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14/10/2009 - 19:18

Futuro ciclista urbano

Sonhos de um menino que quer pedalar pela cidade

Dia desses, meu filho de sete anos me disse: “Pai, já pensou se não existisse carro? Aí eu ia poder andar de bicicleta na rua, né? A gente ia poder ir nos lugares de bicicleta.”

Até me emocionei. :) Falei pra ele que quando ele for maior, a gente vai poder fazer isso sim. Já faz alguns anos que ele me pede isso.

Aqui em São Paulo ainda não dá pra enfiar uma criança de sete anos no meio do trânsito. O máximo que já fiz com ele na rua foi sair de dentro do Parque do Ibirapuera e ir até uma lanchonete mais ou menos perto, mas tudo pela calçada. Paramos nós três (eu, ele e minha mulher) no bicicletário do lugar e almoçamos. Depois voltamos pedalando até o parque. Para ele, aquilo já foi a maior aventura…

Mas tenho fé de que a cidade será mais amigável a ele do que foi a mim. Graças ao pessoal que participa da Bicicletada, à Renata Falzoni e alguns cicloativistas “das antigas”, a alguns (raros) vereadores, ex-vereadores e secretários, a algumas pessoas no Metrô e na CPTM, às Bicicletadas mensais, a alguns sites e blogs citados aqui constantemente, ao Dia Mundial Sem Carro, às ações de guerrilha de cicloativistas na cidade, a alguns jornalistas de mente aberta e, por incrível que pareça, graças também à poluição e aos congestionamentos, que empurram as pessoas de bom senso a procurar alternativas.

A todos (exceto à poluição e aos congestionamentos, claro), meu muito obrigado. Que continuem trabalhando nesse sentido. Quem sabe assim nossos filhos não poderão levar os filhos deles para a escola em trailers daqueles estilosos? ;)

Candidato

Durante as eleições do ano passado, ele me veio com essa:

- Pai, se eu fosse candidato você votava em mim?

- Depende, filho. O que você ia fazer?

- Eu ia tirar todos os carros e todas as motos da rua e ia deixar só as bicicletas!

- Já ganhou… :D

Antes que me apedrejem, eu sempre explico pra ele que o carro é importante principalmente como ambulância, carro de bombeiro e viatura da polícia. Ou para quem tem dificuldade de locomoção, para longas distâncias que não são atendidas por transporte público e para transportar crianças, idosos, enfermos, volumes e peso. E que ônibus e caminhões também têm sua importância.

Não sou a favor de queimar os carros, mas bem que boa parte deles podia sair das ruas e dar lugar a ônibus (elétricos de preferência), metrô, ferrovias, bicicletas, caminhadas. Vamos orientar melhor as próximas gerações para não crescerem com a mesma visão carrocentrista que foi enfiada goela abaixo da nossa.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte ., . Bicicleta é muito mais . Tags: , , ,
05/10/2009 - 09:10

Sugestões para a ciclovia da Marginal Pinheiros

Ciclovia da Marginal Pinheiros
Ciclovia da Marginal Pinheiros: a questão dos acessos é fundamental para que ela se torne útil.
Foto: Willian Cruz / +Vá de Bike!+

Acontece hoje, dia 05 de outubro, às 14h30, uma audiência pública sobre a Ciclovia da Marginal Pinheiros. O objetivo é ouvir sugestões dos ciclistas para a obra.

A reunião é aberta e será no Palácio dos Bandeirantes – Av. Morumbi, 4500, na Sala de Imprensa (2º andar). Os ciclistas que forem à reunião poderão entrar pelo Portão 2, na própria Avenida Morumbi, e estacionar ao lado da estufa.

O horário é complicado pra mim e infelizmente não poderei estar lá, mas sei que as idéias que defendo estarão muito bem representadas por vários outros cicloativistas que compartilham da mesma visão.

Se puder, apareça por lá e ajude a mostrar que a mobilidade por bicicleta interessa a muita gente em São Paulo. A presença de ciclistas nessa reunião é muito importante. Vai ter um pessoal saindo da Praça do Ciclista (Paulista com Consolação) às 13h. De bike, é claro.

Sugestões

Embora eu não possa comparecer, ficam aqui minhas sugestões:

