06/10/2009 - 15:42

A Aline Cavalcante disponibilizou um vídeo da reunião realizada ontem no Palácio dos Bandeirantes, onde se discutiu o projeto da ciclovia da Marginal Pinheiros.
Não foi exatamente uma convocação para ouvir, como anunciado. Foi praticamente uma exposição, com poucas intervenções por parte da audiência. As explicações eram que haverá uma nova reunião para discutir sugestões.
Pelo projeto apresentado, insistem na opção de construir passarelas por cima da Marginal, o que é mais oneroso e demorado do que fazer simples acessos a partir de cada ponte já existente. Mas ok, vamos dar um voto de confiança, afinal isso ainda está em discussão.
Lazer ou transporte?
Estão prevendo um estacionamento na ponta da ciclovia próxima à represa. Mas como assim, estacionamento? A ciclovia não era para transporte? Da maneira que está sendo feita, parece que não. Estão prevendo apenas um acesso em cada ponta (um quase na Billings e outro na Vila Olímpia) e futuros acessos a parques. Isso não resolve problema de mobilidade, a não ser para quem mora na Billings e trabalha no Parque Villa Lobos…
Tudo bem, pode até haver estacionamento, isso não seria um problema. Tem até seu lado bom, afinal não é nada ruim incentivar também o uso para lazer e esporte da ciclovia. Mas sem acessos em cada ponte, não adianta florear: ela não será útil para transporte.
O ciclista, ao se deslocar pela cidade, não se comporta como um trenzinho e não vai seguir um caminho de ciclovia que lhe for imposto. Ele precisa ir para Santo Amaro, para a Berrini, para a Lapa. E não vai pedalar 5km a mais para encontrar a ponta da ciclovia e entrar nela, isso tem que estar claro para os representantes do poder público. Sem acessos, não funciona para o transporte, só para passear. E por mais que sejamos simpáticos ao projeto, isso é fato.
Ausências
Foi sentida a falta da Secretaria de Transportes e da CET. Os responsáveis pela mobilidade na cidade não participaram da discussão sobre o uso da bicicleta como meio de transporte.
Nova Marginal
Ao serem questionados se na obra de ampliação da Marginal Tietê haveria uma ciclovia, como manda a lei, o secretário do Verde e do Meio Ambiente do município, Eduardo Jorge, respondeu que haverá ciclovia no parque linear, que vai apenas até a “fronteira” da cidade. Confrontado com a exigência legal e a demanda por ciclovia também na Marginal Tietê, o secretário alegou que essa é “outra discussão” e mudou de assunto.
Sim, é outra discussão. Uma discussão que não houve. E a assessoria de imprensa (ou de imagem, sabe-se lá) justifica a ausência de ciclovia dizendo via Twitter que “por segurança” ela será láááá no parque linear. Claro, assim quando eu precisar ir pro trabalho eu vou até o Parque Linear e de lá eu tomo um táxi.
Ora, se não há segurança para uma via SEGREGADA é porque o projeto está errado, muito errado! Como pode não haver segurança nem para uma via separada do fluxo de veículos? Não faz o menor sentido! Segurança é item básico. Ciclovia, a lei municipal 14.266, em seu art. 11, manda ter. Não há justificativa.
Os erros da Nova Marginal continuam injustificáveis e, pelo que parece, inquestionáveis.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo .
Tags: ciclovia, desrespeito ao ciclista, desrespeito às leis, legislação, mais bicicletas, vista grossa
10/06/2009 - 21:58
Como sempre, buscam-se diversos culpados para o trânsito ruim. Como nessa matéria, que elenca acidentes, atropelamentos, caminhões, o feriado e a chuva. Esquecem que se não houvesse tantos carros na rua, cada um com uma só pessoa dentro, não haveria congestionamento.
Quais serão as dicas utilíssimas das rádios “de trânsito” nesses momentos? Vá embora de metrô? Você devia ter vindo de bicicleta? Ou, como comentou no Twitter o @santoisaac: ”você que tem grana para morar no Morumbi, crie vergonha na cara e vá morar perto do trabalho”.
Outro comentário no Twitter, dessa vez do @luddista: “Afinal, ’somos apaixonados por carros’, não era isso?”. Esses devem ter adorado dirigir em meio a tantos automóveis nessa noite de quarta-feira.
