DICIONÁRIO
Trechos extraídos do dicionário “Novo Aurélio Século XXI”:
tráfego
(…) 9. Bras. V. trânsito (6 e 7) [Cf. tráfego, do v. trafegar.]
trânsito
(…) 6. Movimento, circulação, afluência de pessoas ou de veículos. (…)
trafegar
(…) 5. Transitar; passar, andar. (…)
A CET de São Paulo continua a mesma. Para que a bicicleta seja definitivamente aceita como parte do trânsito nessa cidade, é preciso haver uma mudança de mentalidade dentro da companhia, que deve ser propagada de cima para baixo para os funcionários.
A sigla CET significa Companhia de Engenharia de Tráfego. O dicionário “Novo Aurélio Século XXI” remete, em um dos itens da descrição do verbete, à palavra trânsito, que em seu item 6 é definida como “movimento, circulação, afluência de pessoas ou de veículos”. De pessoas ou de veículos. E a bicicleta também é um veículo. O tráfego não é formado apenas de carros, é formado também de outros veículos: motos, ônibus, caminnhões, triciclos, bicicletas e até, por que não, patinetes. E também é feito de pessoas: pedestres, skatistas, patinadores. A rua é de todos.
Posto dessa forma, parece muito simples. Mas parece que a diretoria, presidência, ou sei lá quem é que estabelece essa política imbecil na CET de São Paulo não entende nem assim, explicado de uma forma que (quase) qualquer idiota entenderia.
Carro e moto da Globo estacionados no meio da Praça Gal. Gentil Falcão, em cima da grama, na maior cara de pau, durante a filmagem do Desafio Intermodal.
Foto: Willian Cruz/Vá de Bike!
Quinta-feira, 17 de setembro, 2009. Carro da Rede Globo chega na Praça Gal. Gentil Falcão para cobrir o Desafio Intermodal e estaciona em cima da grama, no meio da praça. Segundo os funcionários da emissora, “a CET que mandou parar aqui”. Há também uma moto estacionada junto ao carro.
Provavelmente não foi naquele momento, já que não havia nenhum agente da CET no local, mas a pretensa imunidade jornalística às leis de trânsito e ao respeito ao próximo advém do mau exemplo das autoridades de trânsito, da impunidade e do incentivo da CET à sua prática: quando um carro quebra, a primeira providência dos agentes é empurrá-lo para cima da calçada.
O pensamento dos agentes da CET ao colocar o carro em cima da calçada – ou da praça – é de que na rua ele atrapalha o fluxo de automóveis. O pedestre que desvie pela rua, o importante é não diminuir a “fluidez” dos carros.
Saiam da rua, os carros querem passar
A Av. Sumaré foi fechada para os carros nesse domingo, 20 de setembro, para ser utilizada como área de lazer. As faixas e a divulgação “informal” (não vi divulgação oficial) diziam que a liberação seria até as 14h. Cheguei lá às 13h, esperando aproveitar o finalzinho da festa, mas só consegui me decepcionar.
Às 13h30 a pista sentido bairro já estava totalmente liberada para o tráfego motorizado. Na pista contrária, uma pickup da CET passava com a sirene ligada, com o agente gritando irritado “ACABOU! ACABOU!” e fazendo sinal para sair da rua.
Parei no meio da rua olhando inconformado, nem tanto pelo fechamento mas para a maneira como a coisa acontecia. Estávamos sendo literalmente expulsos da rua, antes do horário, sem conversa e sem explicação. A “viatura” passou, mas parou a uns 20 metros de mim e o agente, com a cabeça para fora da janela olhando para trás, gritava olhando para mim, sem a menor paciência:
Desmonta aí filho, vamos embora pela calçada, empurrando. É mais seguro.
De um pai que estava de bicicleta com o filho na Av. Sumaré, às 13:35, assustado com o terrorismo psicológico do agente da CET.
- TO DIZENDO QUE ACABOU!
