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| Foto: Luddista |
O casamento de bicicleta foi demais. Tenho amigos maravilhosos. Obrigado a todos.
Veja algumas fotos, vídeos e textos que foram publicados sobre o casamento. Quem não foi, perdeu.
(atualizado em 12/11 às 13:15)
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A bicicleta como meio de transporte no país do automóvel
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| Foto: Luddista |
O casamento de bicicleta foi demais. Tenho amigos maravilhosos. Obrigado a todos.
Veja algumas fotos, vídeos e textos que foram publicados sobre o casamento. Quem não foi, perdeu.
(atualizado em 12/11 às 13:15)
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Tenho recebido MUITO spam nos comentários do blog. Muito mesmo. Por mais que eu tente melhorar a lista de palavras de filtro, nos dias mais críticos chego a receber centenas de comentários com propaganda (principalmente propaganda de remédio). Não dá.
Por causa disso, tive que tomar a medida antipática de ligar a moderação nos comentários. Mas, se funcionar como esperado, depois de ter um primeiro comentário liberado, você passa a comentar sem moderação. E tenho a impressão que quem algum dia já comentou aqui, já está automaticamente liberado.
Me perdoem pela medida antipática, mas foi necessária.
![]() Foto: Frenchme, via Flickr |
Nesse sábado, dia 24 de outubro, eu e a Priscila vamos nos casar. E vamos até o cartório de bicicleta.
Seria muito legal ter um monte de ciclistas junto com a gente. Por isso, vamos primeiro até a Praça do Ciclista, para nos juntarmos aos padrinhos e a quem mais quiser nos acompanhar nessa Pedalada do Casório.
A partir das 9h estaremos na Praça. Às 9h30 sairemos em direção ao cartório, que fica na Av. Jabaquara, ao lado do metrô Saúde. Estão todos convidados, mas tem que ir de bicicleta!
Depois do enlace vamos para a lanchonete Subway do Paraíso, na R. Vergueiro, 1954 (entre as estações Ana Rosa e Paraíso do Metrô), com previsão de chegada às 12h30. Lá cortaremos o bolo e quem quiser pode aproveitar para almoçar ali. Vamos encher a frente da loja de bicicletas e mostrar que dá pra lotar um restaurante sem lotar o estacionamento…
Vá de bike!
Se você estiver sem bicicleta, pode alugar uma nos estacionamentos da rede Estapar da Av. Paulista (Top Center, Hospital Santa Catarina, Conjunto Nacional e Colégio São Luiz) ou nas estações de metrô Paraíso e Vila Mariana (saiba como o funciona o serviço aqui ou no site oficial). E você pode devolver na estação Paraíso na volta, quando pararmos na lanchonete.
O caminho é todo plano e vamos pedalar sem pressa, para todo mundo acompanhar, mesmo quem não tem lá aquele preparo físico. E se você achar que não aguenta pedalar o trajeto todo, pode se juntar à turma pelo caminho (Paulista – Vergueiro – Dom.Morais – Jabaquara). Estaremos usufruindo do nosso direito de circular de bicicleta pelas ruas da cidade em um grupo grande de ciclistas, o que traz mais segurança para todos. Pode levar esposa, mãe, irmã, namorado, filhos, amigos… O importante é estar de bicicleta!
Ah, aos sábados o Metrô aceita bicicletas a partir das 14 horas. Se você fizer um tempo com a gente ali na lanchonete, dá para ir embora de metrô depois, com bike e tudo.
Vejo vocês lá.
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O deputado estadual Samuel Moreira, líder do PSDB na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, escreveu um artigo para o Jornal Destak com o título “o rio Tietê está, sim, cada vez melhor”. O objetivo do artigo é defender a obra de ampliação da Marginal Tietê, chamada de “Nova Marginal”. Faço abaixo alguns comentários sobre o texto, que é um absurdo do começo ao fim.
A questão ambiental
Boa parte do texto dedica-se a enfatizar que a obra não prejudicará o rio. E, para provar seu ponto de vista, ele argumenta utilizando o tal Parque Linear, que será construído bem longe da obra, além de “canalizações, limpezas e desassoreamentos (…) de córregos, ribeirões e rios de todo o Estado”, que seriam realizadas com ou sem Nova Marginal.
