Na semana passada, o G1 filmou meu trajeto para o trabalho. A intenção era mostrar as dificuldades que o ciclista enfrenta nas ruas, mas acabou sendo uma mostra de que o uso da bicicleta é viável, apesar das dificuldades. O resultado foi o vídeo abaixo (publicado no site do G1 nesse sábado).
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Dicas para o Ciclista Urbano
Hoje dei uma revisada no artigo principal das Dicas para o Ciclista Urbano. O artigo original foi escrito em 2004 mas, por incrível que pareça, não precisei alterar quase nada no texto.
Coloquei imagens e realcei os itens das dicas para deixar a leitura mais leve, acrescentei links para outros artigos da série que detalham pontos abordados nesse e refiz algumas frases para deixar o texto mais claro. Mas tudo o que eu dizia há cinco anos continua mais do que válido.
Para quem ainda não leu, vale a pena ler. Para quem já leu, aproveite para enviar para aquele amigo que começou a pedalar agora. Se ele ainda está na dúvida sobre usar a bicicleta, envie este outro texto.
P.S.: Estive pensando depois de escrever isso e percebi que ficou faltando falar alguma coisa sobre o uso de iluminação na bike. Vou escrever sobre isso e depois atualizo o post.
Dicas – Parte 5: Minha empresa não tem chuveiro, como eu faço?
Muita gente me pergunta: como fazer para ir trabalhar de bicicleta se na minha empresa não tem chuveiro?
Já faz um bom tempo que eu estou para escrever sobre isso aqui e acabo esquecendo, ou quando lembro estou sem tempo. Finalmente tomei vergonha na cara e escrevi sobre o assunto.
Acabo de ver as dicas de uma menina, em vídeo, no site Treehugger. A moça se chama Dorothee e é de um site chamado Earth First, que pelo que entendi se dedica a desmascarar iniciativas de “maquiagem verde” (greenwashing) e oportunismos em relação ao tema meio ambiente.
O vídeo diz algumas coisas bem legais para quem está começando. E o legal é que quem dá as dicas é uma moça, mostrando que até mulheres preocupadas com a aparência depois da pedalada podem adotar esse bom hábito com um pouco de inteligência e boa vontade. Está em inglês, sem legendas, mas fiz um pequeno resumo, que coloquei logo abaixo do vídeo. Se alguém legendar o vídeo, me informe que eu coloco o novo link aqui.
Basicamente, o que ela diz é:
- Leve uma camiseta limpa na mochila, para se trocar quando chegar ao destino. É por isso que os ciclistas costumam usar mochilas…
- Limpe as axilas com lenços umedecidos.
- Se o capacete estraga seu cabelo, use uma bandana.
- Se você não quer chegar de capacete e suado no destino, pare em algum lugar antes para se trocar no banheiro.
Eu ainda acrescento o seguinte:
- Banho: Se possível, tome um banho *antes* de pedalar. Ajuda a não ficar com odor ao suar.
- Antitranspirante: Use sempre um desodorante antitranspirante, antes e depois da pedalada.
- Axilas: Se você conseguir lavar as axilas numa pia de banheiro, melhor ainda (seque a pia depois). Senão, limpe com o lenço umedecido, depois seque e passe o antitranspirante.
- Cabelos: Se você tem cabelos bem curtos, pode lavá-los na pia também. Nem precisa xampú, água em abundância já resolve. A garrafinha de água quebra um galhão nessa hora: coloque a cabeça em cima da pia e jogue a água por cima.
- Playground: Limpe também a área genital com os lenços umedecidos.
- Toalha: Leve uma toalha de rosto. Seque com ela o que você tiver lavado (rosto, axilas, cabelo) e depois use a toalha úmida para limpar o resto do corpo.
- Roupas: Leve na mochila uma muda de roupa completa e se troque no banheiro. É importante levar principalmente outra roupa íntima e outro par de meias.
- Bermuda: Recomendo pedalar de bermuda, para não sujar a calça na corrente ou nos raios das rodas, mas se o tempo não permitir isso, você pode prendê-la junto à perna com velcro ou enrolar a barra para cima até o joelho.
- Sacolas: Leve sacolas plásticas para embalar a roupa suja. Leve a roupa limpa também dentro de uma sacola plástica, assim se chover no meio do caminho, a roupa limpa continuará seca.
- Roupa social: Precisa levar uma camisa que amassa? Dobre-a e coloque dentro de uma daquelas pastas plásticas mais altas, que se usa em escritórios. Coloque a pasta na mochila ou, se sua bike tiver, no bagageiro. Algumas lojas usam um truque que é dobrar a camisa em volta de um pedaço de papel cartão ou papelão, colocando também uma tira de papel cartão debaixo da dobra do colarinho. Uma calça social pode ir dentro dessa mesma pasta, debaixo da camisa. O paletó pode ficar na empresa…
- Perfume: Você pode passar um perfume depois de se limpar, mas não exagere para não ficarem achando que você se encheu de perfume para esconder algum cheiro de suor (você não vai ficar com cheiro de suor se tiver usado um antitranspirante – os de roll-on tem um efeito bom).
Se você tem alguma dica boa, ou alguma crítica às dicas acima, deixe nos comentários!
Dicas – Parte 4: Por que ocupar a faixa
Pouco compreendido pelos motoristas e mesmo por muitos ciclistas, essa prática pode evitar muitos acidentes, mesmo com os motoristas mais apressados e irresponsáveis. Nosso instinto de sobrevivência nos faz pedalar mais à direita da via, para liberarmos espaço para os carros e evitar que eles nos pressionem, mas com isso acabamos obtendo o resultado exatamente oposto: liberamos espaço para que eles nos pressionem.