- Mas não era às duas? – ainda tentei argumentar.
- TO DIZENDO QUE ACABOU!
- Mas era até às duas, tá escrito ali na faixa!
- EU TO DIZENDO QUE ACABOU!!
- E se eu continuar aqui?
- Aí eu vou ter que chamar o policiamento pra você!
Eu abri os dois braços como quem diz “fazer o que então, né?” – e continuei no meio da rua. Nisso algumas outras pessoas foram até a janela da viatura, meio assustadas com a sirene e os gritos do agente, para entender o que estava acontecendo. Sei lá o que ele explicou, porque de longe eu não ouvi.
Cheguei perto da janela, pelo lado direito da viatura, e falei pra ele: ”vou continuar aqui, usando o bordo da via, porque é meu direito, artigo 58 do código de trânsito”. Ele, bem mais manso (será por que citei uma lei?), respondeu “ah tá, no bordo da pista pode…” e seguiu com o carro, ligando de novo a sirene.
Todos saíam da rua rapidamente e assustados, como se um maremoto estivesse chegando. Fomos para o bordo da pista e subimos a Av. Sumaré pedalando pela faixa da direita, eu e minha esposa. Iniciante no uso da bicicleta, ela ficou assustada, tanto com o comportamento do agente da CET como com a abertura da avenida que, da maneira que era anunciada, parecia iminente e perigosa. Dava a impressão de uma comporta que iria se abrir e todos que não subissem para a calçada sucumbiriam.
Tudo bem, entendo que o dia não estava bom e não tinha tanta gente assim usando a avenida para pedalar, então resolveram fechar antes do prometido. Ou que precisavam de uma hora para retirar os cavaletes de ambas as pistas e a promessa das 14 horas era para os carros, não para as pessoas. Tanto faz. Mas não é desse jeito que se lida com gente. Parecia que diziam “saiam daqui, os carros vão passar e vocês estão atrapalhando, se não saírem vou chamar a polícia”. Só faltou o marronzinho contar até três para eu sair da rua. Lamentável. Reflexo da política adotada pela Companhia, a de que os carros têm prioridade e direito exclusivo de uso das vias. O resto – sejam caminhões, ônibus fretados, bicicletas ou pedestres – é obstáculo.
Às 13:50 estávamos no topo da Av. Sumaré, onde ela passa a se chamar Paulo VI. Os carros já fluíam nos dois sentidos.
Proteger a vida não é meu trabalho, se vira aí
No site do CicloBR, André Pasqualini faz outro relato lamentável do final de semana, dessa vez na Ciclofaixa de Lazer. Ou, pelo menos, onde ela deveria funcionar.
A princípio, todos acreditávamos que o não funcionamento da ciclofaixa nesse domingo seria em decorrência de uma corrida de rua, que ocuparia o mesmo espaço, impossibilitando seu uso. Não fazia muito sentido, mas tudo bem, terminando a corrida ela provavelmente seria liberada.
Ah, quanta inocência… Aparentemente, a CET estava ocupada demais para se preocupar com Ciclofaixa e parece ter sido esse o motivo da não abertura. A rua estava desimpedida para os carros e uma faixa, virada pra o fluxo de carros na rua e não para quem saía do parque, avisava que a ciclofaixa não estava funcionando, dando a alguns motoristas argumento para ameaçar a vida dos ciclistas que insistissem em utilizá-la, geralmente sem saber que ela estava “fechada”.
Existe um tipo de motorista que coloca a vida de um ciclista em risco para provar seu ponto de vista: o de que ele não deveria estar ali. Através de finas, buzinadas, ameaças com o tamanho do carro sobre o frágil ser humano que se equilibra na bicicleta, eles tentam “educá-lo” segundo seus próprios princípios distorcidos, punindo-os com uma ameaça (e um risco) de morte por fugirem do que consideram correto. Uma tentativa de homicídio, mesmo que o motorista que faz isso não tenha consciência do perigo em que coloca a vida de alguém ao fazer isso.
