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iBest BrTurbo

24/04/2009 - 19:20

Enquanto isso, em Amsterdam…

Clique nas fotos para ampliar.


Mãe levando os filhos para passear

Mais crianças sendo levadas em uma bicicleta adaptada

Bike estacionada enquanto as crianças brincam no parque

Bicicletário gigantesco, com vários andares

Bicicletário lotado, bicicletas até nos poste

O mesmo bicicletário, de outro ângulo

Ciclovia

Fotos de Cristiano Bertoni, que acaba de voltar de lá.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte . Tags: , , , ,
05/09/2008 - 16:05

Uma bicicleta que quase não cai

É uma roda especial que funciona com um tipo de giroscópio dentro dela. Se você desequilibra para um lado, a roda pende para o outro:

Há mais detalhes sobre o funcionamento do Gyrobike na Wikipedia (em inglês). Pelo que li no site do produto, estão procurando parceiros comerciais para produzir em escala. Ou seja, ainda não está sendo vendida. Mas pelo que vi nos vídeos, parece ótima para substituir as rodinhas em bicicletas de crianças ou para quem não consegue se equilibrar de jeito nenhum em uma bicicleta normal.

Quando assisti o vídeo, me preocupei em ensinar uma criança a pedalar com isso aí e ela se acostumar com a facilidade, tendo dificuldade depois para conseguir pedalar com uma roda normal. Entretanto, as tradicionais rodinhas também causam uma certa dependência psicológica, pois tornam o ato de retirá-las algo preocupante para uma criança que tenha medo de cair.

Com a utilização de um dispositivo “invisível” como esse, não haveria impacto visual, de forma que quando a criança ganhar uma bicicleta maior e sem o dispositivo, vai encará-la apenas como um desafio, como se a bicicleta maior fosse naturalmente mais difícil de equilibrar, sem tanto receio. É capaz dela tomar uns tombos até acostumar, mas faz parte. :)

Outra utilização muito interessante seria para idosos, deficientes, pessoas com dificuldades graves de equilíbrio ou com muito medo de se machucar. Minha mãe, que tem o maior receio de se machucar com uma convencional e por isso usa um triciclo, adoraria isso.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte . Tags: , ,
22/08/2008 - 12:39

Premiando a criatividade sustentável

A Specialized, tradicional fabricante de bicicletas, e o Google, que dispensa apresentações, fizeram um concurso chamado Innovate or Die (em uma tradução literal, “inove ou morra”), onde os participantes deveriam projetar e desenvolver máquinas movidas a pedal (bicicletas ou não) que tivessem “impacto ambiental”, ou seja, que contribuíssem de alguma forma com o meio ambiente. Substituir algo feito com motores por energia movida a pedal já seria uma contribuição e tanto, afinal seria utilizada energia limpa em vez de combustíveis fósseis e energia elétrica (que, à sua maneira, também causa degradação ao ambiente).

O concurso ocorreu no ano passado, mas não foi divulgado no Brasil porque alguns poucos países poderiam participar. Ok, então é notícia velha? É. Mas eu não tinha ouvido falar nisso até agora e imagino que a maioria de vocês também não. Por isso resolvi postar aqui.

102 invenções foram inscritas no concurso, entre propostas enviadas por equipes e inventores solitários. O projeto vencedor foi o de uma bicicleta para buscar, filtrar e armazenar água, com a proposta de ser utilizada em regiões onde as pessoas precisam andar bastante para buscar água geralmente suja:

Os autores da invenção admitem que o design e os materiais utilizados a tornam economicamente inviável para as regiões às quais ela se propõe, mas a idéia não deixa de ser boa.

Outros projetos selecionados foram:

  • A máquina multi-uso a pedal, com mais funções que um canivete suíço: amolador de facas, moedor de grãos, debulhador de milho, gerador de energia elétrica, liquidificador e bomba d”água. O autor da invenção afirma que ela já é usada na zona rural da Guatemala e que ele continua trabalhando para desenvolver novas utilidades para encaixar nessa ferramenta multi-uso. É uma adaptação de uma bicicleta, para funcionar apenas de forma estática. 
  • Uma bicicleta multi-uso, com diversas utilizações (funciona até para serrar madeira). Tem menos usos que a do item acima, mas um diferencial é poder pedalar com ela até onde será utilizada.
  • Cinema movido a pedal, em que as bicicletas são utilizadas tanto para levar o cinema para onde ocorrerá a sessão quanto para rodar o filme.
  • Um laptop, que usa a energia gerada por pedais para funcionar. Feito por uma turma do MIT que, aparentemente, não tinha estímulo para usar uma ergométrica (pedalar uma de verdade então, nem pensar…)
  • Um limpador de neve, para usar energia limpa em uma tarefa que tradicionalmente consome combustível fóssil (diesel?).

Ainda há vários outros, como uma atiradora de bolas para treinos de tênis, uma máquina de lavar roupa e um triciclo que se adapta para levar até três pessoas ou carga.

Cada participante ganhou 5 mil doletas e uma bicicleta especial, modelo “Globe”, da Specialized.

Dica do André Pasqualini, do CicloBR.

