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05/10/2009 - 18:00

Futura ciclovia da Marginal Pinheiros em vídeo

No dia em que fizemos o reconhecimento da pista da futura ciclovia da Marginal Pinheiros, documentei parte do percurso em vídeo, com diversos comentários. Assista abaixo:

A idéia dessa ciclovia não é nova. Veja matéria da Renata Falzoni, de 2006, em que se propunha pistas de ciclovia em ambas as margens, como parte do projeto de um parque ao longo do rio Pinheiros:

Saiba Mais
O projeto original do parque ao longo do Rio
Ecologia Urbana

Panis et Circensis, Ciclovia da Marginal deve sair do papel
Renata Falzoni

A ciclovia da Marginal Pinheiros, finalmente
CicloBR

Sugestões para a ciclovia da Marginal Pinheiros
+Vá de Bike!+

Futura ciclovia da Marginal Pinheiros
+Vá de Bike!+

Ciclovias não são a solução milagrosa
+Vá de Bike!+

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo . Tags: , ,
05/10/2009 - 09:10

Sugestões para a ciclovia da Marginal Pinheiros

Ciclovia da Marginal Pinheiros
Ciclovia da Marginal Pinheiros: a questão dos acessos é fundamental para que ela se torne útil.
Foto: Willian Cruz / +Vá de Bike!+

Acontece hoje, dia 05 de outubro, às 14h30, uma audiência pública sobre a Ciclovia da Marginal Pinheiros. O objetivo é ouvir sugestões dos ciclistas para a obra.

A reunião é aberta e será no Palácio dos Bandeirantes – Av. Morumbi, 4500, na Sala de Imprensa (2º andar). Os ciclistas que forem à reunião poderão entrar pelo Portão 2, na própria Avenida Morumbi, e estacionar ao lado da estufa.

O horário é complicado pra mim e infelizmente não poderei estar lá, mas sei que as idéias que defendo estarão muito bem representadas por vários outros cicloativistas que compartilham da mesma visão.

Se puder, apareça por lá e ajude a mostrar que a mobilidade por bicicleta interessa a muita gente em São Paulo. A presença de ciclistas nessa reunião é muito importante. Vai ter um pessoal saindo da Praça do Ciclista (Paulista com Consolação) às 13h. De bike, é claro.

Sugestões

Embora eu não possa comparecer, ficam aqui minhas sugestões:

  • Iluminação e funcionamento durante a noite
    Se é pra ir e voltar do trabalho, tem que poder usar à noite. Não dá pra pedir pra sair às 16h do serviço com o argumento que senão a ciclovia fecha às 18h, certo?
    -
  • Acessos
    Se só tiver um em cada ponta, ou se mesmo tendo vários eles não forem fáceis de usar, a ciclovia não terá muita utilização, os ciclistas vão preferir ir por fora, mesmo correndo risco. E, como muita gente comentou por aí (e por aqui também), um acesso à USP será extremamente útil. Muita gente vai de bicicleta à Cidade Universitária e a ciclovia vai passar do lado, embaixo da ponte que leva esse nome.
    -
  • Sinalização na ciclovia
    Quando tivermos os acessos, seria interessante ter sinalização na ciclovia indicando as saídas e quais os bairros e estações de trem próximas. Como aquelas placas verdes que existem nas ruas para ajudar os motoristas de carro, mas obviamente não precisam ser enormes daquele jeito, só precisam ser visíveis. No caso de estação de trem, indicar se ela tem bicicletário.
    -
  • Sinalização FORA da ciclovia
    Para indicar ao ciclista que há uma ciclovia ali no meio e que ela pode ser usada, indicando o acesso mais próximo (próx. acesso a 200m, sobre a ponte tal). Senão vai ter muito ciclista que não acompanha as notícias, não vai ficar sabendo que tem uma ciclovia ali e vai continuar trafegando pela Marginal Pinheiros. Ótima oportunidade para o governo fazer um marketing da obra e ser útil ao mesmo tempo. E também serve para mostrar ao motorista que aquele ciclista está ali porque está indo até um acesso, não adianta buzinar nem jogar o carro em cima que ele não tem como  sair voando até a ciclovia.
    -
  • Sinalização de limite de velocidade na ciclovia
    Que? Como assim? Limite de velocidade para a bicicleta? Não… é para os motoristas da EMAE, já que a ciclovia será compartilhada com os carros e caminhões de serviço da empresa. Creio que 30km/h seria um limite seguro. Trafegar com faróis acesos também pode contribuir na segurança.
    -
  • Banheiros e bebedouros
    Acho legal ter banheiros a cada 3km, nem que seja aquele banheiro químico nojentão (melhor que começarem a fazer xixi pra tudo que é canto). E colocar uma placa: BANHEIRO. E junto aos banheiros deve ter bebedouros também, que podem ser no estilo daqueles do Parque do Ibirapuera.
    -
  • Posto de Serviços
    A idéia de um posto de serviços lá no final da ciclovia, que foi comentada pelo pessoal da CPTM no dia da inspeção, é ótima. Para pequenos consertos do tipo pneu furado, regulagem de marchas e freios, corrente quebrada, etc. Aliás, eu acho que podia ter isso em todos os bicicletários públicos da cidade, mas enfim.