O mais bizarro é que o ciclista tem direito de estar ali, tendo ciclofaixa ou não. O art. 58 do Código de Trânsito diz que o ciclista deve usar os bordos da pista. Veja bem: “os” bordos da pista, ou seja, ambos, tanto o lado direito como o esquerdo. Claro que evitamos usar o esquerdo, porque é onde os carros passam com mais velocidade (geralmente, acima do limite). Mas é ali que a ciclofaixa está pintada no chão.
Os motoristas que ameaçavam os ciclistas por vezes gritavam que a ciclofaixa estava desativada. Ou seja, “saia da rua, ela é minha, senão eu passo por cima”. Um flagrante desrespeito à vida, respaldado por uma faixa da CET que dava a entender que os ciclistas não deveriam estar ali naquele dia.
Uma sinalização indicando a presença de ciclistas legitima sua presença na rua. Afirma que o ciclista tem tanto direito de utilizar a pista quanto o motorista do automóvel. Por outro lado, uma faixa que diz com todas as letras que a ciclofaixa está desativada, diz claramente ao motorista que o ciclista está errado em trafegar ali, mesmo que a lei lhe garanta esse direito.
Alguns pais levaram seus filhos para pedalar na ciclofaixa. A maioria não sabia que ela estava desativada.
Foto: CicloBR
O pior de tudo foi a atitude dos agentes da CET que estavam no local. Mesmo VENDO motoristas em flagrante de direção perigosa, desrespeitando meia dúzia de leis de trânsito e ameaçando a vida das pessoas com o veículo de uma tonelada, preferiam multar carros estacionados e diziam não poder fazer nada.
Os carros estacionados atrapalhavam o fluxo dos outros carros. Era mais importante tirar aqueles dali, para outros poderem fluir com mais velocidade, do que proteger vidas que estavam em risco. A mim parece omissão e crime, gostaria de saber o que diria a lei.
O motorista que faz isso na cara da CET e não leva uma multa, uma reprimenda, uma voz de prisão de um policial militar, se sente em seu direito ao agir daquela forma. Para ele, aquele comportamento sociopata foi aceito pelas autoridades e, portanto legitimado. Na próxima oportunidade, fará igual e acreditará ter uma atitude correta ao fazê-lo, graças à anuência da Companhia de Engenharia de Tráfego da cidade de São Pauloe ao estímulo da sinalização inadequada.
E nem é tão difícil assim: sinalização nas vias já é um bom começo. Veja na imagem abaixo como os carros respeitam o chão pintado de vermelho. Foto tirada na Av. República do Líbano, em frente ao Portão 8 do Parque do Ibirapuera, na última quarta-feira, de manhã.
Como comentado no post Pequenas ações que tornariam as ruas mais seguras, sinalização vertical (placas) e horizontal (solo) avisando aos motoristas que naquela via há tráfego de bicicletas legitimam sua presença e trazem mais segurança aos ciclistas que compartilham a via com os automóveis. E, no caso acima, separar o fluxo de bicicletas da travessia de pedestres traz mais segurança para ambos.
Muita gente. Mais do que esperavam. Mais de nove mil pessoas, mostrando que há demanda reprimida para o uso da bicicleta nas ruas. Pais com os filhos, bicicletas diferentes, Parque das Bicicletas cheio de gente, ciclofaixa com muita gente em todos os trechos. Muita gente indo conhecer o Parque do Povo, pedalando na sombra das árvores da Av. República do Líbano, levando as crianças para pedalar na rua pela primeira vez na vida. Havia tanta gente que já prometeram expandir o trajeto ainda esse ano.
Clique na foto abaixo para ver a galeria completa. Há comentários nas fotos, explicando melhor o que rolou no dia.
