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01/10/2009 - 19:53

A poluição do carro elétrico

O marketing verde dos carros elétricos diz que eles não poluem. Emissão zero de CO2 durante o uso. Abracadabra! Não se preocupe mais com o efeito estufa! Estamos salvos da poluição? Aproveitando o gancho do comentário de um leitor do blog, o Neto de Curitiba, resolvi escrever um pouco sobre o assunto.

Carro eletrico sendo carregado - Foto: Doctor Popular, via Flickr
Carro eletrico sendo carregado
Foto: Doctor Popular, via Flickr

A poluição causada na fabricação

Não vou entrar em detalhes sobre a poluição gerada na fabricação de um carro elétrico, até porque não pesquisei o assunto. Que ela existe, é óbvio, mas não é o objetivo desse texto, vim falar sobre a poluição causada pelo uso do carro elétrico. Talvez aborde a poluição causada pela fabricação no futuro, mas não agora.

A fabricação de uma bicicleta também causa poluição, como a fabricação de quase tudo. De qualquer forma, me parece claro que o impacto ambiental causado para fabricar UMA bicicleta é muito menor que o impacto causado pra fabricar UM automóvel, seja elétrico ou a combustão.

Poluição indireta

Ok, durante o uso de um carro 100% elétrico não há emissão de gases. Exalta-se essa não emissão como indicação de ausência de impacto no aquecimento global. E há mesmo vantagens no uso da eletricidade para mover veículos, pois um automóvel (ou moto, caminhão, ônibus, etc.) emite outros gases além do CO2, como os óxidos nitrosos, e também material particulado (fuligem).

Mas, infelizmente, há poluição na geração da energia elétrica que abastece o carro dito verde. Acompanhe as explicações abaixo.

Termoelétricas

No exterior, onde os carros elétricos têm gerado frisson em feiras de automóvel, a energia que os alimenta é gerada, em grande parte, por usinas termoelétricas. Uma usina dessas, alimentada por combustíveis fósseis (como diesel ou gás), polui a atmosfera com óxidos de enxofre (SOx), óxidos de nitrogênio (NOx), dióxido de carbono (CO2), metano, monóxido de carbono (CO) e materiais particulados. Praticamente a mesma poluição acusada por um automóvel movido a combustão.

As emissões de uma termoelétrica são um pouco menores se ela for alimentada com gás natural, mas ainda assim o processo é bastante poluente. Carvão vegetal como combustível emite pouco enxofre e nitrogênio, mas muito monóxido de carbono, metano e compostos orgânicos voláteis. E ainda há resíduos líquidos e sólidos resultantes da queima do combustível, seja ele qual for.

Veja aqui mais informações sobre a poluição causada por usinas termoelétricas.

Usinas nucleares

As usinas nucleares, vendidas por alguns setores específicos da sociedade como fonte de energia limpa, geram um resíduo perigosíssimo, o lixo nuclear. E a usina pode até não gerar tanta poluição em sua operação normal, mas o risco de acidentes é grande e, quando eles ocorrem, os resultados são catastróficos, tanto para o meio ambiente quanto para as pessoas.

Além de risco de acidentes durante a operação, ainda há possibilidade de contaminação em caso de armazenamento inadequado do resíduo radioativo. E esse lixo precisa ser armazenado por décadas, aumentando muito a possibilidade de algum acidente acontecer com ele em algum momento.

Segundo o Greenpeace, hoje no Brasil o resíduo radioativo ainda é armazenado “provisoriamente” nas próprias usinas. E a entidade também afirma que as usinas nucleares também contribuem para aumentar o efeito estufa.

Hidrelétricas

Pelo menos as hidrelétricas não poluem, certo? Quisera fosse assim: infelizmente elas também poluem. E há casos de hidrelétricas que poluem até mais que uma termoelétrica!

Isso ocorre principalmente (mas não só) porque é preciso alagar uma área grande para construir a barragem. Nessa área há sempre bastante vegetação, geralmente uma floresta. Essa vegetação, submersa e apodrecendo, produz muito metano e CO2, por causa da decomposição do material orgânico por bactérias anaeróbias. No Brasil, as emissões das hidrelétricas representam cerca de 20% da poluição total relacionada ao aquecimento global, pois o metano é mais nocivo à atmosfera que o CO2.

Então energia elétrica também polui?

Indiretamente sim. Não há emissão de poluentes durante seu uso, mas há em sua geração. Não é à toa que os ambientalistas preocupados com o efeito estufa recomendam economizar energia elétrica, tirando até os aparelhos da tomada em nossas casas quando não estiverem em uso.

Quer dizer que andar de metrô ou trem elétrico não adianta nada?

Claro que adianta! E principalmente por uma questão matemática: a energia utilizada para alimentar um trem está transportando muita gente, geralmente algumas centenas de pessoas. Se cada uma dessas pessoas ligasse um carro elétrico na tomada para carregar, haveria um consumo muito maior de eletricidade, demandando maior produção para atender à demanda.