Ao pedalarmos muito à direita da via, quase dentro da sarjeta (e ás vezes até dentro dela), o espaço que sobra na pista não é suficiente para fazer uma ultrapassagem segura. Mas os motoristas não percebem isso, a impressão que lhes dá é que o espaço não é o ideal mas “dá pra passar”. É fato que pouquíssimos dão a distância de um metro e meio necessária para a ultrapassagem segura: muitos vão passar entre você e o carro do lado e entre esses vários vão passar muito rente a você, com o risco de esbarrar no seu guidão ou até de te derrubar só com o susto (sim, acontece!).
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| Mantendo a extrema direita, os carros forçam passagem e põe o ciclista em risco. Ocupando um espaço maior da pista, eles são obrigados a aguardar o momento certo e ultrapassar com segurança. |
E o carro que forçar essa passagem geralmente vai dar mais distância do carro que está à esquerda do que de você à direita, por dois motivos principais:
- Visão: ele tem visão melhor do que está do lado dele, por isso tem uma noção melhor de espaço e consegue evitar melhor uma proximidade com risco de colisão.
- Sensação de perigo: o carro do lado dele desperta alguma sensação de perigo, principalmente se for um carro grande, o que o influencia inconscientemente a manter uma distância maior. Já o ciclista não desperta essa sensação na maioria dos motoristas, por seu tamanho menor.
Se você ocupar uma porção razoável da pista, o motorista vai ter que colocar pelo menos duas rodas na pista do lado (ou contrária) para poder te ultrapassar, o que significa que ele não vai tentar passar entre você e outro carro. Vai fazer uma ultrapassagem mais segura, porque não haverá veículo que limite seu desvio à esquerda e ele se afastará mais.
Além de forçar os carros a ultrapassar com segurança, passando para outra pista, também dá espaço adicional para fugir de fechadas. Ilustro essa vantagem com um exemplo que para nós, ciclistas, infelizmente é corriqueiro: um ônibus te ultrapassa e, em vez de manter a linha reta, vai avançando para a direita conforme aquelas toneladas de metal passam do seu lado, jogando você para a calçada. Se você deixou essa margem de segurança à sua direita, consegue fazer o movimento acompanhando o ônibus para fugir dele; se não deixou espaço, corre o sério risco de se estatelar na calçada ou acabar prensado em um carro estacionado.
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| Com a bicicleta muito rente à margem direita da pista, não há espaço de fuga. Mantendo a linha do 1/3, você mantém espaço para fugir do homicida. |
Há mais uma vantagem em andar ocupando melhor a pista. Em ruas onde há carros estacionados, se em vez de andar rente a eles você se afastar mais, terá uma distância suficiente para não levar portadas dos carros parados. Eu já levei uma portada e, acredite, não é nada agradável. Se eu não mantivesse essa distância, já teria levado várias outras. A quantidade de pessoas que abre a porta sem olhar é assustadora. Muitos olham e procuram um veículo grande ou um farol potente e acabam abrindo a porta sem ver uma frágil bicicleta (um motivo para usar aquela lanterna branca piscando na frente da bicicleta quando sair à noite). O maior risco de bater numa porta abrindo não é nem a colisão e nem a queda: é cair no meio da pista e um carro passar em cima de você. O risco não é pequeno, pois se você bater a ponta do guidão na porta, ele vai virar bruscamente para a direita e você vai voar para a esquerda, por cima do guidão.
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| Além de não ser prensado contra os carros parados, você evita as portadas. |
Andar na linha do 1/3 da faixa é a melhor solução, porque é menos antipático do que andar exatamente no meio da pista. No meio da pista vão pensar “olha que folgado, acha que a rua é dele”, já no 1/3 vão pensar “pô, podia ir mais pra lá, né?”. Andar bem no meio da pista irrita alguns motoristas, que verão você como um folgado que está tirando o “direito” deles. Alguns desses vão te fechar após a ultrapassagem. Andar na linha do 1/3 faz eles pensarem que você está desviando de alguma coisa, que não está mantendo uma linha reta, que não sabe pedalar direito, qualquer coisa, mas não que você está ofendendo o direito deles (alguns até vão, idiota tem em todo lugar principalmente no trânsito, mas serão menos).
Experimente adotar essa técnica no seu próximo trajeto e você verá que os carros podem até se irritar em alguns casos, mas passarão mais longe de você. As “finas” serão bem menos freqüentes. Se alguém buzinar atrás de você, o que é bem menos comum do que você pode imaginar, faça um sinal pedindo para o motorista esperar e continue no seu espaço: ele vai desistir da espera e vai te ultrapassar, dando mais distância do que se tivesse forçado a passagem. Seu risco será bem menor.
Mas seja simpático: quando estiver em uma rua onde há muitos carros estacionados, quando aparecer um respiro maior sem nenhum veículo ou caçamba parados, vá para a direita e deixe os mais estressados te ultrapassarem. Depois mais adiante sinalize e volte, com cuidado para não voltar quando um apressado estiver querendo passar.
E o que o Código de Trânsito diz sobre essa prática? Estou infringindo alguma lei? O CNT diz que devemos utilizar o “bordo”, definindo-o apenas como “margem da pista” sem dizer até onde vai essa margem. Portanto, não estamos infringindo nenhuma lei de trânsito. É importante considerarmos como bordo o espaço suficiente para que tenhamos segurança na condução de nosso veículo.