A estação Santa Cruz do metrô é relativamente próxima do Parque das Bicicletas, uma das “pontas” da nova ciclofaixa. E aos domingos, o Metrô de São Paulo (e os trens da CPTM, interligados ao metrô) aceitam o transporte de bicicletas durante todo o dia.
Às 9h da manhã vou sair da estação Santa Cruz e seguir até o Parque das Bicicletas, onde estarão sendo distribuídos kits de divulgação desde as 9h e de onde sairá a “pedalada inaugural”, com prefeito, secretários e outros figurões, prevista para as 10h30 (mas não se preocupe, a ciclofaixa estará “funcionando” desde as 7h).
Um bom ponto de encontro por ali é em frente a uma igreja, que fica na mesma quadra da estação. Saindo da catraca do metrô, vá para a esquerda (a saída oposta ao shopping). Suba as escadas e chegando na calçada vá para a direita (empurrando a bicicleta, por favor – é logo ali do lado).
Dali, faremos o trajeto abaixo (clique para ampliar), que evita vias com ônibus ou de tráfego rápido:
Retorno
Aproveite o finalzinho da manhã para conhecer toda a extensão da ciclofaixa e passear nos parques. Às 13h nos encontraremos no Parque das Bicicletas para o retorno, em algum ponto de encontro a combinar quando chegarmos lá. Se a Ciclofaixa realmente fechar às 12h (e, pessoalmente, acho que vão deixar aberta mais um pouco), há um caminho do Parque do Ibirapuera até o Parque das Bicicletas por ruas tranquilas: saindo do portão da IV Centenário, atravesse a rua e siga direto até o final, vire à direita e desça para a República do Líbano. Dali, suba na calçada à esquerda e vá até a próxima esquina, que você sai em frente ao Parque, bem na faixa para poder fazer a travessia.
Do Parque das Bicicletas faremos praticamente o mesmo caminho de ida, com poucas diferenças devido às mãos das ruas. No retorno, haverá apenas uma subida forte, que pode ser feita empurrando a bicicleta (não se preocupe, a gente espera).
Prepare-se
Aproveite o sábado para dar uma geral na bike. Leve a alguma bicicletaria (lista delas aqui) e peça para regularem as marchas, os freios e calibrar o pneu. Cada um é responsável pelo estado de sua própria bicicleta e por sua conduta na rua, embora eu me disponha a dar dicas e auxiliar os iniciantes.
Esse trajeto não é um “evento”: não há camiseta, inscrição, chapeuzinho e você não precisa me pagar uma pizza. Apenas vamos todos nos encontrar para ir ao parque em um grupo, com mais segurança do que se estivéssemos sozinhos. Vamos pedalar respeitando as leis de trânsito, usufruindo de nosso direito de utilizar as ruas (CTB art. 58), por um trajeto seguro e sem deixar ninguém para trás. Capacete vai da consciência de cada um, embora eu recomende. Menores de idade, por favor, venham com um responsável: só tenho um filho e dessa vez ele ainda não vai.
E é às nove, hein? Na frente da igreja. Não se atrase!
Outros “bondes”
Pinheiros
R. dos Pinheiros esquina com Av. Faria Lima, no posto de gasolina
Encontro às 9:10h, saída às 9:40h
Condutor: El Bigodon
(Se você vai levar um grupo até a Ciclofaixa, me informe que eu acrescento aqui)
Passei pela Av. República do Líbano hoje de manhã e me parece que a pintura da Ciclofaixa já está completa. Uma equipe da CET estava afixando placas próximo à Av. Ibirapuera.
Se você reparar no canto superior esquerdo, vai ver também uma placa de sinalização.
Aproveito para publicar dois vídeos que gravei no domingo, quando fazíamos o reconhecimento da ciclofaixa.
O primeiro mostra o pessoal pedalando na Hélio Pellegrino, cruzando a Av. Santo Amaro. Nesse dia, a ciclofaixa ainda não estava totalmente sinalizada e não havia isolamento para impedir a passagem de carros, mas mesmo assim não tivemos nenhum problema com os automóveis. Ok, havia a CET fazendo o corking, mas nenhum carro tentou se enfiar no meio dos ciclistas.