  • Iluminação e funcionamento durante a noite
    Se é pra ir e voltar do trabalho, tem que poder usar à noite. Não dá pra pedir pra sair às 16h do serviço com o argumento que senão a ciclovia fecha às 18h, certo?
    -
  • Acessos
    Se só tiver um em cada ponta, ou se mesmo tendo vários eles não forem fáceis de usar, a ciclovia não terá muita utilização, os ciclistas vão preferir ir por fora, mesmo correndo risco. E, como muita gente comentou por aí (e por aqui também), um acesso à USP será extremamente útil. Muita gente vai de bicicleta à Cidade Universitária e a ciclovia vai passar do lado, embaixo da ponte que leva esse nome.
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  • Sinalização na ciclovia
    Quando tivermos os acessos, seria interessante ter sinalização na ciclovia indicando as saídas e quais os bairros e estações de trem próximas. Como aquelas placas verdes que existem nas ruas para ajudar os motoristas de carro, mas obviamente não precisam ser enormes daquele jeito, só precisam ser visíveis. No caso de estação de trem, indicar se ela tem bicicletário.
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  • Sinalização FORA da ciclovia
    Para indicar ao ciclista que há uma ciclovia ali no meio e que ela pode ser usada, indicando o acesso mais próximo (próx. acesso a 200m, sobre a ponte tal). Senão vai ter muito ciclista que não acompanha as notícias, não vai ficar sabendo que tem uma ciclovia ali e vai continuar trafegando pela Marginal Pinheiros. Ótima oportunidade para o governo fazer um marketing da obra e ser útil ao mesmo tempo. E também serve para mostrar ao motorista que aquele ciclista está ali porque está indo até um acesso, não adianta buzinar nem jogar o carro em cima que ele não tem como  sair voando até a ciclovia.
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  • Sinalização de limite de velocidade na ciclovia
    Que? Como assim? Limite de velocidade para a bicicleta? Não… é para os motoristas da EMAE, já que a ciclovia será compartilhada com os carros e caminhões de serviço da empresa. Creio que 30km/h seria um limite seguro. Trafegar com faróis acesos também pode contribuir na segurança.
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  • Banheiros e bebedouros
    Acho legal ter banheiros a cada 3km, nem que seja aquele banheiro químico nojentão (melhor que começarem a fazer xixi pra tudo que é canto). E colocar uma placa: BANHEIRO. E junto aos banheiros deve ter bebedouros também, que podem ser no estilo daqueles do Parque do Ibirapuera.
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  • Posto de Serviços
    A idéia de um posto de serviços lá no final da ciclovia, que foi comentada pelo pessoal da CPTM no dia da inspeção, é ótima. Para pequenos consertos do tipo pneu furado, regulagem de marchas e freios, corrente quebrada, etc. Aliás, eu acho que podia ter isso em todos os bicicletários públicos da cidade, mas enfim.

Veja também os comentários do André Pasqualini, no CicloBr.

E o mais importante

Mais do que uma ciclovia que atende a um trajeto específico, o que a gente precisa é começar a se movimentar para acabar com essa idéia generalizada de que a solução pra bicicleta é só ciclovia e ciclofaixa. Senão acontece o que já está acontecendo: tem ciclista comentando sobre motorista que manda sair da rua e grita que é só de domingo, mesmo onde não é trajeto da ciclofaixa de lazer. Eu mesmo já escutei “vai pra ciclovia” em lugar que nem ciclovia tem.

Ciclovia é bom para proteger o ciclista do tráfego rápido, mas tem um efeito colateral bem perigoso que é a disseminação do conceito errôneo de que que lugar de bicicleta é só em ciclovia, resultando em motoristas que ameaçam a vida de ciclistas achando ainda que têm razão. Esse sim é o maior perigo para o ciclista nas ruas, maior até que os motoristas que cometem excesso de velocidade, porque um motorista mal informado e ignorante desses coloca em risco a vida de um ciclista só para provar que está com a razão (e nem mesmo está). Isso só se combate com campanhas de esclarecimento e sinalização em vias principais (como a Paulista por exemplo), indicando a presença de bicicletas em meio ao tráfego. Mas disso, ninguém fala.

Veja algumas pequenas ações que fariam muita diferença para a segurança do ciclista nas ruas.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo . Tags: , , , ,
18/09/2009 - 13:37

Bicicleta mais rápida que helicóptero

Que a bicicleta é mais rápida que o carro, já não é novidade. Mas chegar antes do helicóptero foi uma surpresa até para mim.

Ricardo Bruns e sua bicicleta: mais rápido que um helicóptero
Foto: Marcelo Pereira/Terra

O maior objetivo do Desafio Intermodal é mostrar que existem outras opções além do automóvel para se deslocar numa grande cidade como São Paulo. Ir de ônibus ou Metrô até algum lugar não é tão mais demorado que o carro (imagine então se tivéssemos corredores de verdade e o mesmo investimento em transporte público que temos para o uso do automóvel). E o conforto oferecido pelo carro é relativo: eu prefiro ficar uma hora em pé num ônibus do que uma hora dirigindo em um trânsito travado. E nem vamos falar aqui sobre poluição, nem sobre o custo da viagem: quem tem e mantém um carro sabe o quanto ele custa ao longo de um ano.

Há opções que as pessoas nem cogitam, às vezes sequer imaginam. Com o advento do Bilhete Único, você pode pegar mais de um ônibus (ou integrar com metrô e trem) para chegar onde quer. Você pode pegar um ônibus qualquer que vá mais ou menos para o lado onde você precisa ir, descer numa grande avenida e pegar outro por lá.

Há também a bicicleta dobrável, que pode ser utilizada para chegar até um ônibus ou metrô. Você então a dobra e leva com você até desembarcar, quando ela pode ser montada novamente para chegar ao destino final. E também é possível até mesmo ir a pé por todo um trajeto ou por parte dele, integrando com transporte coletivo. Numa época em que eu morava a 3,5km do trabalho, era comum eu ir a pé, fazendo o percurso em cerca de meia hora.

