O deputado estadual Samuel Moreira, líder do PSDB na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, escreveu um artigo para o Jornal Destak com o título “o rio Tietê está, sim, cada vez melhor”. O objetivo do artigo é defender a obra de ampliação da Marginal Tietê, chamada de “Nova Marginal”. Faço abaixo alguns comentários sobre o texto, que é um absurdo do começo ao fim.
A questão ambiental
Boa parte do texto dedica-se a enfatizar que a obra não prejudicará o rio. E, para provar seu ponto de vista, ele argumenta utilizando o tal Parque Linear, que será construído bem longe da obra, além de “canalizações, limpezas e desassoreamentos (…) de córregos, ribeirões e rios de todo o Estado”, que seriam realizadas com ou sem Nova Marginal.
Cita também obras de tratamento de esgoto e obras de combate a enchentes que estão sendo feitas desde 2007. Ou seja, para tentar convencer que a obra de ampliação não prejudica o rio, agora estão começando a cavar supostas compensações ambientais em obras que não têm nada a ver com essa e que seriam realizadas do mesmo modo. Em outras palavras, a gente vai estragar aqui, porque ali do outro lado a gente já consertou outra coisa então fica tudo por isso mesmo…
“A cidade ficará mais humana e arejada”. Que absurdo dizer uma coisa dessas! Infraestrutura gera demanda. Quando se amplia o espaço para o automóvel particular, esse espaço é rapidamente preenchido com mais carros – como aconteceu com a Ponte Estaiada. Gente que hoje opta por outros caminhos, passará a tentar a “nova” Marginal. Gente que antes não tinha carro e agora comprou um (afinal são mil novos carros por dia nessa cidade), também vai optar pela “nova” Marginal, porque ouviu dizer que é rápida. E como uma cidade com cada vez mais carros pode ser “mais humana e arejada”? Por causa da ampliação de uma avenida, que atrairá ainda mais carros para ela? Ah, me poupe… Não faz o menor sentido!
Tempo das viagens
Essa história de diminuir o tempo das viagens em 35% todo mundo sabe (ou deveria saber) que é conversa para boi dormir. Mesmo considerando que NÃO vá haver aumento da quantidade de veículos trafegando na Marginal Tietê (o que é impossível), todos esses carros terão que sair de lá para outro lugar em algum momento. Terão que entrar em vias que já se encontram saturadas. E em muitos casos, vão chegar mais cedo nessas vias saturadas, em vez de chegar meia hora depois, quando o congestionamento já estaria diminuindo um pouco. Aí sim é que vai travar tudo.
Ampliar avenidas só piora os congestionamentos. É exatamente o oposto do conceito de traffic-calming, que diz, entre outras coisas, que se você fizer os carros trafegarem mais devagar, levando mais tempo para chegar às grandes avenidas, dará tempo de quem já está nelas sair para outro lugar e liberar espaço para quem vem chegando. Assim, a viagem tem velocidades máximas menores, mas leva-se o mesmo tempo ou até menos para chegar ao destino final.
Grande esforço!
Quanto à Nova Marginal, é importante destacar que ela faz parte de um grande esforço para melhorar o trânsito na região metropolitana, juntamente com o Rodoanel e a expansão do metrô.
Faz parte desse esforço também o túnel para ligar o Morumbi ao Guarujá (R$2,2 Bi), a aberração que já chamaram de “avenida-parque” (o que é isso? ou é avenida, ou é parque!) e a ampliação de outras avenidas. Melhorar para quem, cara pálida? Não vai melhorar nem para quem usa o carro, quanto mais para os outros 70% da população que usam transporte público, bicicleta ou os pés.
Se o objetivo fosse MESMO melhorar o trânsito, haveria uma pista exclusiva para ônibus, para que a miríade de carros que entope a Marginal não os atrapalhem tanto. Haveria uma ciclovia no canteiro central, com acessos em cada ponte. Se houvesse mesmo interesse em melhorar o trânsito, investiria-se mais em transporte público do que se investe em infraestrutura para uso do transporte particular, mas o que se faz hoje é o contrário.
Qualidade de vida
a melhora do fluxo de veículos significa mais qualidade de vida, com redução das emissões de gases do efeito estufa e de outros que prejudicam a saúde humana.
O nobre deputado afirma que “melhora do fluxo de veículos significa mais qualidade de vida”, devido a uma suposta redução das emissões de gases. Isso supondo que a mesma quantidade de carros passaria por ali e que o restante da viagem também teria a mesma duração de hoje, né, deputado? Vai ter mais gente optando pela Nova Marginal, sem contar com o aumento contínuo da frota de automóveis na cidade, que já citei lá no começo desse artigo. E mesmo que, hipoteticamente, fantasiosamente falando, houvesse essa redução de emissão de gases, ela seria pífia! Quer dizer que em vez de poluir por uma hora, vou poluir por 40 minutos? Puxa, que alento! É como fumar cigarro light, morre-se do mesmo jeito.
