Arquivo de abril, 2006
26/04/2006 - 20:38
As bicicletas têm sido cada vez mais utilizadas como meio de transporte urbano nas grandes cidades do mundo todo. E nesse contexto, uma bicicleta dobrável tem como principal vantagem a possibilidade de poder ser guardada debaixo de sua mesa no trabalho, sem você se preocupar com lugar para estacioná-la ou se ela ainda estará lá quando você voltar. Com uma bicicleta portátil, você pode voltar de carona se começar a chover, carregá-la no ônibus ou até trancá-la em um armário para pegar no dia seguinte.
Há vários modelos de dobráveis, embora apenas um deles esteja disponível a nós por venda direta – e mesmo assim a um custo bem alto. No geral elas são todas caras para nosso padrão latino-americano, mesmo descontando o custo e os impostos de importação. A mais barata parece ser a Genius.
Listo abaixo as dobráveis que eu tenho conhecimento. Colaborações e correções são, como sempre, muito bem vindas.
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Dahon: Dentre todas, a única que tenho conhecimento de ser vendida em lojas aqui do Brasil. Em São Paulo, quem vende é a Track & Field. Se não me engano essa loja vende apenas o modelo mais simples, mas há vários modelos, inclusive bicicletas de estrada e de trilha, como essa aro 26 que tem freio a disco Avid e suspensão Manitou, mais parecida com as mountain-bikes tradicionais. |
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| Genius: O fabricante, a Mobiky, diz que essa bicicleta de três marchas dobra em três segundos e desdobra em apenas dois. É ver para crer… Tem design moderno e está disponível em várias cores. |
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Puma UM: a Urban and Mobile da Puma, além de dobrável, tem um sistema de tranca com um cabo de aço que se for cortado inutiliza a bicicleta, só podendo ser reparada em uma oficina autorizada (assim diz o site). E claro, eles vendem um tênis modernoso pra usar com a bicicleta… Mas ele até que tem uma funcionalidade interessante: um elástico para prender a barra da calça faz parte do calçado e serve para evitar que ela seja mordida e estragada pela coroa. |
Airnimal: Também com modelos para a cidade, a estrada e a trilha, essa bicicleta tem um design mais tradicional, chegando a até 27 marchas. A página do modelo Chameleon diz que em 30 segundos você a dobra o suficiente para colocar em um carro ou trem; em 3 minutos é possível dobrá-la a ponto de guardar em uma mala, para embarcar em um avião; e com 15 minutos de paciência é possível colocá-la dentro de uma mochila. Diz o site que essa bicicleta já ganhou uma medalha no campeonato mundial de triathlo, além de ter participado do Tour e do Paris Brest… |
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iXi: Essa bicicleta não tem corrente e sim uma correia dentada, o que dispensa o uso de graxa e óleo na transmissão. Dá pra pedalar com aquela calça clara social que não pode sujar de graxa (só não vale passar em poça d”água…). Dentro do quadro dessa bicicleta tem ferramentas, “kit remendo” e capa de chuva. Um dos modelos não é apenas dobrável, como também desmonta, “quebrando” a bicicleta em duas partes. Ela tem 4 marchas em um câmbio Shimano, e é cheia de pequenos truques e detalhes de conforto e design. |
Strida: Eu acho essa bicicleta muito feia, parece bicicleta de circo ou coisa feita em casa, mas ela cumpre a função. Pesa apenas 10kg e, como a iXi, também funciona com correia dentada para não sujar a roupa com graxa.
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Brompton: Essa bicicleta é a folding bike preferida de um amigo meu que morou em Londres, pois além de ser dobrável, portátil, leve e etc., tem suspensão traseira, o que a torna mais confortável. O modelo M-Type tem um desenho clássico, com paralamas de metal muito úteis para dias de chão molhado. |
Veja aqui um texto que eu escrevi sobre esse assunto alguns meses atrás, quando a revista Superinteressante publicou uma página falando sobre bicicletas urbanas.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte .
Tags: lá fora
24/04/2006 - 17:28
Modalidades do Mountain Bike
Resolvi colaborar mais um pouco com a Wikipedia e escrevi lá uma relação das modalidades que podem ser consideradas Mountain Bike. Embora haja controvérsias se BMX e Trial devam ser consideradas Mountain Bike, coloquei na lista também. Reproduzo essa lista aqui:
* Cross-country ou XC: É a prova disputada em um circuito fechado, em que os competidores devem completar um certo número de voltas para terminar a prova. Em algumas competições internacionais essa modalidade é chamada de XCO (Cross-Country Olímpico), tendo que obedecer alguns parâmetros técnicos como comprimento da pista e quantidade de voltas. É geralmente em trilha fechada, mas pode ter trechos de estrada de terra também e em alguns casos chega a ter trechos curtos de asfalto. Um exemplo dessa prova é o Campeonato Interestadual de Mountain Bike.
* Trip Trail ou Maratona: É o tipo de prova em que o percurso é longo e leva de um ponto a outro, que pode ser ou não o mesmo do início da prova. Sendo no mesmo ponto, você só dá uma volta. Tem o nome Trip Trail porque é praticamente uma viagem por trilhas e estradas de terra. Quando o percurso é bem longo, pode ser chamado também de Maratona e chega a levar dois ou até três dias. Exemplos nacionais de provas dessa modalidade são o Iron Biker, o Big Biker e o MTB Trip Trail Ecomotion. Esse tipo de prova pode compor uma das modalidades de um rally, sendo as outras com veículos automotores – como é o caso do Cerapió. Outras vezes, uma prova de Trip Trail compõe um dos trechos de uma Corrida de Aventura, como por exemplo o Ecomotion Pro. As trilhas feitas por por lazer pelos entusiastas do Mountain Bike costumam ter a característica de um trip trail.
* Downhill ou DH: No downhill, o ciclista passa por um percurso em descida, com no máximo algumas poucas retas, precisando passar por terreno bastante irregular, natural ou artificial, com jumps (pontos de salto), gaps (vãos a serem transpostos com ou sem ajuda de rampa) e drops (grandes degraus onde o ciclista se deixa “cair” para transpor), enfrentando situações de bastante risco. Nesse tipo de prova costuma-se usar um capacete full-face (capacete fechado que protege o queixo, parecido com o de motociclismo), joelheira com caneleira e muitas vezes colete e cotoveleira. Os ciclistas descem um a um, com tomada de tempo individual. Um exemplo é o Campeonato Brasileiro de Downhill, organizado pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC). Outra competição muito conhecida é o Downhill Urbano de Santos, onde os competidores descem as escadarias do Monte Serrat. Uma variação do Downhill, o Freeride, é utilizado como forma de lazer, tendo como principal diferença a utilização de terrenos variados, em vez de apenas descidas. Como conseqüência, a bicicleta de Freeride apresenta algumas variações em relação ao Downhill, como por exemplo o uso de mais de uma coroa (na relação de marchas dianteira). Os passeios de Freeride dentro das cidades são chamados comumente de Urban Assault e usam obstáculos urbanos, freqüentemente escadarias, além de obstáculos construídos de forma fixa ou obstáculos removíveis que são montados na hora e levados embora depois. Downhill, Freeride e 4X são considerados por seus praticantes como “o lado extremo do ciclismo”.
* 4X: O 4X é uma modalidade que possui obstáculos derivados do BMX em um terreno inclinado, tendo largada com gate no estilo BMX, onde quatro competidores descem simultaneamente. Deriva do Dual Slalom – uma modalidade em que desciam dois competidores por vez e que era mais parecida com o Downhill – e do BMX. O Dual Slalom caiu em desuso com a introdução do 4X. Os pilotos de 4X costumam vir tanto do BMX como do Downhill. É uma modalidade de ciclismo que tem caído nas graças da TV aberta, tendo eventuais transmissões pela Rede Globo.
* Trial – Nessa modalidade, o percurso consiste de obstáculos diversos para serem transpostos pelos competidores, que podem ser compostos de cavaletes, troncos, pedras, latões, muros e até carros. As bicicletas costumam ter quadros pequenos, reforçados, freios hidráulicos, protetor debaixo da coroa e pneus mais vazios, principalmente o traseiro, que além de mais vazio não tem câmara, é mais largo e composto de uma borracha bem mole, para aumentar o grip. Os competidores começam com determinada pontuação e perdem pontos a cada vez que tocam o chão com algum dos pés.
