Arquivo de julho, 2009
31/07/2009 - 19:52
Um colunista de automobilismo do iG publicou hoje um texto onde critica o que chama de demonização do automóvel. Preocupado com as montadoras, o status, o glamour, a “alegria” e o efeito nas corridas, diz que a publicação de jornais e revistas tem mais impacto ambiental que a produção de carros e diz que as pessoas gostam cada vez menos dos carros e os consideram cada vez mais um mal necessário. De tudo que ele disse, só concordo com essa última parte.
Na cidade de São Paulo, 90% da poluição é causada pelos carros, dados da CETESB. Os paulistanos vivem em média dois anos a menos por causa dessa poluição, causada em 90% pelos automóveis, segundo matéria da Folha de alguns anos atrás, quando a quantidade de automóveis era menor. A cada dia morrem nessa cidade 20 pessoas em decorrência dessa mesma poluição, segundo o laboratório de poluição atmosférica da USP.
E o problema não é só a poluição. O congestionamento é o mais óbvio: há dois anos, 220km eram o recorde, esse ano já quase batemos os 300. Os espaços públicos são cada vez mais tomados pelo automóvel, sendo a última boa notícia a ampliação da Marginal Tietê – que, por sinal, aumentará a demanda de uso do automóvel, aumentando ainda mais o congestionamento pornográfico que existe nessa cidade. Congestionamento esse que causa problemas diretos de saúde com a poluição (e fechar a janela e ligar o ar condicionado não adianta, porque mesmo filtrando o material particulado ainda penetram gases como o dióxido de nitrogênio) e com acidentes (quatro mortos por dia em são paulo – sendo um deles um pedestre, que não tem nada a ver com carros ou motos – e 30 mil mortes no Brasil ao ano só nas estradas), indiretos (stress e ansiedade), econômicos (com trabalhadores que poderiam estar produzindo, vendendo, prestando serviços em vez de estar ali, com negócios que deixam de ser fechados, com reuniões adiadas, produtos não entregues, etc.) e sociais (pessoas que passam menos tempo com a família, convivem menos com os amigos, vêem menos os vizinhos, importam-se menos com as pessoas). E devo ter me esquecido de muita coisa.
O transporte coletivo por aqui tem perdido cada vez mais espaço para o uso individual: as antigas faixas exclusivas de ônibus agora são “preferenciais”, em horários específicos e dividindo espaço com táxis; os ônibus fretados, que substituíam muitos carros individuais, foram proibidos em boa parte da cidade e muita gente já desistiu para ajudar a entupir as ruas com os carros.
O espaço público também é cada vez mais perdido para o tráfego e estacionamento de carros: praças hoje são cortadas por avenidas (exemplo emblemático é a “Praça” Panamericana, que nada mais é que uma rotatória gigante); atravessar duas quadras da Paulista leva mais tempo que fazer um retorno de carro, principalmente se o pedestre precisa cruzar a avenida; andar a pé passou a ser perigoso a cada rua que se precisa atravessar, tanto que as pessoas literalmente brigam por uma vaga *em frente* ao lugar onde precisam ir, para não terem que andar 100 metros; a área construída de muitos estabelecimentos comerciais, principalmente shoppings, costumam ter mais espaço para carros do que para pessoas; calçadas estreitas, que mal permitem a passagem de uma pessoa por vez, poderiam ser ampliadas, tomando o espaço de estacionamento, se não fosse mais importante a via asfaltada que o calçamento; calçadas “em degrau”, para facilitar a entrada de carros em garagens, impedem a passagem de cadeirantes em qualquer ladeira da cidade; as crianças tem de ficar confinadas aos muros do condomínio, ao ônibus escolar, ao carro dos pais e ao shopping center, fazendo um passeio no jardim zoológico ser uma experiência de agorafobia, tendo que tomar cuidado até mesmo ao andar na calçada, porque nunca se sabe quando um carro pode emergir rapidamente de uma saída de garagem; faixas de pedestres se tornaram meramente decorativas – exceto em semáforos, onde funcionam como linha de largada.
