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Bicicleta agora é hype. É bonito. É verde. Vende. Imprensa, empresas e o poder público têm percebido a pressão popular pelo uso da bicicleta, tanto pelo enfoque ecológico e sustentável, quanto pelo da diminuição dos congestionamentos, e traduzido isso, respectivamente, em matérias positivas (e propositivas), em campanhas de marketing e em obras de infra-estrutura.
É a revolução de baixo para cima. A revolução que não será televisionada, será simplesmente pedalada. Sem muita pressa, sem muito alarde.
Jornais, que sempre tiveram uma posição questionável sobre o assunto agora percebem que é politicamente correto apoiar a bicicleta, chegando até a destacar isso textualmente, para não deixar dúvidas. A TV, que antes criticava o uso da bicicleta e os movimentos cicloativistas, agora adota discurso pró-bicicleta até em matérias de tema esportivo e convida os cicloativistas para participações ao vivo em seus programas.
As empresas, que antes viam a bicicleta apenas como “coisa de pobre”, já perceberam seu potencial de marketing como símbolo de inovação, mudança, melhoria e atitude.
Até as propagandas de carro, que antes mostravam a bicicleta com antipatia ou como um perigo ao precioso automóvel agora mostram uma bicicleta ou duas no fundo, para dar sensação de bem estar a quem assiste. Ou, pior (e patético), tentam comparar o carro com a bicicleta para mostrar sua suposta superioridade.
E o poder público, que alguns anos atrás tratava os cicloativistas como um bando de arruaceiros, agora os tem recebido em reuniões e conversas para levar em consideração sua opinião e experiência.
O uso da bicicleta cresceu muito nos últimos anos. A própria imprensa repete isso toda semana. As Bicicletadas aqui em São Paulo, que no início reuniam meia dúzia de pessoas, agora juntam sempre um mínimo de 200 (em dias frios e de chuva), tendo uma média de 300 pessoas.
Havia mais de 500 bicicletas no Dia Mundial Sem Carro do ano passado. Em 2007, quando vi umas 300 bicicletas na Avenida Paulista, rolou uma lágrima de emoção pelo meu rosto (e no da Renata Falzoni também – eu vi). Hoje em dia há até movimentos organizados, como o Nossa São Paulo, carregando a bandeira do Dia Mundial Sem Carro e organizando diversos eventos.
Como disse o secetário de esportes daqui de São Paulo outro dia, em uma dessas reuniões em que cicloativistas foram convidados, “chegou o momento da bicicleta e nada pode segurar isso”. E é a pura verdade. Nesse ano passamos nosso break even point ciclístico.
Claro, ainda há MUITO a mudar, mas pela primeira vez consigo visualizar um horizonte. Não damos mais (tanto) murro em ponta de faca. A opinião púbilca agora entende melhor o que falamos há anos, sobre o exagero do culto ao carro, sobre a ineficiência de se investir em mais vias para os automóveis, sobre a viabilidade da bicicleta como meio de transporte. As pessoas não vêem tanto o uso da bicicleta como coisa de maluco ou de atleta, mas sim como algo que gostariam de fazer mas ainda não tomaram coragem. Logo a coragem aparece em muitas delas, com um empurrãozinho do trânsito caótico e uma pitada de infraestrutura cicloviária.
Antes, pedalávamos morro acima sob vaias, numa ladeira íngreme e com vento contrário. Alguns poucos nos viam como malucos corajosos, a maioria nos taxava de loucos que não tinham o que fazer. Agora estamos quase no topo da ladeira, a subida começa a ficar mais suave e o vento está mudando.
Que venha a próxima década, que será inevitavelmente das bicicletas.













Quando a iniciativa é a favor do uso da bicicleta como meio de transporte, a gente tem mais é que divulgar mesmo. Nesta quinta-feira, 24 de agosto, abre para o público em geral a 