É a mesma lógica pela qual pode se dizer que o uso de ônibus, mesmo a diesel, polui muito menos que o uso de carros a combustão:  se cada passageiro do ônibus deixar de utilizá-lo para usar um carro, a poluição total gerada por eles será bem maior.

E tem mais!

O uso do carro polui mais do que apenas o ar. Há outros tipos de poluição como a causada pelo óleo que cai no asfalto e é levado para os rios. Quem dirige não percebe, mas quem pedala vê bem as manchas de óleo pela rua, que aparecem mais em dias molhados, quando ficam multicoloridas e bastante escorregadias.

Repare em quanto óleo fica no chão de uma avenida. Veja as manchas, passe o dedo no asfalto. Você vai ter uma idéia de quanto óleo vai parar nos rios a cada chuva. E você já deve ter ouvido falar em como uma pequena quantidade de óleo contamina muita água. Os carros elétricos também precisam de lubrificantes.

Bicicleta também tem lubrificante? Tem, claro. Mas quanto de lubrificante uma bicicleta solta no asfalto, por pior que seja sua situação?

Além dos lubrificantes há outros poluentes, usados em quantidade insuficiente para que percebamos seu impacto, mas multiplicando por milhões de automóveis esses usos podem ser preocupantes. Um “pretinho” no pneu, lavar o motor com querosene (espero que não façam isso num carro elétrico), um aditivo no líquido que molha o para-brisa, a cera usada no lava rápido ou aplicada em casa. São derivados de petróleo que aos poucos vão escorrendo para os rios com a chuva.

A melhor maneira de não poluir com o uso do carro continua sendo não usar o carro

Não existe “carro ecológico”. Não existe carro sem impacto ambiental, mesmo descartando-se sua fabricação. A não ser que inventem uma matriz energética não poluente, mas por enquanto isso ainda é ficção científica.

Atualizado em 02/10/09: O Vitor, do Quintal, me lembrou que não é tão ficção científica assim. Eu tinha me esquecido da energia solar e da eólica. Infelizmente ainda correspondem a uma parcela muito pequena da energia elétrica disponível para consumo.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Cuidando do planeta . Tags: , , , ,
30/09/2009 - 11:18

Montadoras comparam carros à bicicleta nos comerciais

Bicicleta é ágil, leve, barata, não polui, quase não ocupa espaço e não congestiona. Isso todo mundo sabe ou deveria saber. Mas de um tempo pra cá, outro atributo tem se consolidado: defender o uso da bicicleta, mesmo não a utilizando, passou a ser algo cada vez mais bem visto.

A bicicleta tem aparecido cada vez mais nos comerciais de TV. Se antes só aparecia sendo pedalada pela família no parque (ou no condomínio), para associar a sensação de liberdade, alegria e descontração a algum produto ou serviço, de uns tempos para cá ela aparece também como meio de transporte, para associar a imagem de verde e moderninho ao que estiver sendo vendido.

Pode reparar: em comerciais onde passam rápidas cenas de cidade, quase sempre tem uma bicicleta trafegando ou encostada em alguma parede ao fundo. Nessas aparições relâmpago, o que importa não é você percebê-la conscientemente: tudo compõe um cenário absorvido inconscientemente, que traz uma sensação que você associará com aquele produto. Em um comercial bem feito, todos os detalhes são estudados e nada está ali por acaso.

No vídeo abaixo, vende-se a idéia de que quem compra esse carro é alguém tão cool e verde quanto um ciclista. É alguém moderno, preocupado com o meio ambiente, que embeleza a cidade e o ar com seu carro. No final, ele se junta aos ciclistas que jogam hóquei em bicicletas de roda-fixa: ele faz parte da mesma turma e é aceito naquele meio (tão aceito que enfia o carro no meio das bicicletas e ninguém reclama).

Ok, o carro não emite gases poluentes por ser elétrico, mas a eletricidade utilizada para carregá-lo também causa poluição ao ser produzida. Ainda mais na Europa, onde não há tantas hidrelétricas (e mesmo elas também poluem um pouco e têm seu impacto ambiental). Além disso, poluir não é o único problema do automóvel. Ele ainda perde feio de uma bicicleta em vários quesitos.

Nesse outro vídeo, tentam convencer que o carro é tão ágil na cidade quanto uma bicicleta. O resultado é patético.  (dica do @Wadilson)

Percebam que as cidades dos dois comerciais quase não tem carros. A cidade ideal para as montadoras seria uma cidade sem carros? Ou é a única situação em que seria possível dirigir com algum prazer?

No segundo anúncio, não tem nenhum outro carro mesmo, apenas o da moça sorridente que leva a bicicleta para passear. Assim fica fácil ser ágil.