Veja também os comentários do André Pasqualini, no CicloBr.

E o mais importante

Mais do que uma ciclovia que atende a um trajeto específico, o que a gente precisa é começar a se movimentar para acabar com essa idéia generalizada de que a solução pra bicicleta é só ciclovia e ciclofaixa. Senão acontece o que já está acontecendo: tem ciclista comentando sobre motorista que manda sair da rua e grita que é só de domingo, mesmo onde não é trajeto da ciclofaixa de lazer. Eu mesmo já escutei “vai pra ciclovia” em lugar que nem ciclovia tem.

Ciclovia é bom para proteger o ciclista do tráfego rápido, mas tem um efeito colateral bem perigoso que é a disseminação do conceito errôneo de que que lugar de bicicleta é só em ciclovia, resultando em motoristas que ameaçam a vida de ciclistas achando ainda que têm razão. Esse sim é o maior perigo para o ciclista nas ruas, maior até que os motoristas que cometem excesso de velocidade, porque um motorista mal informado e ignorante desses coloca em risco a vida de um ciclista só para provar que está com a razão (e nem mesmo está). Isso só se combate com campanhas de esclarecimento e sinalização em vias principais (como a Paulista por exemplo), indicando a presença de bicicletas em meio ao tráfego. Mas disso, ninguém fala.

Veja algumas pequenas ações que fariam muita diferença para a segurança do ciclista nas ruas.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo . Tags: , , , ,
26/09/2009 - 01:05

Futura ciclovia da Marginal Pinheiros

Reconhecimento da Ciclovia da Marginal Pinheiros
Um gerente de operações da CPTM nos acompanhou pedalando

Na manhã de sexta-feira, dia 25, o +Vá de Bike!+ percorreu o caminho da futura ciclovia da Marginal Pinheiros, junto com funcionários da CPTM, Soninha Francine, CicloBR, Transporte Ativo e outros cicloativistas. Fomos convidados para conhecer o percurso e fazer sugestões.

Segundo informações prestadas pela CPTM no local, as obras começariam nessa segunda-feira, dia 28, com previsão de entrega de até 120 dias.

Percurso

Na fase inicial, a ciclovia irá da estação Vila Olímpia da CPTM até perto da represa Billings, num trajeto de cerca de 14km. A idéia é ampliá-la até o Parque Vila Lobos, num total de 22km, mas para isso precisa ser estudada a criação de um acesso ao parque.

Ciclovia Marginal Pinheiros - mapa

Pelo que o CicloBR apurou no local, também precisa ser feita uma recuperação do asfalto nesse segundo trecho.

Veja o mapa que o +Vá de Bike!+ preparou, com o percurso total da ciclovia, clicando na imagem ao lado.

