parece omissão e crime, gostaria de saber o que diria a lei.
O motorista que faz isso na cara da CET e não leva uma multa, uma reprimenda, uma voz de prisão de um policial militar, se sente em seu direito ao agir daquela forma. Para ele, aquele comportamento sociopata foi aceito pelas autoridades e, portanto legitimado. Na próxima oportunidade, fará igual e acreditará ter uma atitude correta ao fazê-lo, graças à anuência da Companhia de Engenharia de Tráfego da cidade de São Pauloe ao estímulo da sinalização inadequada.
Veja mais detalhes e fotos no relato no André Pasqualini.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo ., . Motorcracia .
Tags: carro rei, ciclofaixa, desrespeito ao ciclista, legislação, parque do ibirapuera, vista grossa
16/09/2009 - 18:11
Ufa! Finalmente! Foi afixada nessa terça-feira, 15 de setembro, a placa de logradouro da Praça do Ciclista aqui de São Paulo. Breve história aqui. A foto abaixo é do Carlos Aranha.

Agora só faltam os paraciclos, que foram retirados em uma reforma há mais de um ano atrás, e os gradis de segurança para ninguém despencar lá embaixo. Ambos foram prometidos em julho de 2008.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo .
Tags: Bicicletada, paraciclo, Praça do Ciclista, vista grossa
25/08/2009 - 14:13
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Ciclista na Av. Paulista
Foto: CicloBR |
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A Gerência da Paulista postou em seu blog o relato de Mariana Rillo, ex-ciclista urbana. Em seu texto, Mariana comenta que desistiu de pedalar devido à agressividade do trânsito, que lhe resultou em um acidente grave, e que a Av. Paulista não é nada gentil com o ciclista.
Pois é, depois reclamam que há ciclistas que pedalam nas calçadas dessa avenida. Não que usar a calçada seja o correto, mas quem o faz é gente que, como a Mariana, tem receio de pedalar na rua. São pessoas que entendem como seu direito usar a bicicleta como meio de transporte, mas só se sentem seguras se escondendo dos carros na calçada. Sim, está errado, está longe do ideal, mas se a via só é receptiva para os carros, é isso que vai acontecer e não adianta reclamar.
Qual o maior problema?
Assim como Mariana, muita gente gostaria de utilizar a bicicleta como meio de transporte, mas têm receio de fazê-lo. O maior impedimento para que essas pessoas circulem na rua é o desrespeito de muitos motoristas, que acreditam que a bicicleta atrapalha o trânsito, que lugar de bicicleta não é na rua e que o ciclista não deveria estar ali – mesmo que o Código de Trânsito, em seu Art. 58, garanta esse direito em todas as vias da cidade.
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Ciclista na Av. Paulista.
Foto: Mathias |
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Há motoristas que começam a ultrapassagem e jogam a lateral do carro para cima do ciclista, colocando-o em situação de risco, tanto quando à sua direita há uma calçada (pois encostar a roda ou o pedal no meio fio e desabar na calçada de concreto, com postes, lixeiras, desníveis, buracos e outras pessoas, causa um acidente que pode até deixar sequelas) como quando – pior! – à direita do ciclista há uma faixa de ônibus.
Some-se a isso a possibilidade do ciclista cair de forma a ter algum do membros (ou mesmo o tórax ou a cabeça) debaixo do veículo que encostou levemente o retrovisor no guidão da bicicleta e você terá uma medida do risco que o ciclista corre numa situação dessas. Ao bater com o retrovisor ou a lateral do carro no guidão, este vira de uma forma que o ciclista cai na direção do veículo que o abalroou. Ou seja: ou o ciclista foge numa tentativa suicida de se jogar na calçada, ou é derrubado para baixo do veículo do homicida em potencial.
Esses motoristas acreditam – mesmo! – que a bicicleta não deveria estar ali e tentam “ensinar” isso ao ciclista ameaçando-o de morte. É por isso que precisamos legitimar a presença da bicicleta com o uso de sinalização.