Excesso de automóveis
Se realmente for de seu interesse melhorar a qualidade de vida na região metropolitana, pense nisso tudo, deputado. E pense também que a maior causa dos congestionamentos é o excesso de automóveis. Tem carro demais na rua, deputado! E isso não se resolve construindo avenida, é tapar o sol com a peneira, é colocar esparadrapo em corte profundo. Tem-se que desincentivar o uso do automóvel, ao mesmo tempo em que se aumenta a oferta e a qualidade das alternativas a ele. É como distribuir cachaça de graça e ao mesmo tempo pedir para as pessoas pararem de beber: não funciona! E, além de tudo, fica parecendo hipocrisia…
Construir túneis, avenidas e pontes de uso exclusivo dos carros não melhora o trânsito, muito menos a qualidade de vida dos habitantes da cidade. Isso sim é “faltar com a verdade”, como o senhor diz no seu texto. Ou então é muita falta de visão e desconhecimento do assunto mesmo – fica por conta do leitor.
O tempo mostrará o quanto essa iniciativa é equivocada. A perspectiva prometida continua linda. Também quero viver na cidade que o senhor sonha, uma cidade mais humana, ágil e arejada, mas precisamos caminhar em direção a ela.
Boa sorte e divirta-se ao dirigir na Nova Marginal no ano que vem, deputado. Nós continuaremos respirando a fumaça que sai do seu escapamento todos os dias.
Dia desses, meu filho de sete anos me disse: “Pai, já pensou se não existisse carro? Aí eu ia poder andar de bicicleta na rua, né? A gente ia poder ir nos lugares de bicicleta.”
Até me emocionei. Falei pra ele que quando ele for maior, a gente vai poder fazer isso sim. Já faz alguns anos que ele me pede isso.
Aqui em São Paulo ainda não dá pra enfiar uma criança de sete anos no meio do trânsito. O máximo que já fiz com ele na rua foi sair de dentro do Parque do Ibirapuera e ir até uma lanchonete mais ou menos perto, mas tudo pela calçada. Paramos nós três (eu, ele e minha mulher) no bicicletário do lugar e almoçamos. Depois voltamos pedalando até o parque. Para ele, aquilo já foi a maior aventura…
Mas tenho fé de que a cidade será mais amigável a ele do que foi a mim. Graças ao pessoal que participa da Bicicletada, à Renata Falzoni e alguns cicloativistas “das antigas”, a alguns (raros) vereadores, ex-vereadores e secretários, a algumas pessoas no Metrô e na CPTM, às Bicicletadas mensais, a alguns sites e blogs citados aqui constantemente, ao Dia Mundial Sem Carro, às ações de guerrilha de cicloativistas na cidade, a alguns jornalistas de mente aberta e, por incrível que pareça, graças também à poluição e aos congestionamentos, que empurram as pessoas de bom senso a procurar alternativas.
A todos (exceto à poluição e aos congestionamentos, claro), meu muito obrigado. Que continuem trabalhando nesse sentido. Quem sabe assim nossos filhos não poderão levar os filhos deles para a escola em trailers daqueles estilosos?
Candidato
Durante as eleições do ano passado, ele me veio com essa:
- Pai, se eu fosse candidato você votava em mim?
- Depende, filho. O que você ia fazer?
- Eu ia tirar todos os carros e todas as motos da rua e ia deixar só as bicicletas!
- Já ganhou…
Antes que me apedrejem, eu sempre explico pra ele que o carro é importante principalmente como ambulância, carro de bombeiro e viatura da polícia. Ou para quem tem dificuldade de locomoção, para longas distâncias que não são atendidas por transporte público e para transportar crianças, idosos, enfermos, volumes e peso. E que ônibus e caminhões também têm sua importância.
Não sou a favor de queimar os carros, mas bem que boa parte deles podia sair das ruas e dar lugar a ônibus (elétricos de preferência), metrô, ferrovias, bicicletas, caminhadas. Vamos orientar melhor as próximas gerações para não crescerem com a mesma visão carrocentrista que foi enfiada goela abaixo da nossa.
O vídeo abaixo é de uma campanha de redução de velocidade veiculada no Reino Unido, em 2006.
A menina do vídeo diz:
“Se você me atropela a 40mph (64km/h), há cerca de 80% de chance que eu morra.
Se você me atropelar a 30 (48km/h), há cerca de 80% de chance que eu sobreviva.”
No final, é exibida a frase: “São 30mph por uma razão”.
Aqui em São Paulo, os motoristas acreditam que o limite de velocidade é só uma desculpa para multar. Quantas vezes não ouvimos frases como essas:
“Se não tivesse tanta gente lerda, o trânsito fluiria melhor”
“Pra quê 60km/h nessa avenida? Dá muito bem pra andar a 90…”
“Até ali atrás a velocidade é 70. Aqui nessa curva diminui pra 60, só pra gente ser multado no radar ali na frente!”