A pista

Já existe uma pista no local, utilizada hoje pela EMAE. Essa via é praticamente uma ciclovia pronta, como já mostrou o CicloBR no ano passado, faltando apenas os acessos a ela. Hoje ela é utilizada por veículos de manutenção da EMAE e por alguns funcionários da empresa que a usam como atalho para fugir do trânsito da Marginal.

Ciclovia Marginal Pinheiros - Foto: Willian Cruz/+Vá de Bike!+
Pista da futura ciclovia.Embaixo da placa, algumas capivaras.

Segundo a CPTM, estes não poderão mais utilizar a pista, enquanto os veículos de manutenção, que precisam realmente utilizá-la, continuarão fazendo isso bem sinalizados e em velocidade compatível com a presença de ciclistas. Isso não deve ser um problema, já que a pista tem quase quatro metros de largura e pode muito bem ser compartilhada com os poucos veículos que realmente precisam passar por ali.

Não vejo necessidade de pintar a pista de vermelho, já que ela não está inserida em meio ao tráfego comum das ruas e não precisa ser destacada em relação a outras faixas. Seria interessante apenas pintar o símbolo da bicicleta no chão e, futuramente, sinalizar as saídas.

Em todo esse primeiro trecho, da Estação Vila Olímpia até perto da Billings, o asfalto está ótimo. No caminho inteiro vi apenas UM buraco e, mesmo assim, não era lá grande coisa.

Gradil

A pista segue praticamente todo o caminho acompanhando os trilhos do trem, a uns bons metros de distância. Mas, por segurança, será colocada uma grade em toda essa extensão, para evitar que alguém resolva arriscar a vida se aproximando dos trilhos.

Acessos

A maior dificuldade são os acessos: de início haverá apenas dois, um em cada ponta. Outros estão sendo estudados, pois envolvem alterações nas pontes. Não é possível utilizar os mesmos acessos das estações porque eles não levam além dos trilhos e porque eles ficam além das catracas – e a idéia é que o acesso à ciclovia seja gratuito, claro.

Adaptar as pontes pelo caminho para permitir o acesso dos ciclistas é realmente a melhor solução, até porque serve como forma de integrá-los ao tráfego, com sinalização e travessias adequadas, ao sair da ciclovia e voltar para as vias de uso comum. E o acesso fica muito mais simples e prático se feito diretamente pela ponte em vez de obrigar o ciclista a entrar pelas estações, até porque elas ficam apenas de um lado do rio e nem sempre junto a pontes.

Vila Olímpia

O acesso será feito por uma passarela, que hoje é de uso restrito, ao lado da estação. Essa passarela é composta de vários lances de escada, mas será adaptada para ter rampas. A adaptação está em estudo.

Autódromo

Na outra ponta, que fica perto da estação Autódromo (porém do lado “de cá” do rio), a proposta é fazer uma praça de serviços ao ciclista, com banheiros, posto de consertos e outros serviços que estão sendo estudados. Aliás, seria bom colocar alguns banheiros ao longo do trajeto…

Nesse local é possivel fazer um acesso relativamente simples à R. Miguel Yunes, sem precisar de passarela ou adaptações.

Cenário

Ciclovia Marginal Pinheiros - Canteiro floridoO que mais me impressionou foi o cenário que encontrei ali. Eu esperava ver uma paisagem desolada, apenas com lixo e mau cheiro, mas me surpreendi: apesar de poluído e sujo, o rio é muito bonito. Em volta, muitas árvores, flores, pássaros e capivaras. Dali de baixo temos uma visão diferente da cidade.

Saindo da estação Vila Olímpia em direção à Autódromo, entre a ciclovia e os trilhos do trem há um canteiro largo com árvores e plantas de vários tipos. Algumas pequenas árvores exibiam pequenos frutos alaranjados em cachos, misturados a algumas flores roxas eventuais. Outras tinham todas as folhas em tons de vermelho. Outras ainda estavam totalmente floridas.