Tudo é questão de tentar, fazer um teste, começar aos poucos. Às vezes uma pequena mudança, uma experiência que você faz num dia sem pressa, faz você começar a ver as coisas de outro modo e enxergar opções que antes estavam escondidas atrás da cortina do hábito e da rotina.

A bicicleta vencedora

Ricardo Bruns usou uma bicicleta do tipo conhecido como “fixa”. Ao contrário das bicicletas convencionais, os pedais de uma fixa giram junto com o eixo da roda, de forma que se movimentam durante todo o tempo em que a bicicleta está se movendo. São as preferidas dos bikeboys de Nova Iorque.

A bicicleta tinha outra diferença: o guidão mais estreito. Eu já tentei utilizar com a minha bicicleta a Av. Nove de Julho, caminho que o Bruns fez, mas o espaço entre os carros parados é muito estreito e acabei desistindo. E o caminho que eu fiz, subindo a Brigadeiro Luís Antônio, foi mais fácil para mim do que seria para a fixa, já que uma bicicleta desse tipo não possui marchas.

O caminho feito com a bicicleta fixa tinha praticamente a mesma distância do caminho que fiz. Mas era plano e Bruns pegou algumas ruas mais tranquilas pelo Itaim, onde foi possível desenvolver mais velocidade que em meio aos carros parados, desviando dos retrovisores (sem bater neles – até porque isso para um ciclista significa queda) e aguardando as motos que entopem os corredores. Sim, a bicicleta passa onde moto não passa, principalmente com um guidão mais estreito como o da bicicleta que ele pedalava e às vezes as motos entupidas nos corredores impediam minha passagem na Brigadeiro e na JK.

Parabéns ao Ricardo Bruns, que soube escolher bem o caminho e chegou em dois terços do tempo do helicóptero (22 min), inteiro e sem desrespeitar as leis de trânsito. Da minha parte, fiquei satisfeitíssimo em chegar apenas três minutos e meio depois do helicóptero e por ter melhorado o tempo do ano passado em cerca de cinco minutos (nesse ano, completei em 37 minutos).

O bikeboy

O bikeboy – ou bike courier, bike messenger, ciclista de entregas, como queiram – Neto, da Ecobike, chegou apenas 30 segundos depois do motociclista que ficou em segundo lugar e bem antes do motoboy. Isso faz cair por terra a idéia de que não valeria a pena usar um bikeboy para os serviços pessoais e da empresa, porque teoricamente levaria mais tempo. Entregas feitas por bicicletas, com entregadores profissionais, levam o mesmo tempo que as entregas feitas por moto, podem custar menos e não poluem o ar que todos nõs respiramos. Experimente.

O helicóptero

Ponto a ponto, o helicóptero é inegávelmente mais rápido. Mas há mais coias envolvidas no uso do helicóptero do que apenas voar daqui até ali.

Como relata em um ótimo post o jornalista Milton Jung, da rádio CBN, é preciso subir até o heliponto, aguardar o pouso do helicóptero, aguardar autorização para decolagem (pois há congestionamento até de helicópteros em São Paulo!) e respeitar os corredores de tráfego aéreo que existem na cidade. O tempo total foi de 33:30.

Outras surpresas

André Leme, o corredor, completou o percurso bem antes do carro. Sabe quando dizem que “dá vontade de largar o carro e sair correndo”? Pois é: funciona. Leme teve o tempo de 1h06, enquanto o carro levou 1h22 para chegar. Mesmo Laércio Muniz, que foi andando, chegou apenas 10 minutos depois do automóvel. Deixe seu carro em casa e vá a pé.

A bicicleta dobrável integrada com ônibus levou 1h08 para chegar, mostrando uma alternativa interessante para quem não quer pedalar longas distâncias. Ele pedalou até o ônibus, dobrou a bicicleta (o que é feito rapidamente), embarcou com ela numa sacola destinada a isso e, depois de descer do ônibus pedalou mais um pequeno trecho.

Mas o mais inusitado nessa competição foi um PATINETE chegar antes do automóvel. Lucien Constantino fez o tempo de 58 minutos, chegando antes do carro e até mesmo do corredor. E o motorista do automóvel viu o patinete ultrapassá-lo, mas não podia fazer nada para evitar, já que muitos outros carros impediam seu deslocamento.

Transporte público e cadeirante

Não precisamos nem considerar a bicicleta dobrável como transporte público (e poderíamos: afinal, parte do trajeto foi feito de ônibus). Ricardo Toshio utilizou apenas ônibus e teve um tempo de 1h11, contra o 1h22 do carro. Quem utilizou trem e metrô levou 1h24 e trêm e ônibus 1h29.

A cadeirante Flávia Maria Paiva Vital, animadíssima, chegou em 1h48 minutos. Considerando a falta de acessibilidade de São Paulo (poucos trajetos de ônibus adaptados, calçadas intransitáveis, travessias difíceis), não foi tão pior que o carro. Mas a cidade precisa evoluir muito no trato a quem tem restrições de mobilidade, passando a ser mais inclusiva e viável para quem precisa se locomover numa cadeira de rodas.