E ainda temos as consequências sociais: o ritual de passagem para a vida adulta deixou de ser as mudanças no corpo e na voz para passar a ser a carteira de habilitação; dirigir bem passou a ser dirigir rápido e com agilidade; ter sucesso na vida passou a ser ter um carro bom e não ser feliz ou ter sua própria casa, mesmo que esse carro seja financiado em quatrilhões de vezes e tenha três parcelas em atraso; a informação sobre ter um carro consta em fichas de emprego; ir de ônibus a uma festa é inadmissível; chique é a noiva chegar em carro bom, mesmo que o resto do ano ela ande a pé; trocar de carro é a meta de médio prazo de quem acabou de comprar um carro novo; manter o mesmo carro por muito tempo é sinal de estagnação; ter um carro bom é ser confiável e respeitado.
Os carros são ruins? Não! Claro que não. O carro tem sim sua utilidade e é uma ótima invenção, principalmente se você precisa transportar coisas ou pessoas. O problema é a idolatria ao carro, o excesso de veículos, a sociedade do automóvel, o marketing automobilístico bombardeando incessantemente que o “seu sonho” é um automóvel, o incentivo governamental à compra e ao uso do carro (e da moto), em vez de priorizar transporte de massa (trens, ônibus, metrô).
E a poluição causada pelo uso massificado dos automóveis é uma desgraça do mundo moderno, sim. Não tem como negar. Não adianta tentar maquiar a discussão, que é relevante e importantíssima, como uma simples picuinha.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia .
Tags: imprensa viciada, o custo real dos carros, poluição
24/07/2009 - 18:28
Na parte das Dicas para o Ciclista Urbano onde falo sobre como sobreviver ao trânsito, o leitor Fernando Niglio comentou sobre o uso da buzina, sugerindo que eu o acrescentasse às dicas. Como lhe expliquei em resposta ao comentário, não sou muito a favor de buzina por alguns motivos, que explico aqui com maior detalhamento:
- Uma buzina fraca, do tipo trim-trim por exemplo, só é útil para alertar pedestres, já que o barulho dos carros, as janelas fechadas e os rádios ligados (e às vezes celulares) ocultam seu som dos motoristas. Mas como eu sempre dou preferência para pedestre que está atravessando a rua e sempre ando na mão correta (e um dos motivos é para que eles me vejam quando forem atravessar), acabo não precisando. E, se precisar, falar “bikê!” ou “ooô!” em voz alta resolve. Os únicos lugares onde ela se justificaria são em locais de tráfego compartilhado entre bicicletas e pedestres, como dentro de parques e, em São Paulo, na ciclovia da Radial Leste por exemplo.
- Uma buzina forte, dessas de ar comprimido, assustam o motorista, que pensa que tem um caminhão em cima dele. Quando percebe que é “só” uma bicicleta, fica P da vida e pode até retaliar em vez de respeitar, que era o objetivo original da buzinada. E se você der uma buzinada dessas para um pedestre, ele vai se assustar mais ainda, porque vai achar que entrou na frente de um caminhão. Não dá certo.
- Em uma situação de emergência, suas mãos devem estar bem firmes no guidão e geralmente freando. Mesmo que você só precise esticar o dedo para buzinar, isso vai afetar a maneira como você se segura no guidão, se equilibra e freia, o que pode ser bastante perigoso nesse momento de risco. A buzina só serviria para xingar depois, o que só escala o conflito e pode trazer consequências piores, ou para pedir passagem de uma forma, convenhamos, arrogante. Um grito de “me dá uma licencinha aí, amigo?” traz muito mais resultado.
Em situação de emergência, melhor abusar do grito mesmo, que surte efeito e ainda faz o motorista sentir vergonha, porque ele percebe que quase passou em cima de uma PESSOA e não simplesmente de um obstáculo-que-buzina.
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A buzina é interessante como forma de interação simpática com outros usuários da via, principalmente a trim-trim. Aí sim. Por exemplo, para agradecer um motorista que te deu passagem (apesar de dificilmente ele ouvir), para cumprimentar outro ciclista, etc. Ou para alertar um pedestre numa área de tráfego compartilhado, como comentei no primeiro item. Mas para garantir a segurança do ciclista em meio aos carros, ela não ajuda em nada. |
Concorda? Discorda? Quero saber o que você pensa, dê sua opinião nos comentários.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): - mais dicas -
Tags: dicas, peças e acessórios
23/07/2009 - 13:30
É incrível como ainda tem bastante gente que acredita, de verdade, que essa ampliação da Marginal Tietê vai mesmo melhorar o trânsito. Pode haver uma melhora imediata em pontos próximos à Marginal, por haver mais espaço para acomodar os carros parados ou a 20 km/h. Mas rapidamente esse espaço será retomado pelo aumento no número de veículos nessa via, seja pelo crescimento contínuo e acelerado da frota paulistana, seja pela opção que os motoristas farão pelo uso das novas pistas em vez de circular por vias adjacentes – como aconteceu com a Ponte Estaiada logo no primeiro dia útil após a inauguração.
