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Peço desculpas pelo transtorno, mas é por bons motivos. No novo endereço, terei controle total sobre layout, plugins, widgets e recursos adicionais, além de mais tranquilidade quanto à disponibilidade do serviço.
Ao iG, agradeço por tantos anos de hospedagem gratuita.
Em 17 de novembro, amigos de Márcia Prado deram uma renovada em seu memorial, na Av. Paulista, em São Paulo.
Márcia foi assassinada em janeiro de 2009 por um motorista de ônibus que passou irresponsavelmente perto de sua bicicleta, contrariando o art. 201 do Código de Trânsito Brasileiro, que pede distância de 1,5m ao ultrapassar um ciclista. Provavelmente, sua intenção era “educá-la” a não pedalar na rua.
Márcia nunca mais pedalou na rua. E o assassino continua livre.
Um projeto de lei do vereador Antonio Goulart (PMDB) pode obrigar as novas construções na capital paulista a terem telhados brancos para dispersar o calor (veja matéria). O objetivo seria reduzir o calor absorvido, contribuindo para amenizar os efeitos do excesso de gases estufa na atmosfera, que fazem aumentar a temperatura da cidade e do planeta.
A ONG GBC Brasil (Green Building Council Brasil), que propõe desenvolver a indústria de construção sustentável no país, defende a proposta. E aponta um benefício indireto: com menor absorção de calor, gastaria-se menos energia elétrica com ar condicionado, o que faz sentido.
E ajuda mesmo?
Para mim fica claro que a medida ajuda sim e é válida. E toda ajuda para combater o aquecimento global é muito bem vinda.
Mas deve-se ter em mente que essa é uma media paliativa. A própria explicação do resultado esperado, no site da GBC Brasil, diz isso com todas as letras: “isso possibilitaria um atraso nos efeitos do aquecimento global”. Atraso esse que deve ser usado para se buscar soluções reais. É estancar o sangue enquanto se cuida do ferimento.
O cálculo feito nesse site é um pouco confuso e difícil de entender, mas diz que se os telhados de todas as edificações DO MUNDO fossem pintados, seria possível compensar o que cerca de metade dos carros emitiriam nos próximos 20 anos. Ora, esse cálculo é extremamente otimista. É impraticável pintar os tetos de todas as construções do mundo. E a frota mundial de automóveis vem aumentando ano a ano, portanto o que hoje se considera “metade” tende a logo se tornar um terço.
A iniciativa pode ajudar, mas não resolve. É preciso tomar medidas drásticas.
O que deveria ser feito?
Há várias maneiras de diminuir as emissões de gases estufa no mundo, mas nas grandes cidades a quase totalidade das emissões vêm dos meios de transporte. O que é preciso fazer, de forma urgente, é restringir o uso do automóvel nessas cidades, estimulando o uso do transporte coletivo e da bicicleta.
Deve-se investir em transporte público e não em túneis e viadutos; em corredores de ônibus sem táxis dentro, em vez de pistas expressas que só aceitam carros; em campanhas de respeito ao usuário de bicicleta e legitimação de seu direito de compartilhar as vias com os outros veículos, não em ciclovias para tirá-los das ruas, segregando-os aos raros locais que as possuem e dando-lhes a pecha de invasores quando precisam trafegar fora delas ou onde elas não existem.
Túneis, viadutos e pistas expressas estimulam o uso do automóvel. São medidas que contribuem para piorar o efeito estufa, a poluição, os congestionamentos, os acidentes de trânsito e tantas coisas mais.
Transporte coletivo, mesmo movido com o diesel sujo aqui do Brasil, diminui as emissões, porque transporta dezenas de pessoas em um único veículo, mesmo que poluente. É uma das formas de diminuir a emissão de gases estufa. Se o transporte coletivo for rápido e eficiente, os cidadãos aos poucos passam a utilizá-lo em detrimento de seu automóvel particular. E se esse transporte for movido a energia elétrica, melhor ainda.