Resultados

A tabela completa de resultados pode ser conferida no site do CicloBR, clicando aqui. Além dos tempos, há informações sobre o custo e o CO2 emitido por cada participante para completar o percurso. Com o custo da viagem de helicóptero, por exemplo, daria para comprar várias bicicletas…

Mais bicicletas pelo caminho

Uma coisa que notei esse ano é que havia bem mais bicicletas ao longo do caminho. E não estou falando de quem resolveu me seguir não: eram pessoas voltando do trabalho, pedalando sua bicicleta pelas ruas da cidade. A bicicleta tem sido cada vez mais utilizada como meio de transporte em São Paulo, mesmo que não tenhamos iniciativas de larga escala para integrar a bicicleta ao fluxo viário da cidade e aumentar a segurança de quem utiliza esse “modal”. E não precisa ir longe: algumas pequenas iniciativas fariam a maior diferença.

Tá com pressa? Vá de bike, de patinete, correndo, de metrô, de ônibus…

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo ., . São Paulo parada . Tags: , , ,
10/09/2009 - 19:24

Dia Mundial Sem Carro

No dia 22 de setembro, em cidades do mundo todo, são realizadas atividades em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida nas cidades, no que passou a ser conhecido como Dia Mundial Sem Carro. Na Europa, a semana toda é recheada de atividades, no que chamam de Semana Européia da Mobilidade (16 a 22 de setembro).

O objetivo principal do Dia Mundial Sem Carro é estimular uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, além de propor às pessoas que dirigem todos os dias que revejam a dependência que criaram em relação ao carro ou moto. A idéia é que essas pessoas experimentem, pelo menos nesse dia, formas alternativas de mobilidade, descobrindo que é possível se locomover pela cidade sem usar o automóvel e que há vida além do para-brisa.

O Dia Mundial Sem Carro em São Paulo

A data foi criada na França, em 1997, sendo adotada por vários países europeus já no ano 2000. Aqui na cidade de São Paulo, são realizadas atividades desde 2004 (e em 2005 teve até visita à Câmara de Vereadores). Até 2006, essas atividades eram realizadas principalmente por iniciativa de cicloativistas e participantes da Bicicletada, com apoio da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. As iniciativas dos ciclistas continuaram ocorrendo em 20072008, mas desde 2007 contamos com o Movimento Nossa São Paulo engrossando o coro, realizando novas atividades e eventos e trazendo mais visibilidade para a data.

Mas qual o problema em andar de carro?

Andar de carro por si só não parece um grande problema. Para entender melhor o real cenário, é preciso afastar-se da visão individual e analisar todo o conjunto.

Panorama histórico

Locomotiva abandonada em Paranapiacaba
Foto: Versurix, via Flickr

Ao longo do último século, nossas cidades foram adaptadas para atender prioritariamente ao carro, não às pessoas que nelas vivem. Investiu-se muito mais no uso individual do automóvel do que em soluções de transporte de massa. À medida que as cidades e o país cresciam, deu-se ênfase em possibilitar a venda massificada de automóveis (com incentivos contínuos às montadoras) e à criação de infraestrutura para que esses carros rodassem (enriquecendo empreiteiras e outras empresas).

Com isso, cada cidadão que resolvesse por si só seu problema individual de mobilidade, de forma que o carro se tornava cada vez mais sinônimo de “liberdade de ir e vir”. Na verdade, o carro não é sinônimo de liberdade de deslocamento: é a alternativa que restou. Para mover “massas” de pessoas, deveria haver mais opções de transporte “de massa”.

As ferrovias foram desmanteladas ao longo do século e as hidrovias não saíram do papel. As rodovias se espalharam por todo país, até no coração da floresta amazônica, levando o desmatamento e a poluição no porta-malas. Mesmo os investimentos em transporte coletivo sobre rodas foram sempre muito menores que os investimentos diretos ou indiretos no modelo de mobilidade individual e particular. As ruas, avenidas, pontes e túneis, supostamente criados para atender à demanda, foram agindo como estimuladores dessa demanda, criando um círculo difícil de quebrar: cada vez mais carros ocupando a estrutura criada e pedindo sempre mais, exponencialmente.

As cidades deixaram de ter caminhos por onde as pessoas e os rios passavam para ter caminhos para se “chegar rápido de carro”. Atravessar as ruas sem uma armadura de uma tonelada se tornou, cada vez mais, uma aventura perigosa. As cidades deixaram de ser das pessoas e passaram a ser dos carros.

O mau uso do automóvel

O carro é uma invenção maravilhosa. Com um veículo a motor, você pode carregar centenas (milhares?) de vezes o que conseguiria carregar com as mãos. Pode levar pessoas enfermas até um hospital, suprir deficiências de mobilidade e transpor distâncias enormes.

O problema começa a se mostrar quando você percebe que a quase totalidade dos motoristas nas cidades são pessoas sem nenhuma restrição de mobilidade, que estão carregando apenas uma blusa ou um caderno, não estão sendo levadas a hospital algum e estão fazendo um trajeto que muitas vezes não chega nem a 10 km.