Ah, nesse primeiro vídeo dá pra ver a “centopéia” que nos acompanhou no percurso.
Nesse outro vídeo eu mostro como será a saída do Parque do Povo, para retornar ao Ibirapuera.
Nesse domingo, diversos ciclistas e funcionários da prefeitura – entre eles o Secretário de Esportes Walter Feldman – fizeram de bicicleta o percurso da Ciclofaixa que ligará três parques paulistanos nas manhãs dos domingos, a partir do próximo fim de semana, dia 30 de agosto. E o Vá de Bike! estava lá para acompanhar e entender melhor como funcionará a Ciclofaixa.
No Parque das Bicicletas,
aguardando a saída
Cicloativismo: Willian Cruz,
Leandro Valverdes, Daniel Haase
e João Lacerda
Renata Falzoni entrevistando
Walter Feldman…
… na saída do Parque das Bicicletas
Um carro a menos – um dos adesivos simpáticos que eu tenho na bike
Saindo do Parque das Bicicletas
Às 10h30, dezenas de ciclistas saíram do Parque das Bicicletas para iniciar a partir dali o trajeto pela futura ciclofaixa. Como eu tinha vindo pela Av. Indianópolis, ainda não tinha visto e me surpreendi: boa parte da Ciclofaixa já está sinalizada, especialmente o trecho da Av. República do Líbano que fica próximo ao Parque das Bicicletas.
Descendo a Indianópolis. A Ciclofaixa começa na próxima esquina, na
Av. República do Líbano.
Nesse quadrado vermelho será pintado um símbolo em formato de bicicleta, na cor branca.
Av. República do Líbano
Uma faixa vermelha marcará o limite da ciclofaixa em toda sua extensão.
A ciclofaixa ocupará a faixa esquerda da Av. República do Líbano, da Av. Ibirapuera até a até a Av. Antônio Joaquim de Moura Andrade (portão 8 do Parque do Ibirapuera), em ambos os sentidos. Os retornos à esquerda que existem nesse trecho da avenida serão desativados durante o período de funcionamento da Ciclofaixa.
Os retornos à esquerda ficarão fechados para os carros…
… para evitar que eles cruzem por sobre a Ciclofaixa.
Renata Falzoni pedalando e gravando
Uma mãe que levava a filha para passear no parque se juntou ao grupo.
Da República do Líbano, a Ciclofaixa desce a R. Inhambu, que logo adiante passa a se chamar Hélio Pellegrino e, mais à frente, Faria Lima. Ao longo do caminho, placas indicam aos ciclistas que eles devem respeitar os sinais fechados e atravessar a avenida na faixa, desmontados da bicicleta.
Sinalização horizontal…
… e vertical.
Essa dica é importante.
E nesta faixa, só bicicletas!
Na esquina da Av. Brigadeiro Faria Lima com a R. Min. Jesuíno Cardoso (uma quadra antes da Juscelino Kubitschek), uma solução que não tem como dar certo. Para chegar dali até a JK, o ciclista deve:
Desmontar da bicicleta e aguardar que o sinal feche para quem está indo pela Faria Lima;
Atravessar a Faria Lima na faixa de pedestres e esperar na calçada até que o sinal feche para quem vem da Min. Jesuíno Cardoso;
Atravessar a Min. Jesuíno Cardoso e seguir empurrando a bicicleta pela calçada até a Juscelino Kubitschek;
Esperar que o sinal feche para atravessar de novo a Faria Lima, ainda desmontado;
Esperar no canteiro central que o sinal abra novamente, para atravessar a JK pelo meio do canteiro central (afinal, não dá tempo de atravessar as duas pistas da Faria Lima antes que o sinal de pedestres feche);
Do outro lado da JK, esperar que o sinal abra para pode prosseguir por ela.