* BMX: O nome deriva de Bicycle Motocross, pois as primeiras bicicletas imitavam essas motos. As provas são disputadas em circuito com várias voltas e obstáculos como jumps e curvas de parede, geralmente por competidores muito jovens, com bicicletas menores, de aro 20″. Há outras modalidades relacionadas ao BMX, como por exemplo Vertical e Freestyle.
Comentários e correções são bem vindos.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): Sem categoria
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18/04/2006 - 21:17
SUVs são os “Sport” Utility Veicules, carros maiores que o normal. São mais largos, mais altos, poluem mais (alguns usam diesel), ocupam mais espaço e impõe “respeito” através da força bruta. A propaganda os vende como carros que “enfrentam qualquer desafio”, mostrando como “desafios” ruas desertas, estradas vazias, riachos e capim. Boa parte desses veículos nunca entra nem ao menos em uma estrada de terra, tampouco transporta peso ou quantidade de pessoas que um carro pequeno não transportaria.
Na inglaterra, a Associação de Professores e Mestres luta contra o uso de automóveis 4×4 para levar as crianças à escola, alegando que “podem matar ou ferir gravemente duas ou quatro vezes mais do que os carros comuns”. O motorista não tem visão de uma criança pequena na frente do carro e uma colisão atinge diretamente o tórax ou a cabeça dessa criança.
A Associação dos Fabricantes e Comerciantes de Motores diz que muitos dos medos que cercam os 4×4 e SUVs são infundados e baseados em “estereótipos que não ajudam em nada e estatísticas inexatas”. Diz ainda que “a segurança dos ocupantes e pedestres é da maior prioridade para os fabricantes de automóveis” e que a indústria “está fazendo os investimentos e melhorias necessários no design dos veículos”.
Em janeiro, um grupo de ativistas preocupados com o meio ambiente fez uma manifestação em Londres, também contra os pais que usam SUVs e 4×4 para levar os filhos á escola. Fantasiados de meninas e professoras, paravam os motoristas e acusavam-nos de usar os carros para se mostrar para os outros, entregando boletins com nota E em “esforço”.
Um porta voz desse grupo, a Aliança Contra os 4×4 Urbanos, disse que os pais que usam esses veículos para levar as crianças à escola são “extremamente irresponsáveis” e que os veículos são “totalmente inadequados para as cidades, congestionando ruas, ameaçando a segurança das crianças e aumentando a poluição”.
A Associação dos Fabricantes e Comerciantes se justificou dessa vez dizendo que:
- Esses carros se tornaram populares porque são “úteis e flexíveis”. Ele se contradirá logo a seguir, quando descreve outros motivos para as pessoas gostarem desses carros.
- “A performance ambiental de um 4×4 médio não é pior que a de um grande sedan ou um veículo de transporte de passageiros”. Nossa, que consolo. Tem gente que polui mais que eu, então eu ainda posso poluir bastante. Troque “poluir” por alguma outra ação desprezível e veja se o argumento faz sentido.
- “Em muitos casos a segurança desses veículos é melhor que a de muitos outros veículos na rua”. Note a utilização exagerada da palavra “muitos”. A frase é totalmente vaga e não explica ou justifica nada. Muitos casos, alguns casos, muitos outros, alguns outros, sabe-se lá…
- “As pessoas acham mais seguro o estilo elevado de dirigir, elas vêem mais a rua, se sentem mais no controle e em muitos casos dirigem com mais responsabilidade”. Concordo, as pessoas acham mais seguro, se sentem no controle… Só não concordo com a parte da frase que vem depois do “muitos” e novamente se tornou vaga. “Em muitos casos…” Muitos quanto? 1% pode ser muito em valor absoluto se o universo estatístico for grande.
Pelo menos aqui em São Paulo, as pessoas compram SUVs porque se sentem mais seguras contra assaltos (quando na verdade chamam mais atenção), se sentem mais seguras contra acidentes (sendo que além de terem maior chance de capotamento, ainda vão causar mais destruição e dor nos outros em uma batida), status (sou melhor que você porque tenho mais dinheiro) e “respeito” (saia da minha frente ou eu te empurro com esse quebra-mato).