Nessa mesma linha de cidades sem carros, veja esse outro comercial onde todo mundo que está na rua some quando o cara está dentro do carro. Eu diria até que é uma situação realista: muita gente quando dirige não vê mais ninguém do lado de fora e age como se existisse apenas ele no mundo…

Não sei o que é pior: fazerem propagandas assim ou tanta gente cair nelas.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia . Tags:
10/08/2009 - 19:15

Crime socialmente aceitável

Imagine essa propaganda:

Música animada. Rapaz bonitão e bem vestido, de óculos escuros, andando em câmera lenta, com a câmera filmando de baixo para cima, mostrando o céu azul atrás dele. Imagens bem produzidas, filmagem em ângulos bem escolhidos. Mudança de ângulo, com câmera parada enquanto ele passa e as moças sorrindo para ele de forma insinuante. Ele abaixa um pouco os óculos e retribui um olhar.

Mais à frente, amigos sentados em um carro acenam para ele sorrindo e jogam uma lata de cerveja para cima. A lata sobe rodando. Com um sorriso no canto da boca e olhando por cima dos óculos, ele saca rapidamente a pistola, gira a arma na mão e dá um tiro certeiro na lata, que espirra cerveja para todos os lados.

O grupo de amigos comemora rindo a chuva de cerveja. Um deles abre os braços e coloca o rosto para cima de boca aberta, outro aponta os dois indicadores para o pistoleiro, como quem diz “você é o cara”, enquanto ele se aproxima e os cumprimenta.

Um dos amigos coloca uma lata em cima da cabeça e aponta para ela, provocando o pistoleiro. Em um movimento rápido, ele apoia a arma por cima do outro braço, fazendo pose, aperta o gatilho sem fazer pontaria e a lata sai rodando de cima da cabeça do amigo, sendo apanhada pelo colega que está atrás dele. Ato contínuo, esse colega abre a lata, que espirra cerveja para todo lado.

Close no capô do carro, com a arma sendo colocada com força em cima dele, com a marca bem à vista, ao lado do slogan “proteção e diversão”. O locutor convida: “Ficou com vontade de dar uns tirinhos? Ligue agora para a nossa central e agente um teste”.

No começo do comercial, havia um aviso para não tentar reproduzir as cenas mostradas, pois foram realizadas por um atirador profissional. Mas logo abaixo desse aviso, a mensagem continuava dizendo que não há truques de filmagem e que a arma utilizada é a mesma vendida nas boas lojas do ramo, sem nenhuma adaptação. Um pequeno aviso de “imagens meramente ilustrativas” acompanhou as cenas o tempo todo em um canto da tela, mas quem reparou nisso?

Esse comercial – que é bom deixar claro: não existe – seria uma incitação ao crime de disparo de arma de fogo em lugar público e deveria dar cadeia a quem o produzisse.

Agora lamente essa outra:

“Teste os limites desse carro”.
Imagem: reprodução

Lendo uma notícia comum na internet, um pequeno banner chama atenção pelo movimento: um carro fazendo “zerinho” e soltando fumaça dos pneus. O texto convida a “desafiar” o novo modelo de um carro esportivo. Curioso e empolgado, o adolescente (ou adulto “amante da velocidade”) clica.

Em uma nova janela, com música agitada, imagens de vídeo em diversos ângulos de um carro “fritando” os pneus. O site diz que “este carro já vem pronto para rasgar na pista” e oferece a oportunidade de “desafiar” o carro esportivo de alta potência.

A pulsação da vítima do marketing aumenta e ele se ajeita na cadeira. A peça publicitária fala sua língua e acaba de fisgá-lo. Ele clica, ansioso por começar o desafio. Arrasta alguns cones em uma tela, como se estivesse montando uma pista de provas, podendo inclusive escolher uma “câmera interna”, para se sentir dentro do carro. Terminando de posicionar os obstáculos, clica para ver como o carro supera o desafio imposto, ansioso pela emoção de ver uma máquina de 140 cavalos sendo pilotada de maneira agressiva.

O carro “já vem pronto para rasgar na pista”. As imagens que passam no fundo, com a fumaça saindo dos pneus, dão o mote da venda: um carro para barbarizar nas ruas.
Imagem: reprodução

Enquanto os vídeos são carregados, surge uma mensagem dizendo para não tentar repetir as próximas cenas, pois elas foram feitas com pilotos profissionais. Subentende-se que com experiência e treinamento é possível fazer tudo aquilo que será visto a seguir, idéia reforçada com a mensagem seguinte: “não existe nenhum truque nas filmagens” e o carro “é o mesmo que você encontra nas concessionárias, com todos os itens de série”.

Gastando o máximo de pneus e gerando muita fumaça de borracha queimada, um piloto de capacete e sem mostrar o rosto, com luvas e uniforme negros como o carro, é nosso herói pistoleiro, que guia a bala magicamente por entre os cones em tempo recorde.

A adrenalina do espectador, que adora carros e velocidade, vai a mil com a demonstração de destreza e confiança dada pelo piloto, o homem sem rosto que poderia ser ele. Aproveitando a guarda baixa, o site dá a última sugestão para a mente influenciável: “Ficou com vontade de dirigir o Astra 2010? Clique e agende um test drive.”

A pessoa que decidir pela compra desse carro não vai adquiri-lo para dirigir a 70km/h, fazendo curvas com segurança. Isso para mim está bastante claro.