Dicas – Parte 3: Por que não pedalar na contramão?
Relacionei abaixo vários motivos para não pedalar na contramão. Dá para escrever páginas e páginas sobre esse assunto, juro que tentei ser sucinto.
Os números entre parênteses referem-se às fontes de onde retirei as informações (citadas e linkadas no final do texto).
Não é mais rápido: Ao contrário da crença polular, ciclistas que se integram ao fluxo normal de veículos chegam mais depressa ao destino. Quando você entra na contramão tem que parar ou diminuir o ritmo a todo instante (pelos motivos expostos nos itens abaixo), enquanto integrado ao fluxo de veículos você desenvolve velocidades maiores (principalmente considerando-se a velocidade média, que é o que determina a duração do trajeto) (1).
Não é mais seguro: A maneira mais segura de pedalar no trânsito é fazer parte dele De acordo com estudos científicos sobre colisões, têm cerca de cinco vezes menos chances de colisão que ciclistas que fazem suas próprias regras em vez de se integrar às que já valem aos demais veículos (J. Forester; Effective Cycling. Cambridge, MA, MIT Press, 1993) (1). Segundo Bruce Mackey, diretor de segurança para Bicicletas em Nevada, 25% dos acidentes com ciclistas nos EUA resultam de ciclistas pedalando na contramão (6).
Não há tempo de reação: Mais de 50% dos acidentes são de responsabilidade do próprio ciclista (2) – alguns citam 90% (5) – e em menos de 1% dos acidentes o ciclista sofre uma colisão traseira (2). Você tem a sensação psicológica de que está mantendo a situação sob controle, quando na verdade NÃO ESTÁ. Se você vê um carro desgovernado vindo na sua direção, não dá tempo de desviar dele, principalmente porque suas velocidades estarão potencializadas, ou seja: a velocidade com a qual o carro se aproxima de você é a sua somada à dele. Um carro a 60km/h com você a 20 estará chegando a você a 80km/h. Se vocês estivessem na mesma direção, ele chegaria a você com metade dessa velocidade: 40km/h. Com o bom uso de um espelho e de seus ouvidos, você tem o dobro do tempo de reação. O carro também tem esse tempo e é mais importante o carro desviar de você do que você desviar dele, porque ele consegue desviar melhor. Você não consegue jogar sua bicicleta cinco metros para o lado em um segundo, mas o carro pode fazer isso se houver tempo suficiente.
Em caso de colisão, os danos ao seu corpo serão bem maiores: Pelo mesmo motivo do item anterior (soma de velocidades), se você bater de frente com o carro vai sofrer muito mais. E ainda há um agravante, a inércia. Se você está indo no mesmo sentido do carro, ele vai pegar primeiro sua roda traseira e você sairá voando por cima do guidão devido à inércia – era seu movimento anterior, a bicicleta foi agarrada pelo carro e você continuou – ou devido à transmissão de energia cinética – o carro colidiu com a bicicleta, transferiu parte do movimento para ela e conseqüentemente para seu corpo; quando a bicicleta parar uma fração de segundo depois porque a roda de trás não gira mais, seu corpo sairá para a frente com o movimento transferido. Melhor voar por cima da bicicleta em direção, provavelmente, ao asfalto livre e estacionário, do que se chocar com um parabrisa ou capô que além de estar a um metro de você no momento da colisão ainda vem em sua direção, com a força de impacto de várias toneladas.
É mais difícil evitar a colisão: Andar na contramão é chegar nos carros mais depressa (3). Trafegando em direções opostas, tanto você como o motorista precisam parar totalmente para evitar uma colisão frontal. Trafegando no mesmo sentido, o motorista precisa apenas diminuir a velocidade para evitar a colisão, tendo muito mais tempo para reagir (1).
Você surpreende os carros: Como você chega mais rápido nos carros, você os pega de surpresa. Principalmente em curvas à direita: o motorista está fazendo a curva quando de repente aparece você vindo na direção dele. Não há tempo de reação, ele não consegue frear, não pode ir para a esquerda porque há outros carros, na direita tem um carro parado. Você também não pode se jogar para a calçada, há carros parados. O que acontece? Se vocês estivessem no mesmo sentido, ele teria bem mais tempo para reagir, talvez até o dobro, e poderia apenas diminuir a velocidade para evitar a colisão. Um carro não estanca imediatamente, mesmo que o motorista queira, se esforce e tenha um freio ABS com pneus bons.
Os motoristas não te vêem nos cruzamentos: 95% dos acidentes com bicicletas acontecem em cruzamentos (2). Quando um carro entra num cruzamento, ele olha apenas para o lado do qual os carros vêm! Imagine um carro entrando numa avenida. Para que lado ele olha? Para a esquerda. Não vem carro, ele entra. Nisso você está chegando com sua bicicleta e ele te pega de frente (1). Não tem buzininha que resolva isso.
Os motoristas não te vêem ao sair das vagas e garagens: Ao sair de uma vaga em que está estacionado, o motorista olha para trás, seja pelos espelhos ou pela janela, para ver se há veículos vindo. O mesmo ocorre quando ele sai de uma garagem de prédio ou de um estacionamento. Ele não olha para a frente, afinal não vêm carros daquela direção. Você, vindo na direção do carro, nem sempre verá que o motorista vai sair da vaga e, quando vir, talvez não adiante mais frear. Ao sair, ele vai te pegar de frente, mesmo que você esteja parado. Esqueça se jogar para a calçada, há um carro estacionado do seu lado. Meus pêsames.