Mostre esse vídeo para essas pessoas. E explique que todos têm o direito de atravessar a rua em qualquer lugar sempre que não houver uma travessia a uma distância de menos de 50 metros (art. 69 CTB), porque talvez você escute que ali não é lugar de atravessar.
A cidade deveria priorizar as pessoas, a vida. Não o fluxo cada vez mais rápido de automóveis.
O marketing verde dos carros elétricos diz que eles não poluem. Emissão zero de CO2 durante o uso. Abracadabra! Não se preocupe mais com o efeito estufa! Estamos salvos da poluição? Aproveitando o gancho do comentário de um leitor do blog, o Neto de Curitiba, resolvi escrever um pouco sobre o assunto.
Carro eletrico sendo carregado
Foto: Doctor Popular, via Flickr
A poluição causada na fabricação
Não vou entrar em detalhes sobre a poluição gerada na fabricação de um carro elétrico, até porque não pesquisei o assunto. Que ela existe, é óbvio, mas não é o objetivo desse texto, vim falar sobre a poluição causada pelo uso do carro elétrico. Talvez aborde a poluição causada pela fabricação no futuro, mas não agora.
A fabricação de uma bicicleta também causa poluição, como a fabricação de quase tudo. De qualquer forma, me parece claro que o impacto ambiental causado para fabricar UMA bicicleta é muito menor que o impacto causado pra fabricar UM automóvel, seja elétrico ou a combustão.
Poluição indireta
Ok, durante o uso de um carro 100% elétrico não há emissão de gases. Exalta-se essa não emissão como indicação de ausência de impacto no aquecimento global. E há mesmo vantagens no uso da eletricidade para mover veículos, pois um automóvel (ou moto, caminhão, ônibus, etc.) emite outros gases além do CO2, como os óxidos nitrosos, e também material particulado (fuligem).
Mas, infelizmente, há poluição na geração da energia elétrica que abastece o carro dito verde. Acompanhe as explicações abaixo.
Termoelétricas
No exterior, onde os carros elétricos têm gerado frisson em feiras de automóvel, a energia que os alimenta é gerada, em grande parte, por usinas termoelétricas. Uma usina dessas, alimentada por combustíveis fósseis (como diesel ou gás), polui a atmosfera com óxidos de enxofre (SOx), óxidos de nitrogênio (NOx), dióxido de carbono (CO2), metano, monóxido de carbono (CO) e materiais particulados. Praticamente a mesma poluição acusada por um automóvel movido a combustão.
As emissões de uma termoelétrica são um pouco menores se ela for alimentada com gás natural, mas ainda assim o processo é bastante poluente. Carvão vegetal como combustível emite pouco enxofre e nitrogênio, mas muito monóxido de carbono, metano e compostos orgânicos voláteis. E ainda há resíduos líquidos e sólidos resultantes da queima do combustível, seja ele qual for.
Veja aqui mais informações sobre a poluição causada por usinas termoelétricas.
Usinas nucleares
As usinas nucleares, vendidas por alguns setores específicos da sociedade como fonte de energia limpa, geram um resíduo perigosíssimo, o lixo nuclear. E a usina pode até não gerar tanta poluição em sua operação normal, mas o risco de acidentes é grande e, quando eles ocorrem, os resultados são catastróficos, tanto para o meio ambiente quanto para as pessoas.
Além de risco de acidentes durante a operação, ainda há possibilidade de contaminação em caso de armazenamento inadequado do resíduo radioativo. E esse lixo precisa ser armazenado por décadas, aumentando muito a possibilidade de algum acidente acontecer com ele em algum momento.
Segundo o Greenpeace, hoje no Brasil o resíduo radioativo ainda é armazenado “provisoriamente” nas próprias usinas. E a entidade também afirma que as usinas nucleares também contribuem para aumentar o efeito estufa.
Hidrelétricas
Pelo menos as hidrelétricas não poluem, certo? Quisera fosse assim: infelizmente elas também poluem. E há casos de hidrelétricas que poluem até mais que uma termoelétrica!
Isso ocorre principalmente (mas não só) porque é preciso alagar uma área grande para construir a barragem. Nessa área há sempre bastante vegetação, geralmente uma floresta. Essa vegetação, submersa e apodrecendo, produz muito metano e CO2, por causa da decomposição do material orgânico por bactérias anaeróbias. No Brasil, as emissões das hidrelétricas representam cerca de 20% da poluição total relacionada ao aquecimento global, pois o metano é mais nocivo à atmosfera que o CO2.
Então energia elétrica também polui?
Indiretamente sim. Não há emissão de poluentes durante seu uso, mas há em sua geração. Não é à toa que os ambientalistas preocupados com o efeito estufa recomendam economizar energia elétrica, tirando até os aparelhos da tomada em nossas casas quando não estiverem em uso.