Todos saindo com seus carros no mesmo horário causam o efeito mais visível da mobilidade baseada no automóvel: o congestionamento. Os demais efeitos são cada mais difíceis de perceber, alguns até impossíveis de mensurar com exatidão: mortes e sequelas de vítimas de acidentes, stress, isolamento e frustração, agressividade e violência, doenças cardiovasculares e respiratórias, menor tempo para convívio com a família, poluição do ar e das águas, consumo exagerado de recursos naturais, impermeabilização do solo e aumento da temperatura das cidades, diminuição do espaço para convívio entre as pessoas, mudanças na sociedade e degradação nas relações entre as pessoas, prestígio e autoestima atreladas ao automóvel e outras mais (saiba mais aqui).

Nossa! Então tá! Mas o que eu posso fazer?

O dia 22 de setembro será uma oportunidade para que as pessoas experimentem vivenciar a cidade de outra forma. Transporte público, bicicleta e mesmo a caminhada são alternativas saudáveis e cidadãs, que contribuem com o meio ambiente, com a sua saúde e até com a locomoção daqueles que realmente necessitam utilizar o carro, sobretudo em situações especiais de mobilidade (melhor idade, gestantes, transporte de crianças pequenas, portadores de necessidades especiais, etc.). Até a carona solidária, combinada com um colega de escritório que more perto da sua casa, já ajuda.

Se você utiliza o carro no dia a dia, faça um desafio a si mesmo no próximo 22 de setembro e descubra se você é capaz de passar pelo menos um único dia no ano sem seu carro. A cidade, o planeta e nossas crianças agradecem!

Atividades

Além da proposta principal de deixar o carro em casa, haverá diversas atividades que estão sendo organizadas pelo Movimento Nossa São Paulo (MNSP), que podem ser conferidas aqui. Como de costume, haverá também a tradicional Bicicletada do Dia Mundial Sem Carro, que não faz parte da lista divulgada pelo MNSP. Outras atividades podem surgir de última hora e farei o possível para divulgá-las aqui.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia . Tags: , , , , , ,
14/07/2009 - 02:04

Carro na calçada? Chame a CET

No Restaurante Lilló (R. Borges Lagoa, 1321), cobram para estacionar seu carro na calçada (foto de 03/set/08, às 20h26)
No Restaurante Lilló, na Vila Mariana, cobram dos clientes para estacionar os carros sobre a calçada.
Foto de 03/09/2008.

Semana passada eu estava voltando para casa aqui em São Paulo (de bike, claro), quando vejo na R. Borges Lagoa, entre a Av. Ibirapuera e a Ascendino Reis, um carro atravessado na calçada, cobrindo-a totalmente. O pior é que naquela região há vários hospitais, incluindo um da AACD, ou seja: muitos pedestres com deficiência de mobilidade. Absurdo. Sem noção total.

Um pouco adiante, sobre a ponte que fica entre as duas pistas da Ascendino Reis (sobre a Rubem Berta), havia um caminhão da CET, desses que rebocam quem estaciona em local proibido. “Oba”.

Subi até lá. Havia dois agentes ali, um dentro do caminhão e outro do lado de fora, falando no rádio. Esperei esse terminar a conversa e dei um boa noite com um sorriso. A partir daí seguiu-se uma conversa interessante, que resumo abaixo. O agente da CET (porque chamar de marronzinho é sacanagem) era bastante simpático e solícito, entendeu bem o que eu quis dizer e foi bastante receptivo.

- Boa noite, tudo bom?

- Boa noite!

- Olha, ali embaixo, tá vendo ali, atrás daquele poste? Tem um carro estacionado de atravessado na calçada, pegando ela toda. E o pior de tudo é que sempre passa gente em cadeira de rodas por ali.

- Ah, to vendo. Já vou descer lá. Valeu! (não entendi se ele ia lá só dar uma multa ou levar o carro embora, mas pareceu decidido a fazer alguma coisa)

- Aproveitando, deixa eu te falar mais uma coisa… Tá vendo aquele restaurante ali, o Lilló? Se você passar por aqui umas 20h30, 21h, vai ver sempre um monte de carros de clientes que eles estacionam na calçada na maior cara de pau.

- Ah, eu já multei bastante ali, já até levei carro embora. E acho que a gente tem que fazer isso mesmo, porque por mais que o dono do carro não seja culpado, pelo menos ele nunca mais volta no restaurante, que é isso que um restaurante que faz isso merece.

- É verdade. E o pior é que eles cobram mais de dez paus pra parar o carro da pessoa em cima da calçada.

- Pois é, maior sacanagem. Mas sabe o que você faz quando ver isso? Dá uma ligadinha no 1188 que a gente vem na hora e pega.

- Eu costumo cadastrar no site do SAC da Prefeitura, que tem um formulário pra preencher sobre isso…

- Lá é legal você cadastrar pra ficar histórico, aí eles agendam uma ação e tal… Mas se ligar no 1188 resolve na hora, porque eles passam pelo rádio e a gente tem meia hora pra atender a ocorrência.

- É que eu desanimei de fazer isso porque uma vez tinha um caminhão atravessado no canteiro central da Sumaré, cobrindo a ciclovia e as duas calçadas, eu liguei no 156 na época e me disseram que não podiam fazer nada. Depois disso eu não liguei mais.

- Agora mudou, antes era uma central da prefeitura, aí era um pouco mais burocrático, caía num atendimento centralizado. Agora é direto com a gente e eles passam por rádio, por celular, e a gente tem meia hora pra atender. Aqui nessa região da Vila Mariana, pelo menos, funciona bem.