Veja mais
- Multas simuladas que os ativistas da Aliança Contra os 4×4 Urbanos colocam nos parabrisas dos SUVs que encontram estacionados nas ruas inglesas.
- Estudo explicando por que os capotamentos de SUVs são mais comuns que os de carros convencionais.
- Artigo do Centro de Segurança do Tráfego, da Universidade de Berkeley, sobre a segurança dos SUVs.
- Site da campanha Preconceito 4×4, onde você pode encontrar pérolas de sabedoria, como uma tabela que confunde poluição com consumo de combustível, a afirmação de que carros elétricos também são poluidores porque há poluição para carregar suas baterias ou a justificativa de que poluir, ocupar espaço e matar pedestres não é exclusividade de veículos 4×4, com comparações selecionadas com outros veículos de estatísticas ruins.
(Depois de ver esse último link, eu vou ter que tratar da minha úlcera…)
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia .
Tags: marketing sem limites, menos carros, o custo real dos carros, poluição
17/04/2006 - 23:55
Bicicletada na Wikipedia
Andei dando um trato nos tópicos Massa Crítica e Bicicletada da Wikipedia em português. A definição de Massa Crítica está precisando de ajuda de quem se dispuser a traduzir; em um segundo momento, podemos adaptar ou complementar o texto original. Quem puder colaborar será bem aceito.
A Wikipedia é algo em que, sinceramente, eu não acreditava quando surgiu, talvez pela minha forte tendência em pensar que tudo que é anárquico ou auto-regulamentado é bonito na teoria mas não funciona na prática. Devido a esse meu preconceito, achava que ela era só uma teoria acadêmica fadada a um rápido esquecimento. Felizmente eu estava enganado.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): Sem categoria
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11/04/2006 - 20:08
Arthur Simões já começou sua viagem de volta ao mundo de bicicleta. Viajará por cerca de 30 países e passará por mais de 1000 cidades. As informações coletadas na viagem serão repassadas a escolas em forma de fotos, relatos, mapas, entrevistas, etc., com interação entre os estudantes e o ciclista viajante. Também levará às escolas do caminho informações sobre o Brasil, nossa cultura e história e sobre a viagem, em forma de palestras aos alunos locais. Há mais no projeto, essa página explica melhor.
E os primeiros relatos já estão no ar! Vale a pena ler, no mínimo porque relatos de cicloviagens sempre são interessantes. Veja um resumo aqui e um relato mais detalhado no Diário de Estrada. Para saber mais sobre o projeto, visite o site.
O Pedal na Estrada está sendo patrocinado por Bristol-Myers Squibb, com o apoio das empresas Dennova, Base64 e Fuji Bikes. É tão difícil ciclista conseguir patrocínio, que quando uma empresa se presta a fazê-lo a gente tem mais é que divulgar!
E por falar em relatos de cicloturismo, se você gostar de ler os relatos do Arthur vai gostar muito de ler estes dois livros, ambos excelentes:
- Avenida das Américas, de Carlos André Ferreira, narrando sua viagem dos EUA até o Brasil, passando por vários países da América Latina (veja resenha)
- No Guidão da Liberdade, de Antonio Olinto, sobre uma volta ao mundo de bicicleta que durou 4 anos.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é viajar .
Tags: cicloturismo
07/04/2006 - 15:16

Fantástico! Maravilhoso! Um bicicletário subterrâneo, coberto e seguro!
O melhor de tudo do Biceberg é que:
- É seguro. Você só tira a bike de lá com o cartão e o código.
- Tem um aproveitamenteo de espaço fantástico na guarda das bicicletas. No espaço subterrâneo onde caberiam 4 carros, cabem até NOVENTA E DUAS bicicletas!
- Não depende necessariamente da iniciativa pública. Um clube, escola ou estacionamento pode instalar esse treco e ganhar dinheiro com ele.