Ciclovia Marginal Pinheiros

É possível ver e ouvir muitos pássaros pelo caminho. Embora o congestionamento da Marginal entoe ao fundo o costumeiro “mi-mi-mi!” dos motociclistas, o som dos pássaros se fez ouvir em várias ocasiões. Chegamos a ver um pica-pau com a cabeça alaranjada, garças, alguns pássaros com um rabo bem longo e fino (não faço idéia de qual a espécie, nunca tinha visto) e outros mais comuns à fauna urbana, como pardais e um pássaro marrom de peito alaranjado que eu também não sei qual é (desculpem, não entendo muito de aves, só as admiro).

Ciclovia Marginal Pinheiros - GarçasO rio, largo e de águas tranquilas, com suas margens verdes e as garças voando por cima, dá uma visão bonita, mas estragada eventualmente por alguns montes de plástico acumulados na margem oposta. Conforme avançamos em direção à represa, era possível ver cada vez mais lixo boiando no rio e o paisagismo foi deixado de lado. Espero que, agora que a margem começará a ser frequentada, estendam o trabalho de paisagismo até o trecho “menos nobre”.

Lixo

Ciclovia Marginal Pinheiros - pilhas de lixoNas partes onde há um maior acúmulo de lixo no rio e as balsas trabalham fazendo a limpeza, é possível ver muito plástico boiando. Há algumas pilhas de lixo e entulho na margem oposta, que foram retirados do rio. A maior parte do lixo é composta de plástico: garrafas PET, sacos plásticos, embalagem de amaciante, de margarina, de biscoito. Até aquele papelzinho amassado que muita gente joga pela janela do carro ou “deixa cair” disfarçadamente ao andar na rua periga estar ali, boiando ao lado de inúmeras bitucas de cigarro.

Ciclovia Marginal Pinheiros - Estação de flotaçãoPercebe-se, pelas estações de flotação e balsas, que há um esforço em tentar limpar o rio, mas não adianta limpar se o lixo continua chegando. Além de lixo “visível”, há esgoto misturado à água. E o esgoto que vai parar no rio é todo de construções irregulares e favelas sem saneamento básico, que descarregam direto nos rios, certo? Errado. Há muitos edifícios de classe média e classe alta, não muito antigos (alguns até novos) que descarregam o esgoto na galeria de águas pluviais, aquela por onde escorre a enxurrada em dias de chuva depois que entra numa boca de lobo. Aquela galeria desemboca em um rio, levando com ela tudo que for jogado ali, seja o lixo que estava na rua ou o esgoto daquele prédio bonitão que você nem desconfia.

E o cheiro?

No início do percurso, dava para sentir o cheiro do rio, mas de forma suportável. Duas estações depois, o cheiro havia sumido, voltando só na altura das estações de flotação, lá na frente. Dizem que com o aumento da temperatura da água em dias de calor, as bactérias realizam mais seu trabalho de decomposição do esgoto que está misturado no rio e o cheiro fica mais forte.

Potencial turístico

Ciclovia Marginal Pinheiros - Canteiro e tremSe for possível limpar o rio a ponto de eliminar o lixo “visível” e o esgoto invisível (mas perceptível), as margens do rio seriam ótimas para lazer e, por que não, passeios turísticos. Seria possível inclusive estimular passeios turísticos de bicicleta, alugando as magrelas para os visitantes de outras cidades e países conhecerem a cidade por outro ângulo.

Em alguns pontos, poderia haver restaurantes ou cafés, atraindo frequentadores para as margens durante os finais de semana e talvez até durante a semana. As margens já estão muito bonitas e podem ficar ainda mais se o rio for despoluído.

Avaliação

A ciclovia pode ajudar centenas (talvez milhares) de ciclistas que trafegam pela Marginal Pinheiros todos os dias. A área de várzea da Marginal, sem subidas, aliada à falta de alternativas viáveis ao ciclista em quase todo o percurso, já torna a Marginal Pinheiros a escolha de muitos ciclistas, ao menos em parte do trajeto. Na ciclovia, eles estarão protegidos do tráfego agressivo das pistas que a rodeiam.