- Ah, bom saber disso. Na próxima vez que eu vir, vou ligar então.

- Liga sim!

- Beleza, valeu! Boa noite e parabéns pelo trabalho!

- Obrigado, eu que agradeço a ajuda aí quando puder!

Não, o diálogo acima NÃO é uma obra de ficção. É o tipo de coisa que me faz pensar que a política carrocrata da companhia não representa necessariamente a opinião dos agentes. Pelo menos de alguns, como esse com quem conversei nesse dia.

Vamos fazer o seguinte? Quando virmos um carro estacionado sobre a calçada, principalmente em porta de restaurante (como esse Lilló, que faz isso há anos impunemente), a gente liga pra CET, no telefone 1188. Combinado?

Peço que quem fizer isso conte aqui, em um comentário nesse post, o resultado. Funcionou? Não veio ninguém? Os manobristas tiraram os carros rapidinho quando chegou a CET e ficou por isso mesmo? Ou você se sentiu realizado ao ver um caminhão levando um carro em cima? Conte pra nós.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . São Paulo parada . Tags: , ,
02/07/2009 - 18:21

Conversa de elevador

Ciclista entra no elevador da empresa com a capa de chuva pingando, segurando o capacete. Entram mais duas pessoas. Em seguida uma mulher de classe média alta, trinta e poucos anos, com a chapinha em dia, entra e se espanta:

- Nossa, que coragem pra vir de bicicleta, hein?

- Coragem tem que ter pra vir de carro, brinca o ciclista.

- Ah, pra mim não funciona. Imagina, eu vindo de bicicleta?

- É só ver a vida com outros olhos…

Alguns segundos de silêncio. As pessoas se entreolham, pesquisando reações.

- Você vem de onde? – ela pergunta.

- Praça da Árvore. Dá uns 10 km.

- É, não é tão perto…

Mais alguns segundos de silêncio, a porta se abre, o ciclista desce e se despede, com o mesmo sorriso que usa para pedalar nos dias de sol.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte . Tags:
26/06/2009 - 17:51

O que fazer com a Marginal?


Foto: luddista

Para os cidadãos

Saiba como a “revolta das freeways” barrou, ao longo de décadas, a insanidade do rodoviarismo em San Francisco, na Califórnia (EUA). As propostas de estimular o transporte individual motorizado, aumentar as distâncias urbanas, espalhar a cidade e agravar as condições ambientais e de mobilidade foram contestadas e impedidas pela participação e pressão popular.

Um belo exemplo para os paulistanos, que começam a se mobilizar mas ainda podem demonstrar muito mais força. Reclamar na internet, comentar com o vizinho, tudo isso ajuda, mas não resolve. Nesse domingo mostre, com sua simples presença, que você não compactua com esse absurdo que é a ampliação da Marginal Tietê. Omitir-se é ser conivente ao crime.


Para o governo e o município de São Paulo

Vejam o exemplo do rio Cheonggyecheon, em Seul, na Coréia do Sul:

  • os viadutos e pistas que margeavam e cobriam o rio foram derrubados
  • o concreto resultante da demolição foi reciclado
  • o rio foi despoluído
  • parques lineares foram construídos ao longo do rio, dentro da cidade
  • a população ganhou 400 hectares de áreas verdes, distribuídas por oito quilômetros
  • o sistema de transporte coletivo foi ampliado, o que significou uma redução no número de veículos nos arredores
  • a temperatura na área do rio passou a ser em média 3,6°C menor que a do resto da cidade
O prefeito Lee Myung-bak enfrentou resistências, sobretudo de comerciantes, que foram relocados para dar lugar ao parque. Mas seguiu em frente e colheu os resultados de sua coragem e pioneirismo. Ele ficou na prefeitura de Seul até 2006 e, no ano seguinte, venceu as eleições presidenciais com mais de 50% dos votos, contra cerca de 26% do seu maior opositor.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia ., . São Paulo parada ., . Cuidando do planeta . Tags: , , , , ,
24/06/2009 - 21:15

Protesto contra o corte das árvores da Marginal no próximo domingo

No próximo domingo, dia 27, será realizado uma manifestação contra a derrubada de árvores centenárias para ampliação da Marginal do Tietê. Mais que um protesto, a ação é um convite para a população ver com seus próprios olhos o que está sendo feito com o pouco verde que resta na Marginal.

Na madrugada de ontem, cidadãos inconformados com a matança colocaram cruzes brancas em homenagem às 17 árvores cortadas naquele trecho. As cruzes foram retiradas por funcionários da prefeitura, logo pela manhã.
Foto: Homenagem as vitimas do Ecocidio – CicloBR

O grupo Pedal Verde, que se reúne mensalmente para plantar mudas de árvores pela cidade, junto com o pessoal da Bicicletada, pedalará até Ponte das Bandeiras para ver de perto as atrocidades que estão ocorrendo na Marginal. Todos estão convidados e serão muito bem vindos, estando ou não de bicicleta.

Foto: CicloBR

Para participar não é preciso ir pedalando: você pode ir direto à Ponte das Bandeiras, local principal da ação. É possível inclusive ir de metrô, descendo na estação Tietê e seguindo a pé até a ponte.