Os motoristas não te vêem ao abrir as portas dos carros: Se muitos já não olham pelo espelho para abrir a porta do carro e ainda culpam o ciclista por isso (4), imagine se vão olhar para a frente para ver se vem vindo uma bicicleta. A chance de levar uma portada é muito maior.
Os pedestres não te vêem: Quando um pedestre vai atravessar a rua, ele olha para o lado que os carros vêem. Preste atenção no seu próprio comportamento na próxima vez que for atravessar uma rua a pé. Com isso, pode acontecer de alguém aparecer do nada na frente da sua bicicleta, saindo do meio dos carros, de costas para você.
Se quer ser tratado como veículo, porte-se como um: Se você se comporta como um veículo, sinalizando suas intenções, respeitando mãos de direção, sinais de tráfego, faixas de pedestre e etc., os motoristas o respeitarão mais. “Se aquele cara se preocupa com tudo isso, não é um mané qualquer que está aqui só atrapalhando”. Se, por outro lado, você anda na contramão, você os incomoda (sim, isso incomoda muitos motoristas, que têm a sensação que você está ocupando um espaço que não é seu e deveria estar na calçada). Passar em todos os sinais fechados também os irrita (”o folgado ali só faz isso porque não leva multa mesmo”). Outras pequenas infrações também irritam os motoristas, seja por inveja, por uma falsa sensação de invasão de espaço pessoal ou pela sensação de injustiça (”pô, aquilo é proibido mas só porque ele tá de bicicleta ele pode fazer e eu não?”). Seja um modelo a ser espelhado e não um alvo da raiva e frustração alheia.
| Você deve *ser* a mudança que deseja ver no mundo – Mahatma Gandhi |
Fontes
1 Bicycling Street Smarts: Where to Ride on the Road
2 Escola de bicicleta: pedalar no trânsito
3 Guia Bike na Rua (por Cleber Anderson)
4 Medo de ciclista ou medo da própria consciência? – Reflexão sobre a coluna de Lucas Mendes
5 Traffic safety solutions in the works – Las Vegas Sun, 04/Jun/2004
6 Bicyclesafe.com – How to Not Get Hit by Cars
Para saber mais
Dicas para o ciclista urbano – Parte I: como sobreviver ao trânsito
O que o Código de Trânsito diz sobre nós ciclistas
Dicas de Segurança e Curso para Ciclistas – Associação Blumenauense pró-Ciclovias (ABC)
Dicas – Parte 2: Pedalando de madrugada
Pedalar de madrugada é bom porque não tem quase carro na rua, mas tem que ficar esperto com um ou outro que passa dirigindo bêbado, principalmente moleque saindo da balada. Por isso, se você vir carro cantando pneu ou coisa parecida, redobre a atenção e fique atento ao que ele está fazendo pra poder agir defensivamente.
Em relação a assaltos, ladrão que está andando na rua de madrugada não está ali pra roubar bicicleta, por isso ele muito provavelmente vai ser pego de surpresa com a sua aproximação e não vai ter tempo de pensar numa abordagem. Mas como qualquer um que você vir na rua de madrugada é um potencial suspeito, o negócio é ficar atento, olhar nos olhos pra ver a intenção da pessoa e se possível passar longe.
É muito improvável que alguém te aponte uma arma pra roubar sua bicicleta, muito improvável mesmo – mas isso enquanto você estiver pedalando! Por isso fique esperto nos sinais fechados: se não tem carro vindo e nem pedestre atravessando na faixa, não tem porque ficar ali parado, certo? Sua segurança pode estar em jogo. Se você fica parado ali e tem alguém de olho na tua bike, ele terá os segundos essenciais para planejar a abordagem e se aproximar de você.
Se for passar o sinal vermelho, tome cuidado com os carros/motos/bikes que podem vir na transversal. Nesse horário tem gente que não respeita nem o vermelho, quanto mais passar com atenção no verde. Se o sinal fica no cruzamento com uma avenida grande, cuidado! Pode ser melhor demorar um pouco mais para chegar no sinal e pegar ele aberto. Assim você também evita de descumprir a regra de trânsito, se é que para você isso é importante nesse horário (tá, podem me xingar por essa).
Sinais abertos também podem ser perigosos de madrugada: se você está na preferencial, não é tão preocupante, mas se você vai cruzar uma avenida grande não confie só no sinal, porque tem nego que passa batido no vermelho se “achar” que não tem ninguém passando. Principalmente logo que o sinal abre, porque pode ter algum espertinho aproveitando o sinal que acabou de fechar (da série últimas palavras: “ah, vai dar tempo, ninguém começou a sair ainda…”).
Note que os dois últimos parágrafos são dicas que valem para qualquer veículo, seja ele bicicleta, carro, moto…
Se você precisar trocar a câmara ou consertar/regular alguma coisa na bike, pare em um lugar iluminado e movimentado, como um posto de gasolina por exemplo, ou então em um lugar escondido onde ninguém te veja (desde que não tenham te observado indo pra esse lugar).
Outra coisa: é bom levar pelo menos uma câmara reserva, é bem mais rápido do que ter que ficar remendando na hora. Eu sempre levo duas pra garantir. Remendar você remenda depois em casa, com calma, sem stress. Além das câmaras, levo o kit remendo (sabe como é, melhor garantir), chave de corrente, chaves allen, bomba, barras de cereal e água.
