Sonhos de um menino que quer pedalar pela cidade

Dia desses, meu filho de sete anos me disse: “Pai, já pensou se não existisse carro? Aí eu ia poder andar de bicicleta na rua, né? A gente ia poder ir nos lugares de bicicleta.”

Até me emocionei. :) Falei pra ele que quando ele for maior, a gente vai poder fazer isso sim. Já faz alguns anos que ele me pede isso.

Aqui em São Paulo ainda não dá pra enfiar uma criança de sete anos no meio do trânsito. O máximo que já fiz com ele na rua foi sair de dentro do Parque do Ibirapuera e ir até uma lanchonete mais ou menos perto, mas tudo pela calçada. Paramos nós três (eu, ele e minha mulher) no bicicletário do lugar e almoçamos. Depois voltamos pedalando até o parque. Para ele, aquilo já foi a maior aventura…

Mas tenho fé de que a cidade será mais amigável a ele do que foi a mim. Graças ao pessoal que participa da Bicicletada, à Renata Falzoni e alguns cicloativistas “das antigas”, a alguns (raros) vereadores, ex-vereadores e secretários, a algumas pessoas no Metrô e na CPTM, às Bicicletadas mensais, a alguns sites e blogs citados aqui constantemente, ao Dia Mundial Sem Carro, às ações de guerrilha de cicloativistas na cidade, a alguns jornalistas de mente aberta e, por incrível que pareça, graças também à poluição e aos congestionamentos, que empurram as pessoas de bom senso a procurar alternativas.

A todos (exceto à poluição e aos congestionamentos, claro), meu muito obrigado. Que continuem trabalhando nesse sentido. Quem sabe assim nossos filhos não poderão levar os filhos deles para a escola em trailers daqueles estilosos? ;)

Candidato

Durante as eleições do ano passado, ele me veio com essa:

- Pai, se eu fosse candidato você votava em mim?

- Depende, filho. O que você ia fazer?

- Eu ia tirar todos os carros e todas as motos da rua e ia deixar só as bicicletas!

- Já ganhou… :D

Antes que me apedrejem, eu sempre explico pra ele que o carro é importante principalmente como ambulância, carro de bombeiro e viatura da polícia. Ou para quem tem dificuldade de locomoção, para longas distâncias que não são atendidas por transporte público e para transportar crianças, idosos, enfermos, volumes e peso. E que ônibus e caminhões também têm sua importância.

Não sou a favor de queimar os carros, mas bem que boa parte deles podia sair das ruas e dar lugar a ônibus (elétricos de preferência), metrô, ferrovias, bicicletas, caminhadas. Vamos orientar melhor as próximas gerações para não crescerem com a mesma visão carrocentrista que foi enfiada goela abaixo da nossa.