O uso da bicicleta, obviamente, não emite nenhum gás estufa. Pode não ser uma solução factível para todos, mas é certo que haveria muito mais pessoas utilizando a bicicleta em seus deslocamentos se sentissem as ruas mais seguras e fossem incentivadas para tal.
Muitas ciclovias são construídas apenas para tirar o ciclista do caminho dos carros, não para protegê-lo do tráfego, chegando até a colocá-lo em risco nos cruzamentos. Geralmente são aquelas que roubam um trecho de calçada, tirando espaço dos pedestres para que os carros não sejam incomodados. São obras que acabam estimulando o uso do automóvel, que passa a ter a via livre, sem o “incômodo” de ter que dividi-la com ciclistas em menor velocidade, tendo isso como incentivo a continuar usando o carro.
Esse tipo de obra acaba por estimular o uso do automóvel, também contribuindo indiretamente para aumentar o aquecimento global. E tem outras conseqüências ruins menos visíveis, que implicam diretamente sobre a segurança do ciclista, sobre as quais pretendo falar em um texto futuro.
Comentário curto de quem está sem tempo, para não deixar passar batido, porque a feira merecia um texto até maior.
Fui ‘a Bike Expo na segunda-feira, 1º de novembro, emenda de feriado. O trânsito naquela região estava uma desgraça, mas como sempre eu fui de bicicleta e passei sorrindo onde os motoristas estavam quase chorando. Havia um bicicletário do Instituto Parada Vital (UseBike) na entrada da feira, o que foi ótimo e me deixou bastante tranquilo.
Como o mercado nacional, a feira estava mais voltada ao uso esportivo da bicicleta: mountain bike, estrada e bicis de triatlo. Não havia muita coisa em termos de “bicimobilidade”, mas o estande da Caloi impressionou. Voltado quase exclusivamente ao conceito de uso urbano da bicicleta, segmento no qual a empresa anda apostando alto, se destacava dos outros estandes para quem procurava bicicletas para uso em deslocamentos nas cidades.
Havia vários protótipos montados pela empresa, contemplando dobráveis, fixas e até bicicletas urbanas com quadro feminino, bagageiro, paralamas, protetor de corrente e marchas embutidas no cubo traseiro. Se a empresa lançar mesmo esses protótipos, vai ser ótimo e vai revolucionar o mercado nacional. Bicicletas como a Ceci Vintage, por exemplo, são de encher os olhos.
Cheguei muito tarde ‘a feira e, quando tirei essas fotos, não pensei em escrever uma matéria, por isso deixei de fotografar muita coisa. As fotos não ficaram lá essas coisas, admito: foram tiradas com o celular e a iluminação não era apropriada. Mas dá pra ter uma idéia. Veja o conjunto completo de fotos, com comentários sobre as bicicletas fotografadas.
Tirei algumas fotos também no estande da Fuji. Em termos de mobilidade, havia ainda o estande da Blitz (fabricante nacional de bicicletas dobráveis) e me disseram que algum outro grande fabricante gringo (scott?) também tinha uma bicicleta urbana em exposição, mas não cheguei a ver.
A feira estava bem grande para um evento só sobre bicicletas, principalmente se comparado a outros eventos em anos anteriores. Parabéns ‘a organização.
Acabo de ler um relato bem bacana de uma moça que pedalou pela primeira vez nas ruas junto com as Pedalinas. Além do relato cheio de emoção, amizade e novas descobertas, surgiu um comentário sobre ciclistas se cumprimentando nas ruas, que rendeu alguma discussão.
Conversar com outros ciclistas na rua é muito legal. Você ouve as mais variadas histórias. Essa semana, esperando um sinal abrir para cruzar a Rebouças, conversei com um senhor com bicicleta bem simples, com as roupas e a pele mostrando o esforço de seu trabalho. Ele me contou que era jardineiro e ia a locais variados prestar seus serviços usando a bicicleta, porque “de ônibus chega a levar duas horas!”. Falei pra ele que além de ser mais rápido e barato, faz bem pra cabeça da gente. Ele sorriu e concordou. Estava indo pro trabalho, assim como eu, mas antes ia fazer uma fezinha na megasena. “Vai que eu ganho, né?”