Mas ainda é necessário criar vários acessos, para atender também a quem precisa entrar ou sair da ciclovia antes dos pontos incial e final. Isso está nos planos, mas não pode demorar.

Se for criado um acesso da Ciclofaixa de Lazer (que liga os parque do Ibirapuera, do Povo e das Bicicletas aos domingos) até a entrada dessa ciclovia, ela se tornará uma ótima opção para quem quiser fazer um passeio diferente de bicicleta no final de semana.

A experiência de pedalar ali e se sentir perto do rio que a cidade esqueceu vale a pena.

Vídeo

Assista a matéria em vídeo produzida pelo +Vá de Bike!+, com imagens gravadas na futura ciclovia:

Sugestões

Veja aqui as sugestões do +Vá de Bike!+ para que a ciclovia da Marginal Pinheiros seja realmente útil e importante para a mobilidade por bicicleta na cidade de São Paulo.

Leia mais no Último Segundo.

Fotos: Willian Cruz / +Vá de Bike!+

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo . Tags: , , , ,
11/09/2009 - 14:24

É possível educar os motoristas

E nem é tão difícil assim: sinalização nas vias já é um bom começo. Veja na imagem abaixo como os carros respeitam o chão pintado de vermelho. Foto tirada na Av. República do Líbano, em frente ao Portão 8 do Parque do Ibirapuera, na última quarta-feira, de manhã.

Como comentado no post Pequenas ações que tornariam as ruas mais seguras, sinalização vertical (placas) e horizontal (solo) avisando aos motoristas que naquela via há tráfego de bicicletas legitimam sua presença e trazem mais segurança aos ciclistas que compartilham a via com os automóveis. E, no caso acima, separar o fluxo de bicicletas da travessia de pedestres traz mais segurança para ambos.

Detalhe: rebaixar a guia ajudaria bastante… ;)

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte . Tags: , ,
02/09/2009 - 20:50

Está para começar a década da bicicleta

Foto: luddista

Bicicleta agora é hype. É bonito. É verde. Vende. Imprensa, empresas e o poder público têm percebido a pressão popular pelo uso da bicicleta, tanto pelo enfoque ecológico e sustentável, quanto pelo da diminuição dos congestionamentos, e traduzido isso, respectivamente, em matérias positivas (e propositivas), em campanhas de marketing e em obras de infra-estrutura.

É a revolução de baixo para cima. A revolução que não será televisionada, será simplesmente pedalada. Sem muita pressa, sem muito alarde.

Jornais, que sempre tiveram uma posição questionável sobre o assunto agora percebem que é politicamente correto apoiar a bicicleta, chegando até a destacar isso textualmente, para não deixar dúvidas. A TV, que antes criticava o uso da bicicleta e os movimentos cicloativistas, agora adota discurso pró-bicicleta até em matérias de tema esportivo e convida os cicloativistas para participações ao vivo em seus programas.

As empresas, que antes viam a bicicleta apenas como “coisa de pobre”, já perceberam seu potencial de marketing como símbolo de inovação, mudança, melhoria e atitude.

Até as propagandas de carro, que antes mostravam a bicicleta com antipatia ou como um perigo ao precioso automóvel agora mostram uma bicicleta ou duas no fundo, para dar sensação de bem estar a quem assiste. Ou, pior (e patético), tentam comparar o carro com a bicicleta para mostrar sua suposta superioridade.

E o poder público, que alguns anos atrás tratava os cicloativistas como um bando de arruaceiros, agora os tem recebido em reuniões e conversas para levar em consideração sua opinião e experiência.

O uso da bicicleta cresceu muito nos últimos anos. A própria imprensa repete isso toda semana. As Bicicletadas aqui em São Paulo, que no início reuniam meia dúzia de pessoas, agora juntam sempre um mínimo de 200 (em dias frios e de chuva), tendo uma média de 300 pessoas.