Saiba mais

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é muito mais . Tags: , ,
19/05/2008 - 20:37

Presente de dia das mães

A alegria do primeiro passeio de bicicleta
A alegria do primeiro passeio de bicicleta

No último final de semana, eu dei um presente diferente para minha mãe. Nada de presentes caros, perfume, roupas ou coisas legais mas que vão ficar encostadas. Dei a ela uma coisa que poucas mães já ganharam: um par de luvas de ciclismo. Ela estava querendo luvas amarelinhas, de meio dedo. Ela ficou toda feliz, dava até pulinhos de alegria…

Não, minha mãe não é atleta. Não participa de triatlo e nem de corridas de estrada, muito menos competições de mountain-bike. Ela é apenas uma mulher de 65 anos que, acredite, sempre teve medo de andar de bicicleta. E ainda tem! Ela tem medo de cair e quebrar alguma coisa que não conserte direito, por causa da idade. Mas no começo desse ano eu a levei no Ibirapuera, junto com minha mulher e meu filho, para andarmos de bicicleta. Eu e minha mulher fomos pedalando pela rua, ela e meu filho foram de carro.

A bicicleta do meu filho não estava na minha casa, então ele foi sem e lá alugamos um triciclo pequeno. Minha mãe olhava para as bicicletas com uma vontade… Mas ficava com medo. Tentei convencê-la de que eu a ajudaria a se equilibrar e ensinaria como se faz, mas ela não queria se arriscar.

Então sugeri que ela também alugasse um triciclo. Tem uns maiores, que tem aro tamanho 26 na frente e 24 atrás, com uma cestinha entre as duas rodas de trás. Depois de pouca insistência, eu a convenci e lá foi ela pedalando.

Demos duas voltas na ciclovia do parque, o que dá mais ou menos uns 9km. Ela estava feliz da vida, sorria, dizia “isso sim que é liberdade”, “é como eu imaginava nos meus sonhos, quando sonhava que estava andando de bicicleta” e outras frases igualmente inspiradoras. Ela comparou com esportes de água e ar, dizendo que a imagem de liberdade no ar é a asa delta, na água é o esqui-aquático (não sei de onde ela tirou essa, hehe) e na terra (no chão) é a bicicleta.

Ela dava pulos, feliz, quando terminou o passeio, agradeceu bastante e já queria saber quando voltaríamos ao parque. Voltamos mais uma ou duas vezes com ela e depois disso ela me surpreendeu ao me contar no messenger que tinha encontrado uma loja que vendia triciclos como aquele, que já tinha encomendado um amarelinho pra ela e me perguntava se eu achava que cabia no carro dela ou se era melhor mandar entregar.

Na noite que precedia seu primeiro passeio de triciclo pelas ruas do bairro onde mora, em São Bernardo do Campo, ela mal conseguiu dormir. Parecia criança. Até ligou para uma amiga no meio da madrugada, ansiosíssima, para contar que não via a hora do dia amanhecer para sair com a bicicleta.

E lá foi ela, de cabeça erguida e um sorriso de orelha a orelha, se sentindo livre como há tempos não se sentia. Foi à feira, a uma praça, deu voltas por ruas tranqüilas. No começo tentou andar pelas calçadas, até porque ela passa devagar. Mas descobriu que com um triciclo isso é impraticável, porque há muitos buracos, degraus, desníveis e trechos estreitos (quando ela me contou isso, eu comentei: “agora você sabe o que passa quem precisa usar nas calçadas uma cadeira de rodas”). Agora ela só anda pela rua e até já se arrisca na beiradinha de alguma avenida.

Ela deu até nome para o triciclo: Gorducha, já que não é uma bicicleta magrelinha. Agora ela sempre tem alguma história pra contar sobre a Gorducha.

Fala sobre motoristas que incentivam com uma buzinadinha simpática e sobre outros, mais raros, que se estressam porque ela está ocupando a rua que lhes pertence – mas esses não merecem atenção e são ignorados: ela segue em sua pedalada tranqüila, segue em sua alegria, distante do stress que acompanha esse tipo de gente, ao contrário dos primeiros, que ganham um sorriso sincero e um aceno simpático.

Conta sobre as pessoas na feira que se interessam pela bicicleta, que com a cesta atrás pode levar compras e até transportar cargas, e suas tentativas de passar o endereço do site para quem não sabe muito bem o que é internet.

Comenta sobre suas tentativas de convencer outras pessoas a compartilhar a pedalada com ela e sobre a descoberta de que muita gente parece ter medo de se divertir, de inovar, de se sentir jovem de novo.

Conta sobre outros ciclistas e pedestres que cumprimentam e puxam conversa, tornando os passeios ainda mais agradáveis, e sobre a reação simpática das pessoas ao ver uma bicicleta diferente nas ruas, pilotada por uma pessoa de mais idade.

Durante a semana, ela continua usando o carro, porque mora em SBC e trabalha em São Paulo. Mas faz um uso mais racional: vai de carro até a estação do metrô mais próxima e de lá segue de metrô e ônibus. Ela já faz isso há uns bons anos. E agora, nos finais de semana, usa a bicicleta para se divertir e para fazer compras nos locais mais próximos de casa. E acha muito mais divertido do que ir de carro…

Não lhe comprei um capacete, porque ela anda devagar e com um triciclo é mais difícil cair, pelo menos de uma forma a bater a cabeça. Recomendei o uso de luvas. Ela tinha um par usado, que era do meu irmão e estava na casa dela, mas com elas o guidão estava lhe machucando as mãos. Ela adorou as luvas novas.

Minha mãe me enche de orgulho.

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é muito mais . Tags: , ,
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