Me parece uma incitação a um crime que, nesse caso, é o de direção perigosa.  Isso deveria dar cadeia.

Mas não é exagerada essa comparação?

Veja o que diz a lei e tire sua conclusão:

Disparo de Arma de Fogo

L-010.826-2003 Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável.

Direção Perigosa de Veículo na Via Pública

DL-003.688-1941 Art. 34 – Dirigir veículos na via pública, ou embarcações em águas públicas, pondo em perigo a segurança alheia:

Pena – prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses, ou multa.

Ambas as situações são crimes. Teoricamente, a diferença é que se você colocar outras pessoas em risco com um carro a pena é menor e você pode sair sob fiança. Teoricamente, porque na prática é MUITO difícil alguém ser preso por direção perigosa. Parece até ser um crime “socialmente aceitável”, já que é raro a pena ser aplicada. Sempre aparecem desculpas e argumentos para provar que a máquina escapou ao controle e agiu sozinha, convertendo a pena, quando aplicada, em no máximo uma multa, como prevê a mesma lei.

Ah, é claro, se eu disser aqui que, com essa propaganda, quem vende a arma está incentivando o crime, vão alegar que não e ainda é capaz de me processarem. Afinal, avisaram para não fazer isso em casa e colocaram uma frase dizendo que é tudo meramente ilustrativo, o que significa que as pessoas vão entender sim que aquilo não deve ser feito e é tudo uma brincadeira. Então tá, então eu não digo…

Saiba Mais
“Dirigir é como viver”
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Compre nosso carro e seja alguém na vida
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(Apocalipse Motorizado)

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Campanha realmente agressiva
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Contra a propaganda automobilística
(Panóptico)

$olidão
(Apocalipse Motorizado)

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia . Tags: , ,
19/06/2009 - 18:32

Jornal do Metrô também tem caderno de automóveis

Como complemento do post anterior, coloco aqui uma foto do Jornal do Metrô de hoje: caderno de automóveis, “falsa capa” patrocinada e cerca de metade do jornal com propagandas de carros e motos, a maioria delas de página inteira (clique para ampliar).

Sobra pouco espaço para conteúdo relevante. Está muito próximo daqueles pseudo-jornais que entregam no sinal, nos finais de semana, que tem uns dois textos irrelevantes e o resto é propaganda de algum empreendimento imobiliário. Se trocarem as matérias por assuntos “frios”, conseguem chegar lá.

Agora me diz: dá vontade de ler um jornal desses, mesmo sendo de graça? Parece um panfleto publicitário… E é entregue a quem usa o transporte público, estimulando a troca pelo transporte individual motorizado e com isso o aumento do trânsito, da poluição e de algumas estatísticas tristes.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia . Tags: ,
12/12/2008 - 20:36

Cansou da cidade? Sua vida está ruim? Compre um carro novo!

Seus problemas se acabaram-se!
Cansado da sua cidade? Cansado da sua vida? “Seus problemas se acabaram-se!”

É o que diz uma campanha da Renault (a mesma que ganhou do Walter Feldman um evento de primeira pra divulgar sua marca).

Na ação de marketing, que aconteceu de agosto a outubro, foi criado um blog onde eram divulgados depoimentos de personagens como se fossem pessoas reais, dizendo que estavam cansados da cidade. Também havia twitter e comunidades do orkut. Tudo muito bem moderado, claro, divulgando apenas opiniões que condiziam com a lavagem cerebral argumentação da campanha.

Havia personagens de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Recife. O motivo para estarem cansados da cidade era principalmente a falta do carro (que teria quebrado ou “se matado”). Associado a isso, havia problemas no trabalho, no relacionamento, gripe, o time que perdeu, a chuva, e outros que não têm nada a ver com a cidade. Poucos foram os motivos que poderiam ser realmente problemas “da cidade” (só achei dois: filas e assaltos).

A solução encontrada por eles foi comprar “o novo carro da Renault, o Sandero Stepway”. E no último vídeo postado no blog, que encerrou a campanha, um dos personagens diz, empolgadíssimo, que esse carro “levanta seu astral na hora! Faz assim ó: vupt! Na hora!”

É um carro que te desperta o prazer de dirigir na cidade. E levanta seu astral na hora! Faz assim ó: vupt! Na hora!
Renato, personagem da campanha da Renault

Acho que o tal carro cura gripe, resolve seus problemas no trabalho, acaba com as filas e os assaltos, não ocupa espaço e tira os outros carros da rua, não polui e some com a poluição dos outros carros, se teleporta de um lugar para o outro, etc.

O pior de tudo é que os personagens citavam problemas como o stress no trânsito (havendo até um relato de alguém que teria sido agredido por outro motorista) e a poluição causada pelos carros (reclamando inclusive do gasto com remédios por causa da poluição). Mesmo assim, a solução é comprar outro carro. Deixar de ser parte do problema, nem pensar.