Leia mais considerações sobre o recorde dessa noite no site Apocalipse Motorizado.
Infraestrutura gera demanda
Em vez de restringir o uso do carro oferecendo alternativas de transporte público e criando infraestrutura para bicicletas, incentiva-se o uso do automóvel construindo pontes e ampliando avenidas.
Isso é histórico e não parece que mudará tão cedo. Principalmente com a recente notícia de ampliação da Marginal do Tietê – que já está sendo chamada de Freeway do Serra, em alusão à promessa de campanha de Paulo Maluf na última eleição à prefeitura de São Paulo.
23km de pista e três pontes para mais e mais carros serem levados mais rapidamente de um congestionamento ao outro. R$ 1,3 bilhão para iludir os motoristas, que acreditarão que havendo mais vias na cidade haverá menos congestionamento. Quantos quilômetros de metrô seria possível construir com R$ 1,3 bilhão? Alguém já fez a conta?
O que seria mais útil para desafogar o trânsito, esses x quilômetros de metrô ou pistas adicionais na Marginal? Precisa mesmo calcular o valor de x para responder essa pergunta?
Veja a “Moção de Protesto e Repúdio” do Instituto dos Arquitetos do Brasil à ampliação da Marginal.
E a ciclovia?
| Lei obriga construção de ciclovia
A Lei Municipal n°. 14.266 determina, em seu artigo 11, que “as novas vias públicas, incluindo pontes, viadutos e túneis, devem prever espaços destinados ao acesso e circulação de bicicletas, em conformidade com os estudos de viabilidade”. |
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Serão 23km de pista e três novos viadutos. E nada de ciclovia, apesar de haver uma Lei Municipal (veja no quadro ao lado) que obriga sua construção. Como “compensação”, será criada uma ciclovia no entorno do Parque Ecológico do Tietê. Claro, afinal, na Marginal não tem por quê ter ciclovia…
Ironias à parte, se o governador destacasse alguém para fazer uma simples contagem de quantas bicicletas passam pela Marginal em uma única hora, durante o pico da manhã, por exemplo, ficaria espantado com a quantidade de gente que passa de bicicleta por lá.
As áreas do Tietê e Pinheiros são totalmente planas, o que facilita a locomoção por bicicleta. Por elas, têm-se acesso a quase toda a cidade. Uma ciclovia ali seria extremamente útil a MUITA gente que mora na periferia e trabalha no “centro expandido”.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . São Paulo parada .
Tags: ciclovia, desrespeito ao ciclista, desrespeito às leis, imprensa viciada, legislação, o custo real dos carros, vista grossa
18/04/2009 - 15:48
Depois da multa patética a um ciclista que participou da Pedalada Pelada do ano passado, a CET quer repetir a provocação e multar os ciclistas que repintaram um acostamento, insistindo na falácia de que são os ciclistas que causam congestionamento em São Paulo.
O prefeito Gilberto Kassab se diz simpático às bicicletas e aparenta entender que elas sejam uma alternativa viável ao automóvel e que o incentivo a seu uso seja um recurso válido para diminuir os congestionamentos na cidade. Tanto que sancionou a Lei 14.266, que cria o Sistema Cicloviário de São Paulo e oficializa a bicicleta como meio de transporte – embora a Lei não tenha sido regulamentada e, na prática, ainda não funcione até hoje. No mês passado, para demonstrar seu apoio ao uso da bicicleta, participou do evento de lançamento do projeto Pedalando e Aprendendo, do Governo do Estado, arriscando até algumas pedaladas.
Entretanto, cada vez mais mostra-se que esse apoio é só discurso. Ou isso, ou uma opção muito pior: a de que realmente não é ele quem governa a cidade, e sim o multi-homem Alexandre de Moraes, aquele que prefere a fluidez do que a segurança das pessoas.
A CET, que tem Alexandre de Moraes por presidente, quer multar os ciclistas usando a Lei Municipal 14.072/05 e o decreto 46.942/06, que estabelecem que “os custos operacionais referentes aos serviços prestados pela CET sejam cobrados dos organizadores do evento, acrescidos de 50%”.