Cita também obras de tratamento de esgoto e obras de combate a enchentes que estão sendo feitas desde 2007. Ou seja, para tentar convencer que a obra de ampliação não prejudica o rio, agora estão começando a cavar supostas compensações ambientais em obras que não têm nada a ver com essa e que seriam realizadas do mesmo modo. Em outras palavras, a gente vai estragar aqui, porque ali do outro lado a gente já consertou outra coisa então fica tudo por isso mesmo…
Veja um outro lado dessa história aqui e leia sobre a investigação do Ministério Público. Ou pesquise você mesmo nas matérias publicadas pela imprensa. Mas claro, o governo diz que as críticas à obra não passam de intriga da oposição.
Cidade mais humana e arejada
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“A cidade ficará mais humana e arejada”. Que absurdo dizer uma coisa dessas! Infraestrutura gera demanda. Quando se amplia o espaço para o automóvel particular, esse espaço é rapidamente preenchido com mais carros – como aconteceu com a Ponte Estaiada. Gente que hoje opta por outros caminhos, passará a tentar a “nova” Marginal. Gente que antes não tinha carro e agora comprou um (afinal são mil novos carros por dia nessa cidade), também vai optar pela “nova” Marginal, porque ouviu dizer que é rápida. E como uma cidade com cada vez mais carros pode ser “mais humana e arejada”? Por causa da ampliação de uma avenida, que atrairá ainda mais carros para ela? Ah, me poupe… Não faz o menor sentido!
Tempo das viagens
Essa história de diminuir o tempo das viagens em 35% todo mundo sabe (ou deveria saber) que é conversa para boi dormir. Mesmo considerando que NÃO vá haver aumento da quantidade de veículos trafegando na Marginal Tietê (o que é impossível), todos esses carros terão que sair de lá para outro lugar em algum momento. Terão que entrar em vias que já se encontram saturadas. E em muitos casos, vão chegar mais cedo nessas vias saturadas, em vez de chegar meia hora depois, quando o congestionamento já estaria diminuindo um pouco. Aí sim é que vai travar tudo.
Ampliar avenidas só piora os congestionamentos. É exatamente o oposto do conceito de traffic-calming, que diz, entre outras coisas, que se você fizer os carros trafegarem mais devagar, levando mais tempo para chegar às grandes avenidas, dará tempo de quem já está nelas sair para outro lugar e liberar espaço para quem vem chegando. Assim, a viagem tem velocidades máximas menores, mas leva-se o mesmo tempo ou até menos para chegar ao destino final.
Grande esforço!
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Faz parte desse esforço também o túnel para ligar o Morumbi ao Guarujá (R$2,2 Bi), a aberração que já chamaram de “avenida-parque” (o que é isso? ou é avenida, ou é parque!) e a ampliação de outras avenidas. Melhorar para quem, cara pálida? Não vai melhorar nem para quem usa o carro, quanto mais para os outros 70% da população que usam transporte público, bicicleta ou os pés.
Se o objetivo fosse MESMO melhorar o trânsito, haveria uma pista exclusiva para ônibus, para que a miríade de carros que entope a Marginal não os atrapalhem tanto. Haveria uma ciclovia no canteiro central, com acessos em cada ponte. Se houvesse mesmo interesse em melhorar o trânsito, investiria-se mais em transporte público do que se investe em infraestrutura para uso do transporte particular, mas o que se faz hoje é o contrário.
Qualidade de vida
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O nobre deputado afirma que “melhora do fluxo de veículos significa mais qualidade de vida”, devido a uma suposta redução das emissões de gases. Isso supondo que a mesma quantidade de carros passaria por ali e que o restante da viagem também teria a mesma duração de hoje, né, deputado? Vai ter mais gente optando pela Nova Marginal, sem contar com o aumento contínuo da frota de automóveis na cidade, que já citei lá no começo desse artigo. E mesmo que, hipoteticamente, fantasiosamente falando, houvesse essa redução de emissão de gases, ela seria pífia! Quer dizer que em vez de poluir por uma hora, vou poluir por 40 minutos? Puxa, que alento! É como fumar cigarro light, morre-se do mesmo jeito.
Excesso de automóveis
Se realmente for de seu interesse melhorar a qualidade de vida na região metropolitana, pense nisso tudo, deputado. E pense também que a maior causa dos congestionamentos é o excesso de automóveis. Tem carro demais na rua, deputado! E isso não se resolve construindo avenida, é tapar o sol com a peneira, é colocar esparadrapo em corte profundo. Tem-se que desincentivar o uso do automóvel, ao mesmo tempo em que se aumenta a oferta e a qualidade das alternativas a ele. É como distribuir cachaça de graça e ao mesmo tempo pedir para as pessoas pararem de beber: não funciona! E, além de tudo, fica parecendo hipocrisia…
Construir túneis, avenidas e pontes de uso exclusivo dos carros não melhora o trânsito, muito menos a qualidade de vida dos habitantes da cidade. Isso sim é “faltar com a verdade”, como o senhor diz no seu texto. Ou então é muita falta de visão e desconhecimento do assunto mesmo – fica por conta do leitor.