Havia mais de 500 bicicletas no Dia Mundial Sem Carro do ano passado. Em 2007, quando vi umas 300 bicicletas na Avenida Paulista, rolou uma lágrima de emoção pelo meu rosto (e no da Renata Falzoni também – eu vi). Hoje em dia há até movimentos organizados, como o Nossa São Paulo, carregando a bandeira do Dia Mundial Sem Carro e organizando diversos eventos.

Como disse o secetário de esportes daqui de São Paulo outro dia, em uma dessas reuniões em que cicloativistas foram convidados, “chegou o momento da bicicleta e nada pode segurar isso”. E é a pura verdade. Nesse ano passamos nosso break even point ciclístico.

Claro, ainda há MUITO a mudar, mas pela primeira vez consigo visualizar um horizonte. Não damos mais (tanto) murro em ponta de faca. A opinião púbilca agora entende melhor o que falamos há anos, sobre o exagero do culto ao carro, sobre a ineficiência de se investir em mais vias para os automóveis, sobre a viabilidade da bicicleta como meio de transporte. As pessoas não vêem tanto o uso da bicicleta como coisa de maluco ou de atleta, mas sim como algo que gostariam de fazer mas ainda não tomaram coragem. Logo a coragem aparece em muitas delas, com um empurrãozinho do trânsito caótico e uma pitada de infraestrutura cicloviária.

Antes, pedalávamos morro acima sob vaias, numa ladeira íngreme e com vento contrário. Alguns poucos nos viam como malucos corajosos, a maioria nos taxava de loucos que não tinham o que fazer. Agora estamos quase no topo da ladeira, a subida começa a ficar mais suave e o vento está mudando.

Que venha a próxima década, que será inevitavelmente das bicicletas.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte ., Sem categoria Tags: , , ,
31/08/2009 - 20:54

Ciclofaixa de Lazer – em vídeo

Vídeo mostrando como foi pedalar na Ciclofaixa de Lazer inaugurada nesse domingo, com alguns comentários durante o vídeo e no final.

Veja também as fotos.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo . Tags: , , , ,
31/08/2009 - 19:45

Inauguração da Ciclofaixa de Lazer

Muita gente. Mais do que esperavam. Mais de nove mil pessoas, mostrando que há demanda reprimida para o uso da bicicleta nas ruas. Pais com os filhos, bicicletas diferentes, Parque das Bicicletas cheio de gente, ciclofaixa com muita gente em todos os trechos. Muita gente indo conhecer o Parque do Povo, pedalando na sombra das árvores da Av. República do Líbano, levando as crianças para pedalar na rua pela primeira vez na vida. Havia tanta gente que já prometeram expandir o trajeto ainda esse ano.

Clique na foto abaixo para ver a galeria completa. Há comentários nas fotos, explicando melhor o que rolou no dia.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo . Tags: , , , ,
27/08/2009 - 14:10

Ciclofaixa já está pintada

Passei pela Av. República do Líbano hoje de manhã e me parece que a pintura da Ciclofaixa já está completa. Uma equipe da CET estava afixando placas próximo à Av. Ibirapuera.

Se você reparar no canto superior esquerdo, vai ver também uma placa de sinalização.

Aproveito para publicar dois vídeos que gravei no domingo, quando fazíamos o reconhecimento da ciclofaixa.

O primeiro mostra o pessoal pedalando na Hélio Pellegrino, cruzando a Av. Santo Amaro. Nesse dia, a ciclofaixa ainda não estava totalmente sinalizada e não havia isolamento para impedir a passagem de carros, mas mesmo assim não tivemos nenhum problema com os automóveis. Ok, havia a CET fazendo o corking, mas nenhum carro tentou se enfiar no meio dos ciclistas.

Ah, nesse primeiro vídeo dá pra ver a “centopéia” que nos acompanhou no percurso.

Nesse outro vídeo eu mostro como será a saída do Parque do Povo, para retornar ao Ibirapuera.