Entretanto, a CET só vê a parte da legislação que lhe importa, para tentar punir de alguma forma quem age contra seus interesses, já que essa mesma lei exclui da cobrança “manifestações públicas, por meio de passeatas, desfiles ou concentrações públicas, que tragam uma expressão pública de opinião sobre determinado fato”. Portanto, a mesma lei que a CET quer usar para punir a impede de fazê-lo.
O mais irônico é que essa mesma lei obriga a CET a cobrar o “show” que a Renault fez no ano passado, com um carro de Fórmula 1 em via pública. Mas dessa parte a CET se esquece. Afinal, é muito mais justo cobrar ciclistas que participam de uma manifestação em prol da segurança e da vida das pessoas do que cobrar uma multinacional que fecha nossas ruas para divulgar sua marca.
Apesar de tudo isso, a CET quer ir adiante e continuar multando manifestantes mesmo assim. E só se os manifestantes forem ciclistas, pois em qualquer outra manifestação nunca se falou em multar quem quer que seja, mesmo quando a manifestação interdita alguma grande via.
Fica a impressão de que, em São Paulo, a CET manda mais do que a lei. E, mais que isso, de que a CET está perseguindo os cicloativistas, por ser contra a utilização da bicicleta como meio de transporte na cidade de São Paulo.
Que coisa feia, seu Alexandre!
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia ., . São Paulo parada .
Tags: desrespeito ao ciclista, desrespeito às leis, vista grossa
08/04/2009 - 11:31
De um dia pro outro, sem nenhum aviso, surgiram cinco postes em uma ciclovia de Curitiba. Aparentemente, quem escolheu o local do plantio foi uma empreiteira, que está construindo um prédio logo ao lado. A prefeitura diz que não sabe de nada.
Pesquisando um pouquinho, descobri que essa prática não é nova em Curitiba, já tendo sido até assunto de debate eleitoral.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte .
Tags: ciclovia, desrespeito ao ciclista, desrespeito às leis, vista grossa
30/03/2009 - 21:15
Parem o mundo que eu quero descer.

No ano passado, André Pasqualini participou da World Naked Bike Ride, a Pedalada Pelada, manifestação que acontece com data definida em várias cidades do mundo. Naquela ocasião, em 2008, a Polícia Militar o elegeu como “organizador do evento” e deteve apenas a ele, em meio a dezenas de pelados, além de disparar, sem motivo, spray de pimenta nos ciclistas e nos jornalistas que acompanhavam a manifestação – com a mesma displicência que se aplica “Bom Ar” em um ambiente.
Como se não bastasse, André recebeu da CET recentemente um boleto no valor de R$ 1.289,25 e descobriu que era dele a culpa do congestionamento causado durante a ação da PM.
A CET alega que a manifestação era um “evento” e que, como tal, há uma lei que a autoriza a cobrar do organizador seus custos operacionais. Essa mesma lei exclui da cobrança “manifestações públicas, por meio de passeatas, desfiles ou concentrações públicas, que tragam uma expressão pública de opinião sobre determinado fato”, o que é claramente o objetivo da Pedalada Pelada.
O mais irônico é que essa mesma lei (14.072) obriga a CET a cobrar o “show” que a Renault fez no ano passado, com um carro de Fórmula 1 em via pública. Mas dessa parte a CET se esquece. Afinal, é muito mais justo cobrar um ciclista que participou de uma manifestação do que uma multinacional que fecha nossas ruas para divulgar sua marca…
Saiba mais no UOL Notícias e no site CicloBR, onde André conta em detalhes o que aconteceu.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo ., . Motorcracia .
Tags: ações, carro rei, desrespeito ao ciclista, desrespeito às leis, vista grossa
27/03/2009 - 18:10
Sabe aquele restaurante que estaciona os carros dos clientes na calçada? Ou aquela loja, que fez da calçada seu estacionamento? Às vezes dá até vontade de descontar naquele carro que está ocupando a calçada e te obrigando a se espremer para passar, muitas vezes fazendo até com que os pedestres tenham que passar pela rua.
Mas, além de ser incorreto, descontar no carro que está ignorando a existência dos pedestres não traria resultados práticos. Primeiro que nem sempre o dono do carro é conivente com esse desrespeito e os manobristas não vão nem ficar sabendo (ou vão ignorar) o que aconteceu. E, mesmo que o dono tenha estacionado ali por vontade própria, riscar seu “patrimônio” não lhe trará a educação que ele precisa ter, pois dificilmente ele associará o risco ao desrespeito que comete (que, para ele, é algo normal).