Ah, mais uma coisa que é legal dizer: não faça sempre o mesmo caminho no mesmo horário pra não ficar manjado. “To ligado que toda terça 1 da manhã passa um otário com uma bicicreta que deve valê umas cinco pedra, vamo se escondê aqui atráis com essis pedaço de pau que nóis já garante as de amanhã fácil”
Eu mesmo já saí pra pedalar sozinho em São Paulo às 23:30, pra voltar às duas da manhã. Foi numa noite que deu crise de abstinência!
Em Floripa, antes do pessoal local se organizar pra fazer pedaladas á noite, eu tava saindo às 5h pra voltar umas 7h30. Tem várias vantagens de pedalar nesse horário: temperatura mais baixa, menor trânsito na cidade (pelo menos até às 7h), menor possibilidade de assalto, claridade do dia, você está descansado após uma boa noite de sono, bem alimentado com os nutrientes certos porque comeu banana e pão com geléia no café da manhã, etc.
Faça um esforcinho e acorde mais cedo um dia. Saia para pedalar das 5 às 7. Você vai ver que vai trabalhar o resto do dia com outro ânimo!
Dicas – Parte 1: Como sobreviver ao trânsito
Vai trocar o carro pela bicicleta, uma vez por semana que seja? Parabéns! Você vai chegar no seu destino cansado mas feliz. É sério! A endorfina liberada pelo exercício físico vai fazer você ter um dia melhor no trabalho. Só por não ter se estressado em esperar aquele sinal que abriu e fechou três vezes até que os cinco carros na sua frente passassem (te deixando para trás), já vai fazer uma diferença enorme. Você vai queimar aquelas gordurinhas que insistem em continuar aí, por mais que você reze para São Regime. Vai economizar combustível e provavelmente vai até chegar mais rápido. Vai melhorar sua capacidade respiratória e correr menor risco de infarto.
Se você continua lendo, ótimo, talvez eu já tenha te convencido. Mas se acha que essa coisa de bicicleta não é para você e quiser continuar andando de carro, tudo bem. Continuo sendo seu amigo. Apenas peço que continue sendo meu amigo também: na próxima vez que estiver de carro e me vir de bicicleta, ultrapasse a uma distância segura e dê uma buzinadinha simpática, que eu retribuo o cumprimento.
Se você decidiu adotar a bicicleta, ou está pelo menos pensando se isso é possível ou não, eu escrevi uma série de artigos para te convencer que isso é possível – e te ajudar nessa tarefa. Neste artigo, eu vou dar dicas de como se portar no trânsito. Eu sei que você já é crescido e sabe atravessar a rua, não é isso. Eu quero ajudar você a não correr riscos desnessários e a desfazer a idéia de que pedalar junto com os carros é coisa de maluco. É viável, desde que você tome os cuidados necessários. Como tudo na vida.
Capacete: indispensável, ainda mais pra andar no trânsito. Se você passa num buraco e cai, mesmo devagarzinho, corre o risco de bater com a cabeça no chão e vai ter um traumatismo craniano que pode ser grave. Não quero isso para ninguém. Há quem seja contra o uso de capacete, mas eu acho muito importante.
Luvas: não são imprescindíveis, mas convém usar, por dois motivos principais. Primeiro que se você não usar, a manopla vai comendo sua mão e você pode ficar com a palma da mão ardendo e até com bolhas. Com a luva isso não acontece. Segundo que se você cai, sempre tenta parar a queda com a mão e vai esfolar ela toda se estiver sem luva. No frio, luvas de dedos fechados tornam-se importantes para suas mãos não enrijecerem com o vento gelado, o que pode atrapalhar bastante se você precisar frear de repente.
Ande sempre pela direita e na mão dos carros. Há várias razões para não andar na contra-mão e todas elas visam sua segurança. São tantos motivos, que renderam um artigo exclusivo para esse assunto. Mas vou citar aqui as principais.
Um pedestre que vai atravessar a rua só olha para o lado de onde vêm carros. Um carro que vai entrar em uma rua, também. Ele não espera uma bicicleta vindo na contra-mão. Um carro fazendo uma curva à direita não espera uma bicicleta vindo na direção contrária no lado de dentro da curva. Um motorista que estacionou e vai abrir a porta, olha só no retrovisor para abrir a porta, não olha para a frente. Um carro saindo de uma vaga onde está estacionado, idem.
Além disso, a velocidade em que você se aproxima de um carro é muito maior se você estiver na contra-mão, porque ela é o resultado da soma das velocidades dos dois veículos. Se você está a 20km/h e o carro a 40km/h, você estará se aproximando dele a uma velocidade relativa de 60km/h. O carro vai ter menos tempo pra reagir à sua presença e desviar de você, fora o fato de que uma colisão nessa velocidade faz um bom estrago. Se nesse exemplo você estiver no mesmo sentido do carro, a velocidade relativa entre ambos será de 20km/h: o carro tem mais tempo para desviar e a chance de colisão diminui. E, numa possível colisão, o estrago será menor. Claro que eu espero que ninguém descubra isso na prática, por isso é melhor confiar na matemática!
Cuidado com as portas dos carros parados. Muito motorista olha no retrovisor procurando o volume grande de um carro e não vê a magrinha bike chegando. Ou olha em um ângulo que faz a bicicleta ficar em um ponto cego. Ou é distraído mesmo! Tem gente que abre a porta com tudo, empurrando com o pé. Por isso fique a uma distância que se algum distraído abrir a porta ele não te derrube. Fique a pelo menos um metro dos carros parados. De preferência, ocupe a faixa seguinte. Preste atenção se há pessoas dentro deles, se o carro acabou de estacionar, se está com as lanternas acesas. Se o motorista ameaçar abrir a porta, grite “portaaa!”, geralmente ele percebe e a puxa de volta.