Quer dizer que andar de metrô ou trem elétrico não adianta nada?
Claro que adianta! E principalmente por uma questão matemática: a energia utilizada para alimentar um trem está transportando muita gente, geralmente algumas centenas de pessoas. Se cada uma dessas pessoas ligasse um carro elétrico na tomada para carregar, haveria um consumo muito maior de eletricidade, demandando maior produção para atender à demanda.
É a mesma lógica pela qual pode se dizer que o uso de ônibus, mesmo a diesel, polui muito menos que o uso de carros a combustão: se cada passageiro do ônibus deixar de utilizá-lo para usar um carro, a poluição total gerada por eles será bem maior.
E tem mais!
O uso do carro polui mais do que apenas o ar. Há outros tipos de poluição como a causada pelo óleo que cai no asfalto e é levado para os rios. Quem dirige não percebe, mas quem pedala vê bem as manchas de óleo pela rua, que aparecem mais em dias molhados, quando ficam multicoloridas e bastante escorregadias.
Repare em quanto óleo fica no chão de uma avenida. Veja as manchas, passe o dedo no asfalto. Você vai ter uma idéia de quanto óleo vai parar nos rios a cada chuva. E você já deve ter ouvido falar em como uma pequena quantidade de óleo contamina muita água. Os carros elétricos também precisam de lubrificantes.
Bicicleta também tem lubrificante? Tem, claro. Mas quanto de lubrificante uma bicicleta solta no asfalto, por pior que seja sua situação?
Além dos lubrificantes há outros poluentes, usados em quantidade insuficiente para que percebamos seu impacto, mas multiplicando por milhões de automóveis esses usos podem ser preocupantes. Um “pretinho” no pneu, lavar o motor com querosene (espero que não façam isso num carro elétrico), um aditivo no líquido que molha o para-brisa, a cera usada no lava rápido ou aplicada em casa. São derivados de petróleo que aos poucos vão escorrendo para os rios com a chuva.
A melhor maneira de não poluir com o uso do carro continua sendo não usar o carro
Não existe “carro ecológico”. Não existe carro sem impacto ambiental, mesmo descartando-se sua fabricação. A não ser que inventem uma matriz energética não poluente, mas por enquanto isso ainda é ficção científica.
Atualizado em 02/10/09: O Vitor, do Quintal, me lembrou que não é tão ficção científica assim. Eu tinha me esquecido da energia solar e da eólica. Infelizmente ainda correspondem a uma parcela muito pequena da energia elétrica disponível para consumo.
No dia 22 de setembro, em cidades do mundo todo, são realizadas atividades em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida nas cidades, no que passou a ser conhecido como Dia Mundial Sem Carro. Na Europa, a semana toda é recheada de atividades, no que chamam de Semana Européia da Mobilidade (16 a 22 de setembro).
O objetivo principal do Dia Mundial Sem Carro é estimular uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, além de propor às pessoas que dirigem todos os dias que revejam a dependência que criaram em relação ao carro ou moto. A idéia é que essas pessoas experimentem, pelo menos nesse dia, formas alternativas de mobilidade, descobrindo que é possível se locomover pela cidade sem usar o automóvel e que há vida além do para-brisa.
O Dia Mundial Sem Carro em São Paulo
A data foi criada na França, em 1997, sendo adotada por vários países europeus já no ano 2000. Aqui na cidade de São Paulo, são realizadas atividades desde 2004 (e em 2005 teve até visita à Câmara de Vereadores). Até 2006, essas atividades eram realizadas principalmente por iniciativa de cicloativistas e participantes da Bicicletada, com apoio da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. As iniciativas dos ciclistas continuaram ocorrendo em 2007 e 2008, mas desde 2007 contamos com o Movimento Nossa São Paulo engrossando o coro, realizando novas atividades e eventos e trazendo mais visibilidade para a data.
Mas qual o problema em andar de carro?
Andar de carro por si só não parece um grande problema. Para entender melhor o real cenário, é preciso afastar-se da visão individual e analisar todo o conjunto.
Panorama histórico
Locomotiva abandonada em Paranapiacaba
Foto: Versurix, via Flickr
Ao longo do último século, nossas cidades foram adaptadas para atender prioritariamente ao carro, não às pessoas que nelas vivem. Investiu-se muito mais no uso individual do automóvel do que em soluções de transporte de massa. À medida que as cidades e o país cresciam, deu-se ênfase em possibilitar a venda massificada de automóveis (com incentivos contínuos às montadoras) e à criação de infraestrutura para que esses carros rodassem (enriquecendo empreiteiras e outras empresas).
