A cidade e as pessoas
As cidades já foram mais humanas. As pessoas se cumprimentavam na rua, mesmo as que não se conheciam. Havia gentileza. Olho no olho, espaços para as pessoas, praças, parques, árvores, aves, flores e sorrisos. Então veio o carro, com tudo de bom e de ruim que ele representa. Árvores foram derrubadas, rios foram sepultados e as praças e os caminhos foram cobertos por asfalto, o chão escuro e estéril que sinaliza o território reservado para as máquinas e proibido para as pessoas. As que se fecharam dentro do metal e dos vidros escuros começaram a ver as demais – em outras latas vedadas ou mesmo a pé atravessando a rua – como simples obstáculos em seu caminho, atrapalhando seu trajeto.
Não são mais as pessoas que foram um dia. As que estão dentro das bolhas querem chegar depressa a todo custo, maldizendo os obstáculos vivos que lhe cruzarem o caminho. As que circulam livres, têm que cruzar o território estéril sem que as primeiras as vejam, já que aumentam sua velocidade para assustá-las, rugem motores, mugem buzinas, gritam com a borracha no chão preto: “saia da frente! o território negro não é para você!”
As crianças não podem mais brincar nas ruas, não sabem mais o que é ir de bicicleta até a casa dos amigos, não sabem pular corda e não saem para tomar um sorvete sozinhas. Os novos donos da cidade, vestidos de metal, vidro e fumando combustível, não as permitem.
Esses mesmos novos donos da cidade também têm sua prole, mas poucos percebem a liberdade que foi tomada de seus filhos para que eles próprios tenham seu luxo e conforto. Isolam as crianças em espaços delimitados, sendo levadas de um espaço a outro dentro dos monstros de metal que vivem no território negro. Fora deles, a criança não pode cruzar essas novas terras.
As cidades foram feitas para as pessoas. Os carros vieram depois e deformaram os espaços urbanos. Olhe da janela agora e veja quanto espaço há para a circulação das pessoas e quanto dele está reservado para os automóveis. Se a cidade é feita para a circulação motorizada, a tendência das pessoas será inevitavelmente essa. O resultado é o que conhecemos como hora do rush (das 8 da manhã às 10 da noite).
Em vez de perceber no que nossa cidade se tornou e contribuir para um lugar melhor para nós e nossos filhos, optando por trocar o carro por opções alternativas sempre que possível, a maioria das pessoas pensa apenas em comprar um carro mais confortável e se isolar dos problemas. Ligar o ar condicionado, fechar os vidros e aumentar o som. Ignorar o que está do lado de fora, fazer de conta que não está lá. Em outras palavras: fugir. Que bela solução.
Se você cansou de sua cidade, faça o possível para torná-la melhor. Um momento em que seu carro te deixa na mão, por exemplo, pode ser uma oportunidade para ver a cidade de outro ângulo, em vez da viciada experiência de se trancar em um ambiente climatizado e se isolar do mundo e das pessoas até chegar a outro local de confinamento. Aliás, foi exatamente o que aconteceu comigo: em um dia que meu carro quebrou, resolvi usar a bicicleta para ir ao trabalho e vi que não era tão complicado quanto parecia. Foi aí que tudo começou a mudar. A cidade mudou para mim, e eu mudei para a cidade e para os que estão à minha volta.
Nao podemos viver confinados em bolhas de metal. As ruas são suas também. Saia a pé, sinta o sol, olhe para o céu. Há quanto tempo você não repara nos formatos das nuvens, no som dos pássaros e nas plantas que insistem em nascer em qualquer buraquinho da calçada, resistindo à petrificação da cidade?
Viva a vida, seja livre!
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia . Tags: carro rei, mude o mundo
Eu fiz a minha parte Willy: comprei uma EcoSport.
Calma, calma, é só brincadeira…
Olá, Esta semana fiquei sabendo sobre um evento que acontecerá na data do aniversário de São Paulo chamado de Bike Tour, que visa divulgar e incentivar o uso da bicicleta e a “vontade de viver de forma mais saudável, combinando o prazer de um vulgar passeio com a prática de um exercício físico” como descrito no site do evento (http://biketour.sapo.pt/index.php).
Fico animado com este tipo de projeto e com um evento que promove meios de transporte alternativos e uma busca por uma vida mais saudável. Sou ciclista e utilizo a bicicleta tanto como meio de locomoção, para ir de casa ao trabalho, quanto como forma de lazer, porém me preocupa muito a forma em que o evento divulga e promove a bicicleta numa cidade tão perigosa como São Paulo.
Fiquei sabendo que todos os 5.000 participantes receberão um KIT contendo uma bicicleta, uma mochila e um capacete.
Gostaria de saber se as bicicletas vem equipadas com, campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo, como mandam as leis do Código Nacional de Trânsito. Gostaria de saber também, se os participantes além dos KITs, receberão também algum informativo educacional referente aos direitos e deveres do ciclista no trânsito.
Acho importante divulgar a bicicleta em eventos e campanhas que atinjam o maior número de pessoas possíveis, mas me interessa e me preocupa muito também saber que tipo de ciclistas estamos colocando nas ruas!
Hoje sabemos da ignorância dos motoristas que nem sempre tratam os ciclistas como deveriam ser tratados, mas sempre temos que lembrar que além de direitos, temos deveres, e não gostaria de ver 5.000 kamikazes de duas rodas armados de bicicletas irregulares e sem a devida educação se arriscando pelas escuras e cruéis ruas de são Paulo. É importante que os organizadores tenham consciência de que apesar do objetivo do evento seja promover uma vida mais prazerosa e saudável, podem também estar colocando em risco a vida dessas pessoas, queimando a imagem de ciclistas responsáveis e alimentando ainda mais a fúria de motoristas desrespeitosos.
Gostaria de saber a opinião de vocês.
Abraço,
Adriano
Clap, Clap, Clap!
Sem mais!
Abs
[...] isso não é algo que “acontece, fazer o quê”, que a Bicicletada luta. Para termos uma cidade mais humana, com mais amor e menos motor. Enviado por: Willian Cruz – Categoria: . A Bicicleta em São [...]
[...] as ruas sem uma armadura de uma tonelada se tornou, cada vez mais, uma aventura perigosa. As cidades deixaram de ser das pessoas e passaram a ser dos [...]
[...] > A cidade e as pessoas http://blig.ig.com.br/freeride/2009/01/09/a-cidade-e-as-pessoas/ [...]