Por isso, campanhas de conscientização ou mesmo pequenas iniciativas de sinalização ajudariam a tornar as ruas da cidade mais seguras e colaborariam muito mais para difundir o uso da bicicleta do que a construção pontual de ciclovias. E o custo dessas iniciativas seria bem menor.
Conscientização
O mais eficiente seria uma campanha de conscientização em grande escala, que ao mesmo tempo incentivasse o uso da bicicleta (afinal, quanto mais ciclistas nas ruas, mais seguras elas se tornam) e esclarecesse a motoristas e ciclistas que o lugar da bicicleta é na rua, que sua presença deve ser aceita e que a vida que se equilibra em cima dela deve ser respeitada. A bicicleta na frente do carro não é um obstáculo, é uma pessoa, uma vida, tentando chegar em algum lugar com um veículo que ocupa pouco espaço, não polui e não congestiona. É essa a mensagem que deve ser passada.
Se a bicicleta está impedindo que o motorista passe por aquele ponto numa velocidade maior, isso não é um problema tão grande assim: após ultrapassá-la, o espaço à sua frente está livre de carros e o tempo é recuperado. E, se o espaço à frente dela não estiver vazio, não é vantagem ultrapassar, é só esperar que ela siga seu caminho ultrapassando os carros parados e ocupar o espaço onde antes ela estava. O problema não é a bicicleta ter uma velocidade máxima relativamente baixa, é a ansiedade que toma conta do motorista no trânsito parado e principalmente a falta de respeito pelo espaço que outros também têm direito de ocupar. E isso só se corrige com educação e punição.
Após uma fase inicial de educação, deve haver uma segunda fase de punição, onde motoristas que passem próximos demais a um ciclista ou que o ameacem com o veículo sejam punidos, seja com multa ou mesmo como crime, quando a ameaça caracterizar uma tentativa dolosa de lesão corporal ou ameaça à vida. Os motoristas que agem na anonimicidade dos vidros escuros e na certeza da impunidade passariam a pensar duas vezes antes de colocar a vida de alguém em risco.
Sinalização
Bicicletinhas brancas pintadas no asfalto oficializam o direito que a bicicleta tem de circular naquele espaço, disciplinando os motoristas. Quando ainda havia essa sinalização na segunda faixa da Av. Paulista e as bicicletas circulavam por essa faixa, havia mais respeito dos motoristas e a via era mais segura. Agora que as bicicletinhas, que haviam sido pintadas por iniciativa popular, estão apagadas, aumentou a frequência de motoristas que ameaçam o ciclista com o carro, querendo que ele saia da rua para dar passagem ao monstro de metal, mesmo que seja para o motorista parar depois de 50 metros, no sinal que já está fechado.
Outro motivo para sinalizar a segunda pista da Av. Paulista (e outras tantas em outras avenidas) com bicicletinhas no asfalto, indicando que ela é a pista indicada para o ciclista e que os carros devem respeitar sua presença ali, é que a pista dos ônibus ficaria livre de bicicletas, facilitando também a circulação do transporte coletivo. Afinal, fica complicado para o motorista do ônibus sair da faixa onde está confinado para fazer uma ultrapassagem segura (a 1,5m de distância – art. 201 do CTB). Se o ciclista estiver na segunda faixa, os carros terão outras duas nessa avenida para poder ultrapassá-lo com segurança, mudando de faixa para não colocá-lo em risco e o ônibus também poderá passar livremente.
Placas avisando aos motoristas que naquela via há tráfego de bicicletas também legitimam essa presença. Fazem com que o motorista entenda que a bicicleta tem o direito de estar na via, coisa que é difícil de entrar na cabeça de muita gente que acredita que só quem paga IPVA tem direito de utilizar as ruas (como se o imposto fosse sobre Propriedade Viária, não do Veículo).