Não ande com a bike muito colada na direita, em cima da sarjeta, senão os carros vão tentar passar na mesma faixa que você, mesmo que não haja espaço. Você pode desequilibrar e cair só com o susto, sem falar no perigo de um esbarrão. Eles são obrigados pelo código de trânsito a passar a 1,5m de você, mas não sabem disso porque não é ensinado na auto-escola. Ande mais ou menos na linha de um terço da pista, assim não fica tão antipático quanto ocupar a pista toda , você tem espaço para desviar de buracos sem ter que ir mais para a esquerda e, principalmente, os carros vão ter que esperar até ter espaço suficiente para te ultrapassar pela outra faixa, sem te colocar em risco. E mesmo que te fechem, você ainda terá um respiro para fugir para a direita sem ter que se jogar na calçada. Leia mais sobre por que (e como) ocupar a faixa.
Mas seja compreensivo com os motoristas: quando você passar por um trecho considerável onde não houver carros parados, dê uma recuada para desafogar a fila de carros atrás de você. Assim, aquele motorista que está atrás de você há alguns minutos sem conseguir te passar vai embora antes de ficar nervoso. Apesar de você estar no seu direito, muitos motoristas não vêem assim e se irritam com sua presença, esquecendo que a rua é de todos e não apenas dos carros.
Sempre sinalize o que vai fazer, com sinais de mão. Peça passagem, dê passagem, sinalize que o motorista pode passar quando você parar para esperar ele, avise quando você for precisar entrar na frente dele por causa de um carro parado e espere para ver se ele vai parar mesmo. Agradeça se ele parar ou te der passagem. Respeite e será respeitado.
Um ciclista educado é melhor recebido pelos motoristas. Motoristas são bem suscetíveis a abordagens educadas. Quantas vezes já não vimos um motorista, que está se posicionando para não deixar outro entrar na frente dele, ceder quando o primeiro faz um simples sinal com a mão? Pois esse sinalzinho de mão, acompanhado de um sorriso e seguido de um sinal de agradecimento, faz milagres… Muitos que estiverem te vendo como “um folgado ocupando a rua” vão pensar “pô, pelo menos o cara é educado”. Já é alguma coisa e pode ser a diferença entre uma situação de risco ou não. E esses motoristas passarão a tratar melhor o próximo ciclista que eles virem. Ou seja, com boas maneiras no trânsito você acaba ajudando a todos nós.
Evite as grandes avenidas. Em São Paulo, por exemplo, as marginais e a 23 de Maio, nem pensar. Já a Av. Brasil é mais tranqüila e a Faria Lima também dá pra pegar, mas é melhor optar por algumas ruas que ficam entre essas duas avenidas, principalmente quando estiver começando a se aventurar no trânsito. E em horários de pico, fica difícil trafegar em qualquer grande avenida, porque tem pouco espaço para os carros e fica difícil passar até de bike. Procure ruas menores, que os carros evitam porque têm que parar a cada esquina, porque tem lombadas ou muitos sinais. O que é ruim para os carros, muitas vezes é bom para as bicicletas. Não pense no trajeto como se estivesse de carro. E, se não souber que trajeto fazer, procure a Bicicletada de sua cidade e peça algumas dicas.
Como regra, se você estiver com medo de pedalar em certa avenida, melhor não fazê-lo, até porque se você estiver inseguro pode cometer algum erro bobo, como se desequilibrar por exemplo. Avenidas onde o fluxo de carros segue a uma velocidade alta mesmo na pista da direita são desaconselháveis. Fuja de avenidas assim. Ruas menores são mais seguras e mais agradáveis, mesmo que o percurso aumente um pouco.
Calçada é para pedestres. Se precisar passar pela calçada ou atravessar na faixa de pedestres, o código de trânsito manda desmontar da bicicleta, como os motociclistas (conscientes) fazem (art.68, §1º). E essa lei não é apenas uma regra arbitrária feita por quem nunca andou de bicicleta, há motivos suficientes para não andar na calçada com a bicicleta. Os pedestres que estão de costas para você podem dar um passo para o lado sem te ver chegando. Um carro pode sair de dentro de uma garagem de prédio e te acertar em cheio, ou aparecer na sua frente de um modo que você não consiga desviar. E o errado (e machucado) vai ser você…
Idosos morrem de medo de bicicleta na calçada, porque eles têm um compreensível medo de se machucar, sobretudo aqueles que estão em uma idade em que um osso quebrado pode ser impossível de ser consertado. Se você passar com a bicicleta na calçada perto deles, eles vão te xingar e estarão com toda a razão. Comparativamente, é o mesmo que um caminhão vir na sua direção e desviar na última hora. Eles podem cair só com o susto de ver a bicicleta chegando.
Quer mais um bom motivo para não andar na calçada? Uma criança pode aparecer correndo de dentro de alguma casa. Já pensou ter na consciência o atropelamento de uma criança de três anos? Péssimo, né? Melhor não correr esse risco. Fique sempre na rua. Se quiser passar pela calçada, desmonte e vire pedestre.
Cuidado nos cruzamentos. Não passe sinal vermelho com a bike, porque um carro pode vir rápido para aproveitar o sinal amarelo e você errar o pé no pedal na hora que precisar fugir dele com pressa. Ou pode aparecer um pedestre atravessando a rua correndo, olhando só para o lado de onde ele espera vir o perigo.