- Se encaixa perfeitamente na ótica capitalista do “tá, e o que eu ganho com isso”. Afinal, o shopping, empresa, faculdade, prédio comercial, parque e etc. que optar por utilizá-lo terá retorno em dinheiro, como em um estacionamento de veículos motorizados. Com a vantagem de precisar de um investimento de espaço MUITO menor: imagina o custo de construir um estacionamento coberto para 96 carros…
Vejam o relato desse colega galego: “Com a aplicação do sistema, tem sido observado um incremento substancial no número de usuários [de bicicleta], incremento no perfil social e etário dos usuários [gente com mais poder aquisitivo e com mais idade usando bicicleta], melhora na qualidade do parque ciclístico [renovação da frota] e uma recuperação de antigos usuários de bicicleta [quem tinha aposentado a magrela voltou a utilizá-la como meio de transporte].”
Veja uma animação mostrando o funcionamento do sistema e um vídeo no Youtube.
Já estou convencido das vantagens desse sistema. Quando teremos por aqui?
Falando sério, será que os caras dessa empresa não poderiam vir pra cá fazer algumas palestras para as principais prefeituras? Alguém aí tem como fazer o meio de campo para esse tipo de contato?
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Bicicleta é transporte .
Tags: bicicletário, lá fora, mais bicicletas
06/04/2006 - 16:34
O presidente mundial da Renault diz que “existem muitos lugares fora de São Paulo onde as pessoas podem usar automóveis sem qualquer problema” – ou seja, em São Paulo não dá mais.
Além disso, ele diz com todas as letras que “tem de haver um balanço entre o uso de carros privados e o transporte coletivo”. E olha que ele falou isso no ano 2000! Naquela época ele já reconhecia que tem carro demais na rua por aqui…
Lembre-se disso quando estiver dentro do carro às 18:30 aqui em São Paulo, condenado a esperar 15 minutos para conseguir cruzar uma avenida. É capaz uma bicicleta te ultrapassar a fantásticos 20km/h.
E não, eu não estou exagerando! A CET disponibilizou em seu site um balanço da Operação Horário de Pico, o famoso rodízio. Uma das coisas interessantes nesse documento é que as médias de velocidades dos veículos motorizados nos horários de pico parecem médias de passeio de bicicleta: 22 km/h, 17, 21… Uma das médias é de 16 km/h! Ridículo!
Tá com pressa? Vai de bike!
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . São Paulo parada .
Tags: menos carros, o custo real dos carros
05/04/2006 - 18:25
A Bicicletada de São Paulo tem se tornado cada vez mais criativa. Nas últimas edições, o que se viu foi o predomínio da criatividade, da festa, da alegria de se trocar o carro pela bicicleta. Em vez da postura agressiva com os motoristas, comum – e até certo ponto compreensível – de algumas manifestações do passado, tem-se mostrado que existimos e que temos direito ao nosso espaço nas ruas, com bom humor e ações mais duradouras.
Essa nova postura se torna interessante à mídia não especializada, resultando em uma exposição maior do movimento e principalmente da idéia da bicicleta como meio de transporte. Recentemente foi ao ar no site iG Jovem uma matéria sobre a Bicicletada paulistana.
Veja o que aconteceu nas últimas edições, com fotos e vídeos:
Sinalização de permitido bicicleta (jan/06)
Inauguração da Praça do Ciclista (fev/06)
Limpeza da Praça, hasteamento de bandeira e bicicletário (mar/06)
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . A Bicicleta em São Paulo .
Tags: Bicicletada, mais bicicletas, menos carros
04/04/2006 - 12:09
Como os carros se preparam para causar menos danos em caso de atropelamento
Por Cristiano Hickel (*)
Não é piada, é a capa da revista Quatro Rodas de abril.
“(…) Mas o tempo em que a vida do atropelado dependia só da ação dos médicos e dos socorristas está ficando no passado. Hoje, a sobrevivênvia do pedestre num choque também está nas mãos de engenheiros automobilísticos.”
Nunca na mão do motorista.
“(…) Numa colisão frontal, o joelho é o primeiro a sofrer o impacto contra o pára-choque, uma fração de segundo antes de a cabeça encontrar a resistência do capô ou do pára-brisa. (…) Outra parte dos ferimentos é causada pelo choque da pessoa contra chão. Isso não tem jeito. O que dá para fazer é minimizar o impacto do veículo com o pedestre.”