Talvez passar andando por cima do carro, já que ele está na calçada? Seria poético! Algumas vezes já fiquei morrendo de vontade de fazer car walking, em situações que realmente mereciam, mas isso pode trazer problemas. Vão dizer que você está estragando o carro (mesmo que não estrague nada) e, claro, não vão fazer nada pra tirar o carro dali… É mais produtivo direcionar essa raiva para algo que realmente trará algum resultado prático.
Inspirado por este post no Blog de Ecologia Urbana e também pelo que vejo quando passo em algumas ruas que fazem parte de meu trajeto diário ou eventual, resolvi divulgar uma das formas que temos para relatar esses estupros recorrentes do espaço público.
Quando é algo eventual, como um carro que estacionou em local proibido ou em cima da faixa, não tem nada que possa ser feito mesmo: se você ligar na CET, vão dizer que “não tem viatura pra atender a ocorrência”. Mas se tiver algum agente da CET por perto, aí sim você pode exigir providências. Sim, EXIGIR! É a função dele e ele tem que cumpri-la.
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| No Restaurante Lilló, (R. Borges Lagoa, 1321), cobram dez reais para estacionar seu carro na calçada (foto de 03/09/2008) |
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Quando é algo recorrente, como o citado nesta denúncia, recomendo abrir uma reclamação no SAC da Prefeitura. Pode até demorar um pouco, mas atendem. Escolha como assunto “CET – Fiscalização”. Na tela seguinte, escolha a opção, que por sinal é nova, “veículos estacionados em cima da calçada ou canteiro”. Na próxima tela, o sistema vai pedir os dias e horários em que isso acontece e pergunta também se há sinalização de trânsito no local. Juro que não entendi isso, já que calçada é calçada e não depende de sinalização, mas enfim. Na tela seguinte, você tem espaço para detalhar sua reclamação.
Vale a pena usar os meios oficiais para denunciar. Imagino que fornecendo dia e horário da ocorrência, a CET se programe para fazer um flagrante, porque afinal não adianta nada passar lá em um horário em que isso não acontece. Se possível, tire uma foto com o celular, suba para algum site (se não tem para onde subir, recomendo este site) e cole a URL na descrição da reclamação. No final do processo você ganha um número de protocolo, que pode ser utilizado para consultar o andamento do processo.
Se você fizer alguma denúncia e quiser colocar o número do protocolo como comentário nesse post, daqui algum tempo eu publico um novo post comentando quais foram as respostas recebidas e se surtiu efeito ou não.
Me parece que a CET tem apertado a fiscalização, o que é ótimo. O Restaurante Lilló, que sempre estacionava os carros dos clientes nas calçadas, parece que não está mais fazendo isso. Passo em frente uma vez por semana e não vejo isso acontecer há pelo menos um mês. E a Rua Amauri agora tem sempre um agente da CET nos horários de maior movimento. É triste terem que sempre destacar agentes para fazerem plantão em uma mesma rua, mas agora não há mais problemas como ônibus incomodando os clientes… Será que o problema era mesmo com os ônibus?
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia .
Tags: carro rei, desrespeito ao pedestre, desrespeito às leis, mude o mundo, o custo real dos carros
17/03/2009 - 20:03

Com a chuva que caiu hoje em São Paulo, muitos pontos ficaram alagados. Os motoristas ficaram desesperados para encontrar lugares por onde pudessem passar com os carros. Até aí, muito justo: se o caminho está cheio de água, desvia-se para seguir por outro.
O problema é que os carros – não sei se por iniciativa própria ou recomendação da CET (o que não duvido nem um pouco) – resolveram utilizar a pista do Expresso Tiradentes, como mostram as imagens ao lado, que fazem parte desta matéria do G1.
Olha, é compreensível que os carros tentem utilizar outra via para chegar onde querem já que a principal está alagada. Mas NUNCA deveriam usar a pista do Expresso Tiradentes, que é EXCUSIVA de ônibus.