Ufa! Nisso aí dá pra perder uns 15 minutos! Vida de pedestre não é fácil nessa cidade…
Claro que isso não vai funcionar. O que vai acontecer é que os ciclistas vão seguir direto, como se a ciclofaixa continuasse, até o cruzamento com a JK. Lá, ele aguardará no espaço de asfalto que equivale ao canteiro central até que o sinal abra. Muito mais fácil, muito mais direto, muito mais simples. E amparado pela lei: o CTB garante ao ciclista que utilize ambos os bordos da pista, o que obviamente inclui o esquerdo.
Mas isso é coisa que a CET vai aprender com a prática. Uma solução ali seria reformar aquele canteiro central nesse trecho para que ele não seja interrompido (nos retornos, recuar a parada dos carros e semaforizar) e incentivar o ciclista a utilizá-lo com a sinalização.
Na JK, a Ciclofaixa segue pelo lado direito, porque as faixas da esquerda seguem para dentro do túnel que passa sob o Rio Pinheiros.
Tá vendo o que tem ali,
nas faixas da esquerda
da Av. Juscelino Kubitschek?
É a entrada do túnel. Por isso, aqui a Ciclofaixa vai pela pista da direita.
Os ciclistas devem então entrar na Av. Henrique Chamma e atravessá-la mais adiante, na faixa de pedestres, para entrar no Parque do Povo. Nesse ponto há uma calçada compartilhada, que deve ser utilizada tanto pelos ciclistas quanto pelos pedestres.
Av. Henrique Chamma, chegando ao Parque do Povo.
Em frente ao Parque do Povo, a travessia será feita na faixa.
A calçada compartilhada recebeu pintura indicativa nas guias…
… e sinalização vertical.
A entrada do Parque do Povo…
… e a ciclovia dentro do parque.
Para o retorno, os ciclistas devem seguir pela calçada até atraveessar a Juscelino e seguir pela ciclofaixa que existe do outro lado da avenida. Ao entrar na Faria Lima, um pedaço que não entendi bem como vai funcionar, mas me pareceu que vão querer que os ciclistas desmontem e andem um quarteirão ali também. Na segunda quadra, a ciclofaixa reaparece na pista da esquerda, seguindo até a República do Líbano e, de lá, até o Parque das Bicicletas novamente.
Do outro lado da
Av. Juscelino Kubitschek,
outra ciclofaixa.
Mesmo sem ter entrado oficialmente em operação e sem estar totalmente sinalizada, a maioria dos motoristas já não circulava na ciclofaixa.
Walter Feldman conversa com os monitores que auxiliarão os ciclistas durante o funcionamento da Ciclofaixa.
Serão destacadas 165 pessoas para essa operação, sendo 35 operadores de tráfego da CET, que instruirão e organizarão o tráfego motorizado, e 130 monitores da Secretaria Municipal de Esportes (SEME), treinados pela CET, que organizarão o fluxo de bicicletas e ajudarão nas travessias.
Os veículos motorizados deverão circular a uma velocidade máxima de 40km/h quando estiverem ao lado da ciclofaixa que, além de pintada no asfalto, será isolada por 2500 cones, 250 cavaletes e fitas de sinalização, impedindo a entrada de carros na área reservada.
A preocupação com a segurança dos ciclistas tem sido grande. A idéia da Prefeitura é fazer dessa ligação entre os parques um passeio para a família, de forma que você possa levar até seu filho com a bicicleta de rodinhas. A ciclofaixa na rua pretende ser uma extensão da ciclofaixa do parque.
A partir do dia 30, os passeios de bicicleta aos domingos ficarão muito mais interessantes. Leve sua família ao parque e, de lá, ganhe as ruas. Afinal, as ruas da cidade são de todos, não só de quem está dirigindo.