O tempo mostrará o quanto essa iniciativa é equivocada. A perspectiva prometida continua linda. Também quero viver na cidade que o senhor sonha, uma cidade mais humana, ágil e arejada, mas precisamos caminhar em direção a ela.
Boa sorte e divirta-se ao dirigir na Nova Marginal no ano que vem, deputado. Nós continuaremos respirando a fumaça que sai do seu escapamento todos os dias.
Sonhos de um menino que quer pedalar pela cidade
Dia desses, meu filho de sete anos me disse: “Pai, já pensou se não existisse carro? Aí eu ia poder andar de bicicleta na rua, né? A gente ia poder ir nos lugares de bicicleta.”
Até me emocionei.
Falei pra ele que quando ele for maior, a gente vai poder fazer isso sim. Já faz alguns anos que ele me pede isso.
Aqui em São Paulo ainda não dá pra enfiar uma criança de sete anos no meio do trânsito. O máximo que já fiz com ele na rua foi sair de dentro do Parque do Ibirapuera e ir até uma lanchonete mais ou menos perto, mas tudo pela calçada. Paramos nós três (eu, ele e minha mulher) no bicicletário do lugar e almoçamos. Depois voltamos pedalando até o parque. Para ele, aquilo já foi a maior aventura…
Mas tenho fé de que a cidade será mais amigável a ele do que foi a mim. Graças ao pessoal que participa da Bicicletada, à Renata Falzoni e alguns cicloativistas “das antigas”, a alguns (raros) vereadores, ex-vereadores e secretários, a algumas pessoas no Metrô e na CPTM, às Bicicletadas mensais, a alguns sites e blogs citados aqui constantemente, ao Dia Mundial Sem Carro, às ações de guerrilha de cicloativistas na cidade, a alguns jornalistas de mente aberta e, por incrível que pareça, graças também à poluição e aos congestionamentos, que empurram as pessoas de bom senso a procurar alternativas.
A todos (exceto à poluição e aos congestionamentos, claro), meu muito obrigado. Que continuem trabalhando nesse sentido. Quem sabe assim nossos filhos não poderão levar os filhos deles para a escola em trailers daqueles estilosos?
Durante as eleições do ano passado, ele me veio com essa:
- Pai, se eu fosse candidato você votava em mim?
- Depende, filho. O que você ia fazer?
- Eu ia tirar todos os carros e todas as motos da rua e ia deixar só as bicicletas!
- Já ganhou…
Antes que me apedrejem, eu sempre explico pra ele que o carro é importante principalmente como ambulância, carro de bombeiro e viatura da polícia. Ou para quem tem dificuldade de locomoção, para longas distâncias que não são atendidas por transporte público e para transportar crianças, idosos, enfermos, volumes e peso. E que ônibus e caminhões também têm sua importância.
Não sou a favor de queimar os carros, mas bem que boa parte deles podia sair das ruas e dar lugar a ônibus (elétricos de preferência), metrô, ferrovias, bicicletas, caminhadas. Vamos orientar melhor as próximas gerações para não crescerem com a mesma visão carrocentrista que foi enfiada goela abaixo da nossa.
O vídeo abaixo é de uma campanha de redução de velocidade veiculada no Reino Unido, em 2006.
A menina do vídeo diz:
“Se você me atropela a 40mph (64km/h), há cerca de 80% de chance que eu morra.
Se você me atropelar a 30 (48km/h), há cerca de 80% de chance que eu sobreviva.”
No final, é exibida a frase: “São 30mph por uma razão”.
Aqui em São Paulo, os motoristas acreditam que o limite de velocidade é só uma desculpa para multar. Quantas vezes não ouvimos frases como essas:
“Se não tivesse tanta gente lerda, o trânsito fluiria melhor”
“Pra quê 60km/h nessa avenida? Dá muito bem pra andar a 90…”
“Até ali atrás a velocidade é 70. Aqui nessa curva diminui pra 60, só pra gente ser multado no radar ali na frente!”