A pista de ônibus costuma ser perigosa. Em faixas exclusivas para ônibus, alguns não são muito pacientes com ciclistas, porque terão que sair da pista exclusiva para te ultrapassar e, quando o tráfego está intenso, isso é bem complicado para eles. Quando o trânsito aperta, os carros não dão espaço para um ônibus que queira sair da faixa exclusiva, então só lhes resta apertar o ciclista. Se o trânsito estiver pesado e o fluxo estiver lento-quase-parado, é melhor tentar trafegar pela pista da esquerda (desde que seja uma via de mão única, claro). O código de trânsito dá respaldo a essa atitude. Ou tente usar a segunda pista (a primeira após a faixa de ônibus).

Em esquinas onde muitos carros viram à direita, tome cuidado adicional. De vez em quando, um carro que está na segunda pista vira rápido numa rua à direita, porque lembrou disso na última hora ou porque não deixaram ele mudar de pista antes. Quando ele calcula rapidamente se vai dar tempo, só analisa os carros que estão vindo. E se um carro der passagem, ele entra. Mesmo que tenha visto o ciclista chegando, ele pensa “bicicleta anda devagar, dá tempo” e entra. Às vezes o cara da primeira pista mesmo, que está do seu lado, pensa isso e corta sua frente. Por isso, quando você vir que muita gente vira em algum lugar à direita, sinalize com a mão que você vai seguir reto, ou peça passagem com a mão. Sempre com a mão esquerda, que é aquela que os carros vêem.
Sempre se adiante ao que os carros podem fazer. Olhe para trás para ver se não está chegando um maluco voando para entrar na rua que está 5 metros à sua frente. Veja se o trânsito está parando em uma única faixa, o que faz os acrros fugirem irritados dela.
Sinalize para que os carros antecipem o que você vai fazer. Não fique fazendo zigue-zague, não entre sem olhar numa avenida, não mude de pista sem avisar, mesmo que o motorista esteja lá atrás. Do mesmo modo que ele pode calcular mal sua trajetória e achar que vai dar tempo de passar na sua frente, você pode se enganar ao achar que vai dar tempo de mudar de pista. Se você sinalizar, o carro diminui. Veja e seja visto.
Para saber o que o Código de Trânsito diz sobre os ciclistas, clique aqui.
Texto revisado em 28/08/2009.
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O que o Código de Trânsito diz sobre nós ciclistas
Clique para ler a íntegra (Site do Detran do DF)
As bicicletas e os ciclistas são classificados sob os seguintes termos: bicicletas, ciclos, ciclistas ou veículos de propulsão humana (VPH). Abaixo cito todos os trechos que encontrei citando esses termos, sempre com um comentário tentando explicar de forma simples o blá blá blá legal.
Os órgãos de trânsito têm obrigação de se preocupar com os ciclistas:
Art. 21. Compete aos órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:
(…)
II – planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veícuslos de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e segurança de ciclistas.
(o Art. 24 dispõe o mesmo sobre os órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios)
Pedestres têm prioridade sobre ciclistas e ciclistas têm prioridade sobre motos e carros:
Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:
(…)
§ 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.
Os carros não devem nos fechar:
Art. 38. Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou em lotes lindeiros, o condutor deverá:
(…)
Parágrafo único. Durante a manobra de mudança de direção, o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem.
Devemos andar na rua, no sentido dos carros e nos cantos da via (inclusive no esquerdo em caso de vias de mão única, embora geralmente isso seja bastante perigoso, sobretudo em avenidas de fluxo rápido):
Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.
Parágrafo único. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.
Bicicleta na calçada, só com autorização da autoridade de trânsito e sinalização adequada na calçada:
Art. 59. Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios.
Quer passar pela calçada ou atravessar com a bike na faixa? O CNT manda desmontar:
Art. 68. É assegurada ao pedestre a utilização dos passeios (…)
§ 1º O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres.
Buzina, espelho e “sinalização” na frente, atrás, dos lados e nos pedais (que pode ser entendida por refletivos) são obrigatórios pelo Código, mas capacete não:
Art. 105. São equipamentos obrigatórios dos veículos, entre outros a serem estabelecidos pelo CONTRAN:
(…)
VI – para as bicicletas, a campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.
Update: A obrigatoriedade do uso de “campainha” e espelho retrovisor foi cancelada pelo PL-2956/2004.
Os fabricantes e importadores são obrigados a fornecer as bicicletas com os equipamentos citados acima:
Do mesmo Art. 105:
§ 3º Os fabricantes, os importadores, os montadores, os encarroçadores de veículos e os revendedores devem comercializar os seus veículos com os equipamentos obrigatórios definidos neste artigo, e com os demais estabelecidos pelo CONTRAN.
Importadores e fabricantes de bicicletas são obrigados a fornecer um manual contendo mais ou menos tudo isso que eu estou dizendo aqui, além de instruções sobre direção defensiva e primeiros socorros:
Art. 338. As montadoras, encarroçadoras, os importadores e fabricantes, ao comerciarem veículos automotores de qualquer categoria e ciclos, são obrigados a fornecer, no ato da comercialização do respectivo veículo, manual contendo normas de circulação, infrações, penalidades, direção defensiva, primeiros socorros e Anexos do Código de Trânsito Brasileiro.