Urgência
Mesmo em plena Av. Paulista, onde um olhar desatento só percebe a circulação de carros, há um tráfego intenso de bicicletas: em uma contagem feita pela ONG Transporte Ativo, no início de 2009, foram registradas mais de MIL bicicletas em um período de 12 horas. Tente fazer essa contagem em um dia útil, preferencialmente em horário de pico, contando as bicicletas em ambas as pistas e nas calçadas, e você se surpreenderá com o resultado. Sinalização visando também as bicicletas deveria ser vista como prioridade das subprefeituras responsáveis pela Av. Paulista. Afinal, o asfalto não é utilizado apenas por carros, motos e ônibus e o motorista “médio” precisa ser conscientizado disso com urgência.
Sinalização visando também as bicicletas deveria ser vista como prioridade da CET. Afinal, o asfalto não é utilizado apenas por carros, motos e ônibus. E o motorista “médio” precisa ser conscientizado disso com urgência, pois vidas estão sendo perdidas em consequência da vista grossa da CET, que só enxerga carros passando nas ruas e insiste em tratar todos os demais usuários da via – como bicicletas, ônibus de linha e fretados, caminhões e até os pedestres – como obstáculos à santificada fluidez do automóvel particular com uma única pessoa dentro.
Espero poder ver a avenida símbolo de São Paulo, que tem se tornado um exemplo de acessibilidade, se tornar também um exemplo de inserção segura da bicicleta no fluxo viário. E que ela sirva de exemplo – de acessibilidade, de convivência, de compartilhamento da via – para o resto da cidade.
Todos têm a ganhar com isso. Até mesmo quem prefere continuar usando o carro.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo .
Tags: desrespeito ao ciclista, mais bicicletas, vista grossa
10/08/2009 - 19:15
Imagine essa propaganda:
Música animada. Rapaz bonitão e bem vestido, de óculos escuros, andando em câmera lenta, com a câmera filmando de baixo para cima, mostrando o céu azul atrás dele. Imagens bem produzidas, filmagem em ângulos bem escolhidos. Mudança de ângulo, com câmera parada enquanto ele passa e as moças sorrindo para ele de forma insinuante. Ele abaixa um pouco os óculos e retribui um olhar.
Mais à frente, amigos sentados em um carro acenam para ele sorrindo e jogam uma lata de cerveja para cima. A lata sobe rodando. Com um sorriso no canto da boca e olhando por cima dos óculos, ele saca rapidamente a pistola, gira a arma na mão e dá um tiro certeiro na lata, que espirra cerveja para todos os lados.
O grupo de amigos comemora rindo a chuva de cerveja. Um deles abre os braços e coloca o rosto para cima de boca aberta, outro aponta os dois indicadores para o pistoleiro, como quem diz “você é o cara”, enquanto ele se aproxima e os cumprimenta.
Um dos amigos coloca uma lata em cima da cabeça e aponta para ela, provocando o pistoleiro. Em um movimento rápido, ele apoia a arma por cima do outro braço, fazendo pose, aperta o gatilho sem fazer pontaria e a lata sai rodando de cima da cabeça do amigo, sendo apanhada pelo colega que está atrás dele. Ato contínuo, esse colega abre a lata, que espirra cerveja para todo lado.
Close no capô do carro, com a arma sendo colocada com força em cima dele, com a marca bem à vista, ao lado do slogan “proteção e diversão”. O locutor convida: “Ficou com vontade de dar uns tirinhos? Ligue agora para a nossa central e agente um teste”.
No começo do comercial, havia um aviso para não tentar reproduzir as cenas mostradas, pois foram realizadas por um atirador profissional. Mas logo abaixo desse aviso, a mensagem continuava dizendo que não há truques de filmagem e que a arma utilizada é a mesma vendida nas boas lojas do ramo, sem nenhuma adaptação. Um pequeno aviso de “imagens meramente ilustrativas” acompanhou as cenas o tempo todo em um canto da tela, mas quem reparou nisso?
Esse comercial – que é bom deixar claro: não existe – seria uma incitação ao crime de disparo de arma de fogo em lugar público e deveria dar cadeia a quem o produzisse.