Quantos motoristas já conversaram com ele de dentro de seus carros, sem ser com a buzina ou um palavrão? Ele era de outra idade, outra origem, outra faixa social, outra profissão, outra escolaridade, outra história de vida, mas éramos dois ciclistas esperando o sinal abrir, em nossa cumplicidade de duas rodas sem motor, e conversamos como se já nos conhecêssemos.
De vez em quando escrevo no Twitter algumas frases curtas sobre a escolha de usar a bicicleta, baseadas em situações que acontecem comigo. Algumas pessoas respondem também, enriquecendo o conteúdo.
Pedalar é… conhecer pessoas como a Márcia.
Foto: André Pasqualini
Selecionei neste post algumas das frases mais representativas, minhas e de colegas de Twitter:
#Pedalar é… praticar a tolerância.
#Pedalar é… reencontrar um amigo que você não via há tempo, passando pela calçada.
#Pedalar é… poder passar por dentro do Parque do Ibirapuera, a caminho do trabalho.
#Pedalar é… passar sorrindo pela blitz da Lei Seca. Sem parar e sem perder 10 min no congestionamento.
#Pedalar é… sair do trabalho no horário que for preciso, sem se preocupar com trânsito ou rodízio.
#Pedalar é… variar o caminho por vontade própria, não porque um boletim de trânsito falou que o caminho de sempre está travado.
#Pedalar é… escolher o caminho mais agradável e arborizado, sem se preocupar se tem mtas lombadas, semáforos e cruzamtos onde tem q parar.
#Pedalar é… sentir uma pontinha de satisfação ao ouvir o colega dizer que não vai sair agora porque “ali nesse horário é tudo parado”.
#Pedalar_é… encontrar amigos no caminho e poder parar pra conversar.
@StanCalderelli: #pedalar é… chegar ao destino mais alegre do que quando saiu e ter a cabeça ainda livre pra cuidar melhor da vida.
@StanCalderelli: #pedalar é… Levar o mesmo tempo p/ chegar em casa, c/ ruas cheias ou vazias, trânsito lento, rápido, de dia ou à noite.
@pedaline: #Pedalar_é… no caminho de casa cruzar com um grupo de ciclistas, ser abduzida por eles, fazer o rolê e chegar em casa 2h depois
@DiegoZanini: #Pedalar_é poder encontrar dinheiro na rua e ter como parar para pegar a grana sem atrapalhar o trânsito.
@pedaline: #Pedalar_é Passar por dentro de uma feira e ganhar uma maçã e um sorriso de uma senhorinha linda!!!
@pgmenezes: #Pedalar_é sentir falta enorme da bike qdo preciso vir de carro O_o
E para você, o que é pedalar?
Qual a sensação que você tem quando opta por se deslocar de bicicleta? Tente descrever em frases curtas. Aproveite e mande no twitter, mencionando @wcruz, que eu recebo!
No próximo domingo, 15 de agosto, acontece o tradicional encerramento do Yoga pela Paz no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, com música, meditação e aula de yoga. As atividades acontecerão na área da Platéia Externa do Auditório Ibirapuera, com acesso pelos portões 2 e 3 do parque.
Esse ano haverá um passeio guiado para levar você de bicicleta até o evento, organizado pelo Yoga pela Paz, com os parceiros Corpore e Parada Vital e patrocínio da Semp Toshiba, com saídas de três pontos da cidade.
Como aos domingos é permitido o ingresso de bicicletas em trens da CPTM e do Metrô, fica fácil chegar aos pontos de saída, pois são todos junto a estações:
Praça do Ciclista (final da Av. Paulista), ao lado da estação Consolação do Metrô (linha verde)
Estação Vila Mariana do Metrô (linha azul)
Estação Vila Olímpia da CPTM (linha esmeralda)
Compareça até as 7h45 a um dos pontos de saída. Haverá monitores para guiar os ciclistas, em ritmo tranquilo para que todos acompanhem e pedalando com segurança. No final do evento, os grupos retornam para os pontos de saída.