Com isso, cada cidadão que resolvesse por si só seu problema individual de mobilidade, de forma que o carro se tornava cada vez mais sinônimo de “liberdade de ir e vir”. Na verdade, o carro não é sinônimo de liberdade de deslocamento: é a alternativa que restou. Para mover “massas” de pessoas, deveria haver mais opções de transporte “de massa”.
As ferrovias foram desmanteladas ao longo do século e as hidrovias não saíram do papel. As rodovias se espalharam por todo país, até no coração da floresta amazônica, levando o desmatamento e a poluição no porta-malas. Mesmo os investimentos em transporte coletivo sobre rodas foram sempre muito menores que os investimentos diretos ou indiretos no modelo de mobilidade individual e particular. As ruas, avenidas, pontes e túneis, supostamente criados para atender à demanda, foram agindo como estimuladores dessa demanda, criando um círculo difícil de quebrar: cada vez mais carros ocupando a estrutura criada e pedindo sempre mais, exponencialmente.
As cidades deixaram de ter caminhos por onde as pessoas e os rios passavam para ter caminhos para se “chegar rápido de carro”. Atravessar as ruas sem uma armadura de uma tonelada se tornou, cada vez mais, uma aventura perigosa. As cidades deixaram de ser das pessoas e passaram a ser dos carros.
O mau uso do automóvel
O carro é uma invenção maravilhosa. Com um veículo a motor, você pode carregar centenas (milhares?) de vezes o que conseguiria carregar com as mãos. Pode levar pessoas enfermas até um hospital, suprir deficiências de mobilidade e transpor distâncias enormes.
O problema começa a se mostrar quando você percebe que a quase totalidade dos motoristas nas cidades são pessoas sem nenhuma restrição de mobilidade, que estão carregando apenas uma blusa ou um caderno, não estão sendo levadas a hospital algum e estão fazendo um trajeto que muitas vezes não chega nem a 10 km.
Todos saindo com seus carros no mesmo horário causam o efeito mais visível da mobilidade baseada no automóvel: o congestionamento. Os demais efeitos são cada mais difíceis de perceber, alguns até impossíveis de mensurar com exatidão: mortes e sequelas de vítimas de acidentes, stress, isolamento e frustração, agressividade e violência, doenças cardiovasculares e respiratórias, menor tempo para convívio com a família, poluição do ar e das águas, consumo exagerado de recursos naturais, impermeabilização do solo e aumento da temperatura das cidades, diminuição do espaço para convívio entre as pessoas, mudanças na sociedade e degradação nas relações entre as pessoas, prestígio e autoestima atreladas ao automóvel e outras mais (saiba mais aqui).
Nossa! Então tá! Mas o que eu posso fazer?
O dia 22 de setembro será uma oportunidade para que as pessoas experimentem vivenciar a cidade de outra forma. Transporte público, bicicleta e mesmo a caminhada são alternativas saudáveis e cidadãs, que contribuem com o meio ambiente, com a sua saúde e até com a locomoção daqueles que realmente necessitam utilizar o carro, sobretudo em situações especiais de mobilidade (melhor idade, gestantes, transporte de crianças pequenas, portadores de necessidades especiais, etc.). Até a carona solidária, combinada com um colega de escritório que more perto da sua casa, já ajuda.
Se você utiliza o carro no dia a dia, faça um desafio a si mesmo no próximo 22 de setembro e descubra se você é capaz de passar pelo menos um único dia no ano sem seu carro. A cidade, o planeta e nossas crianças agradecem!
Atividades
Além da proposta principal de deixar o carro em casa, haverá diversas atividades que estão sendo organizadas pelo Movimento Nossa São Paulo (MNSP), que podem ser conferidas aqui. Como de costume, haverá também a tradicional Bicicletada do Dia Mundial Sem Carro, que não faz parte da lista divulgada pelo MNSP. Outras atividades podem surgir de última hora e farei o possível para divulgá-las aqui.
Um colunista de automobilismo do iG publicou hoje um texto onde critica o que chama de demonização do automóvel. Preocupado com as montadoras, o status, o glamour, a “alegria” e o efeito nas corridas, diz que a publicação de jornais e revistas tem mais impacto ambiental que a produção de carros e diz que as pessoas gostam cada vez menos dos carros e os consideram cada vez mais um mal necessário. De tudo que ele disse, só concordo com essa última parte.
Na cidade de São Paulo, 90% da poluição é causada pelos carros, dados da CETESB. Os paulistanos vivem em média dois anos a menos por causa dessa poluição, causada em 90% pelos automóveis, segundo matéria da Folha de alguns anos atrás, quando a quantidade de automóveis era menor. A cada dia morrem nessa cidade 20 pessoas em decorrência dessa mesma poluição, segundo o laboratório de poluição atmosférica da USP.
