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No ano passado, às beiras da eleição, a Prefeitura de São Paulo divulgou uma medida para melhorar o trânsito: o rodízio de caminhões. Na época, escrevi um texto explicando por que o rodízio não adiantaria nada, mas os números divulgados pela própria Prefeitura falam por mim: de um ano para cá, a velocidade média dos carros caiu 16,6%.
Quando escrevi sobre o rodízio de caminhões, concluí dizendo que logo encontrariam outro culpado da vez. Tá aí: o culpado da vez são os ônibus fretados.
Boa parte dos usuários de ônibus fretado são pessoas que têm carro ou que possuem recursos para tê-lo, mas que preferem não se estressar nos congestionamentos, ou usam essa alternativa para economizar dinheiro. E, ao contrário do que possa parecer a quem não conhece o serviço, nem todo mundo mora fora da cidade: muita gente opta pelo fretado para não utilizar ônibus e metrô lotados. Há várias linhas que saem da Zona Leste da cidade para ir à Zona Sul, por exemplo.
Essas pessoas não passarão para o transporte público. Alguém que pega o fretado perto de casa e desce perto do trabalho não vai trocar essa opção por ônibus + metrô, muito menos fretado + trem + ônibus. Com as novas regras, muita gente vai tirar o carro da garagem ou dar entrada em um. Quem vai querer trocar uma hora de fretado por duas de ônibus, metrô, baldeações, se além de levar mais tempo, ainda vai gastar mais?
O que “atrapalha” mais? 1.300 ônibus ou 24.000 carros?
O presidente da Associação de Passageiros e Executivos de Itaquera, Sisinio de Oliveira Leão, disse que 72% dos usuários migrarão para o carro. Exageros à parte, se das 48 mil pessoas que utilizam os fretados, metade passar a usar o carro, teremos 24 mil carros a mais nas ruas. O efeito será oposto. Mas como o número se dilui em meio a tantos outros, será perdida a relação de causa e efeito.
Apesar do cálculo ser simples e claro, o prefeito Gilberto Kassab não acredita que a medida possa aumentar a circulação de carros. Não é o que pensa a poulação. O Estadão está com uma enquete no ar, perguntando se você concorda com a proibição aos fretados: veja o resultado atual e vote.
Até os pedestres são penalizados pelo excesso de carros, como se fosse também por sua culpa a lentidão do fluxo de veículos. Se esse raciocínio absurdo continuar, logo vão querer tirar até as bicicletas das ruas, alegando que são elas que atrapalham o fluxo dos carros…
Saiba mais
Leia o ótimo post do site Apocalipse Motorizado sobre esse assunto.



Oi Willian, tudo bom?
Acho que você já conhece um pouco da minha opinião sobre carros/onibus/bikes/etc… Sem radicaalismos, acho que os fretados, do jeito que são hoje, são muiiiito nocivos para o trânsito da cidade. Eu queria muito acompanhar um itinerário inteiro de algum desses ônibus para flagrar todas as barbaridades que eles aprontam no trânsito. Quem passa ali pela Faria Lima na hora da saída do trabalho, por volta das 17h, 18h, consegue ver enormes filas de fretados, fretados parando em fila dupla, fretado parando no meio de avenidas sem dar sinal…
No caminho da minha casa até o iG, eu sempre cruzo com vários fretados, principalmente ali na saída do tunel da Juscelino. Quase bati o carro duas vezes porque um ônibus parou “do nada” no meio da rua para um, apenas um, passageiro descer. Eu acho que esse sistema de “pegar na porta de casa / deixar na porta do trabalho” acaba atrapalhando muito o trânsito, porque os ônibus param em locais que não foram projetados para esse tipo de coisa e acabam refletindo em todo o sistema viário das regiões da Paulista, Faria Lima, e etc…
Mas, sem entrar no mérito de 1 fretado = x carros, acho que esse tipo de serviço não deveria ser proibido por completo. Acho que deveria ser regularizado, com motoristas treinados profissionalmente, empresas com seguro (tem muita empresa ilegal) e, principalmente, a criação de “bolsões” de estacionamento para esses veículos, com algumas áreas restritas.
Um exemplo: se o fretado vai pra região da Paulista, ele complica todo o trânsito das alamedas da região, até porque ali as ruas são estreitas para o tráfego de ônibus. Então os ônibus seria proibidos de entrar naquela região e teriam que deixar seus passageiros em algum “bolsao” de estacionamento em uma área próxima (perto de metro, ou algo parecido)…
Bom, essa questão é complexa. Não sei os fretados são tão benéficos para o trânsito como tem sido divulgado por aí. Talvez se houvesse uma maior regulamentação das empresas que fazem o serviço, o sistema poderia funcionar melhor… Esse assunto rende!
abraço!