O Código dá direito aos Municípios de registrar e licenciar as bicicletas caso decidam fazer isso:
Art. 129. O registro e o licenciamento dos veículos de propulsão humana, dos ciclomotores e dos veículos de tração animal obedecerão à regulamentação estabelecida em legislação municipal do domicílio ou residência de seus proprietários.
[ver também Art.24, incisos XVII e XVIII e Art.141]
Ameaçar o ciclista com o carro é infração gravíssima, passível de suspensão do direito de dirigir e apreensão do veículo e da habilitação:
Art. 170. Dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública, ou os demais veículos:
Infração – gravíssima;
Penalidade – multa e suspensão do direito de dirigir;
Medida administrativa – retenção do veículo e recolhimento do documento de habilitação.
Colar na traseira do ciclista ou apertar ele contra a calçada é infração grave:
Art. 192. Deixar de guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu veículo e os demais, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade, as condições climáticas do local da circulação e do veículo:
Infração – grave;
Penalidade – multa.
Estacionar na ciclovia é infração grave, sujeita a multa e guincho:
Art. 181. Estacionar o veículo:
(…)
VIII – no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público:
Infração – grave;
Penalidade – multa;
Medida administrativa – remoção do veículo;
Andar com o carro na ciclovia ou mesmo numa ciclofaixa é o mesmo que dirigir na calçada, infração gravíssima:
Art. 193. Transitar com o veículo em calçadas, passeios, passarelas, ciclovias, ciclofaixas, ilhas, refúgios, ajardinamentos, canteiros centrais e divisores de pista de rolamento, acostamentos, marcas de canalização, gramados e jardins públicos:
Infração – gravíssima;
Penalidade – multa (três vezes).
O carro deve dar preferência de passagem ao ciclista quando ele já estiver atravessando a via, mesmo que o sinal abra para o carro:
Art. 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado:
I – que se encontre na faixa a ele destinada;
II – que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo;
(…)
Infração – gravíssima;
Penalidade – multa.
IV – quando houver iniciado a travessia mesmo que não haja sinalização a ele destinada;
V – que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo:
Infração – grave;
Penalidade – multa.
Tirar fina é infração média:
Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta:
Infração – média;
Penalidade – multa.
Se a fina for em alta velocidade, são duas multas (a média aí de cima mais essa grave aqui):
Art. 220. Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito:
(…)
XIII – ao ultrapassar ciclista:
Infração – grave;
Penalidade – multa;
Deixar de andar com a bicicleta em fila única pela lateral da rua ou acostamento é infração média:
Art. 247. Deixar de conduzir pelo bordo da pista de rolamento, em fila única, os veículos de tração ou propulsão humana e os de tração animal, sempre que não houver acostamento ou faixa a eles destinados:
Infração – média;
Penalidade – multa.
Somos proibidos de circular em vias de trânsito rápido e em rodovias sem acostamento, além de algumas outras coisinhas que pouquíssimos ciclistas sabem:
Art. 244, § 1º Para ciclos aplica-se o disposto nos incisos III, VII e VIII, além de:
a) conduzir passageiro fora da garupa ou do assento especial a ele destinado;
b) transitar em vias de trânsito rápido ou rodovias, salvo onde houver acostamento ou faixas de rolamento próprias;
c) transportar crianças que não tenham, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança.
Inciso III – fazendo malabarismo ou equilibrando-se apenas em uma roda;
Inciso VII – sem segurar o guidom com ambas as mãos, salvo eventualmente para indicação de manobras;
Inciso VIII – transportando carga incompatível com suas especificações
Bicicleta na calçada ou pilotagem “agressiva” é motivo para multa e apreensão da bicicleta (mas a autoridade é obrigada a fornecer um recibo!):
Art. 255. Conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação desta, ou de forma agressiva, em desacordo com o disposto no parágrafo único do art. 59:
Infração – média;
Penalidade – multa;
Medida administrativa – remoção da bicicleta, mediante recibo para o pagamento da multa.
Acostamento é lugar de bicicleta sim:
ACOSTAMENTO – parte da via diferenciada da pista de rolamento destinada à parada ou estacionamento de veículos, em caso de emergência, e à circulação de pedestres e bicicletas, quando não houver local apropriado para esse fim.
Bicicleta também é veículo:
BICICLETA – veículo de propulsão humana, dotado de duas rodas, não sendo, para efeito deste Código, similar à motocicleta, motoneta e ciclomotor.
Bicicletário é o nome oficial do “estacionamento de bicicletas”:
BICICLETÁRIO – local, na via ou fora dela, destinado ao estacionamento de bicicletas.
O chamado bordo da pista é só o canto, a beirada, sem uma definição clara de até onde é considerado bordo:
BORDO DA PISTA – margem da pista, podendo ser demarcada por linhas longitudinais de bordo que delineiam a parte da via destinada à circulação de veículos.
Ciclo é uma bicicleta, um triciclo, etc., desde que movido a propulsão humana:
CICLO – veículo de pelo menos duas rodas a propulsão humana.
Ciclofaixa é uma “faixa de ônibus” para bicicletas e outros VPH:
CICLOFAIXA – parte da pista de rolamento destinada à circulação exclusiva de ciclos, delimitada por sinalização específica.
Ciclovia é quando é separada dos carros (mas não é lugar de pedestre!):
CICLOVIA – pista própria destinada à circulação de ciclos, separada fisicamente do tráfego comum.
Calçada é para pedestres, bicicleta só circula nela em casos excepcionais:
PASSEIO – parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último caso, separada por pintura ou elemento físico separador, livre de interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas.
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