Vejo vocês no domingo.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo . Tags: , , , ,
24/08/2009 - 13:22

Reconhecimento da Ciclofaixa

Nesse domingo, diversos ciclistas e funcionários da prefeitura – entre eles o Secretário de Esportes Walter Feldman – fizeram de bicicleta o percurso da Ciclofaixa que ligará três parques paulistanos nas manhãs dos domingos, a partir do próximo fim de semana, dia 30 de agosto. E o Vá de Bike! estava lá para acompanhar e entender melhor como funcionará a Ciclofaixa.

No Parque das Bicicletas,
aguardando a saída
Cicloativismo: Willian Cruz,
Leandro Valverdes, Daniel Haase
e João Lacerda
Renata Falzoni entrevistando
Walter Feldman…
… na saída do Parque das Bicicletas
Um carro a menos – um dos adesivos simpáticos que eu tenho na bike
Saindo do Parque das Bicicletas

Às 10h30, dezenas de ciclistas saíram do Parque das Bicicletas para iniciar a partir dali o trajeto pela futura ciclofaixa. Como eu tinha vindo pela Av. Indianópolis, ainda não tinha visto e me surpreendi: boa parte da Ciclofaixa já está sinalizada, especialmente o trecho da Av. República do Líbano que fica próximo ao Parque das Bicicletas.

Descendo a Indianópolis. A Ciclofaixa começa na próxima esquina, na
Av. República do Líbano.
Nesse quadrado vermelho será pintado um símbolo em formato de bicicleta, na cor branca.
Av. República do Líbano
Uma faixa vermelha marcará o limite da ciclofaixa em toda sua extensão.

A ciclofaixa ocupará a faixa esquerda da Av. República do Líbano, da Av. Ibirapuera até a até a Av. Antônio Joaquim de Moura Andrade (portão 8 do Parque do Ibirapuera), em ambos os sentidos. Os retornos à esquerda que existem nesse trecho da avenida serão desativados durante o período de funcionamento da Ciclofaixa.

Os retornos à esquerda ficarão fechados para os carros…
… para evitar que eles cruzem por sobre a Ciclofaixa.
Renata Falzoni pedalando e gravando
Uma mãe que levava a filha para passear no parque se juntou ao grupo.

Da República do Líbano, a Ciclofaixa desce a R. Inhambu, que logo adiante passa a se chamar Hélio Pellegrino e, mais à frente, Faria Lima. Ao longo do caminho, placas indicam aos ciclistas que eles devem respeitar os sinais fechados e atravessar a avenida na faixa, desmontados da bicicleta.

Sinalização horizontal…
… e vertical.
Essa dica é importante.
E nesta faixa, só bicicletas!

Na esquina da Av. Brigadeiro Faria Lima com a R. Min. Jesuíno Cardoso (uma quadra antes da Juscelino Kubitschek), uma solução que não tem como dar certo. Para chegar dali até a JK, o ciclista deve:

  1. Desmontar da bicicleta e aguardar que o sinal feche para quem está indo pela Faria Lima;
  2. Atravessar a Faria Lima na faixa de pedestres e esperar na calçada até que o sinal feche para quem vem da Min. Jesuíno Cardoso;
  3. Atravessar a Min. Jesuíno Cardoso e seguir empurrando a bicicleta pela calçada até a Juscelino Kubitschek;
  4. Esperar que o sinal feche para atravessar de novo a Faria Lima, ainda desmontado;
  5. Esperar no canteiro central que o sinal abra novamente, para atravessar a JK pelo meio do canteiro central (afinal, não dá tempo de atravessar as duas pistas da Faria Lima antes que o sinal de pedestres feche);
  6. Do outro lado da JK, esperar que o sinal abra para pode prosseguir por ela.