Dessa forma, pune-se o usuário de transporte público pelo excesso de carros, principalmente porque os carros podem tentar sair dessa avenida e procurar outro caminho, mas OS ÔNIBUS NÃO. Quem usa o Expresso Tiradentes foi condenado a esperar que centenas de carros saíssem da frente do ônibus (e não saíam, porque o lugar para onde iam também estava cheio de água) para que o ônibus pudesse seguir viagem.
Uma cidade que levasse a sério a mobilidade dos cidadãos, priorizaria os milhares de usuários de ônibus e não as centenas que estão em seus carros e poderiam procurar outro caminho. Uma cidade preocupada equalitariamente com os cidadãos, se esforçaria para ajudar a maior parcela da população, que é aquela que utiliza transporte público, em vez de se preocupar apenas com a fluidez da minoria privilegiada (será?) que se utiliza do automóvel.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . São Paulo parada .
Tags: carro rei, desrespeito às leis, transporte público, vista grossa
02/02/2009 - 17:53
O site Bicicleta na Rua fez o cálculo do prejuízo causado pela teimosia ilegal da concessionária Ecovias, ao impedir centenas de ciclistas de trafegar na Rodovia dos Imigrantes no ano passado, no evento que ficou conhecido como “Bicicletada Interplanetária”.
Segundo os cálculos descritos na matéria, o Governo do Estado, através da atuação da Polícia Rodoviária, desembolsou cerca de R$ 16.550,00 para, teimosamente e sem embasamento legal, impedir os ciclistas de descer a serra, causando lentidão na rodovia e colocando vidas em risco.
Além do prejuízo direto aos cofres públicos com a alocação desnecessária de um efetivo razoável da Polícia Rodoviária para impedir um direito legal, ainda houve: o custo de alocação da Polícia Militar (sem estimativa); o prejuízo ao comércio da estrada, estimado pelo blog em R$ 2.100,00; e o prejuízo ao comércio e serviços do litoral, estimados em R$ 13.000,00, entre passagens de ônibus, hospedagem e alimentação.
Enquanto isso, a ARTESP, que deveria defender os interesses do cidadão (quadro abaixo), se faz de desentendida frente ao claro e flagrante desrespeito às leis e aos direitos das pessoas.
| O que deveria fazer a ARTESP?
Segundo a Lei Complementar nº 914, de 14 de janeiro de 2002, que instituiu a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP):
Artigo 2º – A ARTESP obedecerá aos seguintes princípios:
(…)
II – eqüidade no tratamento dispensado aos usuários, às diversas entidades reguladas e demais instituições envolvidas na prestação ou regulação dos transportes, autorizados, permitidos ou concedidos;
III – imparcialidade, evidenciada pela independência de influências de setores públicos ou privados que possam macular a credibilidade dos procedimentos decisórios inerentes ao exercício das funções regulatórias;
Artigo 3º – Constituem objetivos fundamentais da ARTESP:
(…)
V – atender, por intermédio das entidades reguladas, as solicitações razoáveis de serviços essenciais à satisfação das necessidades dos usuários;
VI – promover a estabilidade nas relações entre poder concedente, entidades reguladas e usuários;
Artigo 4º – A ARTESP, no âmbito dos serviços compreendidos em suas finalidades, terá as seguintes atribuições:
(…)
XIII – dirimir, no âmbito técnico-administrativo, divergências entre concessionários, permissionários e autorizados, e entre esses agentes e usuários;
(…)
XVII – atuar na defesa e proteção dos direitos dos usuários e dos demais agentes afetados pelos serviços públicos de transporte sob seu controle, recebendo petições, representações, reclamações, e promovendo as devidas apurações;
Artigo 20 – O Ouvidor será nomeado pelo Governador do Estado, com mandato de 2 (dois) anos, permitida uma recondução, e terá remuneração idêntica à dos Diretores, competindo-lhe receber sugestões e averiguar as queixas dos usuários contra o funcionamento da própria ARTESP e a respeito dos serviços públicos de transporte.
Tendo isso em mente, vejam o atendimento prestado pela Ouvidoria da Artesp e tirem suas próprias conclusões.
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Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo ., . Bicicleta é viajar ., . Motorcracia .
Tags: Bicicletada, cicloturismo, desrespeito ao ciclista, desrespeito às leis, Ecovias, rodovia, vista grossa
15/12/2008 - 15:05
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Nova tentativa, novo desrespeito aos direitos dos ciclistas.