Enquanto acontecia no Parque das Bicicletas uma reunião sobre as ciclofaixas domingueiras – que ligarão três parques paulistanos aos domingos, uma equipe da CET fazia no asfalto uma marcação indicando onde a faixa será pintada:
Sim, meus amigos, ela será PINTADA no asfalto! As marcações (pequenas marcas com tinta branca), que estavam sendo feitas na Av. Hélio Pellegrino, sentido República do Líbano, indicam que a faixa esquerda dessa avenida será totalmente dedicada às bicicletas nas manhãs de domingo.
Pelas marcações, supõe-se que será pintada uma faixa branca contínua onde hoje há uma faixa tracejada. Não sabemos se o asfalto será pintado de vermelho, mas provavelmente não. Contudo, deve haver algum símbolo que represente uma bicicleta pintado no asfalto dessa faixa.
André Pasqualini, do Instituto CicloBR, estava na reunião e contou ao Vá de Bike! que a ciclofaixa ocupará a faixa esquerda nas avenidas República do Líbano, Hélio Pellegrino e Faria Lima (no trecho entre a Hélio e a JK). Já na Av. Juscelino Kubitschek, a ciclofaixa será no lado direito da pista, por causa da descida para o túnel, que fica do lado esquerdo. André confirmou ainda que, além de placas, haverá sinalização horizontal (de solo) indicando a faixa de bicicletas.
Mais detalhes conforme as informações forem chegando.
Após muita informação parcial, veio a comunicação oficial de que essas ciclofaixas serão mesmo implementadas. E na data anunciada, 30 de agosto. O circuito ligará três parques que ficam próximos um do outro – Ibirapuera, das Bicicletas e do Povo – e funcionará aos domingos, das 7h da manhã ao meio-dia.
Traçado da ligação entre parques por meio de ciclofaixas aos domingos. Clique para ampliar.
Imagem: SMT/Divulgação
A SMT não diz, mas os desenhos aplicados sobre o mapa (ao lado, clique para ampliar) dão a entender que a sinalização vertical (placas) indicará, ao longo do percurso, que aos domingos e naquele horário específico há bicicletas transitando naquela faixa. As placas me parecem muito parecidas com a que existem atualmente sobre as faixas de ônibus.
A ligação entre os parques será feita pelo que a SMT chama de “ciclofaixas operacionais”. O comunicado não explica o que querem dizer com esse termo, mas provavelmente serão isoladas do fluxo de carros por cones ou algum outro obstáculo removível. Não sei se haverá sinalização de solo.
Pessoalmente, considero importante isolar o fluxo, por dois motivos principais. Primeiro, para ensinar a motoristas desavisados que aquele espacinho ali do canto está reservado para as bicicletas. São Paulo não tem essa cultura ainda e, como medida educativa e de segurança, acho interessante fazer isso ate que se crie o hábito de ter a ciclofaixa ali, tanto em termos de volume do fluxo de ciclistas como pelo respeito dos motoristas ao espaço exclusivo.
Em segundo lugar, como a ciclofaixa é desativada todo o tempo e só funciona aos domingos, enquanto não houver massa suficiente de ciclistas circulando, é importante mostrar que, naquele momento pelo menos, a ciclofaixa está “ativada” e o espaço deve ser respeitado.
Separada dos demais veículos ou não, o mais importante para a inicativa das ciclofaixas funcionar e se tornar segura é a presença de ciclistas. Quanto mais gente usando as ciclofaixas, mais seguro para todo mundo. E eu espero, sinceramente, que essa ciclofaixa seja segura para os pais pedalarem com seus filhos de um parque ao outro.
Traçado
Apesar da SMT não ter divulgado explicitamente os nomes das ruas e avenidas onde as ciclofaixas serão implementadas, um olhar atento sobre o mapa permite identificar as ruas por onde o percurso deve passar.
Segundo o mapa, a ligação entre os parques do Ibirapuera e das Bicicletas será feito pela própria Av. República do Líbano. Aparentemente, a ciclovia começará, no Parque do Ibirapuera, no portão próximo ao Viveiro Manequinho Lopes, seguindo até a Av. Ibirapuera e virando à esquerda para entrar no Parque das Bicicletas.