E o problema não é só a poluição. O congestionamento é o mais óbvio: há dois anos, 220km eram o recorde, esse ano já quase batemos os 300. Os espaços públicos são cada vez mais tomados pelo automóvel, sendo a última boa notícia a ampliação da Marginal Tietê – que, por sinal, aumentará a demanda de uso do automóvel, aumentando ainda mais o congestionamento pornográfico que existe nessa cidade. Congestionamento esse que causa problemas diretos de saúde com a poluição (e fechar a janela e ligar o ar condicionado não adianta, porque mesmo filtrando o material particulado ainda penetram gases como o dióxido de nitrogênio) e com acidentes (quatro mortos por dia em são paulo – sendo um deles um pedestre, que não tem nada a ver com carros ou motos – e 30 mil mortes no Brasil ao ano só nas estradas), indiretos (stress e ansiedade), econômicos (com trabalhadores que poderiam estar produzindo, vendendo, prestando serviços em vez de estar ali, com negócios que deixam de ser fechados, com reuniões adiadas, produtos não entregues, etc.) e sociais (pessoas que passam menos tempo com a família, convivem menos com os amigos, vêem menos os vizinhos, importam-se menos com as pessoas). E devo ter me esquecido de muita coisa.
O transporte coletivo por aqui tem perdido cada vez mais espaço para o uso individual: as antigas faixas exclusivas de ônibus agora são “preferenciais”, em horários específicos e dividindo espaço com táxis; os ônibus fretados, que substituíam muitos carros individuais, foram proibidos em boa parte da cidade e muita gente já desistiu para ajudar a entupir as ruas com os carros.
O espaço público também é cada vez mais perdido para o tráfego e estacionamento de carros: praças hoje são cortadas por avenidas (exemplo emblemático é a “Praça” Panamericana, que nada mais é que uma rotatória gigante); atravessar duas quadras da Paulista leva mais tempo que fazer um retorno de carro, principalmente se o pedestre precisa cruzar a avenida; andar a pé passou a ser perigoso a cada rua que se precisa atravessar, tanto que as pessoas literalmente brigam por uma vaga *em frente* ao lugar onde precisam ir, para não terem que andar 100 metros; a área construída de muitos estabelecimentos comerciais, principalmente shoppings, costumam ter mais espaço para carros do que para pessoas; calçadas estreitas, que mal permitem a passagem de uma pessoa por vez, poderiam ser ampliadas, tomando o espaço de estacionamento, se não fosse mais importante a via asfaltada que o calçamento; calçadas “em degrau”, para facilitar a entrada de carros em garagens, impedem a passagem de cadeirantes em qualquer ladeira da cidade; as crianças tem de ficar confinadas aos muros do condomínio, ao ônibus escolar, ao carro dos pais e ao shopping center, fazendo um passeio no jardim zoológico ser uma experiência de agorafobia, tendo que tomar cuidado até mesmo ao andar na calçada, porque nunca se sabe quando um carro pode emergir rapidamente de uma saída de garagem; faixas de pedestres se tornaram meramente decorativas – exceto em semáforos, onde funcionam como linha de largada.
E ainda temos as consequências sociais: o ritual de passagem para a vida adulta deixou de ser as mudanças no corpo e na voz para passar a ser a carteira de habilitação; dirigir bem passou a ser dirigir rápido e com agilidade; ter sucesso na vida passou a ser ter um carro bom e não ser feliz ou ter sua própria casa, mesmo que esse carro seja financiado em quatrilhões de vezes e tenha três parcelas em atraso; a informação sobre ter um carro consta em fichas de emprego; ir de ônibus a uma festa é inadmissível; chique é a noiva chegar em carro bom, mesmo que o resto do ano ela ande a pé; trocar de carro é a meta de médio prazo de quem acabou de comprar um carro novo; manter o mesmo carro por muito tempo é sinal de estagnação; ter um carro bom é ser confiável e respeitado.
Os carros são ruins? Não! Claro que não. O carro tem sim sua utilidade e é uma ótima invenção, principalmente se você precisa transportar coisas ou pessoas. O problema é a idolatria ao carro, o excesso de veículos, a sociedade do automóvel, o marketing automobilístico bombardeando incessantemente que o “seu sonho” é um automóvel, o incentivo governamental à compra e ao uso do carro (e da moto), em vez de priorizar transporte de massa (trens, ônibus, metrô).
E a poluição causada pelo uso massificado dos automóveis é uma desgraça do mundo moderno, sim. Não tem como negar. Não adianta tentar maquiar a discussão, que é relevante e importantíssima, como uma simples picuinha.
Segundo estimativa da Anfavea, a associação das montadoras de veículos, a redução de IPI causou a venda adicional de 250 a 300 mil carros no primeiro semestre desse ano. As vendas totais foram 3% maiores que o mesmo período do ano passado e 2009 será o melhor ano da história para a indústria automobilística.
Agora chega, né? Já é hora de percebermos que tem algo de muito errado nessa dependência que o país tem das montadoras de veículos. Vende-se a idéia de que se as montadoras forem mal, o país vai mal. Isso é verdade até a página 3.