E vejam esse depoimento de um dos personagens, que diz, em desespero: “o que preciso saber é como resolver esse drama da falta de um carro”. Dá a impressão de um viciado com crise de abstinência: como vou resolver esse drama da falta de um cigarro/pó/trago?

Os personagens dessa lavagem cerebral ação de marketing culpam a cidade por seus problemas e apontam um carro novo como solução, mesmo com muitos desses problemas sendo causados pelo próprio carro e seu uso indiscriminado. Quase todos os outros pontos citados eram circunstâncias da vida pessoal dessas pessoas ou fenômenos climáticos eventuais, ou seja, além de não serem problemas “da cidade”, um carro novo não resolveria em nada.

Com inspiração nessa campanha pessimista e consumista, poderia-se lançar, como contraponto, um blog otimista chamado Adoro a Cidade. Um espaço para quem ama sua cidade e, apesar de saber que ela tem muitos problemas, tenta ver o lado bom e faz o possível para tentar melhorar os pontos ruins. Quem topa?

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Calcule quantos anos de sua vida você gasta dirigindo
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“Dirigir é como viver”
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      Compre nosso carro e seja alguém na vida
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Mais um comercial nojento
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Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia . Tags: ,
01/12/2008 - 14:39

O evento da Renault foi importante para as pessoas carentes

F1 passa sobre a ciclofaixa pintada pelo poder público
Ciclistas pintaram bicicletinhas na pista, como protesto contra o mau uso do dinheiro público.
Com o dinheiro gasto no evento seria possível, por exemplo, implantar uma centena de quilômetros de ciclofaixas nas avenidas da cidade.
Foto: Mauricio Lima/AFP

A respeito do evento da Renault, que a prefeitura pagou, já citado neste blog, cabe publicar a justificativa dada pelo secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, a quem eu nutria algum respeito. Ao ser questionado pela Folha de São Paulo sobre a reforma da pista paga pela prefeitura, Feldman justificou com dois argumentos.

O secretário afirmou que a pista já seria mesmo recapeada, pois a recuperação dessa avenida fazia parte do programa de recuperação de vias da prefeitura. Só foi antecipada. Ah, tá… Vou fazer de conta que eu acredito.

Mas o que me tocou profundamente foi seu outro argumento: “nesse evento, pessoas carentes vão poder ficar a dois metros da mágica dos carros de Fórmula 1″. Nossa, que gesto nobre. É disso mesmo que a população carente precisa: ver um carro de Formula 1 de perto.

Depois de ler isso, me comovi. Ele deve ser um cara legal! Vou até começar a chamá-lo de Walter. Bem, o Walter disse para a Folha que o evento faz parte de uma política de “deselitização” de esportes. Ele quer “deselitizar” Fórmula 1, tênis, golfe e rúgbi, entre outros.

Olha, eu entendo se disserem que deselitizar o tênis é um incentivo ao esporte: as “pessoas carentes” com quem o Walter se preocupa podem começar a jogar tênis, só precisam de treinamento, uma raquete e uma quadra. Também até entendo, com um pouco mais de esforço, o incentivo a prática do golfe, porque as pessoas carentes vão precisar de tacos, treinamento e um campo – que já não é tão simples de conseguir, por isso preciso de um pouco mais de esforço para aceitar, mas aceito.

Mas o que o Walter conseguiu de bom para as “pessoas carentes” com quem ele se preocupou quando resolveu pagar R$ 435 mil nesse evento, com o dinheiro da cidade? Ele incentivou o esporte? Tá certo… Afinal, tudo que as pessoas carentes precisam pra iniciar no automobilismo é um macacão, um capacete e… um carro de Fórmula 1! Será que eu acho algum lá na feira do rolo?

Na minha humilde opinião de cidadão, a secretaria de esportes tem que incentivar a prática de esportes, não a divulgação. Ainda mais a divulgação de um esporte milionário como a Formula 1, onde os patrocinadores não são bem a padaria da esquina ou a mercearia do Seu José.

O Walter chamou o evento bancado pela prefeitura de “parceria”. Nessa parceria, a cidade entra com a reforma e os custos de interdição da via. A Renault entra com o piloto e o carro. A cidade ganha uma avenida recapeada (que não precisava) e a Renault ganha MUITO em imagem de marca e na divulgação que foi feita do produto Clio.

Bela parceria. Que empresa não gostaria de uma parceria dessas? A prefeitura interdita uma rua, recapeia uma pista e a empresa “parceira” divulga seus produtos de graça! Que beleza!

Acho que o pessoal da Renault também chama ele de Walter. Devem achar ele um cara muito gente fina. Parceirão!

Vale a pena ler na matéria da Folha a opinião do diretor do Núcleo de Pesquisas de Políticas Públicas da USP, José Álvaro Moisés.