Não há indicação no mapa e nem informação no texto que recebi que indique se a ciclofaixa será em alguma faixa central da avenida ou nas laterais, mas faz mais sentido ser junto ao canteiro central, já que os carros virando à direita em ruas e estabelecimentos comerciais precisariam passar pela ciclofaixa. Creio que antes mesmo do sia 30 de agosto as placas serão colocadas, logo vamos ver no que a CET pensou.
O caminho que leva ao Parque do Povo parte da metade desse percurso da Av. República do Líbano, seguindo pela Av. Hélio Pellegrino até a Av. Juscelino Kubitschek, onde o ciclista vira à esquerda para prosseguir por ela até o Parque do Povo, que fica na altura da R. Funchal.
Montei o mapa no Google Maps para facilitar a consulta, clique aqui para abrir.
Será que vai “pegar”?
Segundo Walter Feldman, Secretário de Esportes do município e defensor da iniciativa, essa ligação entre os parque é um piloto, ou seja, uma experiência inicial para ver se funciona e se tem utilização. A iniciativa é bem inovadora em uma cidade que tem por histórico priorizar e incentivar o uso do automóvel e, por isso mesmo, precisa ser implementada aos poucos. Mesmo porque, no início a tendência é ter pouca gente usando. Já pensou se colocam ciclofaixas na cidade inteira e ninguém usa, porque ainda não sabe que está lá, porque ainda não criou o hábito? Os defensores do modelo de mobilidade atual, centrado nou automóvel, diriam que não existe bicicleta na cidade e que é bobagem investir nisso… (ha!)
Segundo Feldman, se a iniciativa “pegar”, ou seja, se tiver bastante utilização, será ampliada “para a cidade toda”. O traçado que a que ele se refere provavelmente é o que foi publicado no jornal Metro um mês atrás, chegando até o Parque da Aclimação. O Secretário pede o apoio dos ciclistas à iniciativa. E é de nosso interesse que essas ciclofaixas funcionem e demonstrem a demanda reprimida por infraestrutura cicloviária em São Paulo, portanto vamos lá!
A implantacao sera gradual e, se pegar, na cidade toda. Bogota tem 120k de Ciclofaixas aos domingo, por ex.
Walter Feldman, Secretário de Esportes, via Twitter
A estimativa da SMT é que 5 a 10 mil bicicletas passem pela ligação a cada domingo. Vamos ajudá-los a chegar nesse número: limpe a poeira da sua bicicleta, passe um óleo na corrente, regule os freios e ajude a mostrar que há demanda para infraestrutura que incentive o uso da bicicleta nessa cidade. Domingo, dia 30 de agosto, aproveite a manhã para passear no parque do Ibirapuera e conhecer os outros parques, que ficam ali por perto.
Precisamos do apoio de todos os ciclistas. Mesmo!
Walter Feldman,
Secretário de Esportes, via Twitter
O circuito é todo plano e pode ser vencido por qualquer pessoa, até por quem está fora de forma. Não há NENHUMA subida o caminho todo e o percurso é sinalizado, não tem como se perder. É a oportunidade ideal para quem ainda tinha receio de pedalar nas ruas.
Essa iniciativa é voltada ao lazer, mas tem potencial para dar uma visibilidade enorme para a quantidade de bicicletas que circula nas ruas, mas que detrás dos vidros “filmados” dos carros fica difícil enxergar.
@digonery Existe um proj de lei em S.Paulo para obrigar o seguro dos estacionamentos a cobrir bicicletas e motos, o @Boneysp tem + detalhes 15 hrs atrás
Matéria da Viagem e Turismo traz roteiros p/ se fazer de bicicleta pelo mundo http://twurl.nl/v4owgc E indica agências que fornecem pacotes 16 hrs atrás