É certo que, quanto maiores as vendas, mais gente tem emprego. Mas quanto maiores as vendas, mais carros nas ruas também. Mais poluição no ar, mais mortes em acidentes de trânsito e em rodovias. O custo do automóvel para a sociedade é muito mais alto do que pode parecer. Até que ponto vale vendermos nosso presente e futuro com a justificativa de manter empregos (mesmo sem garantias disso)?
Você seria a favor de desmatar toda a Amazônia e vender a madeira? Ora, seriam criados milhares de empregos e o país encheria os cofres… Mas não dá, né? Descontadas as devidas proporções, estimular a venda de carros recai em um problema semelhante.
Trabalhando para as montadoras, o governo arma uma arapuca para si mesmo. O aumento do número de automóveis faz aumentar a demanda e a pressão popular por pontes, estradas, viadutos. O aumento da infraestrutura aumenta mais ainda a demanda, formando um ciclo. Progresso? Sim, talvez. Progresso sustentável? Nem de longe!
Se o país investisse mais em ferrovias e hidrovias do que em rodovias, não teríamos tantas mortes nas estradas. Não teríamos tantos caminhões, que acabam sendo culpados pelos congestionamentos nas cidades por onde precisam trafegar.
E quem trabalha na indústria automobilística, e os empregos indiretos nas fábricas de peças e outros setores ligados ao automóvel? Desemprego em massa? Fome, guerra, morte? Se jogarem uma bomba em cada montadora e elas sumirem do dia para a noite, sim, mas é óbvio que a quebra dessa dependência deve ser gradual. Só que ela precisa começar!
Um primeiro passo seria desenvolver políticas públicas de reciclagem profissional, para que o torneiro mecânico que trabalha com isso há décadas seja capaz de trabalhar em outra área, talvez até com um rendimento maior. Junte a isso a transferência dos incentivos fiscais e financiamentos, hoje dados habitual e continuamente às montadoras, para outros setores de atividade econômica.
Por que não se incentiva a indústria têxtil, que tem perdido tanto espaço para os produtos chineses? Ou a de calçados? Transfiram os benefícios para a agricultura e a indústria alimentícia básica, para produzirmos aqui e vendermos lá fora… Transfiram os trabalhadores de setor, com treinamento e ensino adequados, para que possam ter uma vida melhor do que a que têm hoje.
Nosso atual presidente sabe muito bem como os trabalhadores com pouca especialização foram tratados ao longo de décadas e o quanto foi difícil conseguir que conseguissem direitos básicos e um mínimo de dignidade. Se eles tivessem opção de trabalhar em outro setor, teriam se mudado e pronto, as montadoras que se virassem para reconquistá-los.
O Brasil não tem que trabalhar para as indústrias do automóvel e do petróleo, levando de carona as empreiteiras que participam de obras viárias milionárias. Quanto dinheiro o país gasta, direta e indiretamente, com essa dependência absurda? Mesmo sem sabermos o valor – e ele passa facilmente da casa dos bilhões – podemos deduzir que dá para se mudar o país com essa mudança de foco.
Só é preciso começar. E um bom começo seria fechar a torneira.
Esses ciclistas são um perigo aos motoristas! Mais um pouco e ele derruba o caminhão de lado…
Imagem: reprodução
Ah, esses perigosos ciclistas… Dessa vez, o meliante bateu na lateral de um caminhão! Por sorte, o caminhoneiro não se machucou e o caminhão não sofreu nenhum dano. Ainda bem, senão era capaz do ciclista ainda ter que pagar pelo prejuízo.
Essa matéria do site CGN (Central Gazeta de Notícias, do grupo Gazeta do Paraná), diz que o ciclista “bateu na lateral traseira do furgão”. Entende-se, dessa forma, que o motorista do caminhão trafegava tranquilamente quando o ciclista bateu na lateral traseira do veículo mastodôntico.
Para o ciclista bater na lateral traseira, só se ele estivesse numa bicicleta gigante, já que o baú do caminhão fica na altura da cabeça do ciclista. Além disso, pelas imagens dá para perceber que o cabra era bom: ele conseguiu bater de ré embaixo da roda do caminhão.
As mortes e ferimentos no trânsito são uma pandemia, especialmente entre pessoas jovens. A solução individual está em algo que é talvez uma das coisas mais difíceis de serem mudadas: o comportamento humano.
Quem já levou uma “fina” de um veículo grande, sabe bem o que deve ter acontecido nessa situação: o mesmo que aconteceu com a Márcia Prado, em janeiro desse ano. O caminhão ultrapassou o ciclista sem respeitar a distância de 1,5m (art. 201 CTB). Passando muito perto, provavelmente jogando o caminhão para cima do ciclista na tentativa de “discipliná-lo”, o motorista encostou na bicicleta, que caiu sob sua roda. Ou passou com a roda por cima mesmo, já que o que se vê na imagem é a roda traseira da bicicleta sob a do caminhão. Por sorte, por muita sorte, não ocorreu óbito (pelo menos até o ciclista chegar no hospital).