Ah, em tempo: o Walter disse que as críticas ao evento são “elitistas, de quem sempre teve acesso a qualquer coisa na hora em que bem quer”. Ou seja, quem está reclamando é porque não pensa nas pessoas carentes! Seus egoístas! Não dividem nada com os pobres não? Querem a mágica da Fórmula 1 só pra vocês? (A minha parte eu to doando…)

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia . Tags: , , , ,
26/11/2008 - 14:13

Recapeamento em tempo recorde

Recapearam às pressas a Av. Pedro Álvares Cabral, em frente ao Parque do Ibirapuera. Só falta pintar a sinalização horizontal (de solo). Espero que não sepultem definitivamente as faixas de pedestres, como fizeram em algumas ruas da cidade ao longo desse ano.

Também montaram arquibancadas e cercas anti-pedestre. Mas qual o motivo? E quem paga essa conta? Confira aqui.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia . Tags: , ,
10/10/2008 - 20:40

Parem tudo, renovem o asfalto, um carro vai passar

Vão reasfaltar a Av. Pedro Álvares Cabral, em frente ao Parque do Ibirapuera. Aquela, onde tem o Obelisco aos Heróis de 32 e o Monumento às Bandeiras, que o pessoal chama de “empurra-empurra”… E vão recapear em caráter de urgência!

Mas por que? A avenida está toda esburacada, atrapalhando a circulação dos veículos que nela transitam? Não.

Ocorreu alguma desgraça, do tipo solapamento por infiltração de água das chuvas, explosão de encanamento subterrãneo de gás, chão rachado por terremoto, queda de meteoro, aterrissagem do Hancock? Também não.

Passo todos os dias nessa avenida e posso dizer que ela está acima da média das vias de São Paulo. Não tem nem aquelas ondulações em forma de onda nas laterais da pista, apesar dos ônibus que passam por ali.

Então por que é que vão gastar o meu dinheiro, o seu, recapeando justamente ESSA avenida, com tantas em São Paulo?

Para um carro passar.

Como? Não entendi…

É, para um carro passar! Ah, mas não é um carro qualquer… É um carro que não pode trafegar em vias normais, porque não tem seta, triângulo, extintor, excede fácil o limite de velocidade, não tem placa, não foi licenciado, não pagou IPVA e se a pista tiver muita ondulação, ele não passa.

Por isso, vão fazer um asfalto novo. Pra esse carro passar.

Também vão interditar a avenida. Enquanto esse carro estiver lá, ninguém passa. Carros, ônibus, motos, ninguém. Nem mesmo as pessoas. Estão proibidas de passar ali. Claro, podem ficar de longe aplaudindo. Aplaudindo um carro passar.

O carro é um carro de corrida. Projetado para circular em autódromos, que têm um asfalto diferente do das ruas. Então, como a rua não está adaptada para esse carro, vamos reasfaltar… Vamos mudar a rua para que UM veículo possa passar. Para fazer uma exibição. Para mostrar a marca de um fabricante de automóveis, a Renault. Esse veículo é um carro de Formula 1. Vão gastar o meu dinheiro e o seu para um showzinho de uma empresa.

Todos os dias, milhares de ônibus passam por essa avenida. Nos horários de pico (que ocupam uma parte cada vez maior do dia), eles têm que ficar presos atrás do oceano de carros. Um ônibus com 50 pessoas esperando 50 carros com 1 pessoa, na distância que separa um ponto do outro. E não há pista exclusiva. Não adaptam a via para o ônibus passar.

Todos os dias, centenas de bicicletas passam por ali. Desviam dos carros parados, ouvem buzinadas nos poucos momentos em que eles andam, querendo recuperar em 10 segundos a última hora de frustração. Não há ciclofaixa, nem sinalização viária indicando a presença de bicicletas. É preciso ocupar o mesmo espaço que deveria ser exclusivo dos ônibus e torcer para nenhum deles passar raspando. Não adaptam a via para a bicicleta passar.

Ah, mas vão adaptá-la para o carro passar. Isso vai custar R$ 220 mil reais e estão pensando em botar na conta do papa. O secretário de esportes do município, Walter Feldman, disse ao UOL Esporte (é, automobilismo é considerado esporte) que “se o evento for considerado estratégico, a organização não paga. Se não for, ainda não definimos se é a empresa ou a secretaria que arca com a despesa”.

Não sei o que ele considera estratégico. Não sei como isso incentivaria o esporte no país. E também não sei o que ele considera “organização” (de quê?) e “empresa”. Empresa acho que é a Renault. Organização eu sei lá quem é. Só sei que a Secretaria sou eu. Eu quem vou pagar. E você também, se mora aqui em São Paulo. Na mesma entrevista, o secretário de esportes diz que “é prioridade absoluta recapear o trecho para o evento”. Prioridade absoluta para o esporte. Certo.

Espero que o Sr. Feldman, a quem eu (ainda) nutro algum respeito, reveja essa posição. Se uma empresa quer fazer o seu showzinho usando as ruas da nossa cidade, que pelo menos pague para isso. Precisa de asfalto novo para fazer o show? Então dê esse asfalto de presente para a cidade. É o mínimo que se pode fazer. A fumaça no ar a gente engole quieto, a interdição e o congestionamento a gente também até aceita. Já estamos acostumados! Mas pelo menos não dêem prejuízo direto. Não usem para um show particular o dinheiro que poderia ser usado na saúde, na educação, na merenda escolar, na pintura de faixas de pedestres que foram sepultadas na cidade toda ou em qualquer outro lugar que seja necessário em caráter de urgência. Acho que precisamos rever nossas “prioridades absolutas”. Aliás, a lei manda pagar os custos da CET. E a ética, a responsabilidade e o bom senso mandam pagar o asfalto novo.