Agora lamente essa outra:
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“Teste os limites desse carro”.
Imagem: reprodução |
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Lendo uma notícia comum na internet, um pequeno banner chama atenção pelo movimento: um carro fazendo “zerinho” e soltando fumaça dos pneus. O texto convida a “desafiar” o novo modelo de um carro esportivo. Curioso e empolgado, o adolescente (ou adulto “amante da velocidade”) clica.
Em uma nova janela, com música agitada, imagens de vídeo em diversos ângulos de um carro “fritando” os pneus. O site diz que “este carro já vem pronto para rasgar na pista” e oferece a oportunidade de “desafiar” o carro esportivo de alta potência.
A pulsação da vítima do marketing aumenta e ele se ajeita na cadeira. A peça publicitária fala sua língua e acaba de fisgá-lo. Ele clica, ansioso por começar o desafio. Arrasta alguns cones em uma tela, como se estivesse montando uma pista de provas, podendo inclusive escolher uma “câmera interna”, para se sentir dentro do carro. Terminando de posicionar os obstáculos, clica para ver como o carro supera o desafio imposto, ansioso pela emoção de ver uma máquina de 140 cavalos sendo pilotada de maneira agressiva.
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O carro “já vem pronto para rasgar na pista”. As imagens que passam no fundo, com a fumaça saindo dos pneus, dão o mote da venda: um carro para barbarizar nas ruas.
Imagem: reprodução |
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Enquanto os vídeos são carregados, surge uma mensagem dizendo para não tentar repetir as próximas cenas, pois elas foram feitas com pilotos profissionais. Subentende-se que com experiência e treinamento é possível fazer tudo aquilo que será visto a seguir, idéia reforçada com a mensagem seguinte: “não existe nenhum truque nas filmagens” e o carro “é o mesmo que você encontra nas concessionárias, com todos os itens de série”.
Gastando o máximo de pneus e gerando muita fumaça de borracha queimada, um piloto de capacete e sem mostrar o rosto, com luvas e uniforme negros como o carro, é nosso herói pistoleiro, que guia a bala magicamente por entre os cones em tempo recorde.
A adrenalina do espectador, que adora carros e velocidade, vai a mil com a demonstração de destreza e confiança dada pelo piloto, o homem sem rosto que poderia ser ele. Aproveitando a guarda baixa, o site dá a última sugestão para a mente influenciável: “Ficou com vontade de dirigir o Astra 2010? Clique e agende um test drive.”
A pessoa que decidir pela compra desse carro não vai adquiri-lo para dirigir a 70km/h, fazendo curvas com segurança. Isso para mim está bastante claro.
Me parece uma incitação a um crime que, nesse caso, é o de direção perigosa. Isso deveria dar cadeia.

Mas não é exagerada essa comparação?
Veja o que diz a lei e tire sua conclusão:
| Disparo de Arma de Fogo
L-010.826-2003 Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável. |
Direção Perigosa de Veículo na Via Pública
DL-003.688-1941 Art. 34 – Dirigir veículos na via pública, ou embarcações em águas públicas, pondo em perigo a segurança alheia:
Pena – prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses, ou multa. |
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Ambas as situações são crimes. Teoricamente, a diferença é que se você colocar outras pessoas em risco com um carro a pena é menor e você pode sair sob fiança. Teoricamente, porque na prática é MUITO difícil alguém ser preso por direção perigosa. Parece até ser um crime “socialmente aceitável”, já que é raro a pena ser aplicada. Sempre aparecem desculpas e argumentos para provar que a máquina escapou ao controle e agiu sozinha, convertendo a pena, quando aplicada, em no máximo uma multa, como prevê a mesma lei.
Ah, é claro, se eu disser aqui que, com essa propaganda, quem vende a arma está incentivando o crime, vão alegar que não e ainda é capaz de me processarem. Afinal, avisaram para não fazer isso em casa e colocaram uma frase dizendo que é tudo meramente ilustrativo, o que significa que as pessoas vão entender sim que aquilo não deve ser feito e é tudo uma brincadeira. Então tá, então eu não digo…

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia .
Tags: legislação, marketing sem limites, vista grossa
23/07/2009 - 13:30
É incrível como ainda tem bastante gente que acredita, de verdade, que essa ampliação da Marginal Tietê vai mesmo melhorar o trânsito. Pode haver uma melhora imediata em pontos próximos à Marginal, por haver mais espaço para acomodar os carros parados ou a 20 km/h. Mas rapidamente esse espaço será retomado pelo aumento no número de veículos nessa via, seja pelo crescimento contínuo e acelerado da frota paulistana, seja pela opção que os motoristas farão pelo uso das novas pistas em vez de circular por vias adjacentes – como aconteceu com a Ponte Estaiada logo no primeiro dia útil após a inauguração.
Há carros demais circulando e a cada dia somam-se a eles cerca de mil novos veículos. Pra melhorar o trânsito, só com menos carros nas ruas. E para que isso seja possível, só investindo em formas alternativas de locomoção: trens, metrô, bicicletas, ônibus de linha e ônibus fretados.
Ampliar as avenidas, fazer novas pontes e túneis e aumentar o espaço destinado aos carros de forma geral só incentiva seu uso. O efeito é contrário ao esperado e os congestionamentos aumentam em progressão geométrica. Basta ver os jornais alardeando a cada pouco que houve novo recorde de congestionamento: há dois anos, 220 km era o “recorde do ano”; recentemente, chegamos quase aos 300.
Isso tem acontecido há décadas mas pouca gente percebe, por dois motivos principais. Primeiramente, por ser um crescimento exponencial, os congestionamentos foram aparecendo devagar e as obras para abrir mais espaço foram conseguindo manter um nível aceitável por muito tempo. Mas o crescimento agora é tão rápido e o espaço tão exíguo, que não há mais como adiar o problema criando mais vias.
O segundo e mais preocupante motivo é porque o uso carro está enraizado em nossa cultura. Nascemos em famílias que aspiravam ter um carro ou, se o tinham, sempre quiseram trocá-lo por outro melhor, algumas chegando ao absurdo de trocar de carro todo ano. O carro passou a fazer parte da vida e das aspirações das pessoas, que tiveram seus sonhos construídos por marketing e ambiente familiar ao longo da infância, de modo que o ritual de passagem para a vida adulta passou a ser a conquista da carteira de habilitação.
É por isso que, quando alguém diz precisamos quebrar a dependência do automóvel com formas de transporte alternativos, ocorrem tantas reações viscerais. À maioria das pessoas pode parecer realmente um absurdo, mas é preciso reflexão.
E nem é preciso estudar a fundo o assunto. Basta fazer um exercício de imaginação para pensar em como será a cidade daqui dez anos, se continuarmos no mesmo caminho, valorizando o direito de cada um de ter um carro e a circular com ele quando bem entender, todos saindo com eles nas ruas ao mesmo tempo e nos mesmos horários, com o limite de espaço físico que a cidade tem. E não precisa nem levar em conta o crescimento populacional, nem pensar na qualidade do ar, nos acidentes de trânsito, na perda de espaços públicos de convivência como os parques para avenidas e viadutos: pense apenas nos congestionamentos.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . São Paulo parada .
Tags: carro rei, vista grossa
07/07/2009 - 14:18
Segundo estimativa da Anfavea, a associação das montadoras de veículos, a redução de IPI causou a venda adicional de 250 a 300 mil carros no primeiro semestre desse ano. As vendas totais foram 3% maiores que o mesmo período do ano passado e 2009 será o melhor ano da história para a indústria automobilística.
Agora chega, né? Já é hora de percebermos que tem algo de muito errado nessa dependência que o país tem das montadoras de veículos. Vende-se a idéia de que se as montadoras forem mal, o país vai mal. Isso é verdade até a página 3.