Foto: Gustavo Bahri |
Na semana anterior, os ciclistas paulistanos fizeram uma tentativa de descida a Santos, em que tiveram que engolir diversas desculpas esfarrapadas para que a lei fosse desrespeitada e a descida fosse impedida (sem falar no manipulamento da mídia pela Ecovias).
Nesse final de semana, alguns bravos ciclistas fizeram nova tentativa, onde se ouviram novas desculpas esfarrapadas. Leia aqui o relato feito pelo Gustavo Bahri, com fotos.
As bicicletas passarão.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte ., . Motorcracia .
Tags: ações, cicloturismo, desrespeito ao ciclista, desrespeito às leis, Ecovias, rodovia, vista grossa
08/12/2008 - 16:24
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Ciclistas saindo de São Paulo,
rumo à Rodovia dos Imigrantes
Foto: Rodrigo Navarro |
A Ecovias (que de Eco só tem o nome, já que só permite veículos poluentes utilizarem suas estradas) solicitou à Polícia Rodoviária que impedisse a descida. Isso fere o art. 58 do cód. de trânsito.
A desculpa dada é que a estrada não oferece condições de segurança para bicicletas. Isso fere o art. 21. do código de trânsito, principalmente por já terem reformado a via tantas vezes e construído novas pistas.
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Centenas de bicicletas em direção ao litoral,
sob a vigilância da Polícia Rodoviária.
Foto: Rodrigo Navarro |
Centenas de bicicletas se dirigiam ao litoral. Pacificamente.
Houve bloqueios da Polícia Rodoviária. Algumas pessoas foram ficando nos bloqueios, outras contornaram pacificamente, aos poucos, e continuaram, como a água escorrendo por frestas de uma pedra.
Novos bloqueios. Mais pessoas ficando para conversar com os policiais, outros passando.
Não havia base legal para segurar os ciclistas. O art. 58 do cód. de trânsito permitia sua passagem. A Artesp (responsável pela fiscalização dos serviços prestados pelas concessionárias de rodovias) havia informado através de sua ouvidoria que o tráfego de bicicletas é permitido na Imigrantes (protocolo 104711). Mesmo assim eles foram sendo barrados. Alguns foram ficando com o saco cheio das arbitrariedades e foram voltando para casa.
O argumento utilizado pela polícia para impedir a descida era que por volta do km 40 há uma placa de proibido bicicletas (R-12). Também utilizaram como argumento uma legislação de 1950, que foi substituída pelo CTB. Ou seja, não havia base legal para impedir a descida, mas como convencer um policial disso, principalmente se ele tem suas ordens a cumprir?
E, mesmo que a placa fosse um argumento sólido para impedir a passagem das bicicletas (quem manda é a placa ou é a lei?), não havia base legal para impedir a passagem das bicicletas até o km 40, já que elas trafegavam pelo acostamento como manda a lei.
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A Polícia Rodoviária considerou
importante deslocar um grande efetivo
para impedir que os ciclistas
usufruissem da rodovia
Foto: Macaco Véio |
A Ecovias e a Polícia Rodoviária divulgaram informações aos órgãos de imprensa ao longo do dia, dizendo que os ciclistas é quem estavam causando lentidão no tráfego na estrada (como, se utilizavam o acostamento?) e que 40 pessoas haviam sido detidas. Só se estavam se referindo às pessoas impedidas de descer, porque ninguém foi realmente “detido” (levado para uma delegacia ou coisa que o valha).
A Ecovias erra em não fornecer segurança para que a descida possa ser feita a pé ou de bicicleta. A Ecovias age contra a lei quando impede a passagem das bicicletas e dos pedestres.
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Renata Falzoni, cicloativista “das antigas”, também estava lá, lutando por nossos direitos e documentando o ocorrido com sua inseparável câmera
Foto: Rodrigo Navarro |
E, principalmente, a Ecovias perdeu uma excelente oportunidade de se pintar de verde. Se tivessem feito uma escolta e permitido a passagem, com o discurso que assim que possível tornariam a via segura também para as bicicletas, teriam ganho muito em imagem.