Mostre esse vídeo para essas pessoas. E explique que todos têm o direito de atravessar a rua em qualquer lugar sempre que não houver uma travessia a uma distância de menos de 50 metros (art. 69 CTB), porque talvez você escute que ali não é lugar de atravessar.
A cidade deveria priorizar as pessoas, a vida. Não o fluxo cada vez mais rápido de automóveis.
(do ótimo site chileno Arriba ‘e la Chancha, dica do XpK)
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A Aline Cavalcante disponibilizou um vídeo da reunião realizada ontem no Palácio dos Bandeirantes, onde se discutiu o projeto da ciclovia da Marginal Pinheiros.
Não foi exatamente uma convocação para ouvir, como anunciado. Foi praticamente uma exposição, com poucas intervenções por parte da audiência. As explicações eram que haverá uma nova reunião para discutir sugestões.
Pelo projeto apresentado, insistem na opção de construir passarelas por cima da Marginal, o que é mais oneroso e demorado do que fazer simples acessos a partir de cada ponte já existente. Mas ok, vamos dar um voto de confiança, afinal isso ainda está em discussão.
Lazer ou transporte?
Estão prevendo um estacionamento na ponta da ciclovia próxima à represa. Mas como assim, estacionamento? A ciclovia não era para transporte? Da maneira que está sendo feita, parece que não. Estão prevendo apenas um acesso em cada ponta (um quase na Billings e outro na Vila Olímpia) e futuros acessos a parques. Isso não resolve problema de mobilidade, a não ser para quem mora na Billings e trabalha no Parque Villa Lobos…
Tudo bem, pode até haver estacionamento, isso não seria um problema. Tem até seu lado bom, afinal não é nada ruim incentivar também o uso para lazer e esporte da ciclovia. Mas sem acessos em cada ponte, não adianta florear: ela não será útil para transporte.
O ciclista, ao se deslocar pela cidade, não se comporta como um trenzinho e não vai seguir um caminho de ciclovia que lhe for imposto. Ele precisa ir para Santo Amaro, para a Berrini, para a Lapa. E não vai pedalar 5km a mais para encontrar a ponta da ciclovia e entrar nela, isso tem que estar claro para os representantes do poder público. Sem acessos, não funciona para o transporte, só para passear. E por mais que sejamos simpáticos ao projeto, isso é fato.
Ausências
Foi sentida a falta da Secretaria de Transportes e da CET. Os responsáveis pela mobilidade na cidade não participaram da discussão sobre o uso da bicicleta como meio de transporte.
Nova Marginal
Ao serem questionados se na obra de ampliação da Marginal Tietê haveria uma ciclovia, como manda a lei, o secretário do Verde e do Meio Ambiente do município, Eduardo Jorge, respondeu que haverá ciclovia no parque linear, que vai apenas até a “fronteira” da cidade. Confrontado com a exigência legal e a demanda por ciclovia também na Marginal Tietê, o secretário alegou que essa é “outra discussão” e mudou de assunto.
Sim, é outra discussão. Uma discussão que não houve. E a assessoria de imprensa (ou de imagem, sabe-se lá) justifica a ausência de ciclovia dizendo via Twitter que “por segurança” ela será láááá no parque linear. Claro, assim quando eu precisar ir pro trabalho eu vou até o Parque Linear e de lá eu tomo um táxi.
Ora, se não há segurança para uma via SEGREGADA é porque o projeto está errado, muito errado! Como pode não haver segurança nem para uma via separada do fluxo de veículos? Não faz o menor sentido! Segurança é item básico. Ciclovia, a lei municipal 14.266, em seu art. 11, manda ter. Não há justificativa.
Os erros da Nova Marginal continuam injustificáveis e, pelo que parece, inquestionáveis.
No dia em que fizemos o reconhecimento da pista da futura ciclovia da Marginal Pinheiros, documentei parte do percurso em vídeo, com diversos comentários. Assista abaixo:
A idéia dessa ciclovia não é nova. Veja matéria da Renata Falzoni, de 2006, em que se propunha pistas de ciclovia em ambas as margens, como parte do projeto de um parque ao longo do rio Pinheiros:
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Acontece hoje, dia 05 de outubro, às 14h30, uma audiência pública sobre a Ciclovia da Marginal Pinheiros. O objetivo é ouvir sugestões dos ciclistas para a obra.
A reunião é aberta e será no Palácio dos Bandeirantes – Av. Morumbi, 4500, na Sala de Imprensa (2º andar). Os ciclistas que forem à reunião poderão entrar pelo Portão 2, na própria Avenida Morumbi, e estacionar ao lado da estufa.