O piloto disse que “vai ser uma experiência única passar voando baixo pela avenida que circunda o Parque do Ibirapuera a bordo de um F-1″. Voando. Espero que nenhum pedestre resolva atravessar, como aconteceu no evento da Red Bull, em que nos vídeos dava para perceber um pedestre atravessando a rua segundos antes do carro passar, senão quem pode sair voando é o pedestre.

A rua não é lugar de “voar baixo” e não deveria ser usada para isso, nem de brincadeira. Um evento desse tipo e uma declaração dessas estimulam nos motoristas a vontade de dirigir rápido nas ruas. A F1, restrita aos autódromos, já incentiva mais que o suficiente, não precisamos mostrar isso na mesma rua em que os motoristas dirigem todos os dias. O excesso de velocidade é uma das maiores causas de mortes no trânsito. A visão de que dirigir rápido é algo cool se propaga fácil pelas mentes dos Ayrton Sennas de avenida, que um dia errarão uma curva, escorregarão numa freada e vão assassinar alguém em outro carro, em uma moto ou até na calçada esperando o ônibus.

Nossa cidade não precisa disso. Principalmente se nós é que vamos pagar a conta da publicidade da montadora. Já não basta pagar pelos carros, pelo seu custo em saúde e em vidas, pelas mortes no trânsito, pela degradação urbana e pelo desgaste social que eles nos impõem? Ainda temos que pagar pela propaganda?

Leia mais

Até quem fabrica carros sabe que em São Paulo eles não cabem mais
Considerações sobre uma declaração feita pelo presidente mundial da mesma Renault que vai organizar esse “show”.

Ruas fechadas para aplaudir um carro
Artigo sobre o evento semelhante realizado pela Red Bull dois anos atrás.

Red Bull não pagou tudo que devia
Será que já acertaram as contas?

Exibicionismo privado e irresponsabilidade no espaço público
Velocidade incentiva velocidade. A lei manda o organizador do evento pagar os custos da CET. Alô, Secretário!

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia . Tags: , , ,
08/09/2008 - 18:24

Salve a natureza você!

Salve a natureza você!

Na capa do estepe desse carro está escrito “Salve a Natureza”. Devia estar escrito “Salve a Natureza você, porque eu estou poluindo!”. Mais um que acreditou na propaganda e acha que o Ecosport tem alguma coisa a ver com Ecologia, Ecoturismo ou Eco-alguma-coisa-cool.

É fácil dizer “salve a natureza”. Difícil é colaborar. “Os outros que resolvam” é um pensamento muito cômodo.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Cuidando do planeta . Tags: ,
27/08/2008 - 18:37

SUVs: Brasil na contramão do mundo

No Brasil, as classes média e alta ainda idolatram os carros grandes. Os SUVs (também chamados de jipões) são aqueles carros altos, largos, compridos, pesados e que geralmente circulam com apenas uma pessoa dentro, apesar de terem espaço para carregar um boi. Símbolo de status e poder, ainda hoje são o sonho de consumo de muita gente. A justificativa de quem gosta de um carro desse tipo é sempre a mesma: mais segurança para o motorista, por ser um carro mais “robusto”, e sensação de status para quem dirige, por estar acima dos demais veículos.

Enquanto um dos motivos é bastante egoísta (melhorar a própria segurança, ao custo da dos outros), a segunda demonstra uma extrema falta de auto-estima – freqüentemente satirizada com referências ao tamanho de certa parte da anatomia masculina.

Eu não gosto de SUVs. Sei que ao ler isso, muita gente vai pensar “não gosta porque não pode ter uma” ou “isso é inveja”. Mas não é isso não. Vou explicar.

Um SUV na rua é uma afronta

Dono de SUV mostra sua educação e respeito ao espaço público, ocupando toda a calçadaEm movimento, um SUV é um perigo, principalmente porque muitos motoristas as utilizam para obter mais “respeito” no trânsito. Mas respeito é pra quem tem, é algo que se conquista… Essas pessoas escolhem esse tipo de carro para não precisar tomar tanto cuidado no trânsito, partindo do princípio de que os outros é que deverão tomar cuidado, já que o carro é grande e numa colisão fará bastante estrago. Esse é o tipo de “respeito” que o carro oferece.

Parado, o SUV ocupa muito espaço. Principalmente parada no trânsito. Mais largo que os outros carros, torna-se um entrave para ciclistas e motociclistas, já que não sobra espaço de nenhum dos lados para ultrapassá-lo. É também um risco maior para os demais veículos, pois a distância entre eles diminui.