A Parada Vital disponibilizará gratuitamente 20 bicicletas para empréstimo em cada ponto de partida e haverá um bicicletário no Parque do Ibirapuera.
Serei um dos guias do grupo da Vila Mariana. Aguardo vocês no domingo, para pedalarmos até o Parque e curtir o evento. E quem tiver perguntas e quiser ouvir dicas sobre o uso da bicicleta na rua, é só me procurar.
O clipe da música Kings and Queens, da banda 30 Seconds To Mars, mostra uma Critical Mass, conhecida por aqui como Bicicletada. Para quem já pedalou numa bicicletada com centenas de pessoas, é emocionante. Para quem ainda não teve esse prazer… assista e se imagine ali no meio! Quem sabe você não se anima a participar de uma Bicicletada, ou organizar uma na sua cidade?
Alguns pontos interessantes nesse video:
Tem um cara vestido de índio com uma bicicleta maior que a do Gallo (quem o conhece sabe do que eu estou falando).
Aos 2:30, uma cena que lembra muito a visão que se tem na Praça do Ciclista aqui de São Paulo, na Av. Paulista.
Mais adiante, aos 3:47, uma situação que assusta qualquer ciclista. Mesmo assim, tem gente nos comentários do vídeo, lá no Youtube, dizendo que riu quando viu isso! É mole?
Esse video sensacional foi enviado pelo Bruno Gellert, irmão de pedal que, junto com o Denny Sachtleben, me deu uma cicloviagem inesquecível pela Serra Catarinense como presente de despedida quando voltei de Florianópolis. Valeu pela lembrança, irmão. Cada um foi para um lado, mas as memórias ficam pra sempre. Life is a cycle.
Um videoclipe com bicicleta que me emociona toda vez que eu assisto é esse aqui, que faz lembrar da sensação boa de uma cicloviagem. E não é à toa: uma cicloviagem muda nossa percepção do mundo.
Desde o começo dessa semana, tenho um motivo a mais para sorrir quando saio na rua de bicicleta. Agora todos os dias eu uso a “Love Lane”:
Essa bicicletinha foi pintada no asfalto na minha rua e suspeito que o local não foi escolhido a esmo. Valeu CETB, eu e a Pri adoramos!
Continuem o trabalho de “humanizar pelas bordas”. E não desanimem quando a CET dos automóveis apagar a arte e as intervenções de segurança que eles alegam atrapalhar os carros: eles são azedos e não entendem.
Os paraciclos que ficam do lado de fora do Pão de Acúcar “verde” continuam sendo chamados de bicicletário e de gentileza.
LEI Nº 14.266, DE 6 DE FEVEREIRO DE 2007
(…) Art. 8º Os terminais e estações de transferência do SITP, os edifícios públicos, as indústrias, escolas, centros de compras, condomínios, parques e outros locais de grande afluxo de pessoas deverão possuir locais para estacionamento de bicicletas, bicicletários e paraciclos como parte da infra-estrutura de apoio a esse modal de transporte.
Além de ser Lei, o mercado tem sim que se responsabilizar pela segurança do veículo estacionado, do mesmo modo que se responsabiliza pelos carros e motos que ficam no estacionamento.
Colocar um paraciclo do lado de fora com uma plaquinha dizendo que é apenas uma gentileza não os exime da responsabilidade de reparar o veículo furtado. E bicicleta é sim um veículo, definido como tal pela Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro).
Portanto, não acredite quando vir uma plaquinha dessas. E se tiver a infelicidade de ter a bicicleta furtada num paraciclo de supermercado, siga as dicas que estão no final deste texto.
Atualizado em 28/06/10 21h50: acabo de passar nesse mercado e a placa “gentileza” foi retirada.