É certo que, quanto maiores as vendas, mais gente tem emprego. Mas quanto maiores as vendas, mais carros nas ruas também. Mais poluição no ar, mais mortes em acidentes de trânsito e em rodovias. O custo do automóvel para a sociedade é muito mais alto do que pode parecer. Até que ponto vale vendermos nosso presente e futuro com a justificativa de manter empregos (mesmo sem garantias disso)?
Você seria a favor de desmatar toda a Amazônia e vender a madeira? Ora, seriam criados milhares de empregos e o país encheria os cofres… Mas não dá, né? Descontadas as devidas proporções, estimular a venda de carros recai em um problema semelhante.

Trabalhando para as montadoras, o governo arma uma arapuca para si mesmo. O aumento do número de automóveis faz aumentar a demanda e a pressão popular por pontes, estradas, viadutos. O aumento da infraestrutura aumenta mais ainda a demanda, formando um ciclo. Progresso? Sim, talvez. Progresso sustentável? Nem de longe!
Se o país investisse mais em ferrovias e hidrovias do que em rodovias, não teríamos tantas mortes nas estradas. Não teríamos tantos caminhões, que acabam sendo culpados pelos congestionamentos nas cidades por onde precisam trafegar.
Se os municípios inevstissem mais em transporte público do que em alargamentos de avenidas e em pontes, teríamos menos congestionamentos e mais qualidade de vida.
E quem trabalha na indústria automobilística, e os empregos indiretos nas fábricas de peças e outros setores ligados ao automóvel? Desemprego em massa? Fome, guerra, morte? Se jogarem uma bomba em cada montadora e elas sumirem do dia para a noite, sim, mas é óbvio que a quebra dessa dependência deve ser gradual. Só que ela precisa começar!
Um primeiro passo seria desenvolver políticas públicas de reciclagem profissional, para que o torneiro mecânico que trabalha com isso há décadas seja capaz de trabalhar em outra área, talvez até com um rendimento maior. Junte a isso a transferência dos incentivos fiscais e financiamentos, hoje dados habitual e continuamente às montadoras, para outros setores de atividade econômica.
Por que não se incentiva a indústria têxtil, que tem perdido tanto espaço para os produtos chineses? Ou a de calçados? Transfiram os benefícios para a agricultura e a indústria alimentícia básica, para produzirmos aqui e vendermos lá fora… Transfiram os trabalhadores de setor, com treinamento e ensino adequados, para que possam ter uma vida melhor do que a que têm hoje.
Nosso atual presidente sabe muito bem como os trabalhadores com pouca especialização foram tratados ao longo de décadas e o quanto foi difícil conseguir que conseguissem direitos básicos e um mínimo de dignidade. Se eles tivessem opção de trabalhar em outro setor, teriam se mudado e pronto, as montadoras que se virassem para reconquistá-los.
O Brasil não tem que trabalhar para as indústrias do automóvel e do petróleo, levando de carona as empreiteiras que participam de obras viárias milionárias. Quanto dinheiro o país gasta, direta e indiretamente, com essa dependência absurda? Mesmo sem sabermos o valor – e ele passa facilmente da casa dos bilhões – podemos deduzir que dá para se mudar o país com essa mudança de foco.
Só é preciso começar. E um bom começo seria fechar a torneira.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia .
Tags: o custo real dos carros, vista grossa
01/07/2009 - 20:51
No ano passado, às beiras da eleição, a Prefeitura de São Paulo divulgou uma medida para melhorar o trânsito: o rodízio de caminhões. Na época, escrevi um texto explicando por que o rodízio não adiantaria nada, mas os números divulgados pela própria Prefeitura falam por mim: de um ano para cá, a velocidade média dos carros caiu 16,6%.
Quando escrevi sobre o rodízio de caminhões, concluí dizendo que logo encontrariam outro culpado da vez. Tá aí: o culpado da vez são os ônibus fretados.
