O evento da Renault foi importante para as pessoas carentes
A respeito do evento da Renault, que a prefeitura pagou, já citado neste blog, cabe publicar a justificativa dada pelo secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, a quem eu nutria algum respeito. Ao ser questionado pela Folha de São Paulo sobre a reforma da pista paga pela prefeitura, Feldman justificou com dois argumentos.
O secretário afirmou que a pista já seria mesmo recapeada, pois a recuperação dessa avenida fazia parte do programa de recuperação de vias da prefeitura. Só foi antecipada. Ah, tá… Vou fazer de conta que eu acredito.
Mas o que me tocou profundamente foi seu outro argumento: “nesse evento, pessoas carentes vão poder ficar a dois metros da mágica dos carros de Fórmula 1″. Nossa, que gesto nobre. É disso mesmo que a população carente precisa: ver um carro de Formula 1 de perto.
Depois de ler isso, me comovi. Ele deve ser um cara legal! Vou até começar a chamá-lo de Walter. Bem, o Walter disse para a Folha que o evento faz parte de uma política de “deselitização” de esportes. Ele quer “deselitizar” Fórmula 1, tênis, golfe e rúgbi, entre outros.
Olha, eu entendo se disserem que deselitizar o tênis é um incentivo ao esporte: as “pessoas carentes” com quem o Walter se preocupa podem começar a jogar tênis, só precisam de treinamento, uma raquete e uma quadra. Também até entendo, com um pouco mais de esforço, o incentivo a prática do golfe, porque as pessoas carentes vão precisar de tacos, treinamento e um campo – que já não é tão simples de conseguir, por isso preciso de um pouco mais de esforço para aceitar, mas aceito.
Mas o que o Walter conseguiu de bom para as “pessoas carentes” com quem ele se preocupou quando resolveu pagar R$ 435 mil nesse evento, com o dinheiro da cidade? Ele incentivou o esporte? Tá certo… Afinal, tudo que as pessoas carentes precisam pra iniciar no automobilismo é um macacão, um capacete e… um carro de Fórmula 1! Será que eu acho algum lá na feira do rolo?
Na minha humilde opinião de cidadão, a secretaria de esportes tem que incentivar a prática de esportes, não a divulgação. Ainda mais a divulgação de um esporte milionário como a Formula 1, onde os patrocinadores não são bem a padaria da esquina ou a mercearia do Seu José.
O Walter chamou o evento bancado pela prefeitura de “parceria”. Nessa parceria, a cidade entra com a reforma e os custos de interdição da via. A Renault entra com o piloto e o carro. A cidade ganha uma avenida recapeada (que não precisava) e a Renault ganha MUITO em imagem de marca e na divulgação que foi feita do produto Clio.
Bela parceria. Que empresa não gostaria de uma parceria dessas? A prefeitura interdita uma rua, recapeia uma pista e a empresa “parceira” divulga seus produtos de graça! Que beleza!
Acho que o pessoal da Renault também chama ele de Walter. Devem achar ele um cara muito gente fina. Parceirão!
Vale a pena ler na matéria da Folha a opinião do diretor do Núcleo de Pesquisas de Políticas Públicas da USP, José Álvaro Moisés.
Ah, em tempo: o Walter disse que as críticas ao evento são “elitistas, de quem sempre teve acesso a qualquer coisa na hora em que bem quer”. Ou seja, quem está reclamando é porque não pensa nas pessoas carentes! Seus egoístas! Não dividem nada com os pobres não? Querem a mágica da Fórmula 1 só pra vocês? (A minha parte eu to doando…)
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia . Tags: carro rei, desrespeito às leis, imprensa viciada, marketing sem limites, vista grossa
Não seja mal-humorado, Willian… a mensagem é clara: conseguindo o capacete e o carro, é só usar as ruas de sampa para sentir a “mágica da Fórmula 1″. Aproveito e sugiro que ele tire os radares das ruas, também. Impossível sentir a mágica a meros 60km por hora, convenhamos!