O horário é complicado pra mim e infelizmente não poderei estar lá, mas sei que as idéias que defendo estarão muito bem representadas por vários outros cicloativistas que compartilham da mesma visão.
Se puder, apareça por lá e ajude a mostrar que a mobilidade por bicicleta interessa a muita gente em São Paulo. A presença de ciclistas nessa reunião é muito importante. Vai ter um pessoal saindo da Praça do Ciclista (Paulista com Consolação) às 13h. De bike, é claro.
Sugestões
Embora eu não possa comparecer, ficam aqui minhas sugestões:
Veja também os comentários do André Pasqualini, no CicloBr.
E o mais importante
Mais do que uma ciclovia que atende a um trajeto específico, o que a gente precisa é começar a se movimentar para acabar com essa idéia generalizada de que a solução pra bicicleta é só ciclovia e ciclofaixa. Senão acontece o que já está acontecendo: tem ciclista comentando sobre motorista que manda sair da rua e grita que é só de domingo, mesmo onde não é trajeto da ciclofaixa de lazer. Eu mesmo já escutei “vai pra ciclovia” em lugar que nem ciclovia tem.
Ciclovia é bom para proteger o ciclista do tráfego rápido, mas tem um efeito colateral bem perigoso que é a disseminação do conceito errôneo de que que lugar de bicicleta é só em ciclovia, resultando em motoristas que ameaçam a vida de ciclistas achando ainda que têm razão. Esse sim é o maior perigo para o ciclista nas ruas, maior até que os motoristas que cometem excesso de velocidade, porque um motorista mal informado e ignorante desses coloca em risco a vida de um ciclista só para provar que está com a razão (e nem mesmo está). Isso só se combate com campanhas de esclarecimento e sinalização em vias principais (como a Paulista por exemplo), indicando a presença de bicicletas em meio ao tráfego. Mas disso, ninguém fala.
Veja algumas pequenas ações que fariam muita diferença para a segurança do ciclista nas ruas.
O marketing verde dos carros elétricos diz que eles não poluem. Emissão zero de CO2 durante o uso. Abracadabra! Não se preocupe mais com o efeito estufa! Estamos salvos da poluição? Aproveitando o gancho do comentário de um leitor do blog, o Neto de Curitiba, resolvi escrever um pouco sobre o assunto.
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A poluição causada na fabricação
Não vou entrar em detalhes sobre a poluição gerada na fabricação de um carro elétrico, até porque não pesquisei o assunto. Que ela existe, é óbvio, mas não é o objetivo desse texto, vim falar sobre a poluição causada pelo uso do carro elétrico. Talvez aborde a poluição causada pela fabricação no futuro, mas não agora.
A fabricação de uma bicicleta também causa poluição, como a fabricação de quase tudo. De qualquer forma, me parece claro que o impacto ambiental causado para fabricar UMA bicicleta é muito menor que o impacto causado pra fabricar UM automóvel, seja elétrico ou a combustão.
Poluição indireta
Ok, durante o uso de um carro 100% elétrico não há emissão de gases. Exalta-se essa não emissão como indicação de ausência de impacto no aquecimento global. E há mesmo vantagens no uso da eletricidade para mover veículos, pois um automóvel (ou moto, caminhão, ônibus, etc.) emite outros gases além do CO2, como os óxidos nitrosos, e também material particulado (fuligem).
Mas, infelizmente, há poluição na geração da energia elétrica que abastece o carro dito verde. Acompanhe as explicações abaixo.
Termoelétricas
No exterior, onde os carros elétricos têm gerado frisson em feiras de automóvel, a energia que os alimenta é gerada, em grande parte, por usinas termoelétricas. Uma usina dessas, alimentada por combustíveis fósseis (como diesel ou gás), polui a atmosfera com óxidos de enxofre (SOx), óxidos de nitrogênio (NOx), dióxido de carbono (CO2), metano, monóxido de carbono (CO) e materiais particulados. Praticamente a mesma poluição acusada por um automóvel movido a combustão.
As emissões de uma termoelétrica são um pouco menores se ela for alimentada com gás natural, mas ainda assim o processo é bastante poluente. Carvão vegetal como combustível emite pouco enxofre e nitrogênio, mas muito monóxido de carbono, metano e compostos orgânicos voláteis. E ainda há resíduos líquidos e sólidos resultantes da queima do combustível, seja ele qual for.