Boa parte dos usuários de ônibus fretado são pessoas que têm carro ou que possuem recursos para tê-lo, mas que preferem não se estressar nos congestionamentos, ou usam essa alternativa para economizar dinheiro. E, ao contrário do que possa parecer a quem não conhece o serviço, nem todo mundo mora fora da cidade: muita gente opta pelo fretado para não utilizar ônibus e metrô lotados. Há várias linhas que saem da Zona Leste da cidade para ir à Zona Sul, por exemplo.
Essas pessoas não passarão para o transporte público. Alguém que pega o fretado perto de casa e desce perto do trabalho não vai trocar essa opção por ônibus + metrô, muito menos fretado + trem + ônibus. Com as novas regras, muita gente vai tirar o carro da garagem ou dar entrada em um. Quem vai querer trocar uma hora de fretado por duas de ônibus, metrô, baldeações, se além de levar mais tempo, ainda vai gastar mais?
O que “atrapalha” mais? 1.300 ônibus ou 24.000 carros?
O presidente da Associação de Passageiros e Executivos de Itaquera, Sisinio de Oliveira Leão, disse que 72% dos usuários migrarão para o carro. Exageros à parte, se das 48 mil pessoas que utilizam os fretados, metade passar a usar o carro, teremos 24 mil carros a mais nas ruas. O efeito será oposto. Mas como o número se dilui em meio a tantos outros, será perdida a relação de causa e efeito.
Apesar do cálculo ser simples e claro, o prefeito Gilberto Kassab não acredita que a medida possa aumentar a circulação de carros. Não é o que pensa a poulação. O Estadão está com uma enquete no ar, perguntando se você concorda com a proibição aos fretados: veja o resultado atual e vote.
Até os pedestres são penalizados pelo excesso de carros, como se fosse também por sua culpa a lentidão do fluxo de veículos. Se esse raciocínio absurdo continuar, logo vão querer tirar até as bicicletas das ruas, alegando que são elas que atrapalham o fluxo dos carros…
Saiba mais
Leia o ótimo post do site Apocalipse Motorizado sobre esse assunto.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . São Paulo parada .
Tags: carro rei, vista grossa
26/06/2009 - 17:51
Para os cidadãos
Saiba como a “revolta das freeways” barrou, ao longo de décadas, a insanidade do rodoviarismo em San Francisco, na Califórnia (EUA). As propostas de estimular o transporte individual motorizado, aumentar as distâncias urbanas, espalhar a cidade e agravar as condições ambientais e de mobilidade foram contestadas e impedidas pela participação e pressão popular.
Um belo exemplo para os paulistanos, que começam a se mobilizar mas ainda podem demonstrar muito mais força. Reclamar na internet, comentar com o vizinho, tudo isso ajuda, mas não resolve. Nesse domingo mostre, com sua simples presença, que você não compactua com esse absurdo que é a ampliação da Marginal Tietê. Omitir-se é ser conivente ao crime.
Para o governo e o município de São Paulo
Vejam o exemplo do rio Cheonggyecheon, em Seul, na Coréia do Sul:
- os viadutos e pistas que margeavam e cobriam o rio foram derrubados
- o concreto resultante da demolição foi reciclado
- o rio foi despoluído
- parques lineares foram construídos ao longo do rio, dentro da cidade
- a população ganhou 400 hectares de áreas verdes, distribuídas por oito quilômetros
- o sistema de transporte coletivo foi ampliado, o que significou uma redução no número de veículos nos arredores
- a temperatura na área do rio passou a ser em média 3,6°C menor que a do resto da cidade
O prefeito Lee Myung-bak enfrentou resistências, sobretudo de comerciantes, que foram relocados para dar lugar ao parque. Mas seguiu em frente e colheu os resultados de sua coragem e pioneirismo. Ele ficou na prefeitura de Seul até 2006 e, no ano seguinte,
venceu as eleições presidenciais com mais de 50% dos votos, contra cerca de 26% do seu maior opositor.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia ., . São Paulo parada ., . Cuidando do planeta .
Tags: ecologia, lá fora, mude o mundo, o custo real dos carros, poluição, vista grossa
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