Impedindo as bicicletas de trafegar e permitindo apenas veículos a motor, permanece a impressão de que a Ecovias é “dona” da estrada (em vez de ter uma concessão da estrada pública) e que só deixa passar quem é economicamente viável. Se os ciclistas voltassem e pegassem um carro, que paga pedágio, poderiam passar. Se voltassem e embarcassem em um ônibus, que paga pedágio, poderiam passar. Se pudesse, a Ecovias proibiria até as motos.
Quinze dias antes, a Bicicletada foi até Ubatuba. Um caminho bem mais longo, passando por duas estradas diferentes, sem problema algum no caminho. Pelo contrário, a Polícia Rodoviária até nos escoltou para nos ajudar em um trecho onde a rodovia tinha muitas saídas… Sempre que passávamos por eles, nos cumprimentavam com um sorriso e incentivavam nossa viagem. Não tivemos nenhum problema.
Mas a Polícia Rodoviária da Imigrantes não permitiu a passagem das bicicletas.
Relatos de participantes dão conta de que teria havido uma liberação oficial no final da tarde, que beneficiaria os últimos resistentes que se recusavam a voltar. Entretanto, por uma decisão pessoal do oficial responsável pela ação no momento, a liberação não teria sido levada a termo. Mais informações assim que os relatos começarem a pipocar pelos blogs dos participantes e apoiadores. Muitos fizeram relatos em vídeo, inclusive a Renata Falzoni. Aguarde novidades.
A massa foi impedida de descer. Dessa vez. Os ciclistas continuarão tentando exercer seu direito. A lei permite a descida e a Ecovias tem obrigação legal de permiti-la e torná-la segura, seja um evento com 400 ciclistas ou um viajante solitário. As bicicletas passarão.
Repercussão na mídia
| Saiba Mais |
Só quatro ciclistas conseguiram completar “bicicletada” até Santos, O Globo
A matéria com a maior correção dentre todas publicadas. Segundo essa matéria, a justificativa da polícia é que a descida era um “evento” e por isso precisava de comunicação prévia. Então evento pode, mas descer sozinho não. Mesmo a lei permitindo.
Matéria na TV Record
Informações corretas, porém com a informação fornecida pela dona da estrada Ecovias de que os ciclistas “não pediram autorização para usar a estrada”. A autorização está no CTB e foi confirmada pela Artesp, portanto a Ecovias não precisa concedê-la e os ciclistas não precisam pedi-la. Como se eu fosse conseguir da Ecovias uma autorização caso quisesse descer agora, sozinho, exercendo meu direito…
Grupo de ciclistas desce a Imigrantes e mobiliza polícia, G1
Foi a matéria com a maior correção dentre as que foram divulgadas enquanto os fatos aconteciam. A única informação incorreta da matéria foi fornecida pela Ecovias, claro: os ciclistas não podiam descer porque não pediram autorização para trafegar na estrada. O CTB deu essa autorização e a Artesp a confirmou. |
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BOL, UOL (Maplink), Folha
A mesma notícia saiu em vários lugares, com as informações fornecidas pela dona da estrada Ecovias e pela Policia Rodoviária de que os ciclistas é que causavam lentidão na Imigrantes e de que 40 pessoas haviam sido detidas. Ninguém foi detido e os ciclistas estavam no acostamento.
Grupo de ciclistas tenta descer a serra e causa lentidão de 16 km na Imigrantes, O Globo
Apesar do título colocar a culpa da lentidão nos ciclistas, o texto explica: as bicicletas amontoadas no acostamento despertaram a curiosidade dos motoristas, que praticamente paravam os carros para tentar descobrir o que estava acontecendo. Tá aí: quem causou a lentidão foram os próprios motoristas. Em um entendimento mais amplo, quem causou a lentidão foi a ação da Polícia Rodoviária e a intransigência da concessionária Ecovias.
Lentidão causada por ciclistas e curiosos sobe para 16 km na Imigrantes, O Globo
Outro título colocando a culpa da lentidão nos ciclistas, com o texto explicando que “a lentidão é reflexo da curiosidade dos motoristas que passam pela região”. |
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E, apesar de tudo, a Bicicletada chegou na praia
Foto: Macaco Véio |
Relatos, fotos e vídeos
Saiba o que aconteceu pela ótica de quem estava lá
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte ., . Motorcracia .
Tags: ações, Bicicletada, cicloturismo, desrespeito ao ciclista, desrespeito às leis, Ecovias, imprensa viciada, rodovia, vista grossa
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