Educar os motoristas não tem jeito. O que dá para fazer é tirar pedestres de circulação.
Não sei se dou risada. Será que não entendi a ironia? Estou pasmo.
Prossegui minha leitura, duvidando que pudesse piorar, tentando ser otimista e encontrar o tom do texto, mas eis que:
“(…) Muitos fabricantes largaram na frente e já adotam novas soluções e tecnologias para tornar o golpe menos desleal. A maioria se concentra no capô e no pára-choque e funciona bem para acidentes com velocidades urbanas, de no máximo 50km/h. Soluções não faltam. A mais empregada é o uso de materiais mais maleáveis que o aço, como o alumínio…”
AAAAAHAHAHAHAHA! HHEHEHEHEHEHAHAHAHA! Cof! Cof! Coff! Hehehehe. Agora entendi! Trata-se de uma bricadeira, assim como essas “pegadinhas”.
A partir de agora vou andar com um daqueles martelos de borracha preso ao quadro da bicicleta. Precisa explicar pra quê?
Por mais radical que eu tenha me tornado nesses últimos anos, convenhamos, isso não é sério. É?
Ainda não acabou:
“Enquanto os fabricantes estudam maneiras de minimizar o impacto de um atropelamento, algumas montadoras já pensam em como evitá-lo. (…)”
Óh! Li o início desse parágrafo e recuperei esperanças! Alguém lúcido no mundo automobilístico. Vamos ver o que diz o resto:
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| Veja aqui um estudo sério sobre a dinâmica do atropelamento. A uma velocidade de 32km/h, 5% dos acidentados morrem. |
“Em parceria com a DaimlerChrysler, a Volkswagen desenvolveu um Passat que vê o pedestre, prevê o acidente e faz de tudo para que ele não aconteça. (…) Se a pessoa corre risco, os freios ABS são acionados automaticamente (…) se o carro estiver a 40km/h, o dispositivo reduz a velocidade em menos de 1 segundo para até 11,2km/h, número quase inofensivo para um atropelado.”
Pffff. Bem que eu tentei… O indivíduo que considera 11km/h quase inofensivo é porque, certamente, só tira a bunda de dentro do carro pra ir ao banheiro – completamente sem noção. Se eu acelerar uma placa de aço a 10km/h em direção à cabeça dele, será que machuca?
Já perdeu a graça, não é? Estou quase no fim:
“(…) “É difícil adaptar um modelo às normas. Materiais bons para o pedestre nem sempre protegem os ocupantes.”"
Se o condutor ganhasse uma descarga elétrica proporcional à intensidade da batida no pedestre e a dor causada, estaríamos de igual para igual. Porque não invertemos essa lógica?
Por fim, reservei essa pérola de depoimento, o qual testemunha o caráter individualista e irracional intrínseco ao motorista padrão:
“(…) “É difícil fazer o consumidor pagar mais para proteger o outro,” diz Jean-Marie Mortier, diretor da Euroconsummers, uma associação européia para o direito do consumidor.”
Ou seja, os outros que se danem.
Fazendo uma análise mais criteriosa, se juntarmos outros fatos recentes (o comercial da Fiat, por exemplo, entre muitos outros) podemos observar que trata-se de uma ação desesperada e covarde da indústria automobilística em resposta à reação que o mundo está dando à esse padrão insustentável.
Em outras palavras, podemos perceber como a indústria está se defendendo para justificar a venda de automóveis em meio a uma discussão mundial muito forte, que trata de mudanças climáticas, combustíveis, saúde pública, etc., onde o automóvel é o protagonista.
Será que estou ficando louco?
(*) Cristiano Kern Hickel, estudante de Engenharia Ambiental, pesquisa fontes alternativas de energia e atualmente tem debatido a temática Mobilidade Urbana dentro dos preparativos da Conferência Municipal do Meio Ambiente em Porto Alegre. É representante da Transporte Ativo no RS.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): . Motorcracia .
Tags: carro rei, desrespeito ao pedestre, imprensa viciada, marketing sem limites, o custo real dos carros
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