A previsão da turma que vai pedalando é chegar por lá até o meio-dia. Se você for de bicicleta, pode se encontrar com o pessoal às 10h na Praça do Ciclista (veja o mapa), pode se juntar a eles pelo caminho (veja o trajeto) ou se dirigir diretamente à Ponte.

Se você não se conforma com a derrubada dessas árvores, se você não concorda com essa obra, participe. Venha mostrar que você se importa com sua cidade e que o poder público deve atender aos anseios e necessidades da população e não seguir sua própria agenda. Se você não tem opinião formada sobre o assunto, venha ver de perto o que está acontecendo e tirar suas conclusões.

Não é um encontro político, não é um “evento ciclístico” e nem uma manifestação por “mais ciclovias”. É um encontro em cima da ponte, em que cidadãos que se preocupam com a cidade são convidados a ver de perto o que estão fazendo com as nossas árvores, tirar fotos históricas do pouco verde que resta e que está sendo rapidamente destruído, trocar conhecimentos e histórias com as pessoas participantes e refletir sobre os caminhos da nossa cidade.

PONTOS DE ENCONTRO

De bicicleta:
Saída: Praça do Ciclista
Concentração: 10h00 – Saída: 11h00
Destino: Ponte das Bandeiras – chegada prevista ao meio-dia
Você também pode encontrar o pessoal pelo caminho: Veja o trajeto

Sem bicicleta:
Ponte das Bandeiras, às 12h00
Você pode ir de Metro e descer na estação Tietê, seguindo a pé até o local.

Aroeira-pimenteira marcada para morrer
Foto: Luciano Ogura / Árvores Vivas
Borboleta que ainda habita
um canteiro da Marginal
Foto: Luciano Ogura / Árvores Vivas
Saiba Mais
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia ., . São Paulo parada ., . Cuidando do planeta . Tags: , , , , , , , ,
22/06/2009 - 20:58

A Praça do Ciclista, o poder público e o Twitter

A Praça, a placa, os paraciclos e os gradis

Praça do Ciclista de São Paulo começou com uma inauguração simbólica no início de 2006. Em outubro do ano seguinte, o espaço teve seu nome oficializado por lei. Apesar disso, como comentamos aqui no Vá de Bike! em abril desse ano, a Praça continua sem placasNão foi por falta de pedir – e foi mais de uma solicitação.

A Secretaria das Subprefeituras, de responsabilidade de Andrea Matarazzo, afirmou em julho do ano passado que colocaria as placas na Praça. Também prometeu colocar gradis de segurança, para que os passantes não caiam na avenida embaixo, e recolocar os paraciclos, que foram retirados para uma reforma, no ano passado.

Grades de madeira na Praça do Ciclista, dando falsa sensação de proteção e colocando em risco quem se apóia nelas

Porém, onze meses depois da afirmação do Secretário:

  • Não colocaram a placa com o nome da Praça.
  • Não foram recolocados os paraciclos.
  • Não foram colocados gradis. Há apenas umas traves de madeira, mal afixadas, “protegendo” as pessoas de caírem no túnel, nas quais há inscrições “não apóie”, feitas por populares preocupados com quem frequenta o local.
Feito este primeiro preâmbulo, vamos a um segundo.

Twitter e o poder público

Muita gente está “no Twitter” hoje em dia. Celebridades, anônimos, gente que vale a pena acompanhar, gente que não tem nada pra dizer e até mesmo o autor deste blog… E há também vários políticos e órgãos de governo.

Falando especificamente do poder público, há casos em que o perfil é criado apenas para divulgar informações genéricas, para quem quer acompanhar em linhas gerais o trabalho realizado, o que trocando em miúdos significa apenas um canal a mais para a assessoria de imprensa divulgar informações. Mas muita gente lê e responde os comentários que recebe.

É certo que nem todo cidadão usa um computador. Dentre esses, poucos usam o Twitter. Mas temos de reconhecer a abertura de um novo canal de comunicação que, apesar de muito pouco democrático em termos de acesso, tem se mostrado útil em alguns casos.

Uma das características que mais incomoda quem começa a usar o Twitter é o limite de 140 caracteres nas mensagens. Mais do que uma restrição técnica, essa limitação obriga quem escreve a ser sucinto e direto. Não há espaço para floreios, detalhamentos e rodeios. Qualquer informação adicional precisa ser passada em forma de link.

Uma das consequências disso é que as mensagens ficam curtas e rápidas para ler. A resposta costuma vir rápido, quando o interlocutor está lendo do outro lado e disponível para responder. Senão, ela fica guardada até ele retornar. Ferramentas como o Twhirl facilitam esse processo.

Mas vamos ver o que acontece quando o uso da ferramenta se intensificar, como no Orkut. Vai ficar difícil aos donos de perfis muitos conhecidos não se perderem em meio às inúmeras mensagens dispensáveis que receberão… :)

Feito este segundo e último preâmbulo (ufa!), vamos, enfim, ao que interessa.

Diálogo curto e direto

Tendo explicado tudo isso aí em cima, coloco abaixo um resumo de como recebi uma informação, pedi por mais detalhes e eles foram fornecidos, tudo num espaço de tempo relativamente curto. O assunto, claro, é a Praça do Ciclista.