Ufa! Nisso aí dá pra perder uns 15 minutos! Vida de pedestre não é fácil nessa cidade…

Claro que isso não vai funcionar. O que vai acontecer é que os ciclistas vão seguir direto, como se a ciclofaixa continuasse, até o cruzamento com a JK. Lá, ele aguardará no espaço de asfalto que equivale ao canteiro central até que o sinal abra. Muito mais fácil, muito mais direto, muito mais simples. E amparado pela lei: o CTB garante ao ciclista que utilize ambos os bordos da pista, o que obviamente inclui o esquerdo.

Mas isso é coisa que a CET vai aprender com a prática. Uma solução ali seria reformar aquele canteiro central nesse trecho para que ele não seja interrompido (nos retornos, recuar a parada dos carros e semaforizar) e incentivar o ciclista a utilizá-lo com a sinalização.

Na JK, a Ciclofaixa segue pelo lado direito, porque as faixas da esquerda seguem para dentro do túnel que passa sob o Rio Pinheiros.

Tá vendo o que tem ali,
nas faixas da esquerda
da Av. Juscelino Kubitschek?
É a entrada do túnel. Por isso, aqui a Ciclofaixa vai pela pista da direita.

Os ciclistas devem então entrar na Av. Henrique Chamma e atravessá-la mais adiante, na faixa de pedestres, para entrar no Parque do Povo. Nesse ponto há uma calçada compartilhada, que deve ser utilizada tanto pelos ciclistas quanto pelos pedestres.

Av. Henrique Chamma, chegando ao Parque do Povo.
Em frente ao Parque do Povo, a travessia será feita na faixa.
A calçada compartilhada recebeu pintura indicativa nas guias…
… e sinalização vertical.
A entrada do Parque do Povo…
… e a ciclovia dentro do parque.

Para o retorno, os ciclistas devem seguir pela calçada até atraveessar a Juscelino e seguir pela ciclofaixa que existe do outro lado da avenida. Ao entrar na Faria Lima, um pedaço que não entendi bem como vai funcionar, mas me pareceu que vão querer que os ciclistas desmontem e andem um quarteirão ali também. Na segunda quadra, a ciclofaixa reaparece na pista da esquerda, seguindo até a República do Líbano e, de lá, até o Parque das Bicicletas novamente.

Do outro lado da
Av. Juscelino Kubitschek,
outra ciclofaixa.
Mesmo sem ter entrado oficialmente em operação e sem estar totalmente sinalizada, a maioria dos motoristas já não circulava na ciclofaixa.
Walter Feldman conversa com os monitores que auxiliarão os ciclistas durante o funcionamento da Ciclofaixa.

Saiba Mais
Como vai funcionar

Alguns números

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo . Tags: , , , ,
19/08/2009 - 19:11

Ciclofaixas aos domingos: mais detalhes

O Vá de Bike! conversou com João Lacerda, da ONG Transporte Ativo, que também participou da reunião citada no post anterior. Ele forneceu mais informações sobre a operação das ciclofaixas que ligarão três parques paulistanos aos domingos, a partir do dia 30 deste mês.

Serão destacadas 165 pessoas para essa operação, sendo 35 operadores de tráfego da CET, que instruirão e organizarão o tráfego motorizado, e 130 monitores da Secretaria Municipal de Esportes (SEME), treinados pela CET, que organizarão o fluxo de bicicletas e ajudarão nas travessias.

Os veículos motorizados deverão circular a uma velocidade máxima de 40km/h quando estiverem ao lado da ciclofaixa que, além de pintada no asfalto, será isolada por 2500 cones, 250 cavaletes e fitas de sinalização, impedindo a entrada de carros na área reservada.

A preocupação com a segurança dos ciclistas tem sido grande. A idéia da Prefeitura é fazer dessa ligação entre os parques um passeio para a família, de forma que você possa levar até seu filho com a bicicleta de rodinhas. A ciclofaixa na rua pretende ser uma extensão da ciclofaixa do parque.

A partir do dia 30, os passeios de bicicleta aos domingos ficarão muito mais interessantes. Leve sua família ao parque e, de lá, ganhe as ruas. Afinal, as ruas da cidade são de todos, não só de quem está dirigindo.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo . Tags: , , , ,
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