Veja aqui mais informações sobre a poluição causada por usinas termoelétricas.
Usinas nucleares
As usinas nucleares, vendidas por alguns setores específicos da sociedade como fonte de energia limpa, geram um resíduo perigosíssimo, o lixo nuclear. E a usina pode até não gerar tanta poluição em sua operação normal, mas o risco de acidentes é grande e, quando eles ocorrem, os resultados são catastróficos, tanto para o meio ambiente quanto para as pessoas.
Além de risco de acidentes durante a operação, ainda há possibilidade de contaminação em caso de armazenamento inadequado do resíduo radioativo. E esse lixo precisa ser armazenado por décadas, aumentando muito a possibilidade de algum acidente acontecer com ele em algum momento.
Segundo o Greenpeace, hoje no Brasil o resíduo radioativo ainda é armazenado “provisoriamente” nas próprias usinas. E a entidade também afirma que as usinas nucleares também contribuem para aumentar o efeito estufa.
Hidrelétricas
Pelo menos as hidrelétricas não poluem, certo? Quisera fosse assim: infelizmente elas também poluem. E há casos de hidrelétricas que poluem até mais que uma termoelétrica!
Isso ocorre principalmente (mas não só) porque é preciso alagar uma área grande para construir a barragem. Nessa área há sempre bastante vegetação, geralmente uma floresta. Essa vegetação, submersa e apodrecendo, produz muito metano e CO2, por causa da decomposição do material orgânico por bactérias anaeróbias. No Brasil, as emissões das hidrelétricas representam cerca de 20% da poluição total relacionada ao aquecimento global, pois o metano é mais nocivo à atmosfera que o CO2.
Então energia elétrica também polui?
Indiretamente sim. Não há emissão de poluentes durante seu uso, mas há em sua geração. Não é à toa que os ambientalistas preocupados com o efeito estufa recomendam economizar energia elétrica, tirando até os aparelhos da tomada em nossas casas quando não estiverem em uso.
Quer dizer que andar de metrô ou trem elétrico não adianta nada?
Claro que adianta! E principalmente por uma questão matemática: a energia utilizada para alimentar um trem está transportando muita gente, geralmente algumas centenas de pessoas. Se cada uma dessas pessoas ligasse um carro elétrico na tomada para carregar, haveria um consumo muito maior de eletricidade, demandando maior produção para atender à demanda.
É a mesma lógica pela qual pode se dizer que o uso de ônibus, mesmo a diesel, polui muito menos que o uso de carros a combustão: se cada passageiro do ônibus deixar de utilizá-lo para usar um carro, a poluição total gerada por eles será bem maior.
E tem mais!
O uso do carro polui mais do que apenas o ar. Há outros tipos de poluição como a causada pelo óleo que cai no asfalto e é levado para os rios. Quem dirige não percebe, mas quem pedala vê bem as manchas de óleo pela rua, que aparecem mais em dias molhados, quando ficam multicoloridas e bastante escorregadias.
Repare em quanto óleo fica no chão de uma avenida. Veja as manchas, passe o dedo no asfalto. Você vai ter uma idéia de quanto óleo vai parar nos rios a cada chuva. E você já deve ter ouvido falar em como uma pequena quantidade de óleo contamina muita água. Os carros elétricos também precisam de lubrificantes.
Bicicleta também tem lubrificante? Tem, claro. Mas quanto de lubrificante uma bicicleta solta no asfalto, por pior que seja sua situação?
Além dos lubrificantes há outros poluentes, usados em quantidade insuficiente para que percebamos seu impacto, mas multiplicando por milhões de automóveis esses usos podem ser preocupantes. Um “pretinho” no pneu, lavar o motor com querosene (espero que não façam isso num carro elétrico), um aditivo no líquido que molha o para-brisa, a cera usada no lava rápido ou aplicada em casa. São derivados de petróleo que aos poucos vão escorrendo para os rios com a chuva.
A melhor maneira de não poluir com o uso do carro continua sendo não usar o carro
Não existe “carro ecológico”. Não existe carro sem impacto ambiental, mesmo descartando-se sua fabricação. A não ser que inventem uma matriz energética não poluente, mas por enquanto isso ainda é ficção científica.
Atualizado em 02/10/09: O Vitor, do Quintal, me lembrou que não é tão ficção científica assim. Eu tinha me esquecido da energia solar e da eólica. Infelizmente ainda correspondem a uma parcela muito pequena da energia elétrica disponível para consumo.
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