GerentePaulista @SoninhaFrancine @MarioRinaldi @shadow11 e seguidores.Reunião Emurb e @andreamatarazzo.Placas de sinalização ruas e pça aprovadas!Licitando
about 8 hours ago from web in reply to SoninhaFrancine
wcruz @GerentePaulista @andreamatarazzo @SoninhaFrancine Será que dessa vez colocam placa de logradouro na Pça do Ciclista? http://twurl.nl/pv3ztz
about 2 hours ago from twhirl
wcruz @GerentePaulista @andreamatarazzo @SoninhaFrancine Também faltam os paraciclos retirados um ano atrás e os gradis:http://twurl.nl/osc6fs
about 2 hours ago from twhirl
AndreaMatarazzo .@wcruz Os paraciclos e as grades de proteção serão recolocados muito brevemente. A Eng Daniela Ja prometeu.
about 1 hour ago from web
GerentePaulista @wcruz Sim. A placa do logradouro na Praça está incluida na licitação! Em breve a Praça estará identificada novamente.
about 1 hour ago from web in reply to wcruz

Agora é ficar de olho pra ver quando sai…

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo ., . Comentários do geek . Tags: , , , ,
16/06/2009 - 19:53

Belo Horizonte prefere mais carros na Copa de 2014

O prefeito Marcio Lacerda, em companhia do governador Aécio Neves, em visita às obras da Av. Presidente Antônio Carlos no início deste mês.
Foto: Omar Freire/Imprensa MG

Uma das diretrizes estabelecidas pela Fifa para as cidades escolhidas para sediar a Copa de 2014 é a adequação do acesso aos estádios de forma a privilegiar o uso de meios de transporte alternativos ao automóvel particular. Entretanto, a prefeitura de Belo Horizonte preferiu, como de costume no país do futuro, priorizar o uso do automóvel.

Belo Horizonte foi uma das cidades escolhidas para sediar a Copa de 2014 e, por isso, está duplicando uma avenida da cidade, a Antônio Carlos, que se tornará a principal via de acesso ao estádio do Mineirão durante os jogos.

O problema é que a via está sendo ampliada exclusivamente para circulação de veículos motorizados. Perde-se com isso uma excelente oportunidade de inserir a mobilidade por bicicleta no contexto da adequação da cidade.

Opção vantajosa

Imagine quantos turistas, brasileiros e estrangeiros, não estarão por lá durante a Copa. Agora pense em quantos deles optarão por alugar um carro para ir do hotel ao estádio e para passear pela cidade. Conseguiu imaginar a quantidade de carros a mais que a cidade terá que suportar durante as semanas do evento?

Malias, via Flickr
Em Paris, as bicicletas públicas são muito utilizadas por turistas.
Foto: Malias, via Flickr

Se a bicicleta for inserida no planejamento das reformas na cidade, se a infra-estrutura necessária for criada e se for feita uma boa divulgação, muitos turistas, principalmente os estrangeiros, poderão optar pelo veículo não poluente, saudável e lúdico.

A cidade ganharia, como bônus, menos poluição e menos trânsito – que inevitavelmente se tornará mais complicado durante os jogos. Os moradores também usufruiriam da infraestrutura e sinalização que poderão ser criadas nessa avenida e por toda a cidade. E a administração municipal ainda ganharia reconhecimento por adotar iniciativas “verdes” e sustentáveis, cada vez mais valorizadas nos tempos atuais e aplicadas em grandes cidades no mundo todo.

Todos têm a ganhar com o incentivo ao uso da bicicleta nas grandes cidades. Até aqueles que preferirem continuar usando o carro.

Pedalada-Manifesto

Para reivindicar a inclusão de uma ciclovia no projeto de reforma dessa avenida e propor diversas medidas de baixo custo para incentivar o uso da bicicleta em toda a cidade, será realizada uma pedalada-manifesto no próximo sábado, dia 20 de junho.

Os ciclistas pedalarão pela região central da cidade, com uma parada em frente à Prefeitura para entregar uma carta ao Prefeito Márcio Lacerda. Dentre as sugestões ao prefeito, estão a instalação de paraciclos em locais seguros, sinalização e pintura de ciclofaixas e campanhas de conscientização e educação para motoristas e ciclistas, entre outras.

E então, prefeito? Vai encarar e inovar em relação às outras cidades, ou vai deixar a próxima gestão implementar a mobilidade por bicicleta e ficar com os louros da iniciativa verde? ;)

Participe!

Dia 20 de junho, com saída às 9h na Praça da Liberdade.
Entrega da carta ao Prefeito às 10h30, em frente à PBH.
Encerramento na Praça da Liberdade, às 11h.
Leia aqui a carta que será entregue ao Prefeito (em PDF)

Contatos:

Humberto Guerra – 8806-0075 – humbguerra@yahoo.com.br
Vinícius Mundim – 9133-7574 – viniciusmundimmz@gmail.com
Lucas Moreira – 9120-8338 – lucasmtbbh@gmail.com

Mais detalhes na página oficial da pedalada-manifesto.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte ., . Motorcracia . Tags: , , , , , , ,
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