Você pode estar pensando “ah, mas isso é coisa de jornal do interior”. Não, não é não. Os jornais de circulação nacional também têm o hábito de tomar o partido do motorista, não importando como foi o acidente. Em alguns casos isso é feito de maneira gritante, colocando a culpa exclusivamente no ciclista, e em outros de forma sutil, dizendo que o motorista “perdeu o controle” ou que o carro estava “desgovernado” – como se isso fosse comum e aceitável.
As colisões rodoviárias não são ‘acidentes’. Nós precisamos desafiar a noção de que são inevitáveis e abrir espaço para uma ênfase pró-ativa e preventiva.
E se você acha essa matéria um absurdo, leia o que o jornalista Lucas Mendes escreveu alguns anos atrás, em sua coluna na BBC. Enviei um e-mail de protesto, que nunca foi respondido ou publicado.
Publicarei eventualmente aqui, sob esse título, fotos tiradas de bicicleta pela cidade com coisas que os motoristas não reparam.
Clique para ampliar. Foto: Willian Cruz
E por que o motorista não repara nesse tipo de coisa?
Porque não consegue olhar “fora da caixa”.
Porque está ocupado demais com a distância do carro da frente, para não deixar ninguém entrar.
Porque está preocupado com quanto tempo vai levar para chegar no destino,
fazendo cálculos mentais que não levam a nada, por terem variáveis imprevisíveis.
Porque está preocupado em sair correndo assim que o sinal abrir,
para o carro de trás não buzinar, a suprema ofensa do trânsito.
Porque está com medo de assalto.
Porque quer passar na frente do carro que o ultrapassou no quarteirão anterior.
Porque está falando no celular, para não se sentir tão isolado,
ou para avisar que vai chegar atrasado em “15 minutos”.
Porque aproveitou o trânsito congestionado para ler o jornal.
Porque está procurando vaga para estacionar.
Porque só vê os “obstáculos” ao seu deslocamento: os outros carros,
as lombadas, os sinais fechados, os pedestres e ciclistas.
Porque está procurando um posto que não seja tão caro quanto aquele outro,
nem tão barato que o combustível pareça ter sido adulterado.
Porque se preocupa só com o som artificial do rádio e não escuta
os pássaros na rua, mesmo porque o barulho do próprio carro não deixa.
Porque está regulando o ar condicionado.
Porque está reclamando da fumaça que entrou pela fresta de vidro aberto,
esquecendo que está atrás de um motor que também produz fumaça,
com seu cheiro ruim diluído em meio aos outros.
Porque está fazendo um “não” com a mão e uma cara feia, atrás do vidro
escuro e fechado, para a menina que vende bala, num misto de raiva e medo.
Saiba como a “revolta das freeways” barrou, ao longo de décadas, a insanidade do rodoviarismo em San Francisco, na Califórnia (EUA). As propostas de estimular o transporte individual motorizado, aumentar as distâncias urbanas, espalhar a cidade e agravar as condições ambientais e de mobilidade foram contestadas e impedidas pela participação e pressão popular.
Um belo exemplo para os paulistanos, que começam a se mobilizar mas ainda podem demonstrar muito mais força. Reclamar na internet, comentar com o vizinho, tudo isso ajuda, mas não resolve. Nesse domingo mostre, com sua simples presença, que você não compactua com esse absurdo que é a ampliação da Marginal Tietê. Omitir-se é ser conivente ao crime.
os viadutos e pistas que margeavam e cobriam o rio foram derrubados
o concreto resultante da demolição foi reciclado
o rio foi despoluído
parques lineares foram construídos ao longo do rio, dentro da cidade
a população ganhou 400 hectares de áreas verdes, distribuídas por oito quilômetros
o sistema de transporte coletivo foi ampliado, o que significou uma redução no número de veículos nos arredores
a temperatura na área do rio passou a ser em média 3,6°C menor que a do resto da cidade
O prefeito Lee Myung-bak enfrentou resistências, sobretudo de comerciantes, que foram relocados para dar lugar ao parque. Mas seguiu em frente e colheu os resultados de sua coragem e pioneirismo. Ele ficou na prefeitura de Seul até 2006 e, no ano seguinte, venceu as eleições presidenciais com mais de 50% dos votos, contra cerca de 26% do seu maior opositor.
@digonery Existe um proj de lei em S.Paulo para obrigar o seguro dos estacionamentos a cobrir bicicletas e motos, o @Boneysp tem + detalhes 1 day atrás
Matéria da Viagem e Turismo traz roteiros p/ se fazer de bicicleta pelo mundo http://twurl.nl/v4owgc E indica agências que fornecem pacotes 1 day atrás