O argumento do Walter é daqueles que a gente diz: “era melhor ter ficado quieto”. Será que o Polo também está na lista de esportes a serem “deseletizados”. Afinal, basta uns cavalinhos, tacos e bolinhas. Pergunta pro Doda Onassis, que ele vai dizer que é bem barato deselitizar o Polo.
Postei umas fotos de sábado à tarde, mostrando as calçadas acessíveis da Renault e o freak show montado para que a montador pudesse fazer propaganda (cidade limpa?) às custas do meu, do seu, do nosso dinheiro: http://luddista.multiply.com/photos/album/55/55
abraços e parabéns,
Willian… não me importo em chamar a atenção para as pessoas carentes. Mas não existir o evento pq como país de terceiro mundo existe local melhor para aplicar o dinheiro… puts se pensarmos assim nunca teremos evento novo nenhum, pois sempre nos faltará algo pq alguéns estão recheando o bolso com dinheiro publico.
O jetski pilotado pelo prefeito na virada esportiva foi outra dessas maravilhas das políticas públicas na área esportiva.
Reponsável por traumas e mortes todos os finais de semana, essas máquinas acabaram com o “barulho do mar” e amedrontam banhistas (especialmente crianças) em todo o litoral brasileiro.
O prefeito e seu secretário deram um bom incentivo ao esporte ao pilotar motos para água sem qualquer habilitação e ao pagar para os velozes e furiosos fazerem sua propaganda na “Cidade Limpa”.
É, tem que dezelitizar o rúgby e fazer ciclofaixas, assim eu posso ir de bike para o treino, não preciso atravessar a marginal inteira até a USP
Em Lisboa, houve um evento semelhante e o patrocinador do evento – a Renault – pagou ao munícipio 20.000, o que foi considerado pela opinião pública sensibilizada pelas questões de cidadania como muito pouco tendo em conta a publicidade que tiveram com este evento que parou a principal avenida de Lisboa durante um fim de semana inteiro.
Se aí ainda saiu dos bolsos dos contribuintes…. pior ainda!!!
Gostei dos narizes de palhaço na intervenção que você fez na fotografia. É exatamente assim que as pessoas que têm o mínimo de senso crítico enxerga estes cidadãos desesperados por um autógrafo de piloto de carro.
Com ceiteza meu fi essas pessôa pricisa de apoio, pra financiá as campanha milionária que nóis num sabe nem de onde vem o dinheiro! Pode sê dessas coisa, êita mundo compricado…
Isso prova que na politica tudo é uma questao de interesse e não de falta de recurso. Com esse quase meio milhão de reais a prefeitura poderia ter pintado quilometros de ciclo faixas, poderia ter feito quilometros de ciclovias, ter comprado milhares de bicicletas coletivas e ter feito muita coisa em prol de um transporte de fato popular, limpo e saudável. Sem transito e sem violencia. Infelizmente o que prevalece é a cultura do automóvel.
Estamos esperando uma nova “deselitização” do Feldman,será a degustação do caviar na Praça da Sé, e tudo regado com os vinhos mais envelhecidos.è uma chance do povo provar essas iguarias…
Agora é só substituir o caviar pelo F1 e temos o raciocínio do Walter Feldman.
O dinheiro gasto no evento provavelmente daría para “demarcar” com estudos de tráfego uma ciclovia.
Feldman enganou alguns por algum tempo, mas agora ele mostra-se inteiro(para os ciclistas).
Apertar botãozinho pro motor do carro correr não é esporte!
[...] o que diz uma campanha da Renault (a mesma que ganhou do Walter Feldman um evento de primeira pra divulgar sua [...]
[...] que a Renault fez no ano passado, com um carro de Fórmula 1 em via pública. Mas dessa parte a CET se esquece. Afinal, é muito mais justo cobrar ciclistas que participam de uma manifestação em prol da [...]