Muita gente que estava em uma minivan passou ao lado de um SUV e viu que não estava tão por cima quanto pensava. É impressionante o número de pessoas que deixa sua minivan para levar um utilitário esportivo.
José Martins Filho
gerente comercial de uma
concessionária da Kia

Sua altura, que isola o motorista do olhar dos outros condutores, é a desculpa ideal para a atitude de “não estou te vendo” ao dirigir. Esse é um dos tipos de “status” que o SUV dá: a falsa ilusão de superioridade (o outro é a pretensa superioridade econômica). Ficar mais alto que os outros motoristas e perder o contato olho-no-olho torna mais fácil ver os outros apenas como carros em vez de pessoas. E como carros menores, mais fracos, que podem ser empurrados pra lá com a simples ameaça de ir em direção a eles. Na hora da raiva, não ter que olhar nos olhos da vítima torna mais fácil se vingar dela.

Ninguém me fecha.
Luciane Sabbag
32 anos, publicitária
e feliz proprietária
de um Kia Sportage

E é justamente essa altura maior que o normal que faz o carro ser mais suscetível a capotamentos, pois seu centro de gravidade fica mais longe do chão. Essa é a verdadeira “segurança” que o carro oferece.

Com motores que consomem mais combustível (afinal, mover duas toneladas de metal para carregar 100 quilos de ser humano demanda muita energia), os SUVs poluem mais. A situação piora quando o motor é movido a diesel, que libera poluentes como enxofre e chumbo. Aliás, se você vir um SUV por aí soltando fumaça preta pelo escapamento e sujando o ar que você respira, denuncie. O dono de um carro desses não tem nem a desculpa de não ter dinheiro para consertar o carro: se não tiver, que o venda e compre um mais barato e menos poluente.

Vendas caindo nos EUA, rejeição na Europa

Hummer
Não é um “Hot Wheels”, é um Hummer…

Nos EUA, os carrões de luxo e os SUVs estão em decadência, por gastarem mais em combustível e por seu valor estar em contínuo declínio. Quem tenta vender um carro desses por lá, perde bastante dinheiro, principalmente se fez financiamento para comprar. As pessoas começam a evitar carros desse tipo, o que se percebe no preço de venda.

A General Motors vai fechar 4 fábricas de produção de SUVs e pickups, e considera a hipótese de vender a marca Hummer. O Hummer é aquele carro extremamente largo, grande e pesado, que descende do veículo militar Humvee e que não precisa (sabe-se lá por que) cumprir os padrões americanos de eficiência de combustível. Polui que é uma desgraça, ocupa mais de uma pista de circulação nas ruas e ofende os outros usuários da via com seu egoísmo. Já vi aqui em São Paulo, em mais de uma ocasião, algum motorista patético circulando com um tanque desses na rua. Em uma das ocasiões, vi primeiro uma fumaça preta que imaginei vir de algum incêndio; procurando melhor a origem da fumaça, vi o Hummer virando em uma rua, antes que eu pudesse anotar sua placa (se é que tinha) para denunciá-lo à CETESB.

SUVs ocupam mais espaço. Às vezes, até na calçada.Na Europa, a rejeição aos SUVs não é de hoje. Há vários anos, ativistas já combatem o uso desses veículos. A Associação de Professores e Mestres da Inglaterra luta contra o uso de automóveis 4×4 para levar as crianças à escola, alegando que “podem matar ou ferir gravemente duas ou quatro vezes mais do que os carros comuns”. O motorista não tem visão de uma criança pequena na frente do carro e uma colisão atinge diretamente o tórax ou a cabeça dessa criança.

Outro argumento de ativistas anti-SUV é a poluição gerada por esses veículos, que por serem mais pesados que os convencionais, precisam de um motor bem mais potente para movê-los.

A Suíça vai fazer um plebiscito com o objetivo de banir o uso dos SUVs, pelo menos da forma que são hoje. Querem estabelecer normas para que sejam produzidos apenas veículos que poluam até certo limite, pesem menos de 2.2 toneladas, tenham uma frente mais segura para quem está do lado de fora e que os motores a diesel venham com filtros de partículas. Carros já existentes que não se enquadrem nesse padrão devem ter um limite de velocidade de 100 km/h. Tudo muito justo. Segundo os ativistas de lá, essa iniciativa “desacelera o aquecimento global, protege os ciclistas, pedestres e crianças, pára a guerra armada nas ruas… reduz a poluição e ainda é razoável”.

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Um SUV ocupa mais espaço
Foto que ilustra na prática como os proprietários de SUV ocupam mais espaço e não se importam nem um pouco com isso

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Se querem imitar os americanos, que imitem quando eles acertam…

O meu é maior que o seu
A guerrinha infantil entre adultos que tentam provar que são alguém na vida

Por que SUVs são um lixo
Site em inglês, com dezenas de motivos para não utilizar um SUV. O site diz, por exemplo, que trocar um carro mediano por um SUV durante um ano desperdiçaria mais energia que deixar uma televisão ligada por 28 anos…

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia . Tags: , , , ,
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