Há carros demais circulando e a cada dia somam-se a eles cerca de mil novos veículos. Pra melhorar o trânsito, só com menos carros nas ruas. E para que isso seja possível, só investindo em formas alternativas de locomoção: trens, metrô, bicicletas, ônibus de linha e ônibus fretados.
Ampliar as avenidas, fazer novas pontes e túneis e aumentar o espaço destinado aos carros de forma geral só incentiva seu uso. O efeito é contrário ao esperado e os congestionamentos aumentam em progressão geométrica. Basta ver os jornais alardeando a cada pouco que houve novo recorde de congestionamento: há dois anos, 220 km era o “recorde do ano”; recentemente, chegamos quase aos 300.
Isso tem acontecido há décadas mas pouca gente percebe, por dois motivos principais. Primeiramente, por ser um crescimento exponencial, os congestionamentos foram aparecendo devagar e as obras para abrir mais espaço foram conseguindo manter um nível aceitável por muito tempo. Mas o crescimento agora é tão rápido e o espaço tão exíguo, que não há mais como adiar o problema criando mais vias.
O segundo e mais preocupante motivo é porque o uso carro está enraizado em nossa cultura. Nascemos em famílias que aspiravam ter um carro ou, se o tinham, sempre quiseram trocá-lo por outro melhor, algumas chegando ao absurdo de trocar de carro todo ano. O carro passou a fazer parte da vida e das aspirações das pessoas, que tiveram seus sonhos construídos por marketing e ambiente familiar ao longo da infância, de modo que o ritual de passagem para a vida adulta passou a ser a conquista da carteira de habilitação.
É por isso que, quando alguém diz precisamos quebrar a dependência do automóvel com formas de transporte alternativos, ocorrem tantas reações viscerais. À maioria das pessoas pode parecer realmente um absurdo, mas é preciso reflexão.
E nem é preciso estudar a fundo o assunto. Basta fazer um exercício de imaginação para pensar em como será a cidade daqui dez anos, se continuarmos no mesmo caminho, valorizando o direito de cada um de ter um carro e a circular com ele quando bem entender, todos saindo com eles nas ruas ao mesmo tempo e nos mesmos horários, com o limite de espaço físico que a cidade tem. E não precisa nem levar em conta o crescimento populacional, nem pensar na qualidade do ar, nos acidentes de trânsito, na perda de espaços públicos de convivência como os parques para avenidas e viadutos: pense apenas nos congestionamentos.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . São Paulo parada .
Tags: carro rei, vista grossa
22/07/2009 - 19:15
Blumenau (SC) já tem ciclovias e ciclofaixas, mas elas não são interligadas. Existe um plano, que já está sendo colocado em prática, para interligar essas vias até o ano que vem, perfazendo um total de 145km. A Secretaria de Planejamento Urbano e a Seterb (Serviço Autônomo Municipal de Trânsito e Transportes de Blumenau) afirmam que essa é uma das medidas fundamentais para estimular o uso de meios de transporte alternativos e diminuir o número de carros nas ruas. E a Seterb vai além: reconhece a bicicleta como um dos mais seguros meios de transporte individual.
Turma do contra
Entretanto, sempre vai haver gente de visão estreita, com aquela velha opinião formada sobre tudo, achando que a bicicleta na rua atrapalha o trânsito. Os comerciantes reclamam, só conseguindo enxergar clientes que usam o carro. Além de reclamar da falta de estacionamento para os carros, ou seja, de não poderem usar a via pública para que seus clientes estacionem, alegam não haver necessidade de ciclofaixa porque passam poucos ciclistas na rua, sem perceber que é necessário ter infraestrutura para gerar demanda.
Estou certo de que se esses comerciantes colocassem uma cadeirinha na porta da loja para ver quantas pessoas passam de bicicleta ao longo do dia, perderiam o argumento. Ciclistas costumam ser invisíveis para quem está habituado a só prestar atenção nos carros.
Sinceramente, a posição dos comerciantes não me surpreende já que, pela visão enraizada de que gente com dinheiro é gente com carro, costumam reclamar até de ampliação de calçadas, sem enxergar que isso trará mais pessoas passando devagar em frente a suas vitrines (quando a reforma termina, as críticas somem). O que me surpreendeu foi a reação visceral do colunista de um jornal da cidade, Carlos Tonet.
Miopia
Tonet chama a ciclofaixa de “aberração urbana”, comete a bizarrice de dizer que a presença de ciclofaixas aumenta a poluição e até sugere, sabe-se lá se em tom de brincadeira, que se “raspe” a ciclofaixa dali. A lógica bisonha do jornalista é a de que ao utilizar para a ciclofaixa o espaço que seria dos carros, eles ficam mais tempo circulando, aumentando assim a poluição.
Para ele, a utilização dos carros é inevitável, portanto deve-se dar mais e mais espaço a eles, em detrimento dos demais usuários da via. Não percebe que quanto mais alternativas forem fornecidas ao uso de veículos motorizados de transporte individual, menos carros e motos poluirão o ar e ocuparão a rua. Ele até tenta fazer algum elogio ao uso dos ônibus, provavelmente tentando ser politicamente correto, mas nem passa por sua cabeça diminuir o espaço dedicado hoje aos carros para ampliar o espaço dado aos ônibus.
Ciclovia/ciclofaixa atrapalha os ônibus, que por sua vez atrapalham os carros. Ou seja: ônibus é legal, mas atrapalha os carros; ciclovia não serve pra nada e atrapalha os carros. Então tá!
Respostas às críticas
Diversos cicloativistas e entidades manifestaram publicamente seu desagrado com a falta de visão e a grosseria do jornalista. Estas duas páginas mostram algumas dessas respostas.
Reprise
Pensamento parecido tem Rob Anderson, um morador de San Francisco que acredita que o incentivo ao uso da bicicleta aumenta a poluição. Anderson frequentou audiências públicas sobre o plano de expansão das ciclovias da cidade, para expor seu ponto de vista e tentar barrar o projeto, mas foi ignorado.
Então, argumentando que não havia provas de que o aumento da infraestrutura para bicicletas diminui o uso do carro, Rob Anderson abriu uma ação contra a prefeitura de Los Angeles San Francisco exigindo um relatório de impacto ambiental. Um juiz o levou a sério e impediu que as obras continuassem.
Mas isso foi em 2008. De lá para cá, sua ofensiva demonstrou ter efeito contrário. A Agência Municipal de Transportes (MTA, na sigla em inglês), fez bem seu trabalho de casa. As implementações cicloviárias, que anteriormente seriam aprovadas uma a uma, foram agrupadas em um “pacote”. A MTA realizou estudos, convocou especialistas em planejamento cicloviário, em tráfego, fez audiências públicas e encontros com a comunidade e os comerciantes e até adaptou o projeto em alguns pontos de discórdia.
Agora o que se tem em San Francisco é um projeto amplo, ainda mais adequado que o original, com embasamento técnico e aprovação popular. Esse projeto deve ser implementado em breve.
Há Carlos Tonets que vem para o bem.
Nem tudo está perdido
Apesar de sempre haver jornalistas publicando bobagens baseadas em achismos, há sempre outros que apresentam uma visão mais coerente sobre o assunto, como Fabricio Cardoso. Vale a leitura.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte .
Tags: carro rei, ciclofaixa, ciclovia, desrespeito ao ciclista, imprensa viciada, lá fora, poluição
16/07/2009 - 00:35
Eu estava sem paralamas já fazia algum tempo, porque o par anterior quebrou. Todo os dias eu prendo a bicicleta pela roda da frente (e pelo quadro) ao estacionar na empresa. Ao passar o cabo de aço pela roda, ele acabava entortando um pouco o paralama. Com o tempo, o suporte dele quebrou. Voltei na loja e fizeram pra mim um novo suporte, reforçado, mas não teve jeito. Quebrou de novo.
Além disso, coloquei um bagageiro na bicicleta, o que aliás foi ótimo (preciso voltar a escrever dicas por aqui e aproveitar para falar sobre isso também). Como o paralama traseiro era preso no canote do selim, tive que retirá-lo.
Para quem usa a bicicleta todos os dias como meio de transporte, o paralama faz a maior falta. E nem precisa estar chovendo, basta a rua estar molhada como ontem de manhã. Os pneus jogam para cima a água que está no asfalto e essa água fica cheia de “cocô de carro”: óleo, fuligem, etc. A camiseta fica com uma faixa escura no meio e pode até ficar manchada. E a roda da frente da bicicleta joga essa água suja bem no seu rosto…
O que consegui
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| Minha bike, com os paralamas novos. Atenção: esse NÃO é um jeito seguro de prender a bicicleta. Como ela fica dentro do estacionamento da empresa, não preciso trancar “de verdade”. A maneira correta de trancar merece outro artigo, que estou para escrever faz tempo. Prometo tomar coragem… |
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Já fazia algum tempo que eu procurava um novo paralama. Precisava ser algum modelo que pudesse ser preso por baixo do bagageiro e, de preferência, que não fosse quebrar rapidamente com o uso do cabo de aço na roda dianteira. Cheguei a ver um modelo retrátil, que eu só abriria quando fosse realmente precisar. Bonitinho, interessante, mas salgado: cerca de cem reais!
Terça de manhã, saindo da dentista e indo para a empresa, resolvi passar numa loja onde eu ainda não havia passado para procurar um paralama que me servisse. Precisava ser algum modelo que pudesse ser preso por baixo do bagageiro e, de preferência, que não fosse quebrar logo com o uso do cabo de aço.
Havia na loja um paralama relativamente barato (R$35), que era de prender no canote. Mas o lojista conseguiu inverter o suporte para prendê-lo no seat tube (onde se encaixa o canote), de modo que ele passasse por baixo do bagageiro – exatamente o que eu precisava. E a peça dianteira do paralama é bem mais alta na parte da frente que na de trás. Assim, eu posso prender o cabo de aço na roda dianteira, como faço todos os dias, sem que ele entorte o paralama para o lado, enfraquecendo o suporte por fadiga de material.
E consegui o paralama bem a tempo, porque o dia seguinte amanheceu com garoa e chão molhado. E a garoa não lava o asfalto, só “empapa” a sujeira que está nele.
O paralama ideal
O paralama que eu instalei é “esportivo”. Ele fica um pouco longe do pneu para poder ser usado numa trilha com lama, que poderia travar a roda caso o paralama ficasse muito rente. Para uso na cidade, o paralama mais eficiente é sem dúvida o da foto ao lado. Ele fica rente ao pneu e apara toda a água. Até onde sei, ele é preso no eixo e – me corrijam os especialistas – não dá certo instalar em bicicletas com blocagem (ou quick-release). A não ser que, na hora de retirar a roda para trocar uma câmara, você desmonte a blocagem, o que dá trabalho e oferece risco de perder uma mola ou outra peça pequena… Deve haver também a possibilidade de prender esse tipo de paralama no quadro, mas precisa haver furação (no quadro) para isso. As bicicletas pseudo-esportivas que são vendidas por aqui dificilmente terão essa furação.
E poucas bicicletas nacionais vêm com esse tipo de paralama, já que os fabricantes brasileiros optaram, há mais de uma década, por produzir bicicletas que fingem ser modelos esportivos, empurrando para o consumidor a idéia de que bicicleta é algo “radical” (sim, ela pode ser, mas também pode ser um meio de transporte). Digo que “fingem” ser esportivas porque se você levar uma bicicleta dessas mais baratas para uma trilha pesada, mesmo aquelas que exibem uma suspensão traseira, periga voltar sem ela e sem alguns dentes.
Nas bicicletas brasileiras, esse tipo de paralama só é encontrado em modelos mais “populares”, como a Barra Forte e a Poti, por exemplo. E essas bicicletas, por serem modelos bem básicos, são bastante pesadas, seus componentes não têm boa qualidade e não possuem marchas. São boas para usar em cidades litorâneas e ruins para usar no resto do país, como nas cidades de São Paulo e Belo Horizonte, por exemplo.
A única bicicleta de boa qualidade produzida aqui, que eu tenho notícia, que vem com paralamas adequados ao uso na cidade é o modelo City Tour da Caloi. Mesmo assim ainda lhe faltam alguns acessórios que fariam dela uma bicicleta ideal para uso na cidade. A bicicleta ideal para uso urbano é a do tipo chamado por alguns de “holandesa”. Falarei sobre isso em um próximo artigo.
Ah, quase me esqueço: alguns modelos de bicicletas dobráveis da Dahon (fabricadas lá fora mas vendidas aqui) têm esse tipo de paralamas também!
Dúvidas? Críticas? Correções? Comente.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): - mais dicas -
Tags: dicas, peças e acessórios
15/07/2009 - 00:52
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Bicicletas do serviço UseBike,
em São Paulo. Foto: Divulgação |
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Depois de São Paulo, Rio de Janeiro e recentemente Brasília (nesta, exclusivamente dentro da UnB, em uma iniciativa isolada do poder público), parece que está chegando a vez de Sorocaba. A Prefeitura da cidade está investindo em um estudo sobre a implantação das chamadas “bicicletas públicas”.
A idéia é aproveitar a rede cicloviária já existente na cidade para oferecer uma alternativa sustentável de locomoção ao cidadão. E o melhor é que a Prefeitura percebeu que incentivar o uso da bicicleta é uma das maneiras de aliviar o trânsito, dizendo que “a longo prazo espera-se melhorias no tráfego local”. Afinal, como bem sabe quem acompanha de perto esse assunto, as bicicletas podem representar muitos carros a menos.
Segundo a Urbes – Trânsito e Transportes, além de indicar a quantidade e localização ideais dos pontos de entrega e retirada, o estudo apontará os passos a serem seguidos para implantar o serviço, como por exemplo um “reforço na educação de trânsito para convivência de motoristas e ciclistas”. Bonita a frase, hein?
Será que vão fazer campanhas educativas junto aos motoristas por respeito à bicicleta na via? Só acredito vendo, mas digamos que estou otimista. Sorocaba tem surpreendido na questão da mobilidade por bicicleta.
Floripa
O leitor Fabiano Faga, do site Bicicleta na Rua, informa em comentário neste blog que Florianópolis também pode ter serviço semelhante em breve. A ilha e a porção continental da cidade já sofrem há anos com o excesso de carros. E o incentivo ao uso da bicicleta por lá é mais do que bem vindo: é necessário. A ilha precisa ser preservada e protegida da presença cada vez maior do automóvel, que traz mais asfalto, mais poluição, mais absurdos e menos verde por onde passa.
Boas novas sobre Florianópolis sempre me deixam feliz. É uma cidade onde morei por alguns meses e que levarei sempre na memória e no coração, não só pelas paisagens mas pelos amigos que fiz por lá.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte .
Tags: mais bicicletas, outra política
14/07/2009 - 02:04
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No Restaurante Lilló, na Vila Mariana, cobram dos clientes para estacionar os carros sobre a calçada.
Foto de 03/09/2008. |
Semana passada eu estava voltando para casa aqui em São Paulo (de bike, claro), quando vejo na R. Borges Lagoa, entre a Av. Ibirapuera e a Ascendino Reis, um carro atravessado na calçada, cobrindo-a totalmente. O pior é que naquela região há vários hospitais, incluindo um da AACD, ou seja: muitos pedestres com deficiência de mobilidade. Absurdo. Sem noção total.
Um pouco adiante, sobre a ponte que fica entre as duas pistas da Ascendino Reis (sobre a Rubem Berta), havia um caminhão da CET, desses que rebocam quem estaciona em local proibido. “Oba”.
Subi até lá. Havia dois agentes ali, um dentro do caminhão e outro do lado de fora, falando no rádio. Esperei esse terminar a conversa e dei um boa noite com um sorriso. A partir daí seguiu-se uma conversa interessante, que resumo abaixo. O agente da CET (porque chamar de marronzinho é sacanagem) era bastante simpático e solícito, entendeu bem o que eu quis dizer e foi bastante receptivo.
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- Boa noite, tudo bom?
- Boa noite!
- Olha, ali embaixo, tá vendo ali, atrás daquele poste? Tem um carro estacionado de atravessado na calçada, pegando ela toda. E o pior de tudo é que sempre passa gente em cadeira de rodas por ali.
- Ah, to vendo. Já vou descer lá. Valeu! (não entendi se ele ia lá só dar uma multa ou levar o carro embora, mas pareceu decidido a fazer alguma coisa)
- Aproveitando, deixa eu te falar mais uma coisa… Tá vendo aquele restaurante ali, o Lilló? Se você passar por aqui umas 20h30, 21h, vai ver sempre um monte de carros de clientes que eles estacionam na calçada na maior cara de pau.
- Ah, eu já multei bastante ali, já até levei carro embora. E acho que a gente tem que fazer isso mesmo, porque por mais que o dono do carro não seja culpado, pelo menos ele nunca mais volta no restaurante, que é isso que um restaurante que faz isso merece.
- É verdade. E o pior é que eles cobram mais de dez paus pra parar o carro da pessoa em cima da calçada.
- Pois é, maior sacanagem. Mas sabe o que você faz quando ver isso? Dá uma ligadinha no 1188 que a gente vem na hora e pega.
- Eu costumo cadastrar no site do SAC da Prefeitura, que tem um formulário pra preencher sobre isso…
- Lá é legal você cadastrar pra ficar histórico, aí eles agendam uma ação e tal… Mas se ligar no 1188 resolve na hora, porque eles passam pelo rádio e a gente tem meia hora pra atender a ocorrência.
- É que eu desanimei de fazer isso porque uma vez tinha um caminhão atravessado no canteiro central da Sumaré, cobrindo a ciclovia e as duas calçadas, eu liguei no 156 na época e me disseram que não podiam fazer nada. Depois disso eu não liguei mais.
- Agora mudou, antes era uma central da prefeitura, aí era um pouco mais burocrático, caía num atendimento centralizado. Agora é direto com a gente e eles passam por rádio, por celular, e a gente tem meia hora pra atender. Aqui nessa região da Vila Mariana, pelo menos, funciona bem.
- Ah, bom saber disso. Na próxima vez que eu vir, vou ligar então.
- Liga sim!
- Beleza, valeu! Boa noite e parabéns pelo trabalho!
- Obrigado, eu que agradeço a ajuda aí quando puder! |
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Não, o diálogo acima NÃO é uma obra de ficção. É o tipo de coisa que me faz pensar que a política carrocrata da companhia não representa necessariamente a opinião dos agentes. Pelo menos de alguns, como esse com quem conversei nesse dia.
Vamos fazer o seguinte? Quando virmos um carro estacionado sobre a calçada, principalmente em porta de restaurante (como esse Lilló, que faz isso há anos impunemente), a gente liga pra CET, no telefone 1188. Combinado?
Peço que quem fizer isso conte aqui, em um comentário nesse post, o resultado. Funcionou? Não veio ninguém? Os manobristas tiraram os carros rapidinho quando chegou a CET e ficou por isso mesmo? Ou você se sentiu realizado ao ver um caminhão levando um carro em cima? Conte pra nós.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . São Paulo parada .
Tags: ações, desrespeito ao pedestre, mude o mundo
08/07/2009 - 17:26
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| Foto: Isabela Lyrio/UnB Agência (Divulgação) |
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Na Universidade de Brasília, como em muitas universidades do país, as distâncias que os alunos precisam percorrer para ir de um prédio a outro podem ser bem grandes. Andar chega a ser cansativo, além de consumir tempo que nem sempre o aluno tem. Os ônibus costumam demorar a passar. Como Brasília não é exatamente uma cidade amiga das bicicletas, ainda são poucos os que a utilizam para ir ao campus, podendo aproveitá-la para os deslocamentos internos.
Pensando nisso – e inspirados nas bicicletas brancas do Provos e em outras experiências com bicicletas públicas pelo mundo – foi criado em 2007 o Projeto Bicicleta Livre, que vem agora colher seus frutos na forma de dezoito bicicletas amarelas espalhadas em três pontos da universidade, disponíveis para empréstimo gratuito a estudantes, professores e funcionários.
O projeto recebe doações de bicicletas que não estão sendo utilizadas e dá a elas um novo uso. Cinquenta delas já foram recebidas e estão sendo consertadas e pintadas para serem disponibilizadas. Não é preciso cadastro, retenção de documento, caução, nada disso: basta sentar na bicicleta e pedalar até o destino. Pede-se apenas que, ao fim do dia, as bicicletas sejam devolvidas ao local de onde foram retiradas (três pontos dentro da universidade: ICC Norte, ICC Sul e Faculdade de Educação Física).
O projeto também aceita voluntários para ajudar a reformar e dar manutenção nas bicicletas. Se você quer ajudar mas não entende bulhufas de mecânica de bicicleta, não tem problema: eles ensinam. Você ajuda a disponibilizar mais bicicletas e ainda aprende a consertá-las. E se você é aluno da UnB, pode ganhar créditos de extensão e até uma bolsa participando do projeto.
Se você é de Brasília e tem uma bicicleta encostada que possa ser doada para o projeto Bicicleta Livre, entre em contato com o grupo.
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O grande objetivo é incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte. Usando dentro do campus, as pessoas vão perceber que elas podem ser utilizadas fora desse espaço também. |
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Yuriê Baptista César, coordenador do Bicicleta Livre,
em artigo no site da UnB |
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Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte .
Tags: ações, mais bicicletas
07/07/2009 - 14:18
Segundo estimativa da Anfavea, a associação das montadoras de veículos, a redução de IPI causou a venda adicional de 250 a 300 mil carros no primeiro semestre desse ano. As vendas totais foram 3% maiores que o mesmo período do ano passado e 2009 será o melhor ano da história para a indústria automobilística.
Agora chega, né? Já é hora de percebermos que tem algo de muito errado nessa dependência que o país tem das montadoras de veículos. Vende-se a idéia de que se as montadoras forem mal, o país vai mal. Isso é verdade até a página 3.
É certo que, quanto maiores as vendas, mais gente tem emprego. Mas quanto maiores as vendas, mais carros nas ruas também. Mais poluição no ar, mais mortes em acidentes de trânsito e em rodovias. O custo do automóvel para a sociedade é muito mais alto do que pode parecer. Até que ponto vale vendermos nosso presente e futuro com a justificativa de manter empregos (mesmo sem garantias disso)?
Você seria a favor de desmatar toda a Amazônia e vender a madeira? Ora, seriam criados milhares de empregos e o país encheria os cofres… Mas não dá, né? Descontadas as devidas proporções, estimular a venda de carros recai em um problema semelhante.

Trabalhando para as montadoras, o governo arma uma arapuca para si mesmo. O aumento do número de automóveis faz aumentar a demanda e a pressão popular por pontes, estradas, viadutos. O aumento da infraestrutura aumenta mais ainda a demanda, formando um ciclo. Progresso? Sim, talvez. Progresso sustentável? Nem de longe!
Se o país investisse mais em ferrovias e hidrovias do que em rodovias, não teríamos tantas mortes nas estradas. Não teríamos tantos caminhões, que acabam sendo culpados pelos congestionamentos nas cidades por onde precisam trafegar.
Se os municípios inevstissem mais em transporte público do que em alargamentos de avenidas e em pontes, teríamos menos congestionamentos e mais qualidade de vida.
E quem trabalha na indústria automobilística, e os empregos indiretos nas fábricas de peças e outros setores ligados ao automóvel? Desemprego em massa? Fome, guerra, morte? Se jogarem uma bomba em cada montadora e elas sumirem do dia para a noite, sim, mas é óbvio que a quebra dessa dependência deve ser gradual. Só que ela precisa começar!
Um primeiro passo seria desenvolver políticas públicas de reciclagem profissional, para que o torneiro mecânico que trabalha com isso há décadas seja capaz de trabalhar em outra área, talvez até com um rendimento maior. Junte a isso a transferência dos incentivos fiscais e financiamentos, hoje dados habitual e continuamente às montadoras, para outros setores de atividade econômica.
Por que não se incentiva a indústria têxtil, que tem perdido tanto espaço para os produtos chineses? Ou a de calçados? Transfiram os benefícios para a agricultura e a indústria alimentícia básica, para produzirmos aqui e vendermos lá fora… Transfiram os trabalhadores de setor, com treinamento e ensino adequados, para que possam ter uma vida melhor do que a que têm hoje.
Nosso atual presidente sabe muito bem como os trabalhadores com pouca especialização foram tratados ao longo de décadas e o quanto foi difícil conseguir que conseguissem direitos básicos e um mínimo de dignidade. Se eles tivessem opção de trabalhar em outro setor, teriam se mudado e pronto, as montadoras que se virassem para reconquistá-los.
O Brasil não tem que trabalhar para as indústrias do automóvel e do petróleo, levando de carona as empreiteiras que participam de obras viárias milionárias. Quanto dinheiro o país gasta, direta e indiretamente, com essa dependência absurda? Mesmo sem sabermos o valor – e ele passa facilmente da casa dos bilhões – podemos deduzir que dá para se mudar o país com essa mudança de foco.
Só é preciso começar. E um bom começo seria fechar a torneira.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia .
Tags: o custo real dos carros, vista grossa
07/07/2009 - 11:06
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Cortesia da banda larga 3G da Oi.
Logo mais eu posto o que colocaria no ar ontem. |
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